Dont Let Me Fall

27 Eu voltei, meu amor.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 27 – Eu voltei, meu amor.

Narrado por Matheus

Um bom tempo se passou, as aulas do segundo colegial já tinham iniciado, e eu estava obrigando Felipe a fazer o trabalho de produção literária que a professora tinha passado.

—Vamos Felipe! Eu sei que você consegue! –Disse apontando para o caderno.

—Você sabe que eu odeio escrever...

—Você odeia tudo em português...

—Exatamente! E você ainda insiste! –Felipe diz bufando.

—É claro que sim, não quero que meu namorado seja um semi-analfabeto... Vamos... É pra nota...

—E-Eu não sei...

—Bom... Tente se lembrar daqueles enigmas que você escreveu pra mim na caça ao tesouro...

—É uma situação diferente...

—Não tanto... –Disse tentando convencê-lo. –É um tema livre... Mas você tem que fazer só uma dissertação...

—Então... De que porra eu vou falar?!

—Tem várias coisas... Eu anotei algumas aqui pra você...

—M-Mas por que você simplesmente não pode me emprestar seu texto?

—Porque é meu! E é um trabalho individual, você não pode sair assim copiando...

—Matheus...

—Vamos... Eu te ajudo...

—Tá, tudo bem...

—Você já escolheu o tema?

—Sim...

—Sério? Sobre o quê? –Perguntei.

Felipe pega sua lapiseira e escreve numa folha limpa o tema. Depois ele me entrega e quando leio, jogo o caderno em sua direção.

—H-Homossexualismo?! –Gritei. –Você tá falando sério?!

—Por que não?

—B-Bom... –Falei sem graça. –É porque... Todos já desconfiam de nós...

—Qual o problema?

—A-Acho que... T-Tudo bem então... Você que sabe...

—Mas você tem que me ajudar... Não entendo muito disso...

—Bom, é fácil fazer uma dissertação...

—Não estou falando de dissertação...

—Espera... Está falando do tema?

—É.

—Como assim não entende do tema?

—Eu não sou gay...

—M-Mas então... E-Espera! P-Por que estamos namorando então?

—N-Não... Você não entendeu...

—Não mesmo...

—É que... Você é o único que me fez pensar diferente, mesmo não sendo gay... –Felipe diz normalmente.

—E eu deveria entender isso como?

—Que eu só amo você...

Senti minhas bochechas ardendo, provavelmente estaria ficando vermelho naquele momento.

—B-Bom, mas... O importante é começar a escrever... –Falei sentando em sua cama.

Felipe estava deitado debruço apoiado nos cotovelos e olhando para o caderno.

—Felipe, o texto não vai se escrever sozinho...

—Eu sei...

—Você tem alguma ideia para começar?

—Podemos falar de... Sei lá... –Diz Felipe. –Homofobia?

—Dá certo também... A gente já esteve no meio de um grupo de homofóbicos... Sabemos como eles agem... Você pode começar até falando de agressão...

—A-Acho que consigo sim... –Felipe diz pegando a lapiseira e batendo a ponta do grafite na folha, começando a escrever logo depois.

Ele escreveu uma pequena frase e pegou a borracha, fazendo menção para apagar, mas o impedi.

—N-Não Felipe! Não apague!

—Por quê? Ficou uma droga...

—Não! Está ficando bom...

—Sério?

—Sim... Você tá indo bem... –Eu disse e logo vi um sorriso brotar na boca dele.

Ele se concentrou um pouco mais e continuou escrevendo, fez uma breve pausa para reler o pequeno parágrafo que tinha escrito e continuou.

Passamos uma longa meia hora para ele escrever somente três parágrafos, isso depois de Felipe apagar muitas vezes. Ele coçava a nuca, bagunçava os cabelos, relia o que tinha escrito, mordia a borracha da lapiseira, mudava de posição... Tudo. Menos continuava a escrever.

Fiquei com um pouco de pena e decidi ajudar, pensei em algo que seria bom para o texto e ditei para ele, que escreveu animado. Quando vimos, sua redação tinha completado cinco parágrafos, eu nem pensei que chegaríamos tão longe...

—Math... Acho que já está bom...

—Então paramos por aqui...

—Pra quem nem pensava em fazer esse trabalho, é um começo... –Felipe diz fechando o caderno e colocando na mesa ao lado da cama.

—É verdade... Missão cumprida. –Disse rindo.

—Bom, mas agora temos tempo de sobra, não? –Felipe diz andando até a cama, onde eu estava sentado e me empurrando pra deitar.

