Notas iniciais
Capa: Pixiv ID: 10638541 | 正木

Há alguns dias, aquele pirralho loiro havia completamente derretido o cérebro de Zoro ao se comportar de forma tão safada e ainda pedir por mais. Na ocasião, Zoro achou que o pirralho era guloso, mas ele realmente ainda não fazia ideia do quanto. Sanji na verdade era insaciável. Apesar de ainda ser a criatura mais irritante do universo, de agir de forma insuportável e chamá-lo de velho em qualquer oportunidade, ele parecia realmente querer muito aquilo.

Prova disso, foi o garoto começar a visitar sua casa sempre que não tinha compromisso, o que era quase diariamente, e aquilo estava matando o mais velho. Já havia perdido a conta de quantas vezes tinham se beijado até não aguentarem mais e se esfregarem até gozar juntos. E Sanji nunca queria uma só vez, ele queria de novo, mais, sempre exagerado, como se estivesse tentando compensar todo esse tempo em que nunca havia feito isso. Claro que, por mais que não quisesse admitir, Zoro mal tinha fôlego para acompanhar o ritmo do mais novo, mesmo que sempre acabasse cedendo e dando a ele quantos orgasmos ele quisesse.

Naquele dia, Sanji usou a desculpa de que estava afim de cozinhar e Zeff não o deixou ficar além do turno no restaurante, então foi na casa de Zoro e levou as coisas pra cozinhar. Zoro suspeitou a princípio, principalmente pela necessidade do loiro de arranjar uma desculpa, mas relevou, afinal não era tão estranho assim que o moleque fizesse o almoço ou o jantar para os dois. O problema era que aquela não parecia nem um pouco ser a intenção de Sanji naquele dia.

Ele já havia levado o jantar pronto do restaurante. E não havia nada naquela seleção de ingredientes que pudesse compôr um jantar, tudo parecia excessivamente... Doce. Além de muita farinha e açúcar, Sanji havia trazido chocolate, frutas, especiarias. Nada que parecesse do gosto de Zoro.

Ao contrário de todas as outras vezes em que se encontraram nos últimos dias, Sanji parecia comportado e focado em preparar o que quer que fosse. E ele parecia estar querendo fazer um milhão de coisas, não apenas uma, a julgar pela quantidade de processos que fazia ao mesmo tempo e pelos vários pratos enfileirados na bancada, aguardando serem montados.

— Uh... Isso por acaso foi uma armadilha? — Zoro disse perplexo e nem precisou escutar a resposta para saber. Sanji automaticamente abriu um sorriso que talvez tivesse intenção de ser angelical, mas era o mais maléfico de todos, exatamente como aquele diabinho era.

Sanji estava com um bom humor maior do que de costume. Em algumas semanas seria seu aniversário e finalmente faria 19 anos e não permitiria mais que aquele velho caquético o chamasse de pirralho e esse fato o deixava estonteante. Sim, 19 anos, agora oficialmente. Há meses o loirinho dizia já ter 19, mas a verdade é que era apenas papo furado e ele aumentava a idade para se sentir mais respeitado, às vezes parecia que dizer que se tem 18 anos te tornava ainda mais pirralho. Além disso, havia encerrado com excelência na universidade, passando como aluno de destaque e até recebeu uns tapinhas na cabeça de Zeff parabenizando-o. Estava realmente feliz.

Bom, poderia estar ainda mais feliz se sua formatura não fosse no dia exato de seu aniversário. As datas serem no mesmo dia implicava em apenas uma festa e comemoração, odiava quando isso acontecia. Estava planejando fazer uma viagem e arrastar o marimo emburrado junto com ele para que comemorassem seu aniversário, mas aparentemente teria que passar na cidade mesmo. Entediante e chato, mas... Ele conhecia as casas noturnas mais disputadas dali, então talvez não fosse tão ruim assim, tirar a planta um pouco da toca e fazê-lo respirar ar puro que não fedia a graxa ou a cerveja barata.

