Dont Let Me Fall

36 Promessa é promessa.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura!

Capítulo 36 – Promessa é promessa.

Narrado por Matheus

Agradeci ao Dr. Martinez pela carona e tirei as chaves de casa do bolso da calça, assim que entrei pela porta da frente, percebi algumas vozes na sala de estar, e alguns burburinhos que não consegui compreender.

Fui andando pelo corredor e abri a porta que dava à sala de estar, meu coração gelou, não acreditei na cena que vi, queria sair correndo dali, mas não podia, eu estava paralisado.

–O que está acontecendo aqui?!

–Matheus! –Diz Felipe levantando-se do sofá.

–Não chegue perto de mim... –Disse dando dois passos para trás ao ver que ele se aproximava.

–Filho, eu acho que você deveria deixar Felipe te explicar melhor a situação.

–O que você fez?! O que disse para minha mãe acreditar em você?!

–Eu sei que você pode não querer me ouvir, mas...

–Chega Felipe! Eu já dei um basta nisso faz tempo...

Felipe suspirou, eu estava quase com os pulmões para fora de tanto nervosismo. Percebi novamente que ele vinha em minha direção, mas fui mais rápido, adiantei meus passos e fui até o meu quarto, trancando a porta, encostei-me a mesma e deslizei até o chão, abraçando os joelhos.

Minha visão ficou turva, minhas lágrimas chegaram junto com as batidas na porta do quarto, a voz de Felipe estava exaltada... Aquela voz, que antigamente eu amava ouvir, agora me dava nos nervos, fazia meu corpo tremer, abalando a única estrutura que ainda me mantinha firme.

Eu não aguento mais...

–Matheus! Por favor! Precisamos conversar direito!

Eu não aguento mais... Meu peito dói...

–Por favor, Math...

Por quê?! Por que Felipe? Por que fez isso comigo?

–Abre a porta Math...

O amor que eu te dei não foi o suficiente? Foi realmente em vão?

–Matheus, eu juro... –As batidas continuavam.

Meus pensamentos quase gritavam comigo, mas as palavras não saíam da minha boca.

–Eu te amo Matheus, eu nunca te trairia, acredite em mim... Como posso te provar?

Não tem mais volta...

–Math, você está me ouvindo?

Não vou dar uma segunda chance...

–Matheus!

A voz de Felipe parecia cada vez mais cansada, quando percebi que ele tinha parado, logo senti meu celular vibrar no bolso da calça, o peguei e vi que no visor era uma chamada de Felipe, não atendi e desliguei o celular. Alguns instantes depois, Felipe me chamou uma última vez, mas continuei calado.

Ouvi seus passos se afastando da porta do meu quarto, ficando cada vez mais lentos e inaudíveis, como as batidas do meu coração, quando não consegui ouvir mais nada, desejei que ele tivesse levado meu coração junto.

Meu peito doía...

A dor era tão forte, que era como se Felipe tivesse deixado um buraco em mim, mas ele já tinha feito seu rastro de destroços no meu coração, meu estômago se embrulhava de nervosismo, eu não conseguia imaginar minha vida sem ele, ele era meu chão, meu ar, meu tudo... E se foi...

Ele fazia parte de mim, como podemos viver sem uma parte do nosso corpo?

Ouvi o barulho potente do motor da moto de Felipe ligar, meu coração se exaltou novamente, quase saiu da minha boca, querendo pular pela janela, para encontrar-se com ele, mas ele deu partida e acelerou, indo embora completamente.

As lágrimas me dominaram, me arrastei dali até minha cama, abracei o travesseiro, desolado.

A primeira idiotice que passou pela minha cabeça, foi em fazer algo terrível contra o meu próprio corpo, mas respirei fundo, aquilo era bobagem, eu não poderia jogar fora minha vida por aquilo, e logo depois voltei a querer me mutilar por pensar igual uma adolescente depressiva.

Eu preferia ter sido rejeitado por Felipe desde o início, para não ter que suportar todas essas coisas nesse momento...

Ouvi mais batidas na porta do quarto, era minha mãe dizendo que queria falar comigo, mas eu não queria ouvir as coisas que Felipe inventou vindo da boca da minha mãe, continuei calado, ela não insistiu, disse que caso eu mudasse de ideia, ela estaria em seu quarto.

