Notas iniciais
Obrigada todo mundo que acompanha essa história orz Capa: @ prapon0904

Extremamente manhoso, Sanji sorriu ao ver o moreno o convidando para deitar naquela cama minúscula, mas em momento algum pensou em recusar a gentileza, logo se deitando encolhido. Por estar frio, puxou a coberta grossa e agora que já estava mais sóbrio, ele conseguia perceber que não era a coisa mais cheirosa do mundo, com toda certeza. Mesmo assim, se agarrou no tecido, envolvendo o corpo e deixando apenas uma parte minúscula para o outro.

Após isso, o loirinho ficou quieto e em silêncio, de olhos fechados como se tentasse ou dormir ou fazer aquela dor latejante passar. A respiração pesada em sua nuca acabava o distraindo, arrepiando os poucos pelos de seu corpo e o deixando um tanto ofegante, ou talvez isso tudo fosse apenas por estar chorando como um bebê.

Zoro permaneceu exatamente onde estava, o corpo menor colado ao seu devido à falta de espaço na cama e sua respiração batendo na nuca loira e ainda úmida. Depois de um tempinho de absoluto silêncio Zoro começou a ouvir os soluços baixos do garoto e teve ainda mais certeza do que precisava fazer. Puxou o celular do bolso com cuidado e ligou para o chefe.

— Franky? Oi, foi mal, não vou poder ir hoje. — Ele disse com a voz baixa, escutando o homem de cabelos azuis dizer que estava tudo tranquilo do outro lado da linha.

Sanji ouviu Zoro falando com o chefe exibicionista e abriu os lábios para dizer que não precisava, mas a única coisa que saiu foram soluços que o envergonharam e fizeram com que se calasse ainda mais. Era doloroso pensar que mais uma vez só estava sendo um estorvo para alguém. Era patético como ele sempre acabava naquela situação, atrapalhando a vida de todo mundo, às vezes pensava que seria melhor não se meter mais na vida de ninguém. Sanji não percebeu, mas esses pensamentos apenas o fizeram chorar ainda mais, pateticamente. Seu coração doía pela rejeição, por sua fraqueza e por atrapalhar alguém que parecia se importar tanto com ele.

No entanto, esses pensamentos ruins foram afastados ao sentir a mão quente do maior tocando sua cintura por um segundo e logo afastando a mão como se tivesse mudado de ideia em relação a tocá-lo. Mas, era exatamente isso que precisava, do toque de alguém, um conforto. Só precisava ouvir que tudo ficaria bem, que ele encontraria alguém melhor, que superaria seu vício e seus traumas, porque ele próprio não conseguia acreditar nisso.

Então Sanji procurou a mão do outro e a puxou de volta para sua cintura, no processo acabando por colar ainda mais a parte traseira de seu corpo na frontal de Zoro, só que aquilo não o incomodou ou muito menos o fez se importar. O homem maior era quente e o contato era agradável, fazendo-o se encolher ainda mais ao ser efetivamente abraçado. Sua mão entrelaçou os dedos com os do maior, como em um pedido mudo para ele não se afastar mais.

Agora que Zoro estava tão próximo de Sanji conseguia sentir que o garoto parecia estar com um pouco do seu cheiro. O que era normal, já que o loiro havia usado seu sabonete, sua toalha e suas roupas. Mas ainda havia um odor que não era de Zoro e também não era os resquícios de álcool no corpo do rapaz, era seu cheiro natural, tão diferente de quando aparecia usando um daqueles perfumes fortes e caros. Zoro tomou cuidado para não inalar exageradamente, não queria dar a impressão que estava sentindo o cheiro de Sanji ou algo assim.

Zoro estava abraçando o mais novo com o corpo tão colado em seu corpo que não poderia se mexer nem se quisesse, e também não haveria espaço naquela cama minúscula para isso sem que caísse no chão ao tentar. Então só permaneceu parado, tentando abraçá-lo sem muita força, mas ainda firme. Sanji parecia não ter se incomodado com o contato, pelo contrário, até prendeu sua mão no lugar e parecia ter se encaixado perfeitamente no seu corpo enquanto o mais velho o abraçava por trás.

