Dont Let Me Fall
13 Um dia só nosso.
Notas iniciais
Capítulo 13 – Um dia só nosso.
Narrado por Matheus
Até que acordei bem cedo para um dia que eu não iria para a escola, e embora meu corpo estivesse dolorido, tinha dormido muito bem. Olhei para o lado e vi Felipe dormindo profundamente, nem acreditava que ele havia dormido em casa, muito menos que faríamos tal coisa na noite passada, mas só sei que foi maravilhoso...
Passei a mão de leve em seu rosto, o acariciando, cheguei mais perto e roubei um beijo de seus lábios inativos. Senti ele se mexendo e então ele acordou, abrindo aqueles lindos olhos azuis.
–Bom dia... –Eu disse sorrindo.
–Bom dia... –Ele responde com voz ainda sonolenta e passando a mão nos cabelos bagunçados.
–Você fica lindo até de manhã sabia? –Quis provocá-lo.
–Uh... Obrigado... Mas então... Consegue se sentar? –Ele diz rindo.
–A-Acho que não... –Falei envergonhado.
–Ah, só porque eu queria de novo...
–N-Não! Nem pensar!
–Calma aí... Foi brincadeira... Eu acho...
–Eu não quero repetir aquilo... Eu mal queria ontem... –Eu disse.
–O que? –Perguntou Felipe. –Você não queria... Fazer... Comigo... Ontem?
–Bom... Talvez...
–Então foi a mesma coisa que na noite do show... Contra sua vontade... Eu não queria isso... Eu... Eu... Droga...
–Felipe... Tá tudo bem...
–Não está tudo bem. Eu queria tanto que fosse bom pra nós dois Math... E eu... Acabei com tudo de novo... Merda...
–Não diga isso... A noite passada não foi só boa... Foi maravilhosa... Embora eu tenha ficado muito dolorido... Não foi tão ruim...
–Sério?
–Sim...
–Então me prometa... Que quando estiver pronto, vai falar comigo... –Disse Felipe me olhando nos olhos.
–Sim, eu prometo...
Felipe se aproximou ainda mais de mim, e envolveu minha cintura, dizendo:
–Sabe Math... Acho que deveríamos sair juntos... Ter um encontro...
–Um encontro?
–É, que tipo de casal seríamos se não tivéssemos um encontro?
–Bom... Eh... Até que é uma boa idéia...
–Fiquei sabendo que estréia um filme hoje nos cinemas... Por que não vamos assistir?
–Mas comprar o ingresso em cima da hora é ruim...
–Eu comprei dois dias atrás... Um pra mim e um pra você...
–Mas como sabia que...
–Eu já planejei tudo antes: fazer as pazes com você, te pedir em namoro, te levar pra cama...
–Ei!
–Calma... Foi com boas intenções...
–Eu sou tão previsível assim?
–Você não é previsível Math... É que... Eu queria demais que voltássemos a nos falar... Então... Planejei tudo com calma... Menos a parte de te levar pra cama... Era brincadeira...
Eu sorri e o abracei, até que ele começa a me beijar no pescoço, me deixando arrepiado da cabeça aos pés. Eu não sabia se ele fazia isso apenas para me deixar abobalhado ou se gostava mesmo disso... Talvez fosse os dois.
Quando nos levantamos, Felipe começou a caçar suas roupas pelo quarto, e me perguntou:
–Sua mãe não vai estranhar em me ver saindo?
–Você sempre dormia em casa, ela tá acostumada...
–Mas agora nós crescemos...
–Mesmo assim Felipe. Ainda somos amigos...
–Só que estamos namorando...
–Disso ela não sabe... –Eu disse.
Ele continuou colocando suas roupas às pressas, e eu disse:
–Não importa, eu conto pra ela.
–Sério? –Ele pergunta.
–É claro que sim...
Ele sorriu de uma maneira diferente, admirei por um instante, mas logo disse:
–Por que não fica aqui pelo menos para tomar o café da manhã?
–Tem certeza?
–Sim...
–Bom, acho que tudo bem então... –Ele responde.
Terminamos de nos trocar e fomos até a cozinha, onde minha mãe terminava de fazer as panquecas. Ela olhou para mim e depois para o Felipe, já deduzindo o que aconteceu e disse:
–Vocês dormiram bem?
–Sim... –Dissemos em uníssono.
–As panquecas estão quentinhas... Acabei de fazê-las. –Diz ela colocando a bandeja na mesa.
Assim que nos sentamos, começamos a conversar, e quando Felipe deu a primeira garfada na panqueca, ele disse:
–Eu estava morrendo de saudade das suas panquecas sogra...
–Sogra? –Pergunta minha mãe.
