Dont Let Me Fall
11 Não pode ser...
Notas iniciais
Capítulo 11 – Não pode ser...
Matheus continuava ali deitado em sua cama até que ouviu batidas na porta, se levantou e destrancou-a. Sua mãe entrou no quarto e lhe disse:
–Filho, não consegui falar com seu pai agora... Ele está fora de controle...
–Eu não queria que vocês brigassem... –Diz Matheus de cabeça baixa.
–Mas filho, uma hora ou outra você teria que contar para ele... –Diz Ana se aproximando. –E uma hora ou outra isso aconteceria... Você foi tão corajoso... –Diz ela apertando-lhe as bochechas. –Pensei até que ele fosse engasgar quando você disse aquilo...
Eles riram, mas logo o sorriso de Matheus se desmanchou.
–Ele deve estar uma fera... Como eu vou encará-lo agora?
–Do mesmo jeito de sempre... Só entenda o quanto vai ser difícil pra ele se acostumar com essa idéia...
–Eu sei, mãe...
Ana segurou nas mãos do filho e disse:
–Seja forte.
–Eu serei... –Ele responde.
No outro dia, Thiago tinha acabado de sair do banho, ele foi para seu quarto com a toalha enrolada somente na parte inferior do seu corpo e trancou a porta quando entrou.
Seu quarto era extremamente arrumado para ser de um garoto da idade dele, e muito bem decorado; havia uma mesa onde ficava seus eletrônicos, um sofá confortável que dava de frente a uma TV de plasma grande na parede, uma cama de casal sempre bem arrumada, uma porta que dava ao seu closet, e uma sacada com uma visão linda da cidade.
Ele escolheu uma blusa regata e uma calça de moletom confortável, andou até a sala, onde seus pais viam TV e seu irmão caçula estava no colo da mãe. Thiago sentou-se ao lado dela, e como de costume, o pequeno Rafael ergueu os bracinhos em direção dele para ser pego no colo pelo irmão.
Thiago segurou o pequeno e o ajeitou confortavelmente em seus braços, olhou aquela carinha sorridente e banguela, que deixou a chupeta escapar por um estante e sorriu para ele. Rafael era um bebê adorável, a cópia do irmão... Olhos verdes grandes e curiosos, a pele bem clara, e cabelos loirinhos.
Thiago entregou o chacoalho do irmão, que segurou com aquelas mãozinhas pequenas e delicadas e começou a brincar, colocou-lhe a chupeta de volta na boca, que começou a chupá-la e depois se inclinou e deu um beijo na testa do pequeno.
Os pais de Thiago tinham um jantar com amigos do trabalho àquela noite, então ele ficou encarregado de cuidar do bebê, Thiago dizia para os pais que nem precisava chamar uma babá, pois ele nem se importava em cuidar do irmão e já tinha experiência nisso.
Eles saíram o deixando sozinho com Rafael e foram para o restaurante, Thiago continuou assistindo TV com o irmão no colo e um pouco depois percebeu que Rafael já dormia. Levantou-se cuidadosamente, mas o pequeno acordou somente com esse mero movimento e começou a chorar, então Thiago foi até a cozinha e colocou um pouco de leite na mamadeira de Rafael para esquentar no microondas, quando o aparelho apitou avisando que o tempo acabou, Thiago foi até lá e certificou-se de que o leite estivesse morno com uma gota na costa da mão, e assim que viu que não estava quente demais, tampou e deu para o pequeno, que começou a tomar o leite com avidez, e depois que Rafael saciou sua fome, largou a mamadeira de lado, então Thiago o debruçou em seu ombro, dando tapinhas leves em suas costas.
Quando Thiago voltava para a sala, percebeu que o pequeno estava fechando seus olhos novamente, ele estava realmente com sono, então o levou direto para o quarto do bebê o colocou no berço, e esperou sentado na poltrona ao lado até ter certeza de que Rafael dormia, até que pegou no sono também...
Narrado por Matheus
Naquele dia, quando meu pai chegou do trabalho, ele nem sequer olhou em minha cara, quase trombou em mim e não disse nada, na hora do jantar, somente estava minha mãe e eu na mesa, meu pai se recusou a comer, depois fui escovar os dentes e distrair minha cabeça com algo prestativo.
POV MATHEUS OFF
Ana terminou de lavar a louça do jantar, preparou um lanche para o marido e levou até ele no quarto, quando chegou o viu lendo um livro na poltrona e o chamou:
–Você não comeu nada desde a hora que chegou, então eu fiz um lanche pra você... –Diz Ana.
Luiz a olhou de relance e colocou o livro na estante ao lado.
–Eu não estou com fome... –Diz ele.
–Mas querido, você tem que comer algo. –Fala Ana se aproximando. -Por que você está agindo estranho desde ontem?
–Por acaso é normal um moleque de doze anos chegar no pai e falar que é gay?
–Ah, então é nisso que você está pensando... Só que saiba que nosso filho tem quinze anos, e na semana que vem irá fazer dezesseis, e tudo que ele quer é ser aceito... Por você, principalmente...
–Só por mim não basta... –Diz ele.
–O que quer dizer com isso?
–Você não faz idéia do que eu presenciei hoje... -Diz ele. –Eu estava parado no trânsito, e pela janela do carro vi dois garotos na calçada andando de mãos dadas, a princípio eu achei aquela cena repulsiva, mas quando vi um grupo de jovens se aproximando e os humilhando com xingamentos por serem homossexuais, eu imaginei Matheus ali... E quando eles começaram a ser espancados... Era como se meu filho estivesse ali sofrendo... Eu... Eu... Não quero que meu filho corra esse perigo...
