Notas iniciais
Capa: Pixiv ID: 80516385 |しめで (Mamilos são polêmicos, então segue aqui a imagem sem corte: https://i.pximg.net/c/600x1200_90_webp/img-master/img/2020/04/02/17/50/16/80516385_p16_master1200.jpg ) Esse site é morto, então se você gosta dessa história por favor considere ler e apoiá-la no wattpad : https://www.wattpad.com/story/211942733-don%27t-call-me-daddy

Faltava apenas um dia para o aniversário de Sanji, assim como para sua formatura e ele nunca esteve tão ansioso antes. Ainda não tinha alguém para levar, não por falta de opção e sim por querer ir com Zoro, só que ainda não tivera coragem para convidar o moreno.

Era vergonhoso só o pensamento de o convidar para algo tão íntimo e importante em sua vida, mais ainda a ideia de só querer estar com ele nesse dia. Era irritante como estava sendo as coisas em sua vida ultimamente, assim como sua relação com o marimo estava evoluindo e o enlouquecendo mais a cada dia. Zoro era um imbecil, mas Sanji queria que ele fosse um imbecil ao seu lado.

Sem dúvidas era por isso que precisou esperar até o último segundo para ter coragem de ir até a casa do idiota fazer o convite, por mais que pudesse muito bem fazer por uma mensagem ou ligação. Era meio estúpido o pensamento de que seria melhor pessoalmente, já que acabaria sendo ainda mais vergonhoso do que já era.

Claro que uma parte de si gritava para não o convidar, insistindo que aquele idiota nem gostava de festas, era um ogro recluso que não sabia ser sociável, mas Sanji queria muito mesmo ir à comemoração e não via sentido se fosse sem o outro.

Céus, estava tão constrangido com aquela situação, sua vontade era voltar correndo para casa e se esconder dentro do armário, nunca mais saindo de lá. Mesmo assim seus pés estavam grudados na frente do apartamento do outro e seu dedo trêmulo encostado na campainha há bons minutos, procurando coragem para apertá-lo.

Ele não teria apertado se uma senhora do apartamento ao lado não tivesse esbarrado nele, cheia de compras, fazendo o dedo pressionar o botão. Ela se desculpou e sorrindo como um anjo Sanji a ajudou a levar as compras para dentro, se despedindo educadamente e voltando a sua posição inicial bem no instante em que Zoro abriu a porta. Tinha certeza de que o imbecil havia se perdido dentro da própria casa e por isso demorou tanto, precisava urgentemente de uma chave reserva.

Sanji só não esperava que, diferente do normal, ele fosse congelar ao ver o moreno. Suas mãos se apertaram na barra da própria camisa e imediatamente ele olhou para o chão e mordeu o lábio, sentindo-se irritantemente inseguro. Esse sentimento era tão fora de sua personalidade usual que se odiava por isso. Era só Zoro. Talvez o problema fosse justamente ser ele.

Zoro realmente não esperava ver o pirralho ali. Na verdade fazia um tempo que ele não aparecia na sua casa. Sanji havia passado a última semana inteira o infernizando diariamente com os preparativos da sua festa de formatura. Não havia um dia sequer em que Zoro não recebesse alguma imagem não-solicitada de prévia de decorações, de saídas com os colegas da faculdade antes do dia principal da formatura, de opções de roupas e sapatos elegantes entre os quais Sanji estava indeciso demais, e todo o tipo de baboseira que fazia o mais velho revirar os olhos e amaldiçoar a juventude e toda sua predileção por frivolidades inúteis.

Se Zoro tivesse tido uma festa de formatura, bom, se ele tivesse chegado ao ensino superior algum dia na vida para começo de conversa, com certeza sua única preocupação seria a quantidade de bebida que haveria na festa. Ugh. Aquele com certeza seria seu pensamento na época, o que sinceramente não era muito melhor, ele pensou envergonhado.

