Dont Let Me Fall

1 Não consigo parar de pensar em você.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 1 – Não consigo parar de pensar em você.

Narrado por Matheus

Felipe é meu melhor amigo, nos conhecemos desde a infância, só que ultimamente, estou sentindo algo diferente por ele... Tenho medo do que seja, mas sei que nunca senti isso antes... Só ele faz meu coração bater tão rápido, e com ele, me sinto infantil e maduro ao mesmo tempo...

Quando falo com ele, fico hipnotizado pelos seus olhos azuis me encarando e sua voz penetrando em minha mente... Fica super difícil me concentrar na conversa, não sei como me seguro tanto para não o abraçar... Pois ele odeia abraços...

—Alô! Terra chamando Matheus! Repetindo, Terra chamando Matheus! –Felipe falou em um tom mal-humorado estalando os dedos diversas vezes na minha frente.

—O que é?! –Falei irritado.

—Você fica aí fazendo essa cara de idiota e não presta atenção no que eu digo!

—Tá, foi mal...

—Eu tava falando da Aline... Ela não é linda?

É esse um dos motivos que mais me chateia, sempre falando dessa garota, e eu só fico afirmando, como se compreendesse... Digamos que não é tão importante quando ele fala dela... Só sei que jamais presto atenção... Mas dessa vez me adiantei e disparei a fala.

—E você gosta dela, não se acha bom o suficiente, mal sabe se declarar e todo aquele trololó de amor platônico...

—Aleluia! Você prestou atenção em algo!

—Em quê Felipe?

—Ah, esquece! –Ele diz bufando.

Devo dizer que o irritei mais que o normal...

Assim que o sinal tocou para o intervalo, foi a mesma rotina chata, fomos para o ginásio e ficamos por lá jogando futebol, até o momento em que me distraí e levei uma rasteira, torcendo o pé, urrei de dor e logo todos me cercaram, preocupados.

Felipe foi comigo até a enfermaria e fui apoiado em seu ombro, ele era um pouco mais alto que eu, magro, forte, cabelos castanhos lisos, com um lindo par de olhos azuis.

—Valeu cara... –Eu disse assim que sai com o pé enfaixado.

—Não foi nada, e valeu a pena, não assistimos a aula de biologia...

Eu ri, era verdade, a professora tinha uma voz de pato irritante, e uma implicância enorme com nós dois... Dizia que conversávamos demais durante as aulas dela... Mas não posso fazer nada, ele é que me chama para falar sobre Aline, e eu entro em transe quando me deparo com seus olhos...

Tinha uma aula dupla de filosofia, unimos as carteiras para fazer os exercícios juntos, depois que acabamos, ficamos falando sobre nossa banda de rock preferida, que faria um show em poucos dias em nossa cidade. Mas minha mãe não me deixou ir, então tinha combinado de dormir na casa dele e o seu pai nos daria carona até o local e nos buscaria, no outro dia voltaria para casa e ela não saberia de nada.

Depois que o sinal tocou, fomos até a saída, ele sempre me acompanhava até em casa, mas nesse dia, pedi para minha mãe me buscar, pois meu tornozelo doía muito. Ele sentou-se ao meu lado no carro e minha mãe o deixou na frente de sua casa, depois seguindo para a nossa.

Cheguei em casa, e lembrei da última vez que dormi na casa de Felipe, senti o coração querer sair pela boca, ele não tinha vergonha de ficar nu na minha frente, então conversava comigo enquanto se trocava e procurava as roupas espalhadas pelo seu quarto bagunçado.

Minhas bochechas queimaram de vergonha só de lembrar a cena, mas outra coisa chamou minha atenção. O volume no meio das minhas pernas...

Ah droga...

Mais um dia se passa, eu acordo e vou me preparar para ir para a escola, mas não conseguia nem levantar da cama, muito menos abrir os olhos, mas o despertador insistia e não parava de tocar, eu ia derrubando as coisas da mesa ao lado da cama enquanto tateava e procurava por ele, mas desisti e abri os olhos, o botão tinha emperrado, e não tinha como desligar aquele barulho agudo infernal, então o joguei com toda minha força contra a parede, que se espedaçou todo.

