Dont Let Me Fall

28 As seletivas.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 28 – As seletivas.

Narrado por Felipe

–Eu não posso dormir sem te dizer...

–Pode falar Felipe...

–Eu precisava te dizer que... Que eu... Eu te amo...

–Ah... Eu também amo você. –Matheus diz rindo.

–D-Durma bem...

–Você também Felipe.

Como eu sou covarde, eu sabia que eu não conseguiria falar... Mas não posso enganar o Math dessa maneira.

POV FELIPE OFF

Narrado por Matheus

Um bom tempo se passou, o segundo ano do ensino médio tinha acabado e eu nem acreditava que tinha conseguido fazer Felipe estudar tantas vezes, por sorte ele não reprovou, e no fim do ano, quando estávamos olhando as notas no boletim, descobri que ele era melhor que eu em matemática.

Felipe até me ajudava nos exercícios e em alguns trabalhos dados. Mas já na parte da gramática, eu era que sempre o ajudava, ele estava lendo mais, era difícil antigamente vê-lo com um livro na mão, mas agora se tornou rotina.

As férias de fim de ano tinham chegado pelo bem de todos os estudantes, eu queria muito poder viajar e aproveitar dois meses de descanso com Felipe, mas os dias iam passando muito rápido quando se tinha toneladas de livros para estudar.

Comecei pelas literaturas mais importantes, mas depois que eu acabasse aquela lista de livros recomendados pelo professor, pegaria firme em exercícios de matemática. Felipe também disse que iria estudar, mas eu não iria a sua casa para comprovar isso, porque se eu aparecesse por lá, ele provavelmente não me deixaria ir embora tão cedo

POV MATHEUS OFF

Duas semanas passaram quando Matheus ouve o interfone tocar, seus pais não estavam em casa, então teve que ir ver quem era, abriu o portão e viu seu namorado com uma caixinha na mão, o abraçou o lhe deu um beijo na bochecha, o convidando pra entrar.

Felipe seguiu Matheus até o quarto, onde ele estudava, e deixou a caixinha que trouxe em cima da mesa.

–Trouxe pra você... –Diz Felipe.

–O que é? –Pergunta Matheus.

–Veja.

Matheus abriu o embrulho animado, e quando viu, eram bombons, ele sorriu e abraçou Felipe, lhe dando um selinho demorado.

–Que fofo... Você quer dividir comigo? –Matheus diz.

Felipe sentou-se na cama com ele, Matheus pega um bombom e desembala, mordendo um pedaço e colocando a outra metade na boca de Felipe.

–Hum... Gostoso... –Diz Felipe mordendo.

–Eu precisava mesmo de uma pausa...

–Você está estudando desde que horas?

–Faz umas duas horas que estou empacado em alguns exercícios de matemática...

–Quantos conseguiu fazer?

–Uns... Três... Talvez dois...

–Math! Em duas horas você só conseguiu fazer isso? Se estava precisando de ajuda por que não me chamou?!

–E-Eu não sou muito bom... E eu não queria te atrapalhar...

–Você nunca vai me atrapalhar...

–Então pode me ajudar agora?

–Claro que posso...

–Mas vamos acabar com esses chocolates primeiro. –Matheus fala rindo.

Narrado por Matheus

Acabamos com todo o chocolate, a ponta dos meus dedos estavam meladas, Felipe segurou meu antebraço e aproximou o rosto da minha mão, passando a língua na ponta do meu dedo indicador e depois chupando o dedo por completo, fazendo aquela expressão de pervertido nato.

–F-Felipe! P-Pare com isso... –Eu disse e ele continuou a me provocar. –Preciso voltar aos estudos...

–A matemática pode esperar um pouquinho não pode?

–M-Mas Felipe!

POV MATHEUS OFF

Duas semanas se passaram. Um mês das férias já tinha ido embora, só restava mais um, Matheus tirou um dia para descansar e depois continuou os estudos, Felipe sempre ia o ajudar nos cálculos e nunca desistia de provocá-lo.

Quando o ano letivo começou, Matheus e Felipe tinham as melhores notas da sala, a data para as inscrições da faculdade estavam se aproximando, e todos os professores incentivavam os alunos a escolher logo os cursos que iriam fazer.

Matheus já sabia muito bem o que queria, mesmo que o nível da dificuldade fosse imenso, mas mesmo assim não desistiria de tentar, por isso estudava tanto. Sabia que as chances eram poucas...

Mas ele via que Felipe estava aflito, via que ele nunca sabia responder quando perguntavam que curso ele tinha escolhido, e quando o pressionavam, ele ficava nervoso e respondia mal educadamente.

No intervalo daquele dia, Matheus foi com Felipe até o lugar que sempre ficavam, longe do centro de pessoas do pátio, eles gostavam de ficar sentados na mesa mais distante da biblioteca, conversavam baixo, quase sussurravam, mesmo que ninguém estivesse perto deles.

–Felipe... Você já escolheu o curso que vai fazer?

–Você também Math? –Felipe resmungou.

–O que foi?

–Todos estão me pressionando para me decidir logo sobre o curso... E-Eu... Eu não sei!

–Felipe... Calma, fale baixo... Estamos na biblioteca... –Diz Matheus. –Mas não se preocupe, nem fique com medo, é normal, todo mundo fica confuso na hora de escolher...