Mas, diante de toda a agitação que aquela semana trazia, Zoro imaginou que o garoto estaria ocupado demais se arrumando exageradamente para o dia seguinte, dormindo um sono de beleza ou com a cara cheia dos produtos frescurentos que tanto gostava. Então, realmente se surpreendeu ao ve o moleque parado ali na sua soleira com cara de cão sem dono aguardando para ser adotado.

— Posso... Entrar? — O loirinho perguntou com a voz baixa, ainda olhando para o chão com insegurança. Desde quando ele perguntava se podia entrar? Nem mesmo na primeira vez em que esteve ali precisou ser convidado.

— Não. — Disse Zoro com o rosto impassível. Ele observou Sanji quase ter um ataque de pânico com os olhos por alguns segundos antes de acrescentar: — Você claramente está com uma doença que afetou seu cérebro, vai que é contagioso?

Zoro pôs a mão na testa de Sanji comicamente para completar o que dizia, fingindo que estava medindo sua temperatura com as costas da mão.

Por um instante Sanji se desesperou ao ouvir a negativa. Sua mente louca não pôde deixar de pensar que desde a primeira vez não era a vontade de Zoro deixá-lo entrar, que ele não o queria ali e... Isso durou alguns momentos até ele perceber que estava sendo ainda mais estúpido que o outro por agir dessa forma imbecil. Céus, era apenas Zoro, não precisava se comportar como um idiota.

Então, ele bateu na mão do velho retardado que o tratava como um garoto, levantou os braços para segurar na nuca alheia e com o sorriso mais malicioso que já esteve em seus lábios, ele se aproximou lentamente, até quase beijá-lo, mas desviou o caminho e atacou os brincos, passando a língua vagarosamente por cada um, liberando a respiração quente na orelhinha tão sensível.

— Então já que não posso entrar, vou me ajoelhar e chupar seu pau aqui na entrada para todos apreciarem o show. — A voz de Sanji estava tão carregada que nem ele conseguia acreditar que estava só brincando. Provavelmente não estava.

Uma de suas mãos deslizou da nuca alheia, tocando com vontade o pescoço grosso até deslizar para o peitoral tão lindo, contornando com os dedos a cicatriz gigante que atravessava todo o tronco do moreno exibicionista. Parando para pensar, Zoro adorava se expor, provavelmente não se importaria de ser mamado na frente de outros. Um completo velho pervertido. Sanji preferiu empurrá-lo para dentro antes que sua brincadeira se tornasse real.

— Que pena que desistiu. — Zoro disse sem nenhum sarcasmo em sua voz. Realmente não teria achado nem um pouco ruim se Sanji cumprisse sua ameaça. Mesmo que algum de seus vizinhos os vissem, aquilo provavelmente só tornaria o ato mais excitante. Sabia que era apenas brincadeira do garoto, mas ele falou tão repentinamente, com tanta convicção e malícia que Zoro não conseguiu evitar desejar que realmente fizesse aquilo, mesmo que por um segundo.

Seria um belo jeito de se reencontrarem depois dessa semana em que não se viram muito, já que Zoro nem estava esperando aquela visita para começo de conversa. E aquela atitude provocante e desafiadora certamente combinava muito mais com o garoto irritante e inconveniente que ele conhecia e não aquela criatura tímida e hesitante com quem deu de cara quando abriu a porta.

— Agora, quer me contar por que estava tão inseguro? — O mais velho disse após trancar a porta e se sentar no sofá ao lado do garoto, que se sentou na outra ponta e largou as penas compridas em cima do seu colo.

— Eu precisava falar com você. — Sanji disse mais sério do que nunca, nem parecendo o pervertido de minutos atrás. Ainda estava meio inseguro, mas não como antes, parecia mais medo e hesitação que causava a insegurança, e nem era mais pelo mesmo motivo. Afinal, convidar Zoro para ser seu par em sua formatura era a parte simples, mas Sanji não desejava que elevassem o relacionamento que estavam mantendo a esse nível enquanto ainda não tinha a certeza de que era o correto a se fazer. Ele tinha certeza de que não seria aceito e era mais fácil parar de se iludir antes de tomar uma decisão precipitada. — O que você acha do seu corpo?

