Dont Let Me Fall
12 Festa de aniversário.
Notas iniciais
Capítulo 12 – Festa de aniversário.
Narrado por Matheus
Mais um dia se passa, acordo com dor de cabeça, e pra adiantar, tinha que sair com minha mãe para comprar os preparativos para a festa.
Levantei devagar da cama e fui tomar um banho para despertar, quando terminei, me troquei, e fui tomar café da manhã. Não vi meu pai novamente, minha mãe me deu bom dia e disse que ele já tinha ido trabalhar.
Tomamos o café da manhã juntos, e logo depois fui escovar os dentes para sair. Entramos no carro e fomos até o centro da cidade. Passamos em três lojas diferentes de decorações para festa, encomendamos o bolo na minha doceria preferida, os salgados e aperitivos, seria outra encomenda de um Buffet, e depois minha mãe ainda me empurrou para uma loja de roupas, dizendo que eu tinha que estar bem vestido no meu aniversário e que fazia um bom tempo que eu não comprava roupas novas.
Eu sempre odiei escolher e provar roupas, agora não era diferente, mas naquele ponto eu estava tão cansado que resolvi escolher as roupas o mais rápido possível para ir embora logo.
Finalmente estávamos indo para o caixa, a fila estava enorme, e minhas pernas quase cambaleavam de cansaço, esperamos quarenta minutos e finalmente fomos atendidos. Quando saímos da loja e fomos para o estacionamento, suspirei de alivio ao sentar no banco do carro, era tão bom sentar depois de ficar tanto tempo em pé.
Chegamos em casa, fui para meu quarto e deixei as sacolas das roupas na mesa, tirei o tênis e deitei na cama, minha mãe logo bateu na porta e entrou, ela disse que me deixaria descansar enquanto resolvia o resto das coisas.
Pelo menos naquela semana eu não iria para a escola por causa da suspensão, ninguém merecia ter que acordar cedo.
Meus olhos foram fechando devagar e logo peguei no sono, fui tendo um sonho esquisito sobre a festa, vi Felipe por todos os cantos, para mim a única pessoa importante ali era ele, mas por mais que eu tentasse, não conseguia me aproximar dele.
Acordei duas horas depois bem descansado, mas triste por ter tido aquele sonho, na hora me lembrei da mensagem de Felipe, peguei meu celular e a li novamente... Será que ele realmente tinha ficado feliz com meu convite?
POV MATHEUS OFF
Narrado por Thiago
Saí pelo centro da cidade à procura de alguma coisa que Matheus fosse gostar, ainda não tinha nada em mente, pensei em um relógio, mas seria uma coisa muito simples... Não seria o suficiente para mostrar o quanto ele importa pra mim... Continuei caminhando olhando as vitrines... Quando de repente me deparei com algo que seria perfeito...
POV THIAGO OFF
Narrado por Matheus
Quando quarta-feira chegou, eu acordei tão desnorteado que nem tinha idéia do dia ou até mesmo de que horas eram. Ainda de pijama, fui até a cozinha, onde meus pais tomavam o café rindo e conversando, sorri com aquela cena, era bom ver o sorriso do meu pai de novo, principalmente o da minha mãe.
E quando eles perceberam minha presença, minha mãe se levantou correndo e veio me abraçar, dizendo:
–Feliz aniversário, meu bebê!
–O-Obrigado mãe... –Disse quase sufocado com o abraço apertado dela.
E quando ela me soltou, nem acreditei no que aconteceu, meu pai também se levantou e abriu os braços vindo em minha direção. Corri abraçá-lo e o apertei forte, ele me acolheu em seus braços do jeito que sempre fazia quando eu era pequeno, e disse:
–Feliz aniversário, campeão...
–Obrigado pai... Você sabe o quanto eu te amo, não sabe? –Disse com as lágrimas prestes a cair.
–É claro que eu sei filho...
–Me perdoe por te aborrecer... –Disse com a voz abafada em seu ombro.
–Você é meu orgulho... Jamais irá me aborrecer... –Diz ele bagunçando meus cabelos.