–Bom... Eh... –Felipe tentava dar alguma explicação.
–Ele me pediu em namoro. –Eu disse sorrindo.
–Sério? Ah... Estou tão aliviada que não seja com aquele tal de Thiago... –Ela diz. -Particularmente eu não gosto daquele menino...
–Nossa, até sua mãe concorda comigo... –Disse Felipe debochado.
–Mãe! –Eu disse chamando sua atenção.
–Desculpe filho... Mas eu conheço bem o Felipe, e vocês se conhecem desde pequenininhos... Se combinam tanto...
Felipe sorriu e passou a mão em meu ombro, me abraçando de leve. Continuamos tomando nosso café da manhã, e pergunto:
–Mãe... Você viu o Tom?
–Não se preocupe, eu coloquei uma tigela com leite para ele... Agora ele deve estar passeando pela casa.
Vi Felipe ficar carrancudo, talvez tenha sido pelo fato de lembrar que TomTom era presente de Thiago, mas até que fiquei feliz internamente por lembrar que isso era ciúme, sinal que ele realmente me amava.
Minha mãe levantou para pegar um pouco mais de café, e eu chutei a perna de Felipe de leve, que me olhou confuso. Então eu disse:
–Está com ciúmes do TomTom?
–É claro que não... Mas que idéia... –Ele responde.
–Então porque ficou tão carrancudo quando eu perguntei por ele?
–Não fiquei “carrancudo”. –Ele disse tomando suco.
–Ficou embirrado. –Insisti.
–Não fiquei não. –Retruca Felipe.
–Ficou.
–Não fiquei.
–Tudo bem então... Mas que ficou com ciúmes... Ficou... –Eu disse rindo.
–Se te deixa feliz... Sim, eu fiquei com ciúmes... Satisfeito?
Eu sorri em resposta e continuei a tomar o café da manhã.
POV MATHEUS OFF
Mais tarde Felipe vai embora, porque a noite ele tinha que voltar para irem ao cinema, e enquanto isso, Matheus passou a tarde brincando com TomTom, mas ele não deixou de pensar na noite que teve com Felipe. Tinha sido fantástica...
Narrado por Thiago
Liguei para Aline, eu precisava fazer alguma coisa urgentemente antes que Felipe tomasse totalmente a posse de uma coisa que não era dele... E sim, minha...
Meu querido Matheus.
–Alô?
–Oi Aline... Está ocupada?
–Claro que não, pode falar...
–Já pensou no que podemos fazer a respeito?
–Bom... Se fosse outra pessoa, eu diria pra contratar um grupo e espancá-lo até a morte, mas como se trata do meu Felipe, acho que o melhor a fazer é pensar num plano sigiloso...
–Eu não tenho nada em mente...
–Eu vou refrescar a memória e depois te falo...
–Tudo bem... Então até mais...
–Até mais, tenha paciência Thiago... Logo vamos ter o que queremos...
POV THIAGO OFF
Narrado por Felipe
Um pouco depois que fui embora da casa de Matheus, já morria de vontade de vê-lo novamente, mas tive que me segurar, não queria parecer o namorado meloso... Já que ele havia acabado de ver meu lado ciumento, a última coisa que eu queria era ter fama de namorado meloso.
Quando terminei de me arrumar, fui rapidamente para casa dele, e quando ele abriu a porta, me segurei para não ficar boquiaberto, ele estava lindo, vestido com a camisa da banda que lhe dei de presente, e dava para perceber o colar por baixo da camisa, eu também usava o meu.
E aquele perfume que ele usava... Ah... Aquele cheiro me deixava doido... Os cabelos arrepiados... E aquele sorriso no rosto... Ah... E esse sorriso... Tem sorriso mais lindo no mundo?
Saímos e quando finalmente chegamos ao shopping, entregamos nossos ingressos e entramos na sala para esperar o filme começar. O lugar começava a lotar, mas já estávamos bem confortáveis no lugar que escolhemos.
O filme começou, mas a melhor coisa que aconteceu naquele momento, foi Matheus encostar a cabeça no meu ombro, meu coração disparou com aquilo... Eu coloquei uma mão em torno do corpo dele e me ajeitei para ficar ainda mais próximo dele. Continuamos assistindo o filme. Mas estar ali, abraçado com ele, rindo e me divertindo, valia mais do que todas aquelas cenas que passavam no telão.
Eu não sabia que em tão pouco tempo iria me apaixonar profundamente por ele, não sabia que iria desejá-lo dessa forma algum dia, aliás, isso nunca nem se passou pela minha cabeça... Mas com certeza... Sem sombra de dúvidas... Não posso negar... Isso foi a melhor coisa que aconteceu comigo...
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