Sanji foi direto ao ponto. Poderia parecer besteira, era só uma festa de formatura, mas para ele significa mais, significava muito. Não queria que a história de sua formatura escolar se repetisse e fosse a um evento importante com alguém que nunca mais veria.

O bico de seu sapato encostou de leve no abdômen do moreno, na parte que finalizava a cicatriz enorme que atravessava seu corpo, indicando ao que se referia. Claro, Zoro nasceu sem cérebro e a cara de idiota dele demonstrava que claramente não havia entendido, fazendo o garoto suspirar frustrado. Era pior que falar com uma criança.

— Das suas cicatrizes. — Preferiu ser mais claro, tanto quanto a neve, até uma mula entenderia. Na verdade, um animal provavelmente entenderia as coisas mais rápido do que aquela alga idiota.

— Ah... Eu não... Sei lá. — Zoro disse arqueando a sobrancelha e realmente não entendendo de onde estava vindo aquela conversa. Claro, ele estava sem camisa e todas as suas várias cicatrizes estavam à mostra em seu torso, mas não é como se Sanji nunca tivesse visto aquilo. Na verdade, Zoro achava que era mais raro o garoto vê-lo de camisa do que sem. Então não compreendia o porquê daquela pergunta estranha.

Entretanto, logo percebeu que claramente sua resposta não satisfaria nem um pouco o garoto. Percebeu em seus olhos que não era uma pergunta aleatória, nem uma conversa para passar o tempo. O loiro estava sério e esperava uma resposta séria. Devido ao seu comportamento anterior e às palavras que usou, precisava falar com você, Zoro podia deduzir que não iria se safar apenas se esquivando, por mais que não entendesse direito aonde o garoto queria chegar com aquilo.

— Quero dizer... — Ele tentou refazer sua resposta, enquanto coçava a barba por fazer em seu queixo e seu pescoço tentando formular algo melhor para dizer ao pirralho. — Eu não me importo muito com elas. Não me importo muito com aparência em geral, acho que já deve ter notado. — Ele coçou a nuca enquanto lembrava de todas as vezes que o garoto já tinha o chamado de desleixado.

— Talvez em alguma época cheguei a sentir algum orgulho delas e ostentasse de propósito. Agora não costumo pensar muito assim, mas também nunca cogitei esconder. — Falou tracejando a própria cicatriz que cortava seu peito na metade. Ela era a que sempre chocava as pessoas por ser tão grotesca, juntamente com a que atravessava seu olho e estava sempre à vista. — São parte de mim, são prova de que sobrevivi.

— Oh... — Sanji não estava nada surpreso com aquela resposta. Na verdade, era bem algo do gênero que esperava. Zoro não só não se envergonhava como também costumava expor a todos, como o ótimo exibicionista que era, todas as marcas de batalhas que havia travado. Mas Sanji não era assim. Ele não era um guerreiro e sim um modelo, seu corpo deveria ser perfeito, sem marcas, sem cicatrizes e era nisso que se encontrava o problema. O corpo perfeito que enlouquecia o moreno não existia. — Você sempre diz que meu corpo é lindo, que ele é perfeito...

Talvez a história não fosse exatamente assim e aquelas não fossem as palavras exatas que o mais velho havia usado, mas não é como se precisasse. Era visível no olhar de Zoro o quanto ele gostava de seu corpo pequeno e liso, sem nenhuma marca. Tanto que sentiu incômodo ao perceber que havia partes em sua pele que não eram tão lisas como era mostrado nas revistas. Sanji odiava tanto aquilo, o quão vergonhosas eram aquelas marcas horrendas.

