Dont Let Me Fall
38 A chuva da meia-noite.
Notas iniciais
Capítulo 38 – A chuva da meia-noite.
–Eu avisei, não avisei? Falei que isso não era uma boa ideia. –Diz Luiz. –E todo nosso esforço para esse moleque ser feliz foi em vão.
–Não querido, não foi em vão... Essas coisas acontecem, e daqui a pouco eles já estarão se falando...
Luiz sentou-se ao lado da esposa, à contragosto.
–Estou de saco cheio, você mesma disse que não aconteceu nada sério entre eles, então por que tudo isso está acontecendo?
–É que o Matheus está muito abalado ainda e...
–Dane-se! Só porque ele é gay, não significa que ele tem que agir igual uma menininha...
–Não fale desse jeito do nosso filho, ele não está sendo melodramático.
–Por que então você não conversou com ele?
–Ele não quis! Eu acabei dizendo que o Felipe me explicou tudo, e foi aí que ele não quis me ouvir mais...
–Já chega, eu mesmo vou ir falar com esse garoto.
–Ele não é mais um garotinho, ele vai fazer dezenove anos...
–Não importa, se ele está agindo como uma criança, deve ser tratado da mesma maneira.
Ana suspirou, colocando a mão na testa.
–Você está certo, mas não seja duro demais com ele...
–Assim que ele chegar, converso com ele.
–Tudo bem, acho que ele chegará no horário de sempre, porque ele não veio para almoçar...
Narrado por Matheus
Me assustei com o que ele tinha acabado de fazer, me soltei de seu abraço repentino, e ele me olhou, compreensivo, dizendo para eu me acalmar, e se afastou. Leonardo deu as costas para mim, e caminhou até a cama, sentando-se sobre ela.
–Me desculpe...
Fui até ele, colocando a mão em seu ombro. E ele disse:
–É que eu só não queria te ver assim... Eu sei como dói Matheus...
–Eu estou bem. –Menti.
Me sentei ao seu lado, e segurei em sua mão, ele me olhou, confuso, mas com um sorriso no rosto, eu engoli seco, estava nervoso, acho que ele percebeu que minhas mãos estavam geladas.
–Você é uma boa pessoa... –Completei.
Ele me olhou com aqueles olhos brilhantes e esverdeados, tudo nele era admirável, seu rosto tinha uma expressão bonita, seus cabelos eram de um castanho escuro e penteados de um jeito bagunçado.
Mal reparei que minha mão já acariciava seu rosto, quando me dei conta, era tarde demais para parar. Deslizei meus dedos para a lateral de seu rosto, sentindo sua costeleta, e novamente surgiu um sorriso em seus lábios, que tinham uma cor convidativa.
Seus braços foram para trás de minhas costas, que me fizeram aproximar dele, e me aconchegar em seu peito, me abraçando. Ele não disse mais nada, somente remexia seus dedos em meus cabelos, levantei a cabeça, ainda abraçado com ele, e percebi que Leonardo também olhava para mim.
Eu estava cada vez mais nervoso, mas ao mesmo tempo, gostava daquele abraço, estava tão confortável, porém constrangedor, eu o considerava meu amigo, mas não sabia que ele me considerava tanto assim.
Leonardo afrouxou o abraço, e segurou em minha nuca, me fazendo o encarar novamente, pensei que ele ia dizer algo, mas somente fechou os olhos, e veio aproximando aos poucos seu rosto do meu, pensei em me afastar, e mesmo seu abraço não estando tão apertado assim, não quis fugir.
Somente fechei meus olhos, deixando que acontecesse.
POV MATHEUS OFF
Narrado por Thiago
Eu havia acabado de chegar na casa de Renato, nós tínhamos saído para comemorar o lançamento do nosso CD, que seria em breve. Eduardo tinha convencido Renato para finalmente sair de casa, e conseguiu.