–Que cena linda... –Disse mamãe se aproximando e se juntando ao abraço.
Só sei que eu queria pausar esse momento pra sempre...
POV MATHEUS OFF
Matheus e seus pais ainda teriam muitas coisas para se preocupar naquele dia, como deixar a casa em ordem e pegar as encomendas, e enquanto entardecia, eles iam ajeitando tudo aos poucos, e quando repararam já era noite.
Matheus tinha acabado de sair do banho e se trocava, colocou uma das roupas que sua mãe havia comprado e foi escovar os dentes, depois ajeitou os cabelos e foi falar com seus pais. A casa estava organizada como nunca, não tinha nada fora do lugar e a decoração estava impecável.
Eles conversavam entre si quando a campainha tocou, a mãe de Matheus achou que fosse um de seus parentes para chegar tão cedo, e pediu que Matheus atendesse. Ele foi até a porta da entrada, e ao ver quem estava ali parado, seu coração disparou como nunca antes.
–Feliz aniversário Matheus... –Diz Felipe o abraçando.
Matheus estava estático, quase que não conseguiu retribuir o abraço, mas suas pernas estavam trêmulas e suas mãos suadas, só Felipe conseguia deixá-lo com essas sensações e borboletas no estômago.
–Trouxe algo pra você... Não é nada demais... Mas espero que goste... –Diz Felipe tirando uma caixa de trás das costas.
Matheus sorriu e segurou o presente.
–Vamos, entre... –Foi tudo que ele conseguiu dizer.
Eles entraram e foram até a sala de estar.
–Felipe! Há quanto tempo você não vem aqui! –Diz Ana surpresa ao vê-lo e depois o abraçou. –Você é o primeiro a chegar, mas assim vão poder conversar bastante... –Diz ela sorrindo. –Eu já venho... Divirtam-se...
Matheus corou, parecia que ela estava jogando na cara que queria que eles dois ficassem sozinhos, mas então Felipe disse:
–Você não vai abrir? O presente...
–Ah... Depois eu abro... –Matheus sorri de canto.
–Por favor...
–Bom... Tudo bem... –Diz Matheus pegando a caixa da mesa de centro quando Felipe o interrompe.
–Aqui não, no seu quarto.
Matheus engoliu seco e disse quase gaguejando:
–T-tudo bem...
Os dois foram até o quarto de Matheus, e ele encostou a porta, sentando-se na cama e colocando a caixa em seu colo. Matheus desfez o laço e tirou a tampa da caixa, se deparando com uma camisa preta, ele a observou bem, e percebeu que era a camisa da banda preferida deles.
–Experimente. –Diz Felipe.
Matheus envergonhado se levanta e fica de costas para ele, retira a camisa que estava usando, sentindo as bochechas arderem por saber que Felipe o olhava, e depois veste a camisa da banda.
–Ficou bem em você...
–O-Obrigado... Eu gostei... Muito... –Diz Matheus sorrindo, mas ainda com as bochechas avermelhadas.
–Bom... O presente ainda não acabou... Olhe dentro da caixa...
Matheus, curioso, foi até a cama e observou que lá dentro tinha mais duas caixas, na primeira, era um porta-retrato deles dois juntos, quando pequenos.
–Nossa... Como éramos novos...
–Essa foto foi tirada na terceira série... Você lembra?
–Sim... –Matheus disse com um sorriso largo e correndo abraçá-lo.
Felipe retribuiu o abraço da maneira mais calorosa possível, seus braços envolveram a cintura de Matheus fortemente e demorou a soltá-lo.
Quando se separaram, Matheus estava com as bochechas mais rosadas do que antes, ele se virou de costas novamente para retirar a camisa da banda e guardá-la, e antes que colocasse a sua camisa de volta, lembrou-se que tinha mais uma pequena caixa.
Ao abrir, viu um lindo colar do yin yang, mas estava faltando uma parte, então antes que Matheus perguntasse, Felipe retirou a outra metade debaixo do tecido da camisa que usava e lhe mostrou.
