Dont Ever Cry.

3 pale blue eyes.


Uma hora depois que iniciei minha caminhada, me vi na frente da casa de Courtney. Uma estranha aglomeração havia se formado ali. Logo vi que havia ambulâncias, pessoas chorando e Frances parada em frente à casa.

Ela estava pálida, com os lábios brancos e uma fita de vídeo na mão. As lágrimas não paravam de cair de seus olhos, involuntariamente.

-- AH, MAS QUE PORRA!

Saí empurrando todos que via na minha frente. Slash estava atrás de mim, provavelmente já tinha ficado sabendo. Cheguei até Frances e a abracei.

-- Mamãe... Ela não está bem.

Olhei para o lado e vi uma maca saindo da casa com o corpo de Courtney imóvel, pálido e gelado. Como o corpo de Kurt há alguns meses.

-- Fica com ela! – falei para Slash e saí correndo atrás da maca, com as lágrimas embaçando minha visão. Courtney estava com os olhos abertos. Lindos olhos azuis acinzentados... Abracei o corpo morto de Courtney e dei um beijo em sua boca pálida. – Há quanto tempo ela morreu?

-- Umas 2 horas.

-- POR QUE NINGUÉM ME LIGOU?

-- Não sabíamos que o senhor estava relacionado com ela. E como não sabíamos de nada sobre ela, ligamos para a gravadora do Hole e bem... A notícia se espalhou.

Não conseguia respirar direito. Inspirei o mais forte que podia.

-- Como ela morreu?

-- Overdose.

-- Era o que eu esperava... O que vocês vão fazer?

-- Vamos mandar ela para a funerária para enterrá-la.

-- Mas.. Que horas vão enterrá-la?

-- Senhor, é melhor nós irmos até a funerária. Lá eles sabem disso tudo.

-- Esperem um minuto. – desci e peguei a fita da mão de Frances. Dei um beijo no rosto da criança, me despedi de Slash e subi na ambulância novamente. Os enfermeiros fecharam a porta e nós deixamos aquele lugar onde tantas tragédias já haviam acontecido.

Olhei a fita que peguei da mão de Frances e nela estava escrito “Pro Axl, Slash, Frances e todos que forem no meu funeral”. Ela gravou um vídeo para nós vermos... Olhei o rosto dela, sem ainda acreditar que ela tinha morrido, assim como meu melhor amigo. Minha vida ia de mal a pior ultimamente.

-- Vocês não vão fazer uma... Hm... Autópsia ou algo assim?

-- Só faríamos se não soubéssemos da causa de morte dela.

-- Ah...

As lágrimas recomeçaram a cair dos meus olhos e uma parada brusca me desequilibrou. Tínhamos chegado à funerária. Ajudei os enfermeiros a descerem maca e cobrirem o corpo dela. Sentei em frente a uma escrivaninha enquanto levavam a maca para outro lugar. Acompanhei com os olhos e minha visão embaçada. Negociei tudo que havia para ser negociado com o cara da funerária. Aquilo tudo era tão estranho... Não esperavam nem a pessoa entrar no primeiro estágio do luto e já falavam sobre a cremação do corpo. Realmente horrível... Courtney tinha razão de ficar tão furiosa com tudo e triste ao mesmo tempo.

Com o fim das negociações, eu levantei e saí. Fui para casa a pé. Não senti dor, cansaço ou algo assim. Meu corpo estava todo tomado por uma tristeza colossal. Reparei que o carro de Slash, com ele e Frances dentro, estava bem atrás de mim. Mas eu não queria carona nem ninguém falando merda no meu ouvido, mas durante todo meu trajeto, fui seguido por repórteres de todas as emissoras da cidade.

Eu estava a ponto de bater em alguém, então entrei no carro de Slash.

-- Não fale comigo.

Ele acenou com a cabeça.

-- Will? – era como Frances me chamava. Ela achava muito difícil falar “Axl”. – Você não tá muito bem, né?

-- Não muito, Frances.

--Eu também não tô muito bem. A mamãe foi pro hospital, né? Ela volta logo?

Eu olhei para aquele rosto infantil e preocupado, que inocentemente não entendeu a situação. Dei um beijo em sua testa e acariciei seu rosto.

-- A mamãe volta logo, logo.

Ela sorriu satisfeita e deitou no banco traseiro. Abaixei os olhos e mais lágrimas caíram. Pedi para Slash passar na casa de Eric, o guitarrista do Hole, para deixarmos Frances na casa dele.

Dei um beijo no rosto da menina antes de ir embora, expliquei toda a situação a mulher de Eric, que tinha certa rivalidade com Courtney. Mas eu pude reparar que até ela estava um pouco abalada.

-- Pode deixar... Hm...

-- Axl.

-- É. Pode deixar, Axl.

Ela abraçou a criança e a levou para casa. Entrei no carro com mais lágrimas no rosto. Não conseguia conte-las.

-- Axl, vai ficar tudo bem... – Slash passou as mãos por meu rosto, enxugando as lágrimas.

-- Slash... – segurei as mãos dele. – Eu não quero palavras de apoio de ninguém. -- Ele me olhou triste e tirou as mãos de perto.

-- Me desculpe.

-- Não entenda mal, Slash. Não é nada com você. Eu só não estou bem para falar com ninguém.

-- Ok.

Ele continuou dirigindo até a casa dele. Acho que ele sabia que eu na gostaria nem um pouco de voltar a minha casa. Apoiei minha cabeça em minhas mãos, ainda sem acreditar em tudo aquilo. Não era exatamente pela morte de Courtney, mas por eu estar perdendo tudo e todos que eu amava de uns tempos para cá. Não sei quanto tempo eu conseguira aguentar mais.pale