Apertei ainda mais o travesseiro, eu queria poder ter os carinhos da minha mãe naquele momento, queria ouvir suas doces palavras me acalmando...

Meu peito voltou a apertar, ainda com mais força.

As lágrimas inundaram meu rosto, assim que virei para o lado, elas acompanharam o movimento, fazendo sua trilha até o queixo.

Meu peito doía tanto...

Tanto...

Os soluços começaram, sentei-me, me encostando à cabeceira da cama, trouxe o travesseiro comigo, afundei meu rosto nele e solucei, tentando conter as lágrimas, ao mesmo tempo em que não paravam de despencar.

Meu peito apertava cada vez mais, e eu soluçava, clamando por oxigênio, tentando parar, de algum modo, as incessáveis lágrimas.

Ouvi um ruído na porta do meu quarto, achei que era minha mãe novamente, até que os barulhos ficaram mais claros, eram arranhões e miados.

Levantei da cama, abri a porta para o único ser que eu queria ver naquele momento, peguei TomTom no colo, que sempre arranhava minha porta, desesperado para que eu abrisse. Tom era o único que podia me ver daquele jeito.

Tranquei a porta novamente e voltei para a cama com TomTom no colo, ele era a única companhia de que eu precisava para conseguir dormir aquela noite, mesmo aquilo sendo uma tarefa difícil.

POV MATHEUS OFF

Narrado por Thiago

Eu estava na casa de Renato, ele disse que a gravadora estava com os papéis do contrato quase prontos e que nossas músicas já estavam ficando famosas na rádio.

Eduardo e eu já estávamos até pensando em alguma festa ou sair para comemorar, mas Renato dizia que não teria tempo para aquilo, pois a gravadora pediu que tivéssemos ao menos a composição de uma letra nova para a faixa bônus do CD que em breve gravaríamos.

Mas Eduardo dizia que seria inútil tentar convencê-lo a sair, pois quando Renato cismava em escrever uma música, ele queria terminá-la por completo sem ninguém para atrapalhar.

Eu tinha acabado de receber outra ligação de Eduardo, dizendo que ele já tinha chamado alguns amigos, e me convidou também para ir até o rodízio. Talvez Renato não ficasse zangado se eu fosse, porque estava compondo, e eu não queria atrapalhá-lo.

Quando desliguei a chamada, Renato estava atrás de mim, que disse:

–Então você vai mesmo sair?

–Bom... O Edu tá insistindo bastante... Eu pensei em dar uma passadinha...

–Tudo bem, quer uma carona até lá?

Estranhei aquela cordialidade, mas ele não parecia brincar, então respondi:

–Se não for te incomodar...

–Não tem problema e além do mais, já é tarde, é perigoso você ir sozinho.

Sorri, era tão fofo quando ele se preocupava comigo.

–Vou pegar as chaves, me espera na sala...

Renato realmente não parecia estressado, e nem sendo sarcástico, mas ele não parecia estar sendo inteiramente verdadeiro. Pensei bem, sentei no sofá e tirei os sapatos, então logo escuto passos e Renato se aproximou, me olhando confuso.

–Não está pronto?

–Eu não vou mais... –Falei.

–Ele ligou pra cancelar?

–Não, mas não é isso... É que... Eu pensei que se eu fosse, iria deixar você trabalhar na música em paz, e se eu ficasse, eu iria te atrapalhar, mas pelo menos eu estaria do seu lado... Quero ficar aqui com você, posso?

Renato deu o sorriso mais lindo do mundo.

POV THIAGO OFF

Narrado por Felipe

Cheguei em casa, não estava com saco para pegar estrada, meu pai me estranhou ao me ver entrando pela porta da sala, e perguntou se eu tinha esquecido algo, eu falei que não, que só queria ficar para dormir, conversei um pouco com ele, mas não tinha coragem para conversar sobre Matheus, mesmo ele perguntando o que me abatia.

Nina veio correndo e pulou em mim, colocando suas patas em meu peito e ficando em pé, como ela sempre fazia quando me via... Sentia tanta falta dela, mesmo fazendo poucos dias que eu tinha vindo pra casa. Acariciei seu pescoço e suas orelhas, ela estava com a língua para fora, respirando ofegante, como se me convidasse para brincar.