Me sentei no sofá, ligando a TV, quando Renato chegou, dizendo:
–Os seus pais ainda estão no seu pé por causa da banda?
–Pois é, ainda não se conformaram, e meu pai não quer que esse seja o meu futuro, já minha mãe diz que quer que eu tenha um curso superior ao menos para caso isso não dê certo, mas no fundo, eles realmente não estão contentes...
–Mesmo que a banda não dê certo, nós podemos viver bem...
–Acho que o problema é que eles querem que eu saia logo de casa...
–Por isso eu disse “nós”.
–Como assim?
–Você prometeu pra mim que viria morar comigo...
–Renato... –Disse chamando sua atenção.
–O que foi? Fala aí que não quer.
–Eu quero, mas...
–Nada de “mas”, estou somente esperando você vir...
–Eu queria ter minha própria casa...
–Porque não quer vir me incomodar... E bláblá...
Eu ri, era realmente aquilo que eu sempre dizia.
–Ah, pare de ser fresco... –Diz ele.
Ele estava sentado ao meu lado quando deitou a cabeça no meu colo, colocando os pés no apoio de braço do sofá.
–Ou será que você tem outro motivo para não vir pra cá? –Questiona ele. –Estou começando a achar que você está enjoado de mim...
–Se eu tivesse, não passaria mais tempo aqui do que na minha própria casa...
–É porque você já considera aqui a sua casa, certo?
–Também... Mas você sabe que é porque eu adoro ficar do seu lado... –Falei sorrindo, o encarando. –E adoro quando você fica manhoso assim...
–Eu? Manhoso?
–É. –Falei rindo. Abaixando e lhe dando um beijo.
–Talvez...
–Mas por que você quer tanto que eu venha pra cá?
–Não é óbvio? Pra ganhar mimo. –Renato diz rindo.
Acariciei seu rosto, ele parecia cansado, suas olheiras estavam escuras, quando eu dormia na casa dele, a maioria das vezes nós dormíamos muito tarde, e eu sempre o acordava de manhã, não o deixava dormir direito.
–Você quer ir dormir? –Perguntei.
–Não, ainda é cedo...
–Eu sei, mas você parece cansado.
–Eu estou bem...
–Tem certeza?
–Tenho... Mesmo eu querendo ir para a cama...
–Pode ir dormir, eu não ligo.
–Quero ir para cama com você, Thiago.
–Idiota.
–Não tenho culpa se você achou que eu queria dormir.
Renato levantou a cabeça do meu colo e sentou ao meu lado.
–Você quer? –Perguntou ele.
–Não. –Falei seco.
–Ah... Não faz esse bico...
Virei o rosto para o lado, e ele se aproximou, colocando a mão na minha coxa, e subindo para o meio das minhas pernas.
–Vem Thi...
–Não me chama assim... –Falei tentando tirar a mão dele dali.
–Vou ter que te pegar no colo então?
–Besta. –Falei me levantando do sofá e indo para a cozinha.
Cheguei ao cômodo ao lado, eu saberia que ele viria atrás de mim, com suas “técnicas avançadas de sedução” como ele assim dizia, mas eu tentei mudar o rumo do assunto. E quando ele apareceu, eu estava com o celular na mão.
–Pra quem está ligando?
–Matheus.
Ele ergueu uma das sobrancelhas, desconfiado, e disse:
–Pra quê?
–Faz muito tempo que eu não falo com ele, a última vez, acho que foi quando ele me ligou para falar que passou na faculdade que ele queria...
–Não gosto desse cara.
–Mesmo depois de eu ter esclarecido tudo?
–Claro que sim, nunca vou gostar dele, ele já teve um lugar no seu coração um dia.
–Pare com isso Renato, você sabe que faz muito tempo...
Ele me abraçou por trás, mordendo minha orelha enquanto tirava o celular da minha mão.