—N-Não! Eu tenho que ir! –Falei tentando me levantar. –Prometi pra minha mãe que voltaria logo...

—Ah não Math...

—E-Espera Felipe! Me solta...

Ele segurou meus braços e me beijou, fazendo que eu ficasse hipnotizado pelos seus lábios, não conseguindo ceder ao doce gosto deles. Mas logo me soltou e se afastou.

—Vem... Vou com você até o portão... –Felipe diz.

Me levantei e o segui, paramos na frente de sua casa, onde ele segurou minha cintura disse:

—Tem certeza que não quer ficar?

—Tenho mesmo que ir...

—Quer que eu te acompanhe até sua casa?

—Não exagera...

—Ah... É que eu queria passar mais tempo com você...

—Então amanhã você vai em casa... –Falei dando um beijo em sua bochecha.

Falei que já ia e me virei, mas Felipe puxou meu antebraço e me abraçou.

—Quero um beijo de verdade... –Ele falou com a cabeça enterrada na curva do meu pescoço.

Sorri e passei meus braços em suas costas, o abraçando, e assim que ele desencosta sua cabeça do meu ombro, aproximou seu rosto e o beijei, demorei pra desgrudar meus lábios dos dele, minhas mãos subiram e pararam em seus cabelos. Eu não conseguia beijá-lo sem ficar ao menos uma vez sem acariciar seus cabelos.

—F-Felipe... N-Não posso demorar... –Falei tentando afastá-lo.

—Tá bom... Tá bom... –Diz Felipe suspirando. -Até amanhã Math...

—Até... –Falei dando um beijo estalado em sua boca.

POV MATHEUS OFF

Narrado por Felipe

Olho Matheus caminhar, e quando o perco de vista, me assusto com quem estava atrás de mim.

—Oi meu amor... Saudades?

—A-Aline?! O que você está fazendo aqui?

—Nada, só vim fazer uma visita ao meu antigo colega de classe...

—O que você quer?

—Queria saber como anda as coisas com você... Você nunca responde minhas mensagens e nem me atende, então esse era o único jeito...

—Achei que você tivesse desistido... –Falei irritado.

—Não é só porque parei de tentar algum contato com você que eu realmente queira distância...

—Por favor... Vá embora...

—Nós temos muita coisa pra conversar...

—Não, não temos...

—Lipe... Por favor, eu só quero conversar...

—Te dou um minuto.

—Não posso entrar?

—Fale aqui mesmo.

—Bom, eu só queria saber como andava a nova escola, e o namoro, mas como acabei de ver o... O... Seu namorado... Indo embora, pelo jeito as coisas vão bem...

—O nome dele é Matheus.

—Ah sim... Tinha me esquecido, mas de qualquer maneira, estou feliz por vocês dois...

—Feliz? Sei... Você não me engana.

—N-Não! Você me entendeu errado, eu não vim aqui pra pedir pra voltar com você, pelo contrário! Eu vim fazer as pazes... Eu quero ser sua amiga Felipe...

—Olha, acho que não vai dar...

—Por favor, Felipe! Eu queria até pedir desculpas ao Matheus... Uma pena que ele já foi embora...

—Me diga qual é o seu verdadeiro propósito, não foi por nada que você veio até aqui.

—Bom... É que... Nesse final de semana briguei com minha melhor amiga, ela fez uma brincadeira de mau gosto comigo e acabamos nos desentendendo... Mas o fato é... Não vou ter ninguém pra ir comigo no cinema, e eu já tinha comprado o ingresso dela... Você poderia ir comigo?

—Me desculpa Aline, não vou poder ir...

—Por que não?!

—Você sabe muito bem, tenho namorado, não seria certo, e eu não tenho o mínimo de interesse.

—Mas... Mas... –Ela diz fazendo uma expressão triste e tremendo o queixo, anunciando que ia chorar.

—Não chore Aline!

—Tudo bem, Lipe... –Ela sorriu e deixou uma lágrima cair. –Eu vou sozinha... Me desculpe te incomodar...

Ela começou a dar passos lentos e vi que ela enxugava as lágrimas, eu sabia que poderia não ser certo, mas eu também não poderia deixar uma garota sair andando choramingando pela rua quando já escurecia. Respirei fundo e fui em direção a ela, caminhando com os passos no mesmo ritmo lento, e disse:

—Vou te acompanhar até sua casa...

Ela sorriu e continuamos andando, ela não tentou dizer nada constrangedor, na verdade, não pareceu estar contra o meu namoro, poderia ser mesmo que ela estivesse falando a verdade.