–Você é o yang... Eu sou o seu yin... –Disse Felipe. –Não pode existir yin sem o yang, e não pode existir yang sem o yin...
O coração de Matheus estava aos pulos com aquela linda frase que Felipe lhe dissera, e mesmo ainda estando sem camisa, pediu para que Felipe o ajudasse a colocar o colar. Matheus ficou de frente a um espelho e Felipe retirou a corrente de dentro da pequena caixa, foi até Matheus e viu o sorriso dele refletido no espelho enquanto colocava-lhe o colar.
Felipe não resistiu estar ali tão perto de Matheus, deslumbrando aquele corpo maravilhoso e com aquele perfume tão bom que ele exalava, sem fazer nada. Ele enlaçou a cintura dele por trás e colou o corpo no dele, Matheus se espantou, mas nada disse. Felipe roçou o rosto no pescoço dele, dando-lhe beijos naquela área delicada, viu que Matheus se arrepiou, e quis continuar.
–Matheus... –Sussurrou Felipe ao pé do ouvido dele. –Uma parte do yin, também está dentro do yang... E o yang faz parte do yin... Você compreende?
–Felipe... Por que você está... Por que está fazendo isso comigo? –Disse Matheus de olhos fechados. –Não brinque com meus sentimentos de novo, por favor...
–Eu não estou brincando... Eu realmente percebi o quanto você importa pra mim... Do jeito mais doloroso possível...
–Doloroso? Como? –Disse Matheus abrindo os olhos. –Foi você que me ignorou esse tempo todo, eu que sofri esse tempo todo...
–Math... Não me engane... –Diz Felipe segurando firmemente a cintura dele. –Você gosta do Thiago, não gosta?
–É claro que... Claro que não... Só somos amigos... Do mesmo jeito que nós dois somos...
–Eu não quero ser só seu amigo... Do jeito que aquele cara também não...
–Do que você tá falando? –Diz Matheus confuso.
Felipe o virou bruscamente para olhá-lo nos olhos, mas não soltou de sua cintura.
–Eu vi vocês se beijando várias vezes... Não se faça de bobo...
–Mas o que... Ei... Espera... As únicas vezes que o beijei, eu fui obrigado...
–No ônibus você parecia bem à vontade com ele no seu colo... E no vestiário do parque aquático também... Sem falar de quando se beijaram na escola...
–Espera... Você viu mesmo? Mas... Como?
–Não importa mais... –Diz Felipe largando a cintura de Matheus e se virando. –E vista sua camisa antes que eu te agarre de novo...
–Espera... Felipe... –Diz Matheus tocando-lhe no ombro para virá-lo em sua direção.
Felipe o olha com aqueles penetrantes olhos azuis e Matheus entrelaça os braços no pescoço dele, juntando seus lábios aos dele para um beijo desesperado, os dois cambalearam e acabaram caindo sobre a cama, com Felipe por cima de Matheus.
–Como... Como isso aconteceu? –Diz Matheus seriamente.
–Isso o quê?
–Como você começou a “gostar” de mim...
Felipe passou a mão nos cabelos e disse:
–Não é tão fácil explicar... Mas acho que foi depois que me toquei que na noite do show, eu não estava bêbado, e que aquelas eram minhas reais intenções...
Matheus arregalou os olhos e continuou ouvindo.
–E depois disso, não parei mais de pensar em você... Acabei terminando com a Aline, dando uma desculpa esfarrapada... Mas era porque eu não suportava mais ficar longe de você... –Diz Felipe inclinando-se mais para beijá-lo.
Matheus podia ouvir as batidas do seu coração em seu ouvido, ele batia feliz, batia forte como nunca... Ele se sentia vivo...
As bocas se uniram, Felipe pode sentir novamente aqueles lábios macios que o endoidavam.
–Math... –Disse Felipe deitando ainda mais sobre ele. –Se você não der um fim nisso agora, acho que vou acabar te estuprando de novo...
Os dois riram e sentaram-se na cama.