–Deixa isso pra depois... –Renato sussurra em meu ouvido. –Vem dar um pouquinho de atenção pro seu namorado...
Essa voz...
Ah...
Essa voz...
Me virei para ele, enlaçando meus braços em seu pescoço enquanto ele puxava minhas duas coxas para os dois lados do seu corpo, me levantando e me carregando, para onde eu já conhecia o destino. Sua cama.
POV THIAGO OFF
Narrado por Matheus
Eu não acreditava, ainda de olhos fechados não conseguia acreditar que eu estava o beijando, Leonardo tentou se afastar, ele parecia envergonhado, acho que por isso tinha sido cuidadoso comigo. Ele finalizou o beijo indo com seu rosto para trás, e quando ele me encarou, minhas bochechas arderam de vergonha.
Eu estava tentando assimilar tudo, olhei para baixo, envergonhado, e passei a mão no rosto, Leonardo suspirou, parecia chateado. Até que ele quebrou o silêncio.
–Você não queria... Não é?
–N-Não é isso... –Me esforcei para que as palavras saíssem da minha boca. –É que ainda estou um pouco surpreso de isso ter acontecido...
–Foi tão ruim assim?
–Totalmente o contrário... Mas é que...
–Você ainda o ama, certo? –Leonardo ressalta.
–A-Acho que sim... –Falei, com ainda mais dificuldade.
–Eu sei como é, Matheus... –Ele falou afastando a mecha de cabelo que estava na frente de meus olhos, para trás da orelha.
–Estou tentando fazer o que você disse...
–Seguir em frente? –Leonardo indaga.
Gesticulei a cabeça positivamente.
–Você sabe que eu posso te ajudar... Podemos manter em sigilo por um tempo... Só até você me dar uma resposta se quer continuar ou não...
–Estou confuso, minha cabeça está cheia para essas coisas, Leo...
–Eu sei, eu sei... –Diz ele me abraçando novamente, apertando minha cabeça contra seu peito.
–Que cheiro bom... –Falei sem perceber.
Ele riu e percebi a idiotice que eu tinha acabado de dizer. Não tinha como voltar atrás.
–Do meu perfume? –Ele questiona.
Fiquei calado, não queria piorar a situação.
Ele afagou meus cabelos, mas logo se levantou. Continuei sentado na cama, mas olhando para baixo, como eu poderia voltar a encará-lo depois de tudo aquilo?
–Quer beber alguma coisa? Eu vou ir buscar algo, você bebe?
–Não.
–Tenho refrigerante também...
–Pode me trazer um copo d’água? –Falei envergonhado.
–Tudo bem.
Ele não disse mais nada, parecia constrangido também, aquilo tudo tinha sido muito estranho, nós éramos colegas, acho que foi isso que ele quis dizer com “manter em sigilo”, ninguém além de nós saberia dessa relação, e que não mudaria nada dentro da faculdade.
Eu deveria tentar?
Ele saiu do quarto, deixando a porta encostada, me levantei e fui até o livro, o pegando e indo novamente para o sofá. Abri na primeira folha e comecei a ler, realmente parecia ser um livro muito bom, eu estava na terceira folha quando ouvi os passos de Leonardo, até que ele disse:
–Parece que gostou mesmo do livro.
–Sim, é muito bom...
–Aqui, sua água.
Peguei o copo de sua mão, e dei algumas goladas. Na outra mão de Leonardo, estava um copo com várias pedras de gelo dentro, e uma bebida escura, parecia forte, o cheiro era evidente.
–Quer um pouco? –Ele pergunta quando percebe que eu estava o encarando.
–Não.
–É Jack Daniels, já provou?
–Só ouvi falar, mas nunca gostei de uísque.
–Entendi.
Ele tomava aos poucos, até que eu estava um pouco curioso para provar, mas parei de encará-lo.
POV MATHEUS OFF
Ana andou até a sala de estar, onde o marido via TV.