—Aline, quer mesmo voltar a ser minha amiga ou foi só um pretexto pra chegar ao convite?

—Eu realmente quero ser sua amiga. –Diz ela enxugando a bochecha.

—Porque... Eu realmente não vou poder ir ao cinema com você...

—Eu entendo.

—Mas podemos voltar a ser amigos sim...

—Jura? –Diz ela abrindo um largo sorriso e parando no meio da rua para me abraçar.

Tentei me distanciar rápido do abraço e andar mais rápido, e assim não dizendo mais nada. Quando chegamos em sua casa, já ia voltando para o mesmo caminho, mas ela me segura e fica na ponta dos pés, me dando um beijo na bochecha, involuntariamente sorri e disse:

—Até mais Aline...

POV FELIPE OFF

Alguns dias se passaram, Felipe se encontrou com Matheus na sala de aula, e assim que sentou ao seu lado, disse:

—Math, porque você não me disse que teríamos que ler o texto para a classe toda ouvir?!

—Bom... É que você já estava tão envolvido que pensei em não dizer... Se não você mudaria de ideia, e depois... Fazer você pensar em outro tema...

Felipe bufou e bateu com a cabeça na carteira, a aula de português seria a próxima, mas Matheus pegou a folha da redação de Felipe e começou a copiar novamente, copiou o mais rápido que podia, e depois copiou a sua redação em outra folha separada, e pra finalizar, invertendo os nomes, assim ficando na redação de Felipe, seu nome e número nela, enquanto Felipe ficava com a redação de Matheus.

Assim que o sinal do final da primeira aula bateu, avisando a próxima, Matheus entregou a folha reescrita da redação de Felipe, dizendo para ele ler quando fosse sua vez.

—Math, por que fez isso?

—Eu não quero que você se sinta constrangido...

—Mas é a sua redação...

—Não importa, eu fico com a sua...

O nome de Felipe era um dos primeiros, e quando foi chamado, pegou a folha e levantou-se, posicionando onde a professora ordenou, para que todos o vissem. Então quando começou a ler, Matheus olhou para a folha que estava em sua carteira, Felipe tinha levado a redação original. Aquela que ficaram tanto tempo escrevendo...

Todos da classe não disseram uma palavra, estavam todos paralisados o ouvindo atentamente, pareciam impressionados com sua redação. Matheus por dentro se sentiu culpado, por tê-lo deixar levar a sua folha sem querer. E Felipe, assim que terminou de ler, voltou para o seu lugar, sentando ao lado de Matheus, que disse:

—Felipe... Desculpa, deixei você levar a folha errada sem querer...

—Não foi sem querer...

—C-Como?

—Não me envergonho disso Math... E se alguém perguntar se estamos juntos, eu vou responder a verdade... –Disse Felipe segurando a mão de Matheus por baixo da carteira, entrelaçando os dedos nos dele.

Narrado por Felipe

Já havia se passado meses e eu ainda não tive a coragem de dizer para o Matheus que voltei a falar com Aline, eu sei que se eu demorasse demais para contar seria o mesmo que esconder algo, e quem tem algo pra esconder, certamente é porque não é algo certo... Eu e Aline não estamos fazendo nada de errado, mas tenho medo de perder o Math, ele não a suporta, mas talvez eu pudesse fazê-lo mudar de ideia...

Não, não daria certo, seria a mesma coisa de quando o Matheus tentava me convencer de que o Thiago era uma boa pessoa, só deixei de pegar tanto no pé dele porque vi que agora ele está namorando. Mas ainda assim não confio muito nele, só não digo isso para o Math para evitar brigas... Mas e agora, o que eu faço?

Naquele mesmo dia, saí com Aline para comprar um celular novo com ela, ela tinha começado a trabalhar a pouco tempo e juntou dinheiro para um aparelho novo, me convidando para ir junto.

Fomos em várias lojas, e acabamos voltando na primeira que visitamos para ela comprar definitivamente seu novo celular. Depois fui com ela até sua casa e voltei para a minha, cheguei cansado e já um pouco tarde, Samanta tinha preparado a janta, então tomei um banho e logo depois jantei, conversei um pouco com meu pai e fui me deitar.

Pensei em Matheus, peguei meu celular, não tinha nenhuma mensagem nova, então liguei e esperei que ele atendesse:

—Alô?

—Oi Math, sou eu...

—Felipe... Está tudo bem com você? Não me mandou mensagem o dia todo, fiquei preocupado...

—E-Eu preciso te contar uma coisa...

Notas finais