–Daqui a pouco as pessoas vão começar a chegar... Só que... Tem uma coisa... Não posso ficar o tempo todo do seu lado porque...
–Eu sei, é o aniversariante, tem que dar atenção para as outras pessoas... –Disse Felipe.
–Não é bem isso... Bom... O Thiago... Também foi convidado...
–Eu já esperava por isso... –Disse Felipe. –Por isso vim tão cedo...
Matheus pegou a camisa que estava quando Felipe chegou e a colocou, ele ficaria com o colar, nunca mais tiraria...
–Foram os melhores presentes que eu já ganhei na vida... –Diz Matheus sorrindo.
Felipe que ainda estava sentado na cama, diz:
–Foi meio difícil de escolher... Mas eu acho que... A camisa foi a melhor escolha, porque ela me lembra da noite que mudou completamente minha vida... E eu queria que você ficasse com essa lembrança também...
–Tá querendo me ganhar no papo... –Diz Matheus rindo sentando-se ao lado dele.
Felipe o olhou novamente, seus olhos azuis deixavam Matheus fascinado ainda mais por ele, e os rostos foram se aproximando novamente. Matheus deu impulso para o beijo e Felipe retribuiu puxando sua nuca para mais perto, e quando se separaram, Matheus se assustou com o barulho da campainha.
–Meu Deus... E se for o... –Diz Matheus.
–Relaxa. Não vai ser ele...
–Mesmo assim, eu tenho que ver quem é...
–Eu vou com você...
Antes de Matheus rodar a maçaneta, Felipe sussurra em seu ouvido:
–A propósito... Naquele dia no show... Quem passou a mão em você fui eu...
Matheus arregalou os olhos e ele continuou.
–Eu sei que foi você que passou a mão no meu corpo também, não se faça de bobo, só retribuí o favor...
Matheus sorriu de lado e disse:
–Eu sempre soube...
–Até parece, ficou surpreso que eu sei...
–Fiquei surpreso por você me contar tão diretamente... Você não é disso...
–Pois é... –Diz Felipe rindo.
Os dois saíram do quarto, e Felipe seguiu Matheus até a porta de entrada, que para o alivio deles eram parentes. Uma das tias apertou fortemente as bochechas de Matheus e disse:
–Minha nossa! Como você cresceu... Já está um mocinho...
Ela deixou as bochechas de Matheus doloridas de tanto apertar, mas graças a Deus sua mãe chegara para distraí-la. Então eles saíram de perto delas de fininho.
–Vamos pro seu quarto de novo? –Disse Felipe.
Matheus caminhou com ele até lá e sentou na cama.
–Ainda bem que minha mãe vai dar conta dos parentes chatos... Pena que eu vou levar esses beliscões na bochecha toda vez que alguém chegar...
Felipe riu e disse:
–Ninguém mandou ser fofo.
–Você me acha fofo? –Disse Matheus envergonhado.
–Sempre achei... Suas bochechas também... Me dá vontade de mordê-las...
–Nem pense nisso... Elas ainda estão latejando pelos apertões...
Os dois riram e Felipe sentou ao lado dele, segurando sua mão.
–Engraçado... Agora não tenho mais nada pra falar... –Disse Felipe.
Matheus o olhou e continuou calado, também não tinha resposta, até que foi surpreendido por um beijo na bochecha.
–Math... Sei que pode não acreditar... Ou pode não parecer muita coisa... Mas eu acho que mudei... Talvez... Quem sabe... Poderíamos ser amigos de novo... –Diz Felipe.
–É o que eu mais quero...
–Então me perdoa?
–Seu bobo... –Diz Matheus o abraçando. –Eu nunca fiquei bravo com você...
–Mas eu te magoei... –Diz Felipe colocando a mão sobre o peito de Matheus, do lado do coração. –Eu parti seu coração...
Matheus retirou a mão dele do seu peito, e Felipe diz:
–Não quer que eu sinta seu coração? Eu sei que está acelerado...
Matheus se envergonhou e se levantou.