Era impossível não se esquecer de como as pessoas olhavam para ele ao verem pela primeira vez. Das palavras realistas de sua ex-namorada e até mesmo do olhar enojado de mulheres que se deitava e exigiam que tirasse a camisa. Mas nenhuma delas parecia tão viciada em seu corpo como Zoro era. Jamais fora tocado com tanto desejo, por tanto tempo e ele sabia que a reação do moreno seria ainda pior. Zoro não se importava com as marcas em seu próprio corpo, mas quando era no corpo que ele considerava perfeito, a história deveria ser outra. Ao menos era isso que Sanji achava em seus momentos de insegurança.

— Eu nunca disse nada tão absurdo, moleque. — Zoro falou sem nenhum pingo de convencimento em sua voz, e suas mãos passeando nas pernas descobertas, exceto pelo short curto, em seu colo com certeza não ajudavam em nada seu argumento. Zoro parou por um momento de acariciar a pele macia como se estivesse se incriminando ao fazê-lo, apenas para dar de ombros em seguida e voltar a percorrer as longas pernas com as mãos morenas.

Talvez, apenas talvez, Zoro já tivesse dito algo nessas linhas. Embora não tão exagerado quanto perfeito... Não que Sanji não fosse. Mas parecia algo estranho e vergonhoso de se dizer. Por mais que sempre que elogiasse o garoto nunca estivesse em plena consciência do que fazia, tomado pelo estupor da excitação, de tê-lo tão pequeno e manhoso em seus braços. Naqueles momentos, Zoro que geralmente só o chamaria de irritante e pirralho, talvez fosse persuadido a dizer qualquer coisa, talvez facilmente chegasse a dizer que o garoto era perfeito. O pensamento o assustava um pouco. Fazia o controle que achava que tinha sobre suas próprias palavras escapar entre seus dedos. Só que Zoro ainda não entendia o que diabos isso tinha a ver com a opinião dele sobre si próprio e sobre suas cicatrizes.

— Mas, afinal, o que está querendo dizer com isso? — Zoro tentou encarar aquele olho azul profundo enquanto perguntava, mas Sanji parecia não querer olhar em seu olho de jeito nenhum. Sua linguagem corporal completamente errada, como se ao olhar ele fosse responder sua pergunta e ele não realmente queria fazê-lo. Parecia estranho, como esteve na porta, espantado como se quisesse desistir e fugir e Zoro apenas abraçou as pernas em seu colo involuntariamente, para que ficasse.

Sanji ficou alguns minutos em silêncio, olhando para baixo como se os botões de sua camisa fossem a atração mais interessante que existia. Seus dedos rodeavam um botão e depois outro, pensando se deveria continuar com aquilo. Se parasse para analisar a situação, seria melhor ter a amizade dele do que não ter nada, ele sabia que não aguentaria encará-lo depois que fizesse a tão conhecida expressão.

Por mais que estivesse confortável com as pernas no colo do outro, ele se levantou e ficou em pé no meio das pernas afastadas do moreno. Seus olhos ainda não o fitavam, não possuía coragem o bastante para fazer as duas coisas ao mesmo tempo. A vontade absurda de acender um cigarro percorria seu corpo, a nicotina o ajudaria a se acalmar e controlaria aquelas emoções transbordando de seu peito. Porém, estava decidido que era melhor acabar com tudo antes de se tornar algo a mais.

Com as mãos tremendo ele desabotoou toda a camisa até estar totalmente aberta, mostrando o peitoral magro, o abdômen pouco definido, a cintura fina, a pele branca, os mamilos rosados. Cada detalhe do corpo que deveria ser perfeito. Ele deixou a roupa deslizar por seus ombros até cair no chão, dando visão também a elevações em seu abdômen que não eram músculos, assim como nas laterais de seu corpo. Linhas inchadas que não desapareciam nunca e se olhasse bem de perto poderia notar que em uma daquelas elevações se formava o desenho quase perfeito de uma fivela de cinto.

"Por favor, não vomite." Sanji já não sabia se estava falando ou pensando. Suas mãos se apertavam em suas coxas as ferindo, assim como os dentes pressionavam o lábio inferior e seus olhos se mantinham fechados o tempo todo, sem coragem de olhar a reação de Zoro. Estava a um passo de sair correndo, preferindo nunca saber o quanto o amigo se sentiu enojado ao ver como seu corpo era diferente do que as revistas mostravam. Do que Zoro idolatrava.

