Dont Die Before...
3 Capítulo Terceiro
De fato eles encontraram uma solução. Rafaela achou-a ilógica, mas era a única saída. Ela assinaria como a prima distante de um dos guitarristas, que morrera ainda no berço. Tinham todos os documentos dela, e como não houve registro do óbito, não foi difícil conseguir uma identidade como Samantha Schneider, um nome comum e o bastante anônimo. Também usaria maquiagem no rosto durante os shows.
Embora Samantha Schneider tivesse o mesmo timbre que Rafaela, as duas eram muito diferentes. Rafaela era um bibelô em exibição nos saraus; Samantha era uma jovem de impressionantes notas. Quando assumia os vocais para que Till trocasse de roupa, a platéia era surpreendida por sua versatilidade vocal. Seus arranjos eram delicados e sutis, e coberta pelo pseudônimo, podia criar coisas novas. Todos sempre saiam de lá se perguntando quem ela era e como fazia aquelas coisas. Apenas um seleto grupo o sabia, mas alguém em meio à multidão conseguiu descobrir. – É ela. Te peguei, coisinha linda, e seu papai vai me pagar muito bem por você.
Aquela noite resolveram sair depois do show para comemorar o maior público que haviam tido, mas Rafaela hesitou por estar longe da proteção de sua maquiagem. Na verdade, a ideia a apavorava, e Till compreendeu que ela ainda não se sentia uma vitoriosa como eles.
Os demais integrantes da banda, que os esperavam um pouco mais à frente, perguntaram se Till iria com eles ou não e Rafaela notou o quão impertinente estava sendo. – Vai, você merece comemorar. Eu vou sozinha até o ponto e lá uma amiga me acompanha até em casa. – ela se despediu com o que deveria ser um beijo no rosto, mas se tornou um rápido beijo nos lábios, e saiu. Till ainda tentou ir atrás dela, mas ela se afastava com rapidez e o barulho dos saltos ecoando pela calçada.
Enquanto ela percorria aquela parte do caminho pensou na mentira que havia dito. As poucas amigas que tinha não podia nelas confiar, pois eram submissas ao seu pai como ela não fora. Certamente correriam para lhe contar se soubessem de Samantha e da banda. Eram umas românticas e hipócritas. Seguiu para casa cantarolando as músicas do concerto de mais cedo, tinha um sorriso no rosto.
Enquanto isso, num escritório qualquer um homem recebia a certeza de quem era aquela moça. Ele era um detetive particular; muito discreto, mas igualmente preguiçoso. Para suas investigações tinha uma série incontável de estagiários, jovens em busca de qualquer colocação no mercado de trabalho em tempos tão difíceis. Paul se aproveitava disso. Dizia que os contrataria se tivessem jeito para a coisa, mas por mais que eles se esforçassem nunca era o bastante para serem promovidos à detetives juniores. O rapaz com quem falava parecia-se muito com os outros tantos que conhecia. Deixou o telefone tocar três vezes, para parecer ocupado, e só então atendeu.
– Não é ela, senhor. De fato é prima do guitarrista, vinda do interior. – Sem despedidas Paul bateu o telefone, irritado por perder as férias que havia programado com sua amante.
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