Zoro apenas ficou de olhos fechados sem realmente dormir, sentindo a mão do garoto tremer por causa do choro e suas costas se mexerem por causa dos soluços. Ele chorava baixinho, mas era muito alto para o quarto silencioso, e Zoro sabia que aquele garoto orgulhoso não queria ser visto naquele estado, então não iria comentar nada, nem naquela hora nem depois, só iria ficar ali até quando o loiro precisasse que ficasse.

Sanji passou horas chorando descontrolado naquela situação que deveria ser vergonhosa se enxergasse com outros olhos, mas que estava sendo apenas patética mesmo. O turbilhão de pensamentos, de sentimentos, de mágoas, tudo que guardava em seu coração estava sendo colocado para fora naquelas milhares de lágrimas. Talvez tenha adormecido por alguns minutos em algum momento, era bem provável, tinha certeza que Zoro havia dormido o tempo todo, ele estava muito quieto, a respiração calma, a mão apenas apoiada em seu abdômen sendo segurada pela sua. Seu corpo estava dormente por ficar tanto tempo na mesma posição, mas ele queria ficar ainda mais e tal pensamento o fez sorrir bobo. O sorriso substituiu as lágrimas e o sentimento horrível e agoniante aos poucos passou. Era estranho se sentir tão seguro e protegido nos braços de um homem.

Quando se sentiu confiante o bastante, Sanji soltou a mão do moreno e se espreguiçou, ouvindo todos seus músculos e ossos estralando, definitivamente ficar horas na mesma posição era a pior coisa que existia. Lentamente e com cuidado ele foi se virando na cama até estar de frente para Zoro.

Por antes estar todo encolhido, seu rosto ficou na altura do peitoral forte e não seria nada mal deitar e dormir ali... O pensamento o fez rir baixinho. Preguiçosamente Sanji se forçou para cima, deitando no travesseiro que era praticamente todo ocupado pelo outro homem, só sobrando uma pontinha para ele. Olhou no rosto idiota do moreno e sorriu ainda mais bobo. Era agradecido a ele por muitas coisas.

Sem pensar, Sanji passou um braço pela cintura do maior, abraçando-o da mesma forma que antes era abraçado. Em silêncio ele aproximou o rosto para dar um beijo na bochecha de Zoro, como forma de agradecer por tudo, mas por algum motivo, quando ia selar os lábios, o rosto alheio se moveu e sem querer acabou colando os lábios nos outros por um momento.

Se afastou imediatamente um tanto assustado e surpreso, com os olhos arregalados e um pouco ofegante. Seus olhos encaravam o de Zoro e não entendeu o que se passava na mente dele, não conseguia ler aquela expressão e era irritante. Com a mente limpa, Sanji apoiou as duas mãos no peitoral forte e se aproximou outra vez, dessa fechando os olhos e esperou por alguma reação do maior.

Era como na outra vez, Sanji havia o beijado e Zoro não entendia o que ele queria. Exceto que da outra vez era com força e intenção e desta com delicadeza e não parecia ter sido de propósito. Zoro fitava o mais novo enquanto suas respirações se misturavam frente a frente no pequeno colchão, e a de Sanji cheirava principalmente ao café que tomara há algumas horas, mas ainda um pouco ao álcool da noite anterior. Da primeira vez em que Sanji juntou seus lábios, Zoro não teve tempo de recusar nem de aceitar, mas agora era tudo mais calmo. O garoto parecia entregue à sua espera e ele percebeu os olhos fechados mesmo com a pouca luz do quarto.

O mais velho mimetizou os atos de Sanji naquele dia, se lembrando de como ele havia feito com ele, e sua mão grande e calejada tocou o maxilar completamente liso do garoto. O loirinho se surpreendeu com o toque repentino em seu rosto e mais ainda por ser tão gentil. A mão de Zoro era grande e quente, aquela temperatura elevada fez com que movesse o rosto em direção a ela, a procura de mais daquele toque, daquele carinho. Era estranho agir de forma tão manhosa com aquele marimo que passava praticamente o dia inteiro brigando e discutindo por coisas inúteis e mínimas, até mesmo por mensagens. O sorriso bobo estava muito presente no rosto delicado aquele dia.