A verdade é que seus planos antes de começar a se envolver de forma mais íntima com a alga eram os mesmos, mas suas intenções com certeza não. Como era uma ótima pessoa em disfarçar as emoções, Sanji ostentava o sorriso mais depravado enquanto cozinhava.

Naquele dia em específico, após jantarem o banquete perfeitamente incrível que trouxe, o loirinho angelical resolveu dar um basta na competição que havia criado consigo mesmo para fazer Zoro aceitar doces, chocolate em específico.

Ainda se sentia ofendido pelo ancião ter dito, na primeira vez em que cozinhou amorosamente para ele, que não gostou da sobremesa. Quis matá-lo com razão, mas isso o incentivou a testar combinações e preparações que fariam o marimo ajoelhar-se a seus pés e endeusá-lo. Durante os meses foram muitas as tentativas e por mais que no começo Zoro apenas falasse "ok" ou algo estúpido e sem fundamento como "Não sei", Sanji aprendeu a compreender a línguagem do neanderthal.

Na última semana, ele viu que seu objetivo estava bem próximo e por já ter encerrado as aulas, teve tempo de sobra para aperfeiçoar suas técnicas. Claro, poderia ser prático e simplesmente fazer um doce de limão bem azedo que o mais velho amaria, mas isso seria apelar e ele era muito orgulhoso e habilidoso para isso. Faria Zoro dizer que chocolate era fodidamente bom, enquanto beijava seus pés e enaltecia o quão perfeito cozinheiro que Sanji era.

— Pare de agir como se fosse uma grama presa ao chão e vai desligar aquela panela para mim. — Sanji ordenou, apontando com a mão cheia de farinha na direção do fogão. Estava mexendo em uma massa, as forminhas já estavam pré-dispostas na bancada improvisada e o sorriso apaixonado não saia de seu rosto perfeito. Cozinhar era seu maior amor, quando juntava a coisa que mais amava com a pessoa que mais... Estava tendo contato ultimamente.... Levava a perfeição. — Aproveita e liga o forno em 220ºC, alga.

— Você não manda em mim, pivete abusado. — Zoro disse, enquanto fazia exatamente o que havia sido mandado. Desde que se conheceram Zoro havia percebido aquilo, o quanto Sanji era mandão na cozinha, e o quão fácil era apenas pateticamente obedecê-lo. Imaginava como seria se o pirralho acabasse comandando um restaurante algum dia, o que estava fadado a acontecer, ainda mais agora que iria se formar. Coitados dos seus funcionários.

Sanji logo terminou tudo que estava fazendo num piscar de olhos e eles passaram algum tempo aguardando tudo ficar pronto. E por aguardando, óbvio que significava se beijando até Zoro perder a noção do tempo. Sanji entretanto, jamais perderia o ponto de qualquer coisa que estivesse assando, então infelizmente logo se separou de Zoro para checar o forno.

A torta que parecia tão simples na realidade era mais complicada do que o jovem um dia pensou em fazer. A massa era de um crocante de pistache, um sabor tão maravilhoso que Zoro jamais deveria ter provado em todos seus milênios. O recheio era uma das maiores receitas secretas do loiro, um creme branco e delicioso que parecia não ter gosto de nada ao colocar na boca, mas a explosão de sabor vinha quando atingia parte específica da língua. O glaceado era de cacau 100% e de enfeite havia nibs e physalis, aquela graciosa frutinha tão incomum que era quase um botão de ouro. Mas obviamente que Sanji era arrogante o suficiente para também ter colocado uma pequena folhinha de ouro puro em cada uma das tortinhas e flor de sal para finalizar.