— Cook... — Agora Zoro podia entender um pouco porque o garoto jamais tirava sua camisa ou deixava que tocasse seu torso.

Zoro podia ser um pouco lento às vezes, mas conhecia aquele garoto, conhecia o tipo de pensamento que tinha. Ele era vaidoso, se importava demais com aquilo. E com certeza achava que estava o enganando de alguma forma, como se tivesse prometido algo e estivesse entregando outra coisa. Como se estivesse mostrando uma parte tão grotesca de si mesmo que Zoro iria rejeitá-lo imediatamente após vê-la. Não poderia estar mais enganado, claro. Zoro achava sim aquilo grotesco, mas apenas porque se usasse seus dois neurônios poderia deduzir de que tipo de violência aquilo tinha sido fruto.

— Ei, Sanji. — Zoro o chamou, já que o loiro ainda insistia em não olhar para ele de jeito nenhum. O chamado não foi porque quisesse fazê-lo se sentir desconfortável, mas porque queria que ele soubesse que não precisava evitar olhar sua expressão, que ele nunca o olharia de maneira diferente por nada. Para fazer um pedido. — Me deixa tocar.

Sanji não sabia se era mais assustador não ver Zoro enojado ou se aquela confusa expressão que ele estava fazendo. Em todos seus poucos anos de vida, jamais viu alguém reagir daquela forma. Era normal enxergar pena, nojo, medo e várias outras reações, mas o moreno só continuou com aquela cara de panaca de sempre e seu olho parecia demonstrar apenas compreensão, como se tivesse entendido algo. Aquilo deixava o jovem muito confuso, mais ainda quando ele pediu para tocar. Era tão grotesco assim que ele precisava tocar para acreditar? Ainda que estivesse pensando tal absurdo, Sanji concordou bem de leve e aproximou mais o corpo do outro.

Com a permissão sutil e hesitante, Zoro prosseguiu. Mas seu objetivo não era tocá-las para satisfazer sua curiosidade, aquilo seria trivial e impensável naquele momento, até porque nem precisava, se lembrava bem da textura sob suas palmas na única vez que Sanji deixou que o tocasse ali, embora nem soubesse o que exatamente havia no local ainda. Então, não pôs as mãos nelas. Ao invés disso encostou os lábios num beijo breve, testando a reação de Sanji, que a princípio se assustou um pouco, até que continuasse a fazer aquilo por toda a extensão. Ele beijou cada uma delas da mesma forma amorosa que sempre beijou qualquer outra parte de Sanji, porque eram ele, então nunca haveria outro jeito de fazê-lo.

Ao sentir os lábios que tanto amava beijando aquelas cicatrizes horríveis, o loiro não sabia o motivo, mas seus olhos se encheram de lágrimas e em segundos ele estava as derramando pelo rosto, ficando a parecer uma criança feia e sentimental.

— São nojentas... Eu sou... — Sanji murmurou baixinho em meio ao choro, derramando as lágrimas nos fios verdes do amigo. Suas mãos tocaram o ombro do maior e tentou afastá-lo, mas sem colocar nenhuma força, como se ao mesmo tempo em que desejava que ele se afastasse, precisava que continuasse o tocando daquela forma tão carinhosa, fingindo que o aceitava.

— Não. Não é. — Zoro falou sobre a pele cicatrizada em um sussurro, igualando o volume da sua voz ao de Sanji.

O garoto não parecia acreditar, entretanto. A voz soou tão quebrada que Zoro nem sabia o que fazer direito, fazia muito tempo que não o ouvia chorar, que não o via tão frágil. E não era algo que gostasse de ver. Não combinava com ele. Sanji era forte, não era qualquer coisa que o derrubava. Aparentemente as feridas que ele carregava eram muito maiores que aqueles ferimentos físicos, muito mais difíceis de cicatrizar, algo que começaria a sangrar profusamente apenas ao ser mencionado.