–É melhor sairmos daqui... –Diz Matheus.
–Por quê? –Pergunta Felipe. –Não está gostando de ficar comigo?
–É claro que estou, é que...
–É que? –Diz Felipe se levantando e indo até ele. –Continue...
–E-Eu... Ah... D-Deixa quieto... –Diz Matheus dando um passo para trás devido à aproximação repentina de Felipe.
–Não vai me dizer que está com vergonha de mim?–Diz Felipe aproximando-se ainda mais.
–N-Não... N-Não é isso n-não... –Diz Matheus gaguejando, dando outro passo para trás e batendo as costas na parede.
–Então por que está se afastando a cada passo que dou em sua direção? –Diz Felipe com um sorriso malicioso no rosto.
–N-Não estou me afastando... –Diz Matheus desviando o olhar do dele.
Felipe apoiou os braços na parede, um de cada lado de Matheus, impedindo-o de sair dali, e o pressionou contra a parede. Ele reparou que Matheus estava envergonhado, e quis se aproveitar da situação.
–Queria fugir de mim? –Diz Felipe perto de seu ouvido.
–Pare com isso... –Diz Matheus suspirando ao sentir as mordidas de Felipe em sua orelha.
Felipe desceu para o pescoço dele, mordendo, lambendo e beijando para provocá-lo. Até que Matheus coloca as duas mãos nos ombros de Felipe e tenta afastá-lo, mas Felipe coloca as mãos na cintura de Matheus e cola o corpo no dele.
–Não vou parar até que me diga...
–Dizer o quê?
–Que você me ama... –Diz Felipe.
–Mas... Somos só amigos...
–Então você quer um pedido formal?
–Do que você tá falando?
–Você não percebeu ainda? –Felipe diz erguendo-lhe o rosto pelo queixo e olhando em seus olhos. –Quero ficar com você... Você aceita?
–Aceitar? Mas...
–É Matheus! Você quer namorar comigo?!
–É... C-Claro...
–Sério? –Diz Felipe arregalando os olhos.
–Sim... E-Eu amo você...
–E-Eu também te amo Math... –Diz Felipe acariciando-lhe a bochecha com o dedo polegar e o beijando.
Narrado por Matheus
Um tempo depois, os convidados foram chegando, eu ia ficando cada vez mais ansioso, e principalmente nervoso, não fazia idéia de como agir quando Thiago chegasse. Quando a campainha tocou novamente, Felipe e eu nos entreolhamos já imaginando quem poderia ser e fui até a porta.
Como o esperado, era Thiago, ele me abraçou, e me desejou feliz aniversário entregando-me um presente grande, que fiquei até curioso para saber do que era, pedi para que ele entrasse, e depois disso ele percebeu que Felipe estava ali também, dava até para perceber as faíscas saindo enquanto eles se olhavam. Mas depois que fomos até a sala, Thiago disse:
–Math... Acho melhor abrir o presente agora...
Felipe olhou curioso para a caixa, e não hesitei em abrir o grande laço para ver o que tinha dentro. Quando tirei a tampa, fiquei maravilhado com o que lá havia... Era um filhote de gato, e percebi que era por isso que tinha alguns furos na lateral da caixa, o peguei no colo e olhei encantado para ele enquanto o acariciava.
–Mas que coisa linda... –Falei ainda olhando para o felino de pêlos macios e branquinhos.
–É um gato persa... –Diz Thiago sorrindo. –Eu o achei adorável...
Mesmo não olhando para Felipe, percebi que ele estava morrendo de raiva, ele estava sentado no sofá e chacoalhando uma das pernas repetidamente, ele sempre fazia aquilo quando estava estressado.
–Ele é tão fofo... –Disse ainda sorrindo, não conseguia parar de encará-lo.
O filhote era realmente adorável, os olhos eram azuis como os de Felipe, bem penetrantes, o focinho e embaixo das patinhas, eram de um rosa bem claro, e o seu pêlo era tão branquinho, sem falar do cheiro, tinha um cheirinho tão bom...