Zoro nem devia notar, já que era um ogro sem modos, mas não é como se o loiro se importasse ou estivesse apenas querendo se mostrar, cada mínimo ingrediente, cada grama, foi perfeitamente calculada, planejada e aperfeiçoada por meses para que atingisse a perfeição. Até mesmo os enfeites não estavam ali apenas para deixar bonito.

Claro, havia mais dezenas de detalhes, processos, ingredientes, especiarias e condimentos secretos que intensificavam o sabor para torná-lo perfeito. Não usou aquela planta por meses como cobaia para entregar algo minimamente bom, precisava ser acima do perfeito. Infelizmente, por mais seguro, arrogante e confiante que fosse, Sanji possuía um pequeno lado que era exageradamente inseguro, então quando Zoro apenas jogou tudo de uma vez na boca, ele agradeceu mentalmente não ter muito tempo para criar expectativa.

Quando o pirralho finalmente serviu o prato com um "voilà", Zoro ficou ainda mais puto por ter interrompido um beijo por uma maldita sobremesa. Não sabia quantas vezes mais precisaria dizer àquele moleque teimoso que doces apenas não eram sua praia. Tudo bem que ultimamente ele havia feito algumas coisas... Não ruins.

Zoro observava a pequena torta claramente nada impressionado, com sua cara de poucos amigos habitual. Sanji, no entanto, apoiava os cotovelos na mesa e olhava esperançoso, como se aguardasse ansiosamente o momento em que Zoro colocaria sua comida na boca. Porque se tinha alguém que se alimentava de elogios, quase tão compulsivamente quanto um vício, era ele. Cozinheiro irritante.

Zoro revirou os olhos e enfiou o doce na boca de uma vez inteiro, com toda a graça e elegância de um ogro. Mas definitivamente não era o que estava esperando. Era a mesma sensação que tinha quando comia as marmitas do loiro todos os dias, de que poderia realmente nunca enjoar daquele sabor.

— Isso... — Zoro não ousou completar a frase, temendo que fosse extremamente exagerada, mas não teve como evitar assim que continuou comendo e os sabores continuaram acariciando seu paladar tão bem. — Isso eu poderia comer todo dia.

Quando ouviu as palavras do moreno, Sanji não pôde deixar de suspirar aliviado e sorrir enormemente. O coração acelerou e teve certeza que soltou um "yay" extremamente fofo em comemoração.

Estava muito feliz em ouvir seu marimo dizendo que poderia comer todo dia. Realmente feliz. Sentia-se uma criança que acabava de ganhar um brinquedo tão desejado e sorria igualmente a uma. Sem pensar, ainda sentados em frente a mesa, ele se jogou em cima do moreno e o abraçou com força, apertando os braços finos em seus ombros enquanto enfiava o rosto na curva do pescoço cheiroso de quem havia tomado banho há pouco tempo depois do trabalho. Estava estranhamente manhoso e quando começou a mover o rosto no pescoço quente, sentiu-se um gatinho fofo.

— Eu não deveria ficar tão feliz pelo feedback de um monstro que não deve nem ter notado que acabou de comer ouro, mas droga... — Sanji falou tão baixo que se não estivesse grudado no idiota ele não conseguiria ouvi-lo. Estava tão idiotamente feliz que era vergonhoso.

Meio constrangido pela sua reação exagerada, o loirinho se afastou de leve e viu a boca com um restinho da glaçagem, então sem nenhum pudor passou a linguinha pequena e limpou, sorrindo angelicalmente inocente em seguida. Ele alcançou com uma das mãos uma physalis de outra tortinha e levou até a boca do moreno, encostando a fruta nos lábios grossos e fazendo-o beijá-la.

Em qualquer outra ocasião Zoro teria se sentido idiota de dizer algo tão estúpido e principalmente de inflar o ego gigantesco daquele garoto. Mas Sanji o olhava como se aquela fosse a melhor coisa que já tivesse ouvido em toda sua vida. Ele até o abraçou, o que era algo um tanto raro vindo do cozinheiro problemático que só tinha dois tipos de humor, cheio de não-me-toques e frescurento ou completamente pervertido.