Por que eu simplesmente não tirei a pilha?

Depois de tomar banho e me arrumar, comi algo, escovei os dentes e fui para a escola, encontrei com Felipe no corredor, ele não estava pegando nenhum livro em seu armário, somente disfarçava enquanto olhava Aline, que conversava com as amigas e se olhava no espelho.

Fiquei parado ali por alguns minutos, ele não reparou minha presença então resolvi falar:

—Depois sou eu que vivo no mundo da lua...

—Cara! Quer me matar de susto?! –Diz Felipe dando um pulo.

—Não fiz nada... É que eu estou aqui faz um tempão e você nem percebeu...

—Foi mal... É que... A Aline é linda... –Felipe fala olhando-a novamente.

—Não temos tempo pra isso, esqueceu qual é a nossa primeira aula?

—Biologia. –Dissemos em uníssono.

—Pois é, ouvi um boato de que a bruaca vai passar uma prova surpresa... –Eu digo.

—Fala sério... Ela não tem nada de melhor pra fazer não?

—É, acho que não viu...

—Que saco... –Bufou Felipe.

—Vambora. –Falei andando na frente.

Por pouco entramos na sala de aula a tempo, a professora chegou assim que nos sentamos, por sorte não era prova surpresa, mas ela começou a passar matéria e preencher a classe com o som estridente que saia de sua boca, o que ela chamava de “voz”.

A aula toda não conversamos, não sei como Felipe conseguiu ficar calado por tanto tempo, mas só de pensar na possibilidade da mente dele estar ocupada pensando em Aline, o sangue começava a ferver.

Nem sei porque tenho ciúmes desse imbecil.

Tivemos outras aulas, mas nessa pelo menos conversamos, e muito, não parávamos de falar sobre o show.

Depois tivemos o intervalo, compramos nosso lanche como sempre, mas Felipe estava cada vez mais estranho, ao invés de ir para o ginásio – onde sempre fazíamos a refeição – ele pediu para andar pela escola, só que não parecia uma simples caminhada, ele andava apressado e olhando para os lados, como se estivesse procurando alguém... Aline, com certeza.

O sinal para voltar para a classe bateu, ele pareceu terrivelmente irritado, e quando eu tentei dizer algo, ele respondeu grosseiro e se virou.

Quando chegamos à classe, ele pareceu ter ficado mais relaxado, mas já falei que Aline é da nossa turma? Ele a viu tirando o caderno da mochila e já ficou com aquela cara de babaca apaixonado.

Nos sentamos e um pouco antes do professor chegar, (N/A: Felipe senta na carteira da frente) ele vira e pergunta:

—Por onde será que ela andou o intervalo todo?

—Ela quem? –Disse me perdendo nos olhos dele.

—Você é lerdo hein! –Ele gritou para sala toda ouvir, fiquei envergonhado e não disse mais nada. –Tá zuando com a minha cara... Deixa quieto.

Passei aquela aula toda bufando e copiando a matéria, não agüentava ficar tanto tempo sem ouvir a voz dele, sendo que eu devia é estar bravo, por ele me fazer passar vergonha, mas não consigo...

As outras aulas não foram diferentes, sempre que eu o olhava, ele estava babando na direção de Aline, para me manter calmo, eu tentava espantar todos os pensamentos ruins da minha cabeça, mas eles sempre voltavam, junto ao nome dela, que não parava de sair da boca de Felipe, aquela boca que eu queria tanto provar, e poder saber como é o toque daqueles lábios...

Droga! Lá vou eu pensando em asneiras novamente!

Nunca fiquei tão aliviado com o sinal de saída como hoje, era quase como um pedido de socorro que fora atendido. Estranhamente ele pareceu animado, jogou sua mochila nas costas e se virou para mim com um sorriso enorme na cara.

—Anda logo Math, quero ir pra casa...

Fazia um tempão que Felipe não me chamava pelo apelido, ele não sabia, mas eu adorava. Terminei de guardar o material rapidamente, e caminhei com ele para fora do colégio.

—Então... Quer passar em alguma loja antes de ir? –Perguntou Felipe.

—Ah, quero... Preciso de um despertador novo...

Notas finais