Dont Let Me Fall
17 Estamos juntos nessa...
Notas iniciais
Capítulo 17 – Estamos juntos nessa...
Narrado por Matheus
Eu e Felipe entramos em casa, e minha mãe foi correndo pegar uma bolsa de gelo para o meu olho, que estava ainda um pouco vermelho, mas nada que ela precisasse ficar preocupada. Felipe sentou-se ao meu lado e ela logo chegou, colocando a bolsa de gelo sobre meu rosto e sentando-se também.
—Então, vocês ainda não me disseram o que aconteceu...
—Uns garotos chegaram nos provocando, só isso... –Eu disse.
—Não, não é só isso... O que eles disseram pra vocês?
Felipe abaixou a cabeça e disse:
—Vieram caçoar de nós... Por estarmos namorando...
—E o que eles fizeram depois? –Perguntou minha mãe.
—Começaram a nos agredir... –Disse Felipe. –Tudo o que fizemos foi nos defender... Mas eles eram muitos...
—Não... Não é verdade, fui eu que os provoquei... Eu não devia ter falado aquilo... –Cortei Felipe.
—Math... Não foi sua culpa...
—Me expliquem direito... –Minha mãe disse nos olhando confusa.
—Eu fui até o garoto que zombava da gente e o empurrei, perguntando quem ele pensava que era para dizer aquelas coisas... –Disse olhando para minha mãe. –Eu não devia ter feito aquilo... Foi aí que tudo começou...
—Você só estava defendendo a gente Math... –Disse Felipe.
—A sua atitude pode não ter sido a mais correta... Mas acho que não existe ninguém que não faria o mesmo... –Disse minha mãe.
—É o que eu penso... –Disse Felipe. –Eu também fui atrás deles depois que você estava desmaiado e tentei defender a nossa dignidade, mas eles me seguraram, e aquele soco inglês foi golpe baixo... Mas o que estranhei mesmo é o Thiago vir me ajudar...
—Espera... O que você disse Felipe? –Disse minha mãe.
—Que Thiago veio me ajudar? Por incrível que pareça... Sim é verdade...
—Não... Antes disso... Você disse que o Matheus desmaiou? Por que não me disseram isso antes?! –Disse minha mãe exaltando o tom de voz e me olhando. -O que eles fizeram com você?!
—Nada demais, mãe...
—Ele o asfixiou o apertando no pescoço até que o Math ficou sem oxigênio e desmaiou... Eu fiquei tão preocupado naquela hora... –Diz Felipe.
—Os pais desses garotos precisam ser comunicados, a escola precisa fazer alguma coisa... –Diz minha mãe.
—Não dá... Nós não avisamos o diretor, não tinha quase ninguém lá, não teria como provar... O único que viu foi o Thiago...
—Mas graças a Deus vocês estão bem... Só que essa escola é um risco... Minha preocupação maior vai ser em achar outro colégio pra você... Porque lá você não vai continuar...
—Como assim mãe?! –Perguntei espantado.
—Você não irá para a escola até eu conseguir transferência para outra...
—Mas eu não quero sair de lá! O Felipe está comigo...
—Vocês podem se ver sempre que quiserem...
—É melhor Math... –Disse Felipe.
—Não! Não é! Eu quero continuar lá!
—Bom... Quando seu pai chegar... Eu converso com ele... E nós vemos direito o que faremos...
—Você vai contar pra ele o que aconteceu hoje?! –Eu disse assustado.
—É claro que sim, ele tem que saber disso...
—Mas mãe...
—Bom... Eu deixei o jantar no fogo... –Diz minha mãe se levantando. –Daqui a pouco irá ficar pronto, se quiser ficar para jantar conosco, fique a vontade Felipe.
—Obrigado... –Felipe diz.
Minha mãe vai até a cozinha e nos deixa na sala, encostei no ombro de Felipe, até que ele diz:
—Faz uns dias que eu não vejo o TomTom...
—Ele deve estar lá no quarto... –Eu disse me levantando e o puxando pela mão. –Vem...
Fomos até meu quarto e entramos, como eu tinha dito, ele estava lá, na cama e brincando com um novelo de lã. Minha mãe tinha um cesto cheio deles, e o Tom fazia a festa quando ela não estava vendo.
Tirei os sapatos e engatinhei na cama até ele, sentei e coloquei TomTom em meu colo, Felipe fez o mesmo, tirou os sapatos e sentou do meu lado. E eu estava fazendo carinho atrás das orelhas do Tom enquanto ele enroscava as patinhas nos fios do novelo.
—Math... Não fique preocupado com o que sua mãe disse...
—Não adianta, quando ela coloca algo na cabeça, é difícil ela mudar de idéia, e vai ser fácil meu pai concordar com ela... Os dois queriam me colocar numa escola particular desde o ano passado... Eu insisti muito pra eles me deixarem ir pra mesma escola que você...
