Dont Die Before...
2 Capítulo Segundo
Os dois corriam de mãos dadas pelas ruas de Berlin, como um casal em fuga eram vistos, despertando a curiosidade do povo que por acaso estivese na rua. O rapaz sorria eufórico, mas a moça mesmo correndo mantinha um ar de dignidade.
Tinham o rosto afogueado e seus peitos arfavam quando passaram pela multidão que formava uma enorme fila ao redor do prédio. Ninguém os impediu, apenas abriram caminho para os dois desconhecidos. No terceiro andar uma jovem decepcionada deixava a saleta de audições quando chegaram. Rafaela respirou fundo, acalmando seu coração nervoso.
Till, que arfava igualmente, abriu-lhe a porta e fez as apresentações. Os companheiros de banda estranharam sua companhia, e o empresário estava impaciente.
– Sim, agora me diga o motivo dessa bagunça toda.
E Rafaela começou a cantar; no começo, baixinho, mas conforme os acordes do contrabaixo imaginário davam o tom mais e mais rápido, mais profunda sua voz se tornava. Ela cantava em inglês, ao que todos torceram o nariz, mas Günther acabou admitindo ao dispersar a massa humana que se formava lá embaixo que ela era perfeita. Assinaram contrato naquele mesmo dia, ao que Till, que não sabia o sobrenome de Rafaela, descobriu-a uma Alyandra.
Assim que Rafaela e ele estavam sozinhos foi bem direto:
– Você não me disse quem era seu pai.
Rafaela pensou numa resposta afiada, como todas as que usualmente respondia sobre esse assunto, mas repensou-se pois aquele rapaz não as merecia. – Eu não sou como meu pai. Ele é um idiota, a família toda é, mas eu não quero ser como eles. Por favor, não me julgue como se eu o fosse.
– Isso não importa. Seu nome vai estar amanhã junto ao da banda, então vai estar tudo acabado.
– Se você quiser, eu procuro todos os cartazes de toda a Berlin e os trago para você, mas por favor, pare de agir como se eu fosse o meu pai! – ela parou, as lágrimas começando a riscar a alvura de sua pele – Que droga! Porque isso sempre acontece comigo quando as coisas começam a se acertar? Ele sempre acaba vencendo!
Till não havia previsto isso. Sinceramente ele a cria uma dessas garotas fúteis, que vão contra os pais sem motivo, mas ao ouvir essas palavras descobriu-se arrependido de tê-la pressionado. Ela parecia mais tanto quanto era. E ante as lágrimas dela, tudo que lhe restou foi abraçá-la e dizer que haveriam de encontrar algum modo de vencer Alyandra. Suas palavras soaram egoístas ao ouvido de Rafaela, mas ela não lutou contra elas, pois lhe faltavam forças para resistir aos braços de Till.
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