Zoro interrompeu sua trilha de beijos para puxar o garoto até seu corpo, fazendo seu peso cair sobre si, a salvo em seu colo.

— Não tem nada de errado com você. — Ele disse, a mão grande fazendo o rosto molhado de Sanji encará-lo, olhando bem no olho azul que agora estava inundado por um mar de lágrimas. — Entendeu?

— Uhn... — Sanji balançou de leve a cabeça, concordando e tentando se convencer das palavras do moreno. Era muito confuso ser aceito por alguém daquela forma, mas estava sendo estúpido ao achar que entre todas as pessoas, Zoro seria quem o julgasse. — Você realmente não sente nojo?

A voz que já estava baixa e fraca, agora também era embalada em soluços causados pelo choro. Odiava se sentir dessa forma e se mostrar tão frágil a outra pessoa, especialmente ao moreno que sempre desejava mostrar sua força, seja física ou mental. E mesmo assim, por mais que estivesse tentando não demonstrar fragilidade, Sanji ainda se abraçou nos ombros do mais velho, manhoso e carente, se aninhando em seu calor, como se pedisse em silêncio para ser confortado.

— Nojo? — Zoro se controlou para não rir tamanho era o absurdo da expectativa de Sanji.

Zoro não se importava de servir de travesseiro para o outro, nem de se molhar com suas lágrimas, embora com certeza não esperava que fosse passar sua noite assim hoje. Pensando bem era sempre assim, o moleque aterrissava em seu colo do nada e cabia a Zoro confortá-lo, embora o moreno nem soubesse direito como fazer algo assim. De alguma forma, ele sempre conseguia. E sempre se surpreendia por aquilo ser tudo que bastava para Sanji. Seus braços, seu calor, seu silêncio.

— Eu te disse que seu cérebro estava afetado, tá vendo... — Zoro disse colocando a mão na testa de Sanji novamente e imitando sua piada de antes, na expectativa de irritar ou fazer o garoto rir. Qualquer um já seria lucro. — Só assim para pensar uma coisa dessas.

E Sanji riu baixinho, sentindo-se bem mais relaxado e menos inseguro depois daquela brincadeira besta do moreno. Parecia que Zoro o conhecia bem o suficiente para sempre fazer tudo para deixá-lo tranquilo. Talvez fosse isso mesmo.

— Você realmente é o mais idiota de todos. — O loirinho disse bem baixo, a voz ainda falhando de tanto chorar como uma criança. Com certeza o mais idiota de todos... E ele queria que fosse apenas o seu idiota. Afastou a mão de sua testa e a levou até sua boca, beijando gentilmente os dedos grossos como forma de agradecimento. — Eu gosto disso...

De você. Era vergonhoso o pensamento que surgiu em sua mente, como se gostar de Zoro fosse a coisa mais improvável de acontecer e que ele jamais pensou que aconteceria. Não gostar como um amigo, não só isso, era bem mais forte e irritante, igual àquela planta marinha. Ele suspirou frustrado ao perceber que os sentimentos estavam ali e ele só estava evitando por insegurança, mas era tão óbvio que chegava a ser irritante. Realmente muito irritante.

Sanji praticamente se jogou para trás enquanto segurava o braço do moreno para se apoiar, apenas para alcançar a camisa no chão e se jogar para frente de novo, tudo em uma tentativa preguiçosa de não sair do colo confortável do outro. Mas diferente do normal, ele não tentou se esconder, apenas passou os braços pelas mangas e deixou a peça aberta, perdendo a vergonha do outro. No fim era ele mesmo quem mais sentia nojo de seu corpo, mas na frente daquele idiota não precisaria mais se preocupar.

— Eu não sou idiota, seu pirralho mal-agradecido. — Zoro disse, soando quase tão infantil quanto aquele garoto com menos da metade de sua idade soaria. — Idiota é você.