—Você não me disse isso...
—Seria estranho se eu dissesse né...
—Naquela época... Você já gostava de mim? –Disse Felipe sorrindo.
—Sim... –Eu disse envergonhado. –Só estava confuso, não sabia o que era que eu estava sentindo... Mas com o tempo foi ficando claro...
—Só de lembrar... O que eu fiz você passar... Me perdoe Math... –Diz Felipe.
—Não precisa se desculpar, eu já esqueci essas coisas...
Felipe se aproximou, colou a testa na minha, me olhando nos olhos, e depois me beijou lentamente, colando meus lábios nos dele e aos poucos aprofundando o beijo.
POV MATHEUS OFF
—Te amo... Te amo... Te amo... Te amo... –Diz Matheus dando-lhe outro beijo.
—Eu também te amo Math... –Felipe diz rindo.
—Felipe... O que eu vou fazer se eu mudar mesmo de escola? Eu... Eu não sei se conseguiria ficar tanto tempo longe de você...
—Todos os dias eu posso vir te ver... Combinado?
Matheus sorri e olha para baixo, envergonhado.
—Felipe...
—Oi?
—Por que você não disse pra aqueles garotos que não estávamos juntos? Antes das provocações começarem?
—Por que eu iria mentir?
—Não sei... Agora a escola toda provavelmente vai ficar sabendo e...
—Eu não me importo... Math... Eu não quero esconder isso de ninguém... –Disse Felipe sorrindo.
O coração de Matheus disparou, ele olhou para Felipe e se perdeu naqueles lindos olhos azuis. Os dois continuaram conversando e se deitaram, Tom se ajeitou no meio deles e sempre que eles se beijavam, TomTom arranhava Felipe.
—Acho que ele quer o dono dele só para ele... –Diz Felipe. –Que egoísta...
—Ele te machucou?
—Não... Mas acho que ele está com ciúmes...
—Que bobagem...
—É verdade... Olha só... Vou tentar me aproximar de você...
Felipe se apoiou na cama e se ajeitou por cima de Matheus, e TomTom novamente o arranhava, com aquelas pequenas patinhas.
—Eu não disse? –Diz Felipe rindo e se sentando sobre o corpo de Matheus.
—Ei... Sai de cima de mim...
—Ah não... É tão confortável... –Diz Felipe se inclinando e sussurrando no ouvido dele. –Tão quente...
—F-Felipe... P-pa-pare... –Diz Matheus começando a gaguejar de nervosismo.
—Por que parar? Eu sei que você gosta... –Diz Felipe.
—M-Mas é que... M-Meu pai vai chegar daqui a pouco... É melhor não...
—Relaxa... –Diz Felipe o beijando enquanto descia suas mãos para o corpo de Matheus.
Depois de Matheus hesitar tanto as carícias do outro, acabou cedendo, e quando percebeu, as mãos de Felipe passeavam por baixo de sua camisa, mas antes que pudesse reagir, ouviu batidas na porta do quarto –que ele agradeceu naquele momento por estar fechada- e a voz de sua mãe, dizendo que seu pai havia chegado e que o jantar estava pronto.
Felipe deu um último beijo em Matheus e se retirou de cima dele. Os dois foram até a cozinha e puderam ouvir Ana comentando do acontecimento da escola com Luiz, que perguntou onde os dois estavam.
—Estamos aqui, pai... –Diz Matheus entrando no local ao lado de Felipe.
Luiz os olhou bem, ficando indignado com as marcas em seus rostos.
—Eu não disse Ana?! Eu disse que alguma coisa de ruim iria acontecer com o Matheus se a gente permitisse esse namoro!
—Se acalme... Foi só uma briguinha de escola... –Dizia Ana.
Felipe já tinha visto os dois brigarem, mas naquele momento estava nervoso, pois ele fazia parte da discussão, e ele não queria acabar ficando sem Matheus, tinha medo de perdê-lo.
—Bom, vamos esquecer um pouco isso, agora é hora do jantar, não é mesmo? –Dizia Ana tentando contornar a situação.
Luiz ficou calado, mas sentou-se a mesa junto a eles. Passou pela cabeça de Felipe naquele instante que teria sido uma má idéia aceitar ficar para o jantar, odiava o olhar curioso de Luiz sobre ele. Ana foi a única que tentou animar o jantar, contava algumas coisas engraçadas para quebrar aquele gelo, e quando todos terminaram a refeição, ela arrumou a mesa enquanto Luiz subia nervoso para seu quarto.
Matheus e Felipe foram para a sala um pouco preocupados e sentaram-se.
—Math... Seu pai deve estar uma fera comigo...
—Claro que não... Não fala isso...
—Mas eu que te coloquei nessa confusão...
—Eu também tive culpa, mas estamos juntos nessa... –Diz Matheus segurando sua mão.
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