Dont Let Me Fall
16 Complicações...
Notas iniciais
Capítulo 16 – Complicações...
Matheus já havia acordado e colocado de volta as suas roupas, deixando dobradas as roupas de Felipe que usou para dormir, e falando nele, Felipe dormia profundamente. Quando Matheus terminou de se vestir, foi até a cama dele e sentou na beirada, acariciando levemente os cabelos dele.
–Tão fofo enquanto dorme... –Diz Matheus baixinho.
Ele continua afagando seus cabelos carinhosamente até que ouve um ruído de Felipe que se meche e abre os olhos, logo depois sorrindo.
–Bom dia Math...
–Bom dia? Boa tarde, né...
–Que horas são? –Diz ele bocejando.
–Quase duas horas...
–Ah... Como você me deixou dormir tanto?
–Acordei não faz muito tempo também... Mas tenho que ir...
–Já?
–É...
–Fica mais um pouco...
–Já fiquei demais...
–Nem mais um pouco? –Diz Felipe segurando a mão de Matheus.
–Não me olha desse jeito... Você consegue tudo que quer com esse olhar...
–Que olhar? –Ele diz rindo.
–De pidão...
–Olhar pidão? Essa é nova...
–É... Você consegue tudo o que quer com esses olhos azuis... –Diz Matheus rindo.
–E conseguiria um beijo se eu quisesse?
–Você nem precisa pedir... –Disse Matheus se inclinando para beijá-lo.
Quando o beijo cessou, Matheus ia se afastar, mas Felipe o segurou na nuca e o aproximou novamente, juntando seus lábios mais uma vez aos dele.
–Fica mais um pouco Math...
–Tudo bem... Eu fico...
Narrado por Matheus
O domingo acabou e segunda-feira chegou, quando mais um dia de aula começou, percebi olhares indiscretos em minha direção, mas tentei ignorar e desviar das pessoas paradas no meio do caminho que me olhavam, pensei se tinha algo de errado comigo ou em meu rosto, mas minha roupa não estava virada do avesso, não tinha nenhum papel higiênico grudado na sola do meu sapato, e no reflexo da tela do celular, vi que não havia nada de errado na minha cara.
Fui para a sala de aula, eu sempre era o primeiro a chegar, um pouco depois Felipe aparece me procurando, e tocou em um assunto que me chamou atenção.
–Nossa Math... Mal cheguei na escola e as pessoas começaram a me olhar de um jeito tão estranho... Tenho certeza que Aline espalhou por aí que dei um pé na bunda dela e se fez de coitadinha...
–Espera aí... Ficaram te olhando esquisito também?
–Como assim “também”?
–Ah... É que... Quando cheguei, algumas pessoas ficaram paradas no meio caminho e nem disfarçavam quando olhavam pra mim...
–Curioso... Será que é só com a gente?
–Não faço idéia...
–De qualquer jeito, aquela tagarela da Aline me paga... –Disse Felipe andando até a porta da sala de aula e a encostando.
–Felipe, deixe a porta aberta, as pessoas vão começar a chegar daqui a pouco...
POV MATHEUS OFF
–Eu não me importo... –Diz ele caminhando até Matheus.
Ele aproximava-se para beijá-lo quando Matheus o afastou de leve, dizendo:
–Vão nos pegar...
–É só um beijo... Se você enrolar é que vão nos ver...
Matheus olhou em seus olhos, aqueles lindos olhos azuis e o sorriso malicioso em seu rosto, aquela junção era uma visão dos deuses. Não resistiu e o beijou, os corações batiam acelerados, mas não pelo fato de poderem ser vistos, mas sim por se amarem tanto a ponto de sentir a perfeita sincronia que juntos eles formavam. Mas logo ouviram um barulho na maçaneta e Matheus empurrou Felipe bruscamente com o susto, a porta abriu aos poucos, mas ninguém apareceu.
Eles ficaram aliviados, Felipe foi colocar seu material em cima de sua carteira enquanto Matheus ficava pensativo sobre o que tinha acontecido, e um pouco depois os alunos começaram a entrar e lotar a classe. Não demorou muito e a professora também entrou, e a aula começou normalmente.
O tempo foi passando e as pessoas foram se cansando de tanto cochichar sobre eles, Felipe e Matheus não tinham idéia do que tanto comentavam. As aulas daquela segunda-feira estavam sendo bem monótonas, a não ser pela fofoca que se espalhava cada vez mais.
Aline havia faltado naquele dia, temia que Felipe já havia visto o vídeo e fosse atrás dela, portanto iria esperar Thiago lhe contar a reação dos dois na escola para ir no dia seguinte.