Mesmo soando falsamente irritado, Zoro estava sorrindo. Estava aliviado pelo garoto ter ficado mais relaxado depois de tê-lo visto tão vulnerável. Ele observou a camisa aberta de Sanji e gostou daquilo. De como o loiro não teve pressa para se cobrir novamente e se esconder dele, então tomou a liberdade de encaixar suas mãos ali, segurando o corpo esguio pela cintura fina por baixo da blusa. Viu Sanji arregalar minimamente os olhos, como se ainda não estivesse acostumado completamente com aquilo, mas como o garoto pareceu logo relaxar ele apenas continuou segurando seu corpinho pequeno ali, apreciando como suas mãos se encaixavam no local.

Era bom para Sanji ser tocado dessa forma. Zoro, mesmo sendo um bruto, sabia ser gentil às vezes e Sanji realmente gostava de ser tocado por ele. De todas as formas, em todos os sentidos. Por mais que não houvesse nenhuma malícia no toque, ter aquelas mãos grandes apertando sua cintura como se não fosse nada o deixava levemente excitado.

— Então, deixa eu ver se entendi... Você veio até a minha casa na véspera da sua importantíssima formatura pra tirar a camisa para mim? — Zoro falou brincando, agora que o clima estava definitivamente mais leve entre os dois e Sanji já havia parado de chorar e estava calmo e comportado em seu colo.

O rosto choroso se tornou corado pela perversão, Sanji era mesmo sem controle. A voz grossa de Zoro falando algo que não deveria soar pervertido, mas em seus ouvidos estava exalando luxúria. Sem perceber, morde os lábios e segurou com as duas mãos o rosto do moreno.

— Exatamente. — Sanji não soube dizer se apenas aquela palavra conseguia ser tão ou mais pervertida que o olhar carregado de desejo que ele trocava com o moreno. Seus dedos deslizaram pelos traços másculos de Zoro, sentindo a barba pinicando-os até alcançar os lábios carnudos. Era sempre inconsciente quando mordia seus próprios lábios, assim como extremamente sensual. — Zoro...

O nome do moreno acabava de se tornar o som mais obsceno de todos na voz do loiro safado. Seus dedos habilidosos contornaram os lábios grossos algumas vezes, antes de deslizar uma mão até o queixo e lentamente, sempre mantendo o contato visual como se estivesse hipnotizando-o, Sanji o puxou até seu peitoral exposto, deixando a boca encostar em um de seus mamilos e sentir a parte minúscula crescendo e endurecendo rapidamente. Só a sensação de ser tocado ali pela primeira vez diretamente com a boca do outro o enlouquecia.

Zoro não sabia quando aquele garoto tão dócil e comportado em seu colo havia se metamorfoseado naquilo. A voz de Sanji estava carregada e definitivamente já não era mais um cordeirinho manso precisando de conforto. Parecia que estava levando Zoro diretamente para a armadilha mais maliciosa de todas, coisa da qual o moreno jamais iria reclamar. O cordeirinho havia se transformado em uma ardilosa raposa que sabia muito bem como manipular e enganar sua presa. E pateticamente fácil, Zoro sempre caia nas armadilhas do garoto e era seduzido por aquela criatura irritantemente sedutora.

— Sanji... — Zoro falou com a boca no mamilo, a voz grave fazendo vibrar aquela parte tão pequena e adorável.

Então ele empurrou o corpo menor para o sofá, colocando-se por cima dele e se encaixando no meio das pernas inacreditavelmente fortes. Sentiu as coxas grossas o apertando como se tentasse esmagá-lo, ao mesmo tempo que Sanji o puxava para mais perto obrigando-o a pressionar sua intimidade.

Imediatamente sua boca voltou a devorar o mamilo e Zoro mal teve tempo para apreciar o quão pequenos e lindos eles eram porque Sanji era ganancioso demais e já tinha as mãozinhas em seus cabelos grisalhos, o forçando contra seu peito, ordenando Zoro a chupá-lo como merecia. E Zoro queria muito obedecê-lo.

