Dont Ever Cry.

4 live and let die.


-- Toma, Axl. Acho que serve.– Peguei o terno da mão dele.

-- Eu não vou usar terno. Vou usar isso aqui. E me empresta sua jaqueta.

-- Hm... Certo.

Ele pegou a jaqueta e eu a vesti.

-- Tá bom? – eu estava com a minha calça de couro habitual, uma camisa regata colada e a tal jaqueta.

-- Tá... Maravilhoso. – ele me encarou por um tempo. Sabia no que ele estava pensando. – Hm, vamos... Já são 19h.

-- É, vamos.

Saímos da casa e fomos para o funeral. Um silêncio mortal pairava dentro do carro. Eu não aguentava tanto silêncio.

-- Slash, desculpa por ter sido muito escroto mais cedo.

-- Não tem problema, eu te entendo. – ele sorriu. Eu percebi o quanto aquele sorriso me faz bem. Eu me senti... Aliviado por estar com Slash. – Chegamos.

-- Ah...

Nós saímos do carro um ao lado do outro, sem dar atenção aos repórteres fuzilando em nossos ouvidos. Estava com a misteriosa fita de Courtney nas mãos. Já tinha avisado à funerária que eu fazia questão de passar aquela fita no funeral e que era bom que arranjassem um jeito de passar aquilo. E eles conseguiram.

Entramos no lugar onde aconteceria tudo, e as lágrimas escorreram pelo meu rosto novamente. Cheguei perto da TV em que o vídeo seria transmitido.

-- Esse vídeo... Acredito que Court tenha gravado isso pra todos nós vermos. É... – coloquei a fita no vídeo e sentei em meu lugar.

Tinha bem cara de vídeo caseiro. Ela pigarreou e começou a falar.

-- Provavelmente quando vocês virem isso, eu já vou estar ao lado do meu marido. Eu não consigo viver mais assim... A morte de Kurt me abalou além do que qualquer um de você pode imaginar. – ela começou a chorar. – Tudo o que eu fiz desde a morte do Kurt até agora foi errado. – ela enxugou as lágrimas do rosto já pálido. -- Eu não devia ter começado a me drogar de novo, nem começado a beber, nem devia ter batido em Frances. Filha, se você estiver aí, me desculpe por te deixar sozinha nessa porra de mundo, mas não dava mais. E agora, eu quero que o senhor W. Axl Rose preste muita atenção nessa merda. Axl, eu sei que você estava comigo só por... Hm, piedade. Eu agradeço, mesmo, você foi um grande parceiro e sempre me ajudou. E era bom de cama também. – ela deu risada e todos lá deram também. Até eu dei risada. – Mas eu sempre via quando você não dormia de noite, quando você se debatia enquanto dormia, quando você chorava sem razão. E eu sei o que estava acontecendo com você. E acho que outras duas pessoas aqui saibam também. – eu olhei para Duff e Slash, que olharam para mim de volta. – Axl, se você ficar com alguma vadia, eu juro que volto pra puxar seu pé, cara. Seu amor está em na sua cara e você simplesmente o despreza como se fosse merda? Isso tá muito errado, porra. Ah, e você foi um ótimo pai pra Frances, que tá dormindo agora. Ela sempre fala de você pra mim. – Frances olhou para mim e me abraçou. Eu a abracei de volta. – Prometa que vai ficar com ela, certo? Eu tenho uma coisa pra dizer pro Eric. Eric, publique aquelas nossas demos, tá? Todas ficaram muito boas, independente da merda que você pense. – Eric, que estava no fundo, riu. – E, ah, Slash. O Velvet é uma merda. Na boa, faz outra banda. Ou volta pro... Pro Guns. – eu sabia que ela ia falar “pro Axl”, mas aparentemente ela mudou de ideia. – Acho, que falei tudo. Vou ir pro Kurt, eu estou morrendo de saudades. Literalmente. Tchau, gente. Eu amo todos vocês.

O vídeo havia acabado. Melissa Auf Der Mar, baixista do Hole, chorava descontroladamente, e a pequena Frances havia entendido a morte da mãe somente agora. Todas as outras 13 pessoas, inclusive eu mesmo, estava em silêncio, sem reação. Era chocante um vídeo daqueles... Eu retirei a fita do vídeo e fiz sinal para que levassem o corpo para o carro funerário. Saindo do recinto, o lugar já estava cheio de pessoas chorando. Segui sem falar nada até o carro de Slash e assim permaneci até o fim das cerimônias.