Narrado por Matheus
Quando finalmente o intervalo chegou, desci as escadas até o pátio, eu e Felipe estávamos conversando sobre qual lugar ficaríamos, e ele queria um lugar que fosse escondido das outras pessoas, mas eu tinha certeza que não era pelos olhares sobre a gente, não completamente, já que o conheço bem, tenho certeza que tentaria me agarrar.
Estávamos caminhando e ele quase sempre pegava na minha mão, eu hesitava e o fazia soltá-la, mas no meio do caminho ouvimos alguém gritando atrás de nós e nos viramos para ver se era conosco.
–Ei! Vocês aí! –Disse um grupo de rapazes do terceiro colegial se aproximando.
POV MATHEUS OFF
Felipe os encarou e Matheus não disse nada.
–É você o ex-namorado da Aline, né?
–O que você tem a ver com isso? –Disse Felipe.
–Ui, a bichinha tá revoltada! –Um deles disse e todos riram. –Relaxa, só queria confirmar o que ela me disse... E pelo visto... É verdade mesmo...
Felipe ficou confuso e irritado ao mesmo tempo, pensava na possibilidade de Aline ter dito para eles sobre seu namoro com Matheus, pois ela era a única que sabia, e ele se arrependia infinitamente de ter deixado escapar aquele segredo.
–Do que vocês tão falando? –Felipe tentou se fazer de bobo.
–Ah, fala sério! Ela mesma disse que você terminou com ela porque saiu do armário!
Felipe rangeu os dentes e partiu para cima dele, mas Matheus o segurou pelo antebraço e Felipe o olhou repreensivo, mas Matheus mexia a cabeça negativamente.
–Sorte sua que seu namoradinho te segurou... Se você ao menos pensasse em vir pro meu lado, a coisa ia ficar feia pra vocês... Além do mais... Bichinhas que nem vocês só servem pra motivo de chacota mesmo...
–O que você disse? –Diz Matheus soltando o braço de Felipe.
–Você ouviu bem, não ouviu?
–Math... Vamos sair daqui... –Diz Felipe pegando em sua mão.
–É... Vai lá com seu namoradinho... –Diz um deles rindo.
–Nem pensar! –Disse Matheus rapidamente se livrando da mão de Felipe e caminhando até os rapazes. –Quem vocês pensam que são? –Matheus diz seriamente e empurrando um deles.
O rapaz franziu o cenho e se aproximou de Matheus, dando-lhe um soco certeiro em seu olho e logo depois pegando pelo pescoço e deixando seus pés longe do chão.
–Quem você pensa que é? –Diz o rapaz enquanto apertava sua garganta cada vez mais forte. –Eu realmente estava de bom humor, mas você me provocou... Vai ser o primeiro a apanhar então?
–Larga ele! –Diz Felipe correndo até lá, mas sendo impedido pelos outros rapazes.
–Vocês são tão irritantes! –Diz o garoto enquanto apertava o pescoço de Matheus, que começava a ficar sem ar e sua pele arroxeada.
–Solta ele! –Felipe gritava enquanto tentava se livrar dos garotos que o seguravam.
Matheus não suportava mais, precisava de oxigênio, pensava que ia morrer, era a pior sensação que já sentira na vida, ele tentava se livrar da mão do garoto, mas mesmo com suas duas mãos, não conseguia pará-lo, e já estava ficando sem forças. Até que se sentiu realmente fraco e tudo ficou preto.
–O que você fez com ele?! –Diz Felipe conseguindo se soltar e correndo até Matheus.
O rapaz soltou sua garganta, e antes que Matheus pudesse cair, Felipe o segura e ajeita o corpo desmaiado no banco ao lado. Vira-se com fúria para os garotos e vai até eles novamente.
–Relaxa, daqui a pouco ele acorda... Se bem que tem pessoas que nunca acordaram depois desse golpe...
Os rapazes dão as costas e estavam indo embora, quando Felipe corre até eles e dá uma chave de braço no pescoço do garoto que fez aquilo com Matheus, enlaça sua perna direita na esquerda dele e o empurra para derrubá-lo, ficando sobre ele, fecha seu punho e com toda a força que conseguiu juntar, socava o rosto do garoto sem dó nem piedade.
Os outros não ficaram parados, seguraram Felipe um em cada braço e o puxaram, o rapaz se levantou e jogou Felipe violentamente alguns metros longe, fazendo-o raspar toda a extensão de suas costas no chão e soltar um ruído de dor.