— Idiota... — Zoro disse após abocanhar a pequena fruta e tentar desviar o olhar daqueles hipnotizantes olhos azuis.

Sanji não sabia se as coisas que Zoro fazia eram propositais ou não, mas vê-lo engolindo seus dedos de forma tão faminta para comer a physalis fez seu pau dar uma pulsada indesejada naquele momento. Maldita planta gostosa, pervertida e erótica, fazendo aquelas coisas tão sensuais sem nem notar. Imbecil estúpido. Alga tesuda. Seus olhos brilharam e ele se condenou por ser um adolescente tão sem controle e pervertido.

Eles ficaram algum tempo em silêncio e, se Zoro não quebrasse o gelo naquele instante sabia muito bem o que aconteceria. Olhou desgostoso para a quantidade de coisas sujas na cozinha graças àquela sobremesa, e ele não estava nem um pouco afim de lavar louça. Pensou por mais alguns segundos até se dar conta de um assunto perfeito para trazer à tona. Se Sanji iria ficar tão satisfeito com seus triunfos culinários, talvez também fosse a hora de Zoro se mostrar um pouco.

— Então, esses dias estava mexendo numas coisas antigas... — Ele pausou para censurar o sorriso zombeteiro que apareceu no rosto de Sanji pela implicação de que ele era velho. — E achei algumas fotos.

No dia em que Zoro viu as fotografias se lembrou de que ainda precisava esfregar na cara de Sanji seu título de melhor do mundo, por isso guardou todas até o dia que lembrasse de mostrar ao garoto. Então, Zoro se levantou abruptamente e foi até o quarto para mostrar os disquetes.

Felizmente, a velhice de Zoro fez Sanji esquecer o tesão e priorizar a sua razão de existência: Provocar e encher o saco daquele ancião. Claro, ficou curioso, então sua boquinha safada se abriu em um oh e a curiosidade imediatamente ficou maior. Sabia tão pouco de Zoro que ver fotos significava que poderia descobrir mais um pouco sobre o homem que tanto se interessava, em muitos sentidos.

Quando a plantinha de quase dois metros se levantou, Sanji imediatamente fez o mesmo e o segurou pelo haramaki, conduzindo-o na direção certa ou Zoro passaria duas horas rodando perdido pela casa de três cômodos. Como era um belo moleque folgado, já foi se sentando na frente do computador, como se estivesse em sua própria casa.

— Algo engraçado, pivete? — Zoro perguntou quase rosnando ao ouvir as gargalhadas do menor que estava rindo como se ele fosse algum tipo de piada. — Veja logo, antes que eu me arrependa.

Claro que Sanji riu quando viu os disquetes, era muito jovem e quando nasceu disquetes já não eram mais usados, não perderia a oportunidade de mostrar o sorriso arrogante que reafirmava que Zoro era bem mais velho do que parecia... Não que ele parecesse mais novo ou algo do tipo...

— Me impressiona que esse trambolho ainda funcione. — O loiro disse se referindo ao computador que provavelmente não era muito usado, especialmente por Zoro nunca tê-lo mencionado ou em todas as vezes que esteve ali, o moreno sequer ligou em qualquer uma delas. Ele ligou o computador, rindo só de olhar a tela de péssima qualidade do monitor de tubo, chegava a ser engraçado, Sanji sentia-se em uma caverna.

— Funciona muito bem. — Zoro resmungou irritado enquanto tentava sentar na cadeira, mas o pirralho havia sido mais rápido que ele. — Por acaso eu deveria me sentar no seu colo? Pode saindo daí. — Zoro falou quase como uma ameaça, embora o moleque mal-criado não tivesse movido sequer um músculo. Ele apenas agarrou o mouse e olhou para ele como se fosse um anjo inocente.