Eu estava com pena de deixar o gatinho sozinho em algum lugar, então decidi levar junto comigo para a área de lazer, onde todos estavam. Aquele barulho de risadas e conversas altas não era muito agradável, mas eu sentia até falta daquilo de vez em quando... Felipe e Thiago me seguiam, eu não fazia idéia do que falar para eles. Sentamos numa mesa longe dos parentes, e peguei um dos aperitivos que tinha em cima da mesa.
–Estou morrendo de fome... –Falei de boca cheia. -Nem almocei direito hoje...
–Quer que eu pegue alguma coisa pra você beber? –Diz Felipe.
–Pode ser... –Eu respondi.
–Eu vou, não se preocupe... –Diz Thiago.
–Não precisa... –Diz Felipe se levantando. –Eu pego pra ele.
POV MATHEUS OFF
Matheus viu Felipe sair e olhou para Thiago, que tinha uma expressão ingênua no rosto, mas que logo disse:
–Math... Por que o Felipe está aqui?
–Bom... E-Eh... Além de tudo... Eu e ele... Ainda somos amigos... Não é mesmo?
–Eu não sei não... Vocês estão agindo estranho... E eu não gosto nem um pouco dele...
–Ele é um cara legal... –Diz Matheus pegando mais um aperitivo.
O gatinho se aconchegou no colo de Matheus, ele estava ficando sonolento. Quando Felipe chegou, colocou a bebida de Matheus na mesa, puxou a cadeira para o lado dele e se sentou, Thiago o olhou desconfiado, mas não disse nada.
–Deixa eu segurar? –Disse Felipe olhando para o felino dorminhoco.
–Tudo bem... –Diz Matheus sorrindo.
Felipe pegou o gatinho e o ajeitou em seu colo, fazendo carinho atrás de suas orelhas, e riu quando ele ronronou.
–Parece que ele gostou de você. –Diz Thiago.
Matheus sorriu por ver que Thiago havia feito um comentário amigável ao Felipe, mas o outro pareceu não dar importância. Eles continuaram conversando, ou melhor, Matheus e Thiago, já que Felipe estava de fora, ele ficava calado, estava vidrado no gatinho.
A hora que Matheus temia havia chegado, quando sua mãe e todos os outros pegaram as câmeras para tirarem fotos, todos queriam ao menos uma foto com o aniversariante, que não parava quieto, andava de um lado para o outro para conseguir dar atenção a todos, sua mãe até tirou foto dele ao lado de Thiago e Felipe, que ainda segurava o gatinho.
Quando todo o alvoroço parou, chegou a pior parte, hora de cantar o parabéns, Matheus odiava aquilo, mas teve que agüentar... A música parecia não ter fim, e um tempo depois, quando finalmente acabou, foi a hora de cortar o bolo, e digamos que... Não era uma coisa tão ruim... Matheus teve que escolher para quem daria o primeiro pedaço de bolo, e não pensou nem duas vezes ao escolher Felipe.
Depois que todos estavam servidos, Thiago parecia meio aborrecido, ele não aceitou comer nem ao menos uma fatia de bolo e disse que tinha que ir embora. Matheus ficou preocupado, mas não interferiu, o acompanhou até o portão de sua casa, e sem que percebessem, Felipe os seguia, e antes de Thiago dar o último tchau, ele aproximou-se de Matheus e inclinou seu rosto para beijá-lo, Matheus deu um passo para trás, tentando se afastar de Thiago e logo viu Felipe correndo até eles, pegando Thiago pela gola da camisa e dando-lhe um soco com toda sua força no rosto dele.
–Felipe! –Disse Matheus afastando-o de Thiago. –Por que você fez isso?!
–Esse imbecil tentou te beijar! –Gritou Felipe.
–E quem é você para me impedir? –Disse Thiago com a mão sobre o nariz, que começava a sangrar.
–Eu sou o namorado dele! –Gritou Felipe.
Thiago ficou paralisado e chocado, virou para Matheus e disse:
–Isso é verdade Math?