Felipe mesmo dolorido, se levantou, e quando percebeu, eles vinham em sua direção novamente, mas antes que pudesse fazer algo, foi preso pelos braços, os garotos o seguravam enquanto o mais alto tirava algo dos bolsos. Ele pegou o soco inglês e encaixou nos dedos, fechando o punho e logo batendo com toda sua força no rosto de Felipe, que urrou de dor ao sentir o metal ralar e fincar em sua pele, o outro lado do rosto também foi atingido, e o rapaz repetiu os movimentos até Thiago chegar correndo e avisá-los de que o diretor se aproximava.
Os rapazes saíram correndo, largando Felipe ferido e furioso para trás, mas antes que ele se movimentasse, Thiago disse:
–Eu menti... Só disse aquilo para eles irem embora...
–Por que me ajudou? –Felipe diz com a mão em uma das bochechas doloridas.
–Porque você estava protegendo o Math... Você poderia ter os deixado para lá quando eles estavam indo embora... Mas você preferiu lutar pela honra do Matheus...
–Se estava a tanto tempo me observando, porque não veio antes?
–Digamos que... Eu gostei de te ver apanhar no começo, mas... Eu caí na real um tempo depois...
–Você é mesmo um filho da puta... Mas se fosse você no meu lugar... Eu também faria o mesmo... –Diz Felipe caminhando até Matheus deitado no banco. –Será que... Ele... Ele vai mesmo acordar?
–É claro que sim, o corpo dele só está se recuperando da asfixia...
–Espero que seja verdade...
–Bom... Mas acho melhor vocês dois irem embora mais cedo hoje...
–Mas já arranjamos encrenca demais pela escola...
–Mas se virem o seu rosto assim, você não acha que vão estranhar? E o Math? O intervalo vai acabar e ele vai estar desmaiado... Ligue para o seu pai vir buscá-los... Porque se a mãe dele souber que ele está inconsciente, irá ficar desesperada...
–Tá certo... Eu não quero mais confusão por hoje... E não quero que o diretor fique sabendo também...
–Eu posso trazer o material de vocês aqui no pátio...
–Thiago... Por que está fazendo isso? Por que está sendo legal comigo? –Disse Felipe.
–Entenda, não é por você... É pelo Math... Se eu pudesse, faria alguma coisa... E você é sortudo por estar com ele... Dê valor no que você tem...
–Ele é o bem mais precioso que tenho... –Disse Felipe vendo Thiago abaixar a cabeça.
–Não saia daqui, vou tentar trazer o material de vocês o mais rápido possível sem ser visto...
–Estarei esperando... –Diz Felipe sentando-se no banco e apoiando a cabeça de Matheus em seu colo.
Thiago chegou e Matheus já havia acordado, Felipe tinha ligado para o seu pai e explicou rapidamente o que aconteceu, é claro que mudou algumas coisas, ele não poderia saber o verdadeiro motivo da briga...
Um tempo depois, conseguiram sair pela porta de frente da escola, os coordenadores ficavam passeando pela escola, passar pela diretoria e ir até a entrada da escola era moleza. Então Felipe viu seu pai os esperando no carro, correu com Matheus até lá, e o seu pai fez comentários engraçados sobre as suas bochechas inchadas.
Quando chegaram na casa de Felipe, ele foi pegar alguns curativos e pomadas, o soco inglês era um pouco afiado, portanto tinha alguns pequenos cortes em seu rosto. Matheus se sentia culpado, ele que tinha começado toda aquela briga, os garotos só queriam provocá-los, mas ele teve que atiçar toda a fúria deles... Só que naquele momento, nada se passou pela sua cabeça, só o fato de querer defender-se.
Quando o horário de saída normal da escola chegou, Matheus decidiu ir para sua casa, fingir que estava voltando da escola normalmente, mas Felipe não o deixou ir sozinho, o acompanhou até sua casa, e quando a mãe dele foi abrir o portão, ficou boquiaberta e preocupada com ambos, Matheus estava com um olho roxo e uma vermelhidão intensa em volta de todo seu pescoço, já Felipe estava com curativos por todo o rosto, mas não dava para esconder as partes inchadas e vermelhas.
–Meu Deus! O que aconteceu com vocês dois? –Diz Ana abrindo o portão e segurando imediatamente a cabeça do filho para observar de mais perto a marca nos olhos e pescoço. –Por acaso se meteram em uma briga?!
–É... Quase isso... –Disse Matheus.
–Bom... Eu já vou indo... –Disse Felipe dando meia volta.
–Não... Você também vai entrar mocinho... Quero que os dois me expliquem o que aconteceu...
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