Sanji mostrou, infantilmente, a linguinha rosada para o mais velho indicando que de forma alguma levantaria dali e abriria mão de seu trono. Competitivo e idiota como sempre. Se o desejo do marimo fosse sentar em seu colo, sem problemas, só havia o porém de que aquele amontoado enorme de músculos o esmagaria, mesmo que suas pernas fossem bem fortes.

Zoro desistiu e apenas enfiou o disquete na abertura, quase se arrependendo de ter tido essa ideia estúpida de mostrar mais da sua vida àquele garoto ingrato e imbecil.

Sanji esperava entediado, o que demorou muito para um adolescente impaciente. Aproveitou-se da oportunidade para bocejar, em uma tentativa de provocar o mais velho, o que sempre acabava dando bem certo.

Talvez o computador tenha demorado um pouco para pegar no tranco e Zoro já podia ver a cara de impaciência de Sanji, sentado com a mão apoiada na bochecha, quando finalmente as fotos abriram.

Havia muitas fotos inúteis que seus amigos costumavam tirar na época, principalmente sua melhor amiga. Zoro tomou o mouse da mão de Sanji rudemente e começou a passar rapidamente por todas elas, tentando encontrar uma foto específica.

Zoro passava as fotos muito rápido para o gosto de Sanji, e o garoto não conseguiu desviar os olhos, quase como se estivesse enfeitiçado pela vida antiga do moreno. Para sua surpresa, ele era fofinho antes.

Quando Zoro achou que tinha encontrado, era a foto errada. Uma de quando Kuina segurava um troféu por ter ganhado uma competição, o que havia acontecido aproximadamente centenas de vezes.

— Essa é de quando eu era muito pequeno, não conta. — Zoro disse encabulado, tanto pela sua derrota quanto pelo biquinho emburrado e infantil que seu eu de 12 anos fazia na foto.

— Você era uma graça, marimo. — Sanji disse de forma inocente, admirando a carinha inchada do moreninho emburrado. Muito fofo. — Olha essas bochechas enormes, as mulheres deviam apertá-las muito. Sem contar nessas orelhas imensas que te deixavam com carinha de macaco. E sua testa... Nossa, que imensidão...

Por mais que parecesse estar tentando ofender, essa era a última intenção do loirinho. Bom, se tivessem se conhecido quando pequenos, provavelmente implicaria o tempo todo com essas características do garoto, mas agora ele só conseguia achar que era uma criança fofa e emburradinha. Sanji não se importou que ele tivesse perdido, estava mais interessado em sorrir bobamente por causa daquele biquinho fofo. Se perguntava se Zoro ainda podia fazer uma expressão adorável assim.

— Aqui. Essa. — Zoro disse quando pôs os olhos na próxima foto. Novamente ele e a melhor amiga eram as únicas pessoas na tela, desta vez bem mais velhos que na outra foto.

Zoro estava suado e parecia exausto enquanto segurava o troféu junto com a amiga e levantava a espada no ar. Ambos extremamente felizes, extasiados. Na verdade, se olhasse bem, Kuina parecia ainda mais feliz que ele, as pequenas lágrimas de emoção claramente se formando no canto de seus olhos escuros.

Zoro sentiu um aperto no coração e um alívio momentâneo. Ainda bem que ele havia conseguido naquele ano. Ainda bem que ela pôde vê-lo ganhar. Assim como ela também havia conseguido um ano antes se tornar a melhor. Não na mesma categoria, pois a sociedade idiota não permitia competições mistas, mas para ele Kuina sempre seria a melhor.

Sanji apenas observava a foto com interesse. Seu interesse era outro, no entanto, assim como ele havia ignorado que Zoro tinha perdido quando criança, se importou ainda menos com sua vitória. Não de forma ruim, Sanji estava obviamente feliz por ele, por ter realizado seu sonho de criança, agora acreditava que o trófeu que Zoro vivia apontando para se mostrar era real. Mas, o ponto era que, havia a mulher mais linda e perfeita de toda a humanidade e Sanji estava, sem a menor dúvida, apaixonado.