–Já está um pouco tarde, o Matheus já deveria ter voltado, não acha? Será que aconteceu alguma coisa com ele? –Ana disse a Luiz, que não deu resposta. –Qualquer coisa, se ele ligar me avise, vou ir fazer o jantar...
Narrado por Felipe
Fiquei em casa o dia todo, eu não tinha coragem para voltar à cidade vizinha, eu sabia que teria consequências na faculdade se continuasse faltando, mas pensava seriamente em trancá-la para continuar depois. Assim seria até bom, porque me afastaria de Aline.
Eu fiquei ao lado de meu celular o dia todo, mas não recebi nenhuma ligação nem mensagem de Matheus, e me controlava ao máximo para não procurá-lo. Por um tempo iria deixá-lo esfriar a cabeça, mas logo eu conversaria com a mãe dele, e assim tentaria me aproximar aos poucos.
Mas para piorar, Nina estava doente, o tempo seco havia a deixado assim, segui tudo o que o veterinário tinha me dito, estava cuidando dela. Mas ela parecia um pouco abatida também, não pela gripe, porque das outras vezes que isso acontecia, ela nunca ficava para baixo. Mas talvez por influência minha, dizem que o cachorro consegue sentir tudo o que seu dono sente, e creio que seja verdade, ela ficou deitada ao lado da minha cama o dia todo, esperando alguma reação minha, e as vezes até choramingava.
Eu tinha levantado poucas vezes, e nessas vezes, ela me seguia para onde eu fosse, pelo menos, ela era uma boa companheira.
Quando me cansei de ficar deitado, me sentei para ver que horas eram, estava perto da hora do jantar, e fui ver se Samanta precisava da minha ajuda, eu estava sempre ali, vendo se ela precisava de alguma ajuda, e ela me tratava como uma mãe, eu estava até aprendendo algumas coisas na cozinha, e hoje ela ficou de me ensinar um prato que eu queria cozinhar para Matheus.
Acho que quando essa oportunidade chegasse, ele ficaria surpreso, imagina só, uma pessoa que mal sabia fritar um ovo, cozinhando um prato francês. Estranho, não?
Cheguei na cozinha, e percebi que eu estava pensando novamente nele, meu coração apertou, eu tinha que ser forte, fazer o que Samanta me disse e recuperá-lo.
–Lipe, está pronto para cozinhar? –Samanta me chamou, me acordando dos devaneios.
POV FELIPE OFF
Narrado por Matheus
–Já está um pouco tarde... –Falei.
–Não vá embora agora, nem conversamos direito...
–Tem certeza que posso ficar?
–Claro que sim, podemos pedir algo para comer, gosta de comida chinesa?
–Gosto.
–Certo, vou fazer o pedido.
–Mas eu que pagarei. –Contestei.
–Não, você é meu convidado...
–Se for assim, irei embora.
–Rachamos, então?
–Tudo bem. –Falei rindo.
Depois de um tempo, Leonardo fez a encomenda, e ficamos conversando um pouco na cozinha, onde ele arrumava a mesa, era outro lugar muito bem decorado.
–Outro dia que eu tiver a oportunidade, cozinho pra você... –Leonardo disse.
–Você cozinha?
–Ah, nem tanto, fiz um curso de comida italiana por um tempo, mas parei.
–Entendi...
–Você virá aqui mais vezes, não virá?
–Sim, se você quiser.
–Já é bem vindo...
Eu sorri, ele estava falando um pouco mais do curso quando ouvi a campainha, Leonardo foi atender, e o esperei sentado. Logo ele voltou com uma sacola, colocando-a na mesa.
–Vamos comer? –Disse ele.
Leonardo tinha pedido um Yakisoba tradicional para nós, ficamos conversando enquanto comíamos. Eu estava conhecendo um pouco mais do lado pessoal dele, e não somente o profissional, ele realmente parecia ser uma boa pessoa, e tinha muitas histórias para contar. Ainda bem, porque eu era péssimo em achar assuntos.