Zoro queria ser delicado, porque a textura daquele rosto demandava delicadeza, mas sua mão bruta de mecânico era grande o suficiente para segurar o rosto inteiro do loiro com facilidade. Porém, enquanto encostava em Sanji, não percebeu nenhuma rejeição ao seu toque, pelo contrário, podia jurar que o menor estava se inclinando minimamente em sua direção.

E talvez isso foi o que fez Zoro encurtar a pequena distância entre eles deixando suas bocas quase encostadas, respirando o ar que o loiro soltava e aproximando mais, até que os lábios se encostassem suavemente. Não sabia porque estava se deixando levar por isso quando deveria estar cuidando dele, mas não era sua culpa que Sanji agia daquela forma estranha e bagunçasse tudo em sua mente. Pior ainda seria se o garoto não quisesse nada daquilo e ele apenas ganhasse um belo chute por ser um velho pervertido ou algo do tipo, mas Zoro não estava raciocinando direito sobre aquilo. Só estavam deitados juntos e aquilo não parecia muito diferente de abraçá-lo ou entrelaçar os dedos como estavam fazendo antes. Tudo tinha muita leveza e suavidade.

Sentia as mãos magras do loiro segurando seu próprio peito como se quisesse se aproximar e não se afastar. Aquilo fez Zoro ter confiança para mexer os lábios, esfregando-os nos de Sanji num beijo extremamente casto. Zoro nem sabia se poderia sequer chamar de beijo, parecia mais que seus lábios estavam se acariciando, por vezes mal encostando um no outro, às vezes apenas o suficiente para ele sentir a textura macia da boca de Sanji.

Sanji apertou ainda mais os olhos e suas mãos se afundaram, inocentemente, no peitoral forte, procurando apoio e segurança naquele ato. Se existia uma coisa que os lábios de Zoro não eram de jeito algum eram delicados. A textura era um tanto quebradiça e o fazia se dar conta de que não estava beijando uma dama e muito menos alguém jovem, certamente o homem não tinha nenhum cuidado com o próprio corpo. Seu peito era duro e totalmente diferente dos fartos e macios que tanto amava apalpar, então por que mesmo com todos esses detalhes, não estava desgostando daquele ato?

Diferente de Zoro, Sanji não era gay de jeito nenhum, até era um tanto preconceituoso com aquela questão, mas ali estava ele, com os lábios cada vez mais pressionados contra os de um homem e o coração vergonhosamente acelerado... Ou talvez não fosse seu coração que estava ouvindo e sim o do outro, sentia as palpitações na palma de sua mão e parecia que quanto mais acelerado sentia, mais ele tentava aprofundar aquele contato.

Os lábios começaram a se mover de forma diferente do que estava acostumado, aquele certamente era o beijo mais inocente e puro que Sanji já experimentara. Mesmo sem adentrar sua boca ou tocar sua língua, ainda conseguia sentir os vestígios do café forte que antes beberam e por um instante ele se perguntou qual seria o gosto daquela boca. O ato era lento e desesperador, cada vez que seus lábios se fechavam no inferior de Zoro, ele desejava deslizar sua língua para dentro de sua boca. Foi ali que Sanji percebeu que já estava completamente sóbrio.

Seu coração parecia que ia explodir, seus dedos deslizavam pelo peitoral moreno, subindo até seu pescoço e voltando para o peitoral, repetindo centenas de vezes o processo. Não era justo. Aquele beijo estava sendo um dos mais perfeitos que já provou, era impossível não comparar com os beijos que trocou com sua ex-namorada, Sanji nunca ficou tão fora de si em um beijo com ela. Não eram apenas selinhos, era um beijo, as bocas se moviam uma contra a outra, os lábios se conectavam e seu coração vergonhosamente gritava em seu peito.