–Mas todos já sabem... Eu não tenho a menor ideia do que quero...

–Felipe, qualquer curso que você escolher, vai se dar bem...

–Você diz isso por que já sabe o curso que quer... Falando nisso... O que você escolheu?

–Medicina.

–Medicina?! Você é maluco?

–Talvez...

–Quando você decidiu?

–Faz um tempo... Eu pensei bastante... E pesquisei bastante também, acho que você deveria fazer o mesmo, dê uma olhada nos sites das faculdades que te interessam... Quem sabe não apareça algum...

–Você acha mesmo?

–Claro que sim...

Narrado por Matheus

Mais umas semanas se passaram e as inscrições das faculdades abriram, eu tive que estudar em dobro, mas ainda não sabia o curso que Felipe tinha escolhido, se é que ele tinha escolhido algum. Fiquei preocupado e liguei para ele para avisá-lo sobre as seletivas, que pra minha surpresa, me disse que já sabia e já tinha se inscrito em algumas.

As datas das provas eram em diferentes dias para quem quisesse tentar a sorte em várias faculdades ao mesmo tempo, o que acontecia frequentemente, por medo da parte dos alunos em não entrar em nenhuma.

Felipe me ligou quando o dia de sua prova chegou, ele estava nervoso, mas disse que tinha estudado bastante, no fundo eu estava orgulhoso dele, e se fosse um curso simples, tenho certeza de que ele conseguiria, acho que Felipe não iria escolher um curso muito complicado.

Duas horas antes do inicio de sua prova, ele apareceu em minha casa, perguntei o porquê dele não estar se preparando, mas ele disse que meu beijo daria sorte para ele, mas entendi aquilo como uma desculpa para me agarrar.

Um pouco depois me despedi dele, seu pai o levaria até o local, e ele disse que me mandaria uma mensagem quando terminasse. Voltei a estudar, mas eu ainda estava preocupado com ele, as palavras no livro de gramática que eu lia começaram a embaralhar, não conseguia me concentrar, sempre vinha o rosto dele em minha mente, imaginei como ele ficaria assim que terminasse a prova, ele poderia achar que foi bem, ficar esperando durante semanas o resultado e as primeiras listas de quem foi selecionado sair, mas imaginar seu rosto triste por não ter passado, isso era de partir o coração.

Mas em minha mente fiz uma prece, como se mandasse boa sorte para ele, eu sabia que ele tinha muita capacidade, mas ele começou a se esforçar faz pouco tempo, o lugar para onde ele iria teria pessoas que se preparam desde cedo para ir bem, ele teria poucas chances...

Abandonei o livro e tentei me distrair, mas acabei pegando no sono, acordei somente com o celular apitando, estava um pouco escuro o quarto, pensei que já era noite, mas eram somente seis da tarde, peguei o aparelho barulhento e olhei no visor, era uma mensagem de Felipe dizendo que tinha conseguido terminar a prova, e que tinha sido muito difícil.

No outro dia ele já estava a mil, esperando a lista sair, mas a lista dos aprovados demoraria duas semanas para ser publicada. Felipe não quis olhar o gabarito da prova no site, para ver quantas tinha acertado, tinha medo de não ter aceitado muitas, então ele decidiu esperar a lista dos aprovados.

Era quase que insuportável, Felipe ficava todos os dias falando da tal prova que ele fez, ele contava sobre as questões, das coisas que viu na sala, das pessoas que fizeram a prova, mas o maior medo dele, era porque todos terminaram antes dele, ele tinha sido quase o último a sair de lá, a única coisa que eu podia fazer, era suportar.

Faltava somente um dia para a lista ser publicada, Felipe estava quase estourando de ansiedade, mas eu estava preocupado, eu pressentia que talvez outras pessoas tenham passado na frente dele, eu já até pensava nas palavras que iria dizer para confortá-lo, até me sentia mal por não acreditar na capacidade do meu próprio namorado.

O pior foi quando o dia chegou, ele quis vir em minha casa e olhar o resultado em meu computador, ele disse que queria estar segurando minha mão quando soubesse da resposta, não pude rejeitar, e quando menos esperei, ele já estava em meu portão.

Ele entrou em casa e fomos direto para o meu quarto, o computador já estava ligado, ele sentou na cadeira, e eu na beirada da cama. Vi ele digitando o site no navegador e depois lendo algumas coisas, depois clicou na página da lista e segurou minha mão, percebi que ele aproximou o rosto da tela e eu fechei meus olhos, temendo o pior, mas Felipe solta a minha mão, então quando olho para ele, vejo seu rosto paralisado, mas logo depois um sorriso enorme surgindo.

–Math! Eu consegui! Eu consegui!

–V-Você passou?

–Sim! –Gritou ele me abraçando.

Me levantei e o abracei também, eu estava feliz, principalmente por não ter que pensar em frases para acalmá-lo e vê-lo triste. Ele estava muito animado, e eu estava feliz por ele, orgulhoso também.

–Mas Felipe...

–Oi? –Diz ele me soltando.

–Você ainda não me disse que curso escolheu...

–Ah... Engenharia civil...

–O quê?!

Notas finais