Depois que terminamos, ajudei-o a arrumar tudo. E ele me convenceu a tomar um gole do uísque que antes ele tomara, não gostei, era como os outros uísques. E eu não entendia como existiam pessoas que conseguiam saborear algo com esse gosto, só que eu não disse isso para ele.
Quando subi novamente para seu quarto, para pegar o livro, ele disse que ainda era muito cedo para ir embora. Eu também não queria ir, estranhamente, eu me sentia confortável com ele.
–Seria ruim para você se eu ficasse mais um pouco? –Falei.
–É claro que não. Você quer ficar?
Gesticulei a cabeça positivamente.
–Então vem... –Diz ele segurando em minha cintura e me puxando. –Vamos assistir um pouco de TV.
Leonardo me levou até sua cama, ele tirou os sapatos e deitou, pedindo que eu deitasse ao lado dele. Envergonhado, tirei meu tênis, sentando ao seu lado. E Leonardo pegou o controle, ligando a TV de plasma, que ficava na parede, em frente à cama.
Eu estava ainda um pouco envergonhado, e afastado dele na cama, até que ele me olha, e diz:
–Não fique tão acanhado, fique a vontade, pode deitar.
Com aquela frase, fiquei ainda mais constrangido, minhas bochechas arderam de vergonha, mas tínhamos nos beijado mais cedo, nada seria mais constrangedor que aquilo. Depois de pensar um pouco, e por ele insistir, finalmente me deitei, mas ainda encostado à cabeceira da cama.
Leonardo parecia não se importar, mas para mim era “intimidade” demais, talvez para ele, que morava sozinho, devia ser normal.
–Você está bem? –Leonardo pergunta.
–Estou sim...
–Não parece confortável.
Olhei para todos os lados, menos para ele, e não consegui achar uma resposta.
–Viu, está inquieto... Está com vergonha? –Pergunta ele, sorrindo torto.
–U-Um pouco... –Falei quase sussurrando.
–Não precisa, eu não mordo... Vem, encosta aqui... –Diz ele puxando meu braço e me fazendo cair deitado em seu peito.
Fiquei paralisado, novamente senti aquele cheiro bom de perfume, minhas bochechas estavam fervendo. Eu não devia estar fazendo isso...
–Está com frio? –Pergunta ele puxando a coberta.
Meu coração somente acelerava a cada coisa que ele fazia, ele agia tão naturalmente, que eu me sentia malicioso por pensar besteiras de tudo aquilo. Ele cobriu até a metade dos nossos corpos, realmente estava frio, e o tempo ameaçava chover em breve.
–Era por isso que estava tão desconfortável, não é? Estava com frio...
Engoli seco, eu estava constrangido demais para falar.
Até que, para quebrar aquele gelo, meu celular começa a tocar, o peguei do bolso da calça, e vi quem era pelo visor.
–Ah... É minha mãe... –Bufei.
–Pode atender.
–Eu não quero falar com ela, eu sei que ela quer saber onde eu estou... Mas não quero falar com ela nesse momento...
–Entendi, então desliga a chamada.
–Eu não consigo, nunca desliguei na cara dela todos esses anos...
–Quer que eu fale com ela por você?
–Não precisa... Acho que o melhor a se fazer é ir pra casa...
Leonardo pareceu um pouco triste, mas não disse nada.
–Mas eu não quero ir... –Falei. –Além do mais, começou a chover...
–É verdade, não reparei. –Diz ele olhando para as janelas.
Fechei os olhos e abracei Leonardo, que afagou meus cabelos.
–Tudo bem se quiser ficar... E por mim você dormiria aqui... –Diz ele, rindo.
–Acho que não é para tanto.
–Se bem que você bebeu. Não pode dirigir...
–E-Eu... Eu me esqueci disso... –Falei bufando. –Droga.