–Mas é a felicidade dele que está em jogo... –Diz Ana. –E você sabe disso...
–É a vida dele que está em jogo!
–Você está tornando isso ainda mais difícil do que é...
–Por acaso é pedir demais que meu filho tenha interesse em garotas?
–Isso não é uma decisão sua, e nem minha, só o criamos, ele é que decide o que quer...
–Ele é jovem demais pra isso...
–Se você o apoiasse, ele não teria que namorar escondido, e então não aconteceria com ele o que aconteceu com aqueles dois...
–Apoiar somente? Não vejo um jeito de isso adiantar...
–Ele namoraria em casa... Aqui sabemos que ele está seguro...
Luiz passou a mão na testa, não gostava de admitir que ela estava certa.
–Um bom modo de pedir desculpas seria uma boa festa de aniversário, você não acha? –Diz Ana.
–Uma festa?
–É, aqui em casa, eu poderia até falar para ele chamar o seu... Bom... Namorado... Sabe... Pra ver se ele é um menino de família... Não é uma má idéia, né? –Diz Ana.
–Faça isso... –Diz Luiz deitando na cama e se cobrindo. –Agora já que está de pé, desligue a luz...
Ana riu e desligou a luz do local, pegou o lanche que fez para o marido e se dirigiu até o quarto do filho.
Deu três batidas leves na porta e perguntou em voz baixa se ele estava dormindo, que por sorte respondeu que não e abriu a porta.
–Vim falar boa noite e oferecer um lanchinho... –Ana diz.
–Valeu mãe, eu estava mesmo com fome...
–Sabe... –Diz ela entrando no quarto. –Seu pai até que está calmo agora...
–Sério?
–Sim... Tivemos uma conversa, e pelo que parece em breve ele irá te pedir desculpas...
–Eu não quero o perdão dele, ele pode me odiar pelo resto da vida, mas eu só quero que ele me aceite...
–Quem sabe os dois não aconteça...
Matheus a olhou confuso.
–Seu aniversário está chegando...
–É mesmo, eu estava tão distraído que nem me lembrei...
–Sabe o que mais? Eu e o seu pai decidimos fazer uma festa em casa...
–Não precisa disso...
–É claro que precisa, sua última festa foi aos dez anos...
–Mesmo assim...
–E também... Nós queremos conhecer seu namorado, ver se ele é uma pessoa boa, queremos conhecer a família dele... Essas coisas...
–Mas mãe... Eu não...
–Amanhã já irei encomendar o bolo... –Diz Ana o interrompendo.
Matheus ficou calado, sua mãe quando se empolgava era um problema, ele já tinha certeza que sua casa iria lotar de parentes e tias e tios que moravam longe, já podia até prever os discursos como “nossa você cresceu!” ou “como vão as namoradinhas?” e o aperto nas bochechas, tudo isso o irritava, mas já estava tarde para parar sua mãe, quando ela se empolgava era difícil alguém conseguir fazê-la mudar de idéia.
Ele comeu o lanche enquanto sua mãe continuava falando da festa, e assim que ela se cansou, deu-lhe boa noite e saiu do quarto. Matheus terminou de comer, escovou os dentes e se deitou, ele pensava se seria uma boa idéia convidar Thiago, mas se não o convidasse, não teria ninguém interessante para conversar em seu próprio aniversário.
Então decidiu mandar uma mensagem perguntando se ele viria, Matheus estava com sono enquanto teclava no celular, estava quase fechando os olhos e nem percebeu que havia enviado a mensagem para a pessoa errada, então ele deixou o celular sobre a cama e foi beber um copo de água.
Quando voltou para o quarto, ouviu seu celular apitando por uma mensagem nova em cima da cama, correu até ele pensando ser uma resposta de Thiago, e a leu:
“Fico feliz que tenha me convidado, vou estar aí sim, o que quer ganhar de presente?” Enviada por: Felipe.
O coração de Matheus disparou ao ver o nome de Felipe ali, pensou até que estava delirando, mas queria tirar conclusões concretas, só que não poderia ligar para Felipe e dizer que a mensagem não foi para ele, seria grosseria desconvidá-lo dessa maneira.
Mas ainda assim queria ter certeza, então ligou para Thiago desesperado.
–Matheus? –Thiago atendeu a chamada com voz sonolenta. –É você?
–Sim, me desculpe por te ligar essa hora, mas é que eu queria saber se você recebeu alguma mensagem minha agora pouco...
–Não, não recebi... Por quê? Era muito importante?
–Não muito...
–Do que se tratava?
–Bom, era pra te convidar pra vir aqui em casa semana que vem, pra minha festa de aniversário...
–Sério? É claro que vou!
–Então tá, vai ser quarta-feira a noite...
–Ótimo... O que quer ganhar de presente? –Disse Thiago fazendo o coração de Matheus disparar com aquela frase.
–Sua presença... Nada mais...
–Amanhã então vou sair pra comprar algo que você goste...
–Não precisa se importar com isso... Enfim, vou te deixar dormir... Tenha uma boa noite...
–Você também... –Disse Thiago.
Narrado por Matheus
Desligamos a chamada e eu dei um tapa em meu próprio rosto por ser tão idiota... Eu sabia que devia ter excluído o número do Felipe na primeira oportunidade que tive, mas fui teimoso em mantê-lo na minha lista de contatos, e agora deu nisso, os dois vão estar na minha casa na quarta-feira... Tenho certeza de que essa festa vai ser um desastre...
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