— Quem é essa dama estupenda? — Sanji perguntou olhando atentamente a foto claramente antiga e de uma qualidade questionável. Seus olhos brilhavam e seu coração se acelerou, nunca viu a mulher tão bela. — Quero que ela seja a mãe dos meus filhos!

— Cala a boca, vai. — Zoro sentia seu rosto esquentar um pouco e talvez fosse sua culpa por ter tido a brilhante ideia de mostrar fotos antigas àquele maldito. Devia ter antecipado algo assim, não sabia porque apenas por um mísero momento esperava que Sanji se comportasse como alguém normal.

Sanji absolutamente tirou a mente de Zoro de qualquer pensamento nostálgico que estava tendo com aquilo. O cérebro daquele imbecil parecia que derretia ao ver qualquer mulher e aquilo era irritantemente insuportável desde que se conheceram. Entretanto, talvez Zoro devesse agradecer à imbecilidade dele, assim não se afundaria numa melancolia inapropriada.

— Minha melhor amiga, Kuina. — Zoro respondeu simplesmente, não realmente querendo entrar em detalhes no momento e transformar aquilo em algo solene e desnecessário. — Você soa como um adolescente virgem falando essas coisas. Eu juro que se não te conhecesse iria achar que você nunca viu uma mulher na vida antes.

— Mas eu sou um adolescente puro e virgem. — Sanji piscou de uma forma que provava completamente que suas palavras eram a maior mentira de todo universo. De puro e virgem ele não tinha nada. — Você precisa me apresentar essa beldade, marimo. Vou me casar com ela.

— Um dia, quem sabe... Mas chega dessa história de casamento, seu idiota. — Ele espantou as fantasias ridículas do garoto.

Sanji roubou novamente o mouse da sua mão e começou a aproximar a imagem para ficar babando na imagem pixelada de Kuina, tal qual um retardado, e Zoro achou que já estava mais do que na hora de desligarem o computador. Mas, aparentemente o loiro não pensava da mesma forma. O idiota continuou passando as fotos sem qualquer pudor, extremamente folgado e intrometido como sempre era.

Sanji continuou enchendo o saco, admirando a bela dama e babando por ela. Com certeza a mulher mais linda que ele já tinha visto em toda sua vida... Mesmo que ele tenha dito isso para as últimas dez que viu na rua. Mas, quando sentiu a mão grande segurando seu queixo e o apertando, o olhar intenso fixo nele e os lábios pressionando os seus, Sanji estremeceu. Droga, maldito marimo. E o que aquela anta queria dizer que não podia casar com a Kuina? Claro que podia e iria!

Ele não se importou tanto com a negação de casamento, concluindo que o idiota apenas estava com ciúme por ser uma alga possessiva. Honestamente? Fofo. Assim como o achava fofo, estava curioso com o que mais tinha naquele computador, então a ideia genial surgiu em sua mente para se livrar do moreno por um tempo.

— Estou com fome. — Sanji mentiu descaradamente, forçando o sorriso mais injusto e falso de todos. — Vai na sala e pega minha mochila, trouxe alguns petiscos.

Antes que pudesse abrir a boca para reclamar o garoto fez aquele pedido e Zoro ficou desconfiado, franzindo a testa e tentando saber o que poderia estar por trás das intenções daquele diabinho. Como desistiu rapidamente de pensar, apenas fez o que foi solicitado.

Era mentira de Sanji, óbvio, mas Zoro não tinha cérebro, então não notaria tão rápido que estava sendo enganado. E assim que ele saiu, o loiro começou a abrir todas as pastas que existiam naquele computador, curioso com as coisas que o outro fazia.

Não havia nada relevante ou que acabasse com sua curiosidade, isso até abrir o navegador...