O mais velho teve um pouco de receio a princípio, a barba por fazer com certeza arranharia aquele peitoral tão branquinho, mas Sanji insistia e o puxava incessantemente para si, então Zoro sugou o mamilo rosinha em sua boca, tentando estimular direito aquela parte tão pequenina, enquanto sua outra mão se esgueirava até o outro, apertando-o num ritmo igual ao que fazia com a boca. Seu garoto apertava ainda mais os fios grisalhos, a respiração falhando e os gemidos se despejando deliciosamente aos ouvidos de Zoro. Perfeito. Ele poderia adorar aquele corpo para sempre. Só não havia se dado conta de que estava realmente falando enquanto o fazia.

— Perfeito. — Ele realmente disse, não apenas pensou, ele estava em transe como sempre, era o que Sanji sempre fazia com ele nesses momentos, o deixava completamente hipnotizado e essa era a falta de controle que Zoro sempre temia. — Seu corpo é perfeito, Sanji.

Sanji estremeceu por completo ao ouvir seu nome saindo daqueles lábios, fazendo-o notar que não era a primeira vez em que Zoro o chamava assim só naquele dia, mas antes estava agindo de forma tão estúpida que sequer se deu conta. Droga, ele pulsou tão dolorido que desejou que ainda estivesse chorando para se derramar em lágrimas e apreciar a maldita dor que o desgraçado conseguia causar só com uma palavra. Naquele momento o garoto percebeu que realmente enlouqueceria se continuasse com Zoro e era tudo que mais desejava.

O pequeno precisou se esforçar muito para ter algum controle e não chorar, em compensação sua cabeça fora jogada para trás e ele estava em êxtase a cada chupada perfeita em seu mamilinho, obrigando-o a entrar em um transe sem volta. E para compensar a falta de lágrimas, a saliva escorria aos montes de sua boca aberta que liberava os gemidos mais necessitados e eróticos. Sem perceber estava gemendo como uma puta descontrolada, desesperada. Precisava de Zoro o devorando por completo, dentro e fora, com força.

Suas mãos escorregaram do cabelo do moreno para seu corpo grande, sentindo os músculos saltados nas costas, tão fortes e enormes. Mas Sanji não parou. Chegando na curva das costas ele continuou descendo, até que suas pequenas mãos sentiram uma elevação que fez questão de apertar com vontade, sentindo seu pau pulsar só de sentir o quão grande a bunda de Zoro era. Enorme e deliciosa. E ele prosseguiu com os abusos intensos, apalpando deliciosamente aquele rabo, sentindo na ponta de seus dedos os músculos de contraindo, o que o fez sorrir maldoso. A partir daquele momento a bundona de Zoro se tornava a parte do corpo favorita de Sanji. Claro, junto com os peitões. Sem perceber ele estava investindo o quadril contra o corpo maior, tentando roçar sua ereção pulsante na dele.

Infelizmente, no instante que o loiro estava conseguindo se esgueirar por dentro do shorts de Zoro para tocar aquelas montanhas diretamente, ele ouviu a porta do apartamento sendo aberta. Ainda demorou alguns instantes para se dar conta, a boca faminta de Zoro não parou de sugá-lo mesmo que ele claramente tenha notado também, então achou que era apenas coisa de sua cabeça. A barba arranhava sua pele branca e perfeita, perfeita para o moreno, assim como ele achava e havia afirmado mais uma vez, dando a certeza ao loiro de que independente de qualquer mancha horrível em seu corpo, Zoro o aceitaria. Sanji era dele. Sempre seria o garoto dele.

— Eu realmente espero que esse garoto seja maior de idade, Zoro. — Uma voz feminina fez o loirinho imediatamente empurrar o corpo maior para o chão e se levantar em seguida completamente desesperado, abotoando a camisa antes que a dama pudesse ver seu corpo. Sanji ficou surpreso por estar quase transando com o moreno não ser o maior problema para ele naquele instante, ainda que estivesse completamente constrangido tentando disfarçar o que estava acontecendo ali.