–Acalme-se...
Leonardo chamou meu nome, fazendo com que eu olhasse para ele, ergui meu rosto e o encarei. De repente, ele coloca sua mão em minha nuca, me empurrando para beijá-lo.
Não resisti, novamente, fui me dar conta do que estava fazendo somente depois da ação. Ele continuou me beijando, quando desviou seus lábios para minha bochecha, abri os olhos, e ele continuava sua trilha para o meu pescoço.
Não me contive quando ele começou a dar beijos leves naquela área, por que ele estava fazendo aquilo? Eu estava com tanta vergonha, mas não podia pará-lo, ele fazia aquilo de uma maneira tão delicada, e irresistivelmente boa...
Quando ele me mordeu, senti um arrepio, mas ainda sim, uma vontade de rir, mas acabei dando um gemido involuntário.
–Ah... P-Pare com isso Felipe...
Leonardo parou, e me olhou repreensivo, e só fui entender o motivo daquela expressão quando ele me pergunta:
–Felipe?
–D-Desculpe... E-Eu não... Eu não devia... Foi sem querer, me desculpe...
–Não, está tudo bem, Matheus... –Diz ele passando o polegar delicadamente em meu rosto. –Eu sei que você ainda pensa nele.
–Mas eu não estava pensando nele agora, eu juro! Foi involuntário...
–Vocês faziam muito isso?
Senti meu corpo todo queimar de vergonha, não acreditava no rumo que aquilo havia tomado.
–P-Por favor, eu não quero falar disso...
–Tudo bem, tudo bem...
Ele me abraçou novamente, eu não consegui o encarar, fiquei deitado abraçado a ele um bom tempo, como sempre, não consegui dizer nada. Leonardo somente estava embaraçando seus dedos nos fios dos meus cabelos, enquanto eu podia ouvir seu coração.
Aquilo tudo era tão tranquilizador que eu nem imaginava que podia esquecer o constrangimento que eu tinha passado pouco tempo atrás.
POV MATHEUS OFF
–Já está melhor, Matheus? –Diz Leonardo. –Matheus?
Ao olhar para Matheus, Leonardo viu que ele tinha adormecido, sorriu e acariciou o rosto dele, tinha percebido mais cedo que ele estava com olheiras profundas, e não interferiu no seu sono.
Abaixou o volume da TV e os cobriu um pouco mais, a chuva parecia ter ficado mais forte lá fora, era até relaxante ouvir o som dela batendo contra o vidro da janela, era como uma melodia.
Leonardo olhou novamente para o rosto angelical de Matheus, pensava se não era errado tentar ficar com uma pessoa que mal conhecia, só que o problema maior, era a diferença de idade, ele era dez anos mais velho, e já tinha feito coisas no passado que talvez Matheus não admitisse.
Contudo, deixou esses pensamentos de lado, estava feliz pela companhia dele, Matheus havia dormido do jeito que estavam há pouco tempo, abraçados, e Leonardo forçava-se ao máximo para não se mover e acordá-lo.
Com o barulho da chuva lá fora, e alguns burburinhos indescritíveis da TV, Leonardo foi ficando sonolento, e fechando seus olhos aos poucos, pegou no sono, assim como Matheus.
Com o passar da madrugada, Leonardo torna a acordar com o barulho do celular de Matheus, que estava ao lado da cama, viu que era a mãe dele, mas desligou a chamada, para não acordá-lo, e não atendeu, por não saber o que dizer à ela. No relógio marcavam quase três da manhã, e Matheus acordou com o movimento de Leonardo levantando.
–Que horas são? –Matheus diz, sonolento.
–Quinze para as três. –Diz ele desligando a TV, e a luz do quarto, voltando para a cama. –Mas não se preocupe, vamos dormir... Está bem?
Leonardo deu um beijo na testa de Matheus, e disse:
–Boa noite, Matheus, durma bem...
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