Em um momento, a mão de Sanji segurou o pescoço grosso e deslizou até a nuca, puxando o moreno mais para frente contra sua boca. Naquele instante, o loiro abriu levemente os olhos, vendo o maior de olhos fechados e totalmente entregue àquele ato, isso o fez rir baixinho. Ao voltar a fechar os olhos, os dedos na nuca alheia puxaram os fios de cabelo e o forçou mais para frente, capturando seu lábio inferior entre os seus e pressionando um tanto mais forte. Não chegava a sugar ou chupar, apenas uma pressão maior e deliciosa.

Era um beijo calmo e não muito molhado e aquilo tudo parecia confortável e correto de uma forma que Zoro tinha certeza que não deveria ser. Não estava concentrado em mais nada que não fosse os lábios menores sugando levemente seu lábio inferior, quase sem pressão, apenas o suficiente para deixar Zoro com a mente em branco e mover seus próprios lábios sem pensar muito a respeito.

A única coisa que conseguiu sentir além disso foram os dedos de Sanji passeando em seu peitoral, por vezes esbarrando em sua cicatriz sensível e em um de seus mamilos agora entumecidos. Ele poderia mentir, mas conhecia seu próprio corpo o suficiente para saber que aquela sensibilidade não tinha nada a ver com o frio. Sanji cada vez mais o puxava para frente e Zoro poderia continuar naquela posição por muito tempo. Mas, ao notar o começo de uma certa ansiedade no garoto, conseguiu ter um pouco de prudência e diminuir mais ainda aquele ritmo lento, até que fosse inexistente.

Zoro encerrou o beijo e eles continuaram na mesma posição, excessivamente próximos, os narizes quase colados um observando o olhar do outro. Sanji estava ofegante e um tanto desesperado. Suas mãos tremiam em desespero, indicando que ele precisava de mais, sem se dar conta do que realmente fazia. Ele só queria ficar perto do maior, sentir seu corpo, sua temperatura, beijá-lo... Droga, era tão ruim estar consciente de seus próprios atos e vontades. Zoro era seu amigo, não deveria ter esses desejos absurdos por alguém assim, além do mais, ele era um velho acabado, era insano.

O moreno então percebeu que, exceto pelo começo do beijo, mal havia tocado Sanji, enquanto o loiro ainda estava segurando em si. Zoro então passou seu braço forte por cima do outro, seu corpo tão pequeno que ele não tinha esforço em abraçá-lo por completo daquele ângulo. Observou por um instante o corpo que abraçava e percebeu que a camisa branca quase transparente estava marcada na região dos mamilos e aquilo o fazia sentir coisas estranhas, o que fez o mais velho desviar o olhar rapidamente

— A gente deveria se arrumar. — Zoro disse depois de um tempo de silêncio, embora não tivesse a menor vontade de se mexer naquele momento. Seu olho verde jamais se desconectava do olhar azul do outro, mesmo no escuro, como se quisesse decifrá-lo apenas daquele modo.

Zoro parecia o encarar com uma expressão tão gentil, quase como se importasse com o loirinho e isso o fez querer chorar de novo, mas se recusava. O toque do maior era reconfortante e o fazia se encolher no abraço. Estar tão perto assim do maior o fazia ter pensamentos confusos, do tipo que talvez ele não fosse tão velho assim... Ou feio... O olho verde tinha um brilho que era bem atraente, os traços eram extremamente marcados e másculos, era agradável de olhar. Infelizmente, a voz grossa o fez afastar todos os pensamentos e cair na real. Ele e Zoro se beijaram!

Sanji não respondeu, apenas balançou positivamente a cabeça, concordando com as palavras. E não se moveu mais. Continuou quietinho aproveitando aquele abraço quentinho, consciente de que provavelmente nunca mais teria coragem de ficar tão perto assim do idoso.

Depois de alguns minutos confortáveis de completa preguiça, os dois resolveram levantar de verdade e se trocar para irem à reunião, não que Sanji estivesse muito animado depois do último ocorrido, mas sabia que era necessário antes que cometessem algum erro.