–Felipe, que surpresa! –Samanta diz vindo em minha direção. –Seu pai disse que você vai passar a noite aqui...

–É, eu estava passando aqui pra resolver umas coisas da faculdade e pensei se eu poderia ficar aqui e voltar amanhã cedo.

Peguei nas patas de Nina e as tirei do meu peito, ajudando-a a se abaixar, antes que ela me arranhasse todo.

–É claro que pode, aqui é sua casa... Bobinho. –Samanta apertou minha bochecha, parecia que ela tinha voltado com suas antigas manias. –Está com fome?

–Não muita...

–Tem certeza? Está tão pálido, pelo menos coma alguma coisa, o jantar está pronto...

–Não estou me sentindo muito bem...

–O que você tem? –Samanta se aproxima, colocando a costa da mão em meu pescoço e em minha testa. –Será que você está com febre?

–Não, eu só preciso descansar.

–Então tudo bem, se precisar de mim, estarei na cozinha...

–Pode deixar.

Fui para o quarto, tranquei a porta e me joguei sobre minha antiga cama, como eu estava com saudade do meu quarto, do meu verdadeiro quarto...

Lembrei de quando eu estava no início do ensino médio, eu era feliz e não sabia, tinha tantas coisas e ainda reclamava da minha vida... Desejava nunca ter encontrado a Aline, desejava mais que tudo reparar meus erros do passado, nunca ter deixado me levar por somente um rostinho bonito.

Meu peito doía tanto, era como se eu realmente tivesse cometido uma traição, mesmo essa palavra sendo muito pesada, eu havia escondido muitas coisas de Matheus, e isso me deixava cada vez mais com a consciência pesada... Não conseguia contar, tanto que ele descobriu sozinho, da maneira errada...

Eu tinha que parar de ver Aline como uma garotinha indefesa que havia perdido o pai, ela não era isso, era esperta, mais do que eu pensava... Tinha planejado tudo sem eu saber, o que será que ela disse ao Matheus no telefone?

Suspirei e baguncei os cabelos com força, eu realmente não tinha feito nada com ela, mas como eu provaria para o Matheus?

A noite da confraternização tinha sido a mais frustrante para mim, eu fui um dos últimos a ir embora, mas tudo parecia ir bem, eu consegui conhecer um pouco de cada aluno da minha sala, eram pessoas legais, mas enquanto eu conversava, não me dei conta de que Aline passava do limite com as bebidas, quando todos começaram a ir embora, eu não sabia o que fazia com ela, Aline mal conseguia ficar em pé sozinha, peguei o celular dela e liguei para sua mãe, que não atendia, tentei milhares de vezes, e nada.

Mas por fim, não poderia deixá-la ali, então voltamos para o condomínio, com Aline escorada em mim, que cambaleava sem parar. Quando chegamos, tentei novamente ligar para sua mãe, mas ela não atendeu. Já estava um pouco tarde, então levei Aline até o quarto vazio que tinha ao lado da sala e falei que ela poderia passar a noite ali, já que era minha última saída.

Acho que eu deveria ter a largado ali no restaurante mesmo, para alguém passar e se aproveitar dela, ela não merece compaixão alguma, o que fez comigo e com o Matheus foi imperdoável... Eu realmente desejava voltar no tempo, nunca ter ido nessa confraternização, que não me serviu para nada, eu devia ter escolhido um curso numa faculdade daqui da cidade, para ficar perto do Matheus, para protegê-lo...

Mas eu me arrependi, tanto... Tanto...

Ah... Eu fiz tantas promessas para o Matheus, ele não deveria estar sofrendo, foi tudo por uma bobeira da minha parte, por um deslize, por minha causa ele está desse jeito. Nunca o vi com tanta raiva, foi tão doloroso o ver daquela maneira, ele chorava enquanto gritava, mal conseguia controlar sua respiração de tanto nervosismo, seus olhos estavam inchados e vermelhos, e ele me encarava, com ódio, enquanto eu não conseguia fazer nada a respeito.

Se meu coração dói tanto nesse momento, mesmo sabendo do que realmente aconteceu, imagina o dele, que é tão frágil, e mal sabe da história...

Eu prometi pra mim mesmo que nunca o faria sofrer, e prometi para ele que ficaríamos juntos para sempre...

E eu vou cumprir...