–Sim, é... –Disse Matheus.
Thiago saiu correndo dali depressa, Felipe se aproximou e disse:
–Está preocupado com ele?
–É claro...
–Eu não queria ter batido com tanta força... –Mentiu Felipe. –Mas ele vai ficar bem...
Narrado por Matheus
Quando os convidados que sobraram começaram a ir embora, fui até quarto com Felipe, onde o gatinho dormia em cima da cama tranquilamente, nos deitamos lado a lado, e olhei para Felipe, que sorria para mim.
–Que foi? –Perguntei.
–Nada... Só estou feliz...
–Pelo quê?
–Por estarmos namorando... Esqueceu?
–N-Não... N-Não esqueci...
Felipe me abraçou, passando a mão na lateral do meu corpo e sussurrando maliciosamente em meu ouvido:
–O que você quer fazer agora?
–Bom... Ah... Acho que... Uh... Escolher um nome para ele... –Disse gaguejando e me virando para o outro lado.
–Ah... Para o gato?
–É... Ele precisa de um nome, né...
–Hum... O que você acha de... Bola de neve?
–Fala sério Felipe! –Digo rindo.
–Eu não faço idéia...
–Ah... Vamos ver... Ele tem cara de... Téo?
–Bonito...
–Melhor não... –Disse olhando direito para o gatinho. –Já sei...
–O quê?
–Vai ser TomTom...
–Gostei...
Acaricio de leve o TomTom enquanto o olhava dormindo, até que sinto Felipe me abraçando pelas costas e me beijando no pescoço.
–O que você quer Felipe? –Digo virando de lado o rosto.
–Nossa, que jeito grosseiro de falar com seu namorado. –Felipe diz rindo.
–Quando ele está com segundas intenções, sim...
–Ah, eu não estou com segundas intenções...
–É claro que está...
–Prove. –Felipe diz convencido.
Me aproximei e já pude sentir o volume embaixo da calça dele, passei a mão de leve por cima do tecido e sorri.
–Eu não disse?
–Disse o quê?
–Que você está com segundas intenções...
–É você que está passando a mão em mim...
–Mas você está excitado...
–Porque você que passou a mão em mim...
–Deixa disso Felipe...
Ele sorriu maliciosamente e me beijou, grudando as mãos na minha cintura e me puxando para ficar sobre ele.
–Com tudo isso o TomTom vai acabar acordando... –Eu disse.
–Deixa ele...
–O que você tá querendo Felipe?
–Você sabe...
–Tenho medo de que seja o que estou pensando...
–E o que você está pensando? –Felipe pergunta.
–Aquela... Coisa...
–Que fizemos... Naquela noite? –Diz Felipe.
–Sim...
–É... Você acertou... –Ele disse rindo.
–Ei! Nem pensar! –Dei um tapa leve no ombro dele.
–Ah... Nem um pouco?
–Claro que não...
–Ah... Mas foi tão bom...
–Pelo menos você conseguiu se sentar no outro dia...
–Espera... Aí... Você não conseguiu se sentar no outro dia? –Felipe diz debochado. –Pelo jeito eu fiz um bom trabalho...
–Cala essa boca.
Tentei me levantar de cima dele, mas Felipe segurou minhas coxas uma de cada lado do seu corpo e subiu com as mãos para dentro da minha camisa.
–Para com isso Felipe... –Suspirei ao sentir ele me tocando no abdômen.
Logo suas mãos ágeis desceram para o zíper da minha calça, abrindo-a com rapidez e antes que ele pudesse retirá-la, o impedi, descendo da cama e retirando a minha própria camisa.
–Para quem não queria nada, você até que está bem assanhadinho... –Ele disse rindo.
–Ainda dá tempo de eu desistir, sabia?
–Desculpe... Fico calado.
Peguei TomTom com cuidado e coloquei-o sobre o tapete felpudo do meu quarto, ele continuou dormindo e fui novamente até minha cama.
–E então? –Diz Felipe. –Vamos começar?
Notas finais
Yang = Branco
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