Notas iniciais
Capa: Pixiv id = 86043043 | あんころろ

Zoro realmente não sabia o que esperar que acontecesse depois do ocorrido. Ele precisou de todo o autocontrole do mundo para apenas interromper o que estavam tendo na metade. Em seguida, fodeu pateticamente o fleshlight que nunca havia devolvido a Sanji, mais uma vez, entre tantas, imaginando que era o dono no lugar do objeto e extremamente frustrado.

Era uma merda que Sanji apenas tivesse fugido pela enésima vez, mas Zoro esperava que com o tempo aquilo melhoraria. Esperava que seja lá o que eles começaram a ter juntos não tivesse estragado...seja lá o que eles tinham antes. Era uma amizade, sim, mas até para ele parecia um pouco forçado chamar assim com a quantidade de pensamentos impróprios que povoavam a sua mente há tanto tempo.

Porém, diferente do esperado, nada retornou ao normal. Não havia visto o pirralho ainda, mas sabia que não estava tudo bem. Ele havia mandado mensagem, perguntado, e Sanji não o havia ignorado. O que não significava que era um alívio. Sanji apenas respondeu de maneira mecânica e pouquíssimo parecida com o que ele geralmente mandaria. Nem mesmo uma provocação foi o suficiente para obter qualquer reação que não fosse completamente apática.

Esses pensamentos o faziam se sentir confuso e o fizeram demorar o triplo do normal para chegar em casa após o trabalho naquele dia. Estava exausto e completamente irritado por ter demorado tanto e ainda ficar pensando num pirralho irritante que só sabia torrar sua paciência o tempo inteiro. Na verdade aquele dia inteiro parecia não estar funcionando.

Até a maldita chave do apartamento o estava irritando, se escondendo nos milhares de bolsos do seu macacão e o fazendo perder tempo na frente da porta de casa, quando tudo que queria era entrar, pegar uma cerveja, e se jogar no sofá. Quando finalmente conseguiu achá-la e destrancar a porta, foi atingido tão forte por trás que quase perdeu o equilíbrio, entrando dentro do apartamento e sendo sucessivamente atingido por golpes violentos que não cessavam um segundo.

Sanji queria dizer que não estava completamente irritado com Zoro, mas era o exato oposto. Não existia nenhuma chance dele não estar desejando chutá-lo até a morte. Passou a noite em claro, chupando dezenas de pirulitos e praticamente mastigando todos os palitos como se fossem alimento. Estava estressado e puto da vida, desejando degolar aquele marimo e fazer um ensopado de alga. Zoro era um imbecil irritante e ele jurou que nunca mais iria falar com ele. Era surpreendente não estar agonizando por desejar fumar, porque seu ódio se direcionava totalmente àquela árvore sem cérebro que nem mesmo lembrava da necessidade constante de nicotina. Ou talvez ele apenas estivesse aprendendo a controlar seu vício pouco a pouco.

Claro, o pensamento de nunca mais falar ou ver aquele idiota durou até receber uma mensagem que era tão estúpida quanto quem a enviou e ele sorrir bobamente, sentindo o coração ficar bem quentinho. Qualquer pessoa com cérebro sabia o que eram aqueles sentimentos incompreensíveis que andava sentindo cada vez mais forte por aquele velho caindo aos pedaços, mas Sanji costumava preferir ignorar que tinha um cérebro. Pensar nele e Zoro sendo algo além de amigos era... Estranho e irritantemente vergonhoso, só de se lembrar daqueles beijos ele já ficava corado como um idiota, não deveria ser assim, mas parecia que seu coração é que estava mandando ali.

Quando percebeu, depois da faculdade pegou um táxi direto para a casa da planta descerebrada e ficou escondido esperando que ele chegasse do trabalho. Ainda estava bastante abalado pelos acontecimentos do dia anterior, do beijo e principalmente da rejeição sem sentido e não estava ali para conversar, para beijar ou qualquer coisa, e sim apenas para chutar a bunda enorme do marimo estúpido.

E foi exatamente o que fez quando o viu abrindo a porta de casa. Com um chute forte, o empurrou para dentro e bateu a porta para trancá-los ali e ter toda a liberdade do mundo para atacar o velho como bem entendia. Chutou mais uma vez. E outra. Mais outra. Outra. Outra. Incontáveis vezes sem parar, tão forte que só de sentir o desgraçado sentiria dor ali. Continuou chutando por mais um tempo, até sentir a mão forte segurando sua canela e o derrubando no sofá, imobilizando-o. Sentiu seu coração disparar e se odiou por reagir daquela forma estúpida, nem fazia sentido, era só o marimo idiota. Mas, talvez por justamente ser o marimo idiota que Sanji se sentia assim.

Se irritando com as próprias reações, ele tentou chutar outra vez e a sola do sapato caro encostou no peitoral largo, mas ele não teve coragem de machucá-lo quando notou que o outro praticamente puxou seu pé até ali.

— Seu maldito marimo idiota...

Zoro havia esquecido como os chutes de Sanji doíam. Mesmo com aquele físico duvidoso, o moleque tinha uma força inacreditável nas pernas, o que Zoro havia descoberto no primeiro dia em que se conheceram. Mas, desde então, Sanji apenas o chutava ocasionalmente e sempre mais leve do que aquele dia, nunca com a intenção de quebrar nenhum osso, o que definitivamente não parecia ser o caso naquele momento. Sanji o estava chutando para valer, não apenas uma, mas várias vezes repetidas, tanto que Zoro teve que se esforçar para bloquear, ainda mais por causa do seu cansaço depois do trabalho.

Só conseguiria ter a vantagem ali quando imobilizasse aquelas pernas irritantes, e foi exatamente o que fez. Pressionou o pirralho no sofá com os braços fortes e tentou deixá-lo se acalmar um pouco. Mesmo que fosse preciso ainda levar alguns chutes no peito para isso.

— Não entendo, Cook. — Disse Zoro irritado. Sabia que Sanji ainda estava chateado, mas não estava esperando um chilique tão grande. — Veio até aqui só pra me chutar?

— Exatamente, imbecil! — O loirinho gritou na cara do mais velho sem a real intenção, só estava muito irritado com todo aquele tratamento. As palavras idiotas do imbecil sem cérebro o deixavam ainda mais puto e queria realmente chutar um milhão de vezes a cara feia do retardado.

A posição em que estavam era desgostosa, odiava ser tão facilmente dominado pela força do maior, ao mesmo tempo que pirava toda vez que isso acontecia. Sentia-se excitado ao ser subjugado e realmente teve que rezar para não deixar sua perversão ultrapassar os limites como de costume e o fizesse começar a se esfregar contra o outro. Zoro era um fodido desgraçado que não o enxergava da forma correta, então o forçaria a enxergar.

Sanji realmente queria chutá-lo. Chutar o peitoral forte, a bunda grande, os braços enormes, as coxas tentadoras, o abdômen injustamente trincado, o pescoço que nem deveria mais se chamar pescoço por só existir músculo ali... Mas queria chutar com as mãos... Levemente... Passeando os dedos por cada uma dessas partes... Tão pateticamente fácil. Então ele suspirou derrotado, Zoro havia vencido.

— Eu só queria que me enxergasse como um igual, não como uma criança. — Sua voz pareceu meio triste e estranhamente baixa. Seu olhar desviou do rosto que ele sempre tentava ofender dizendo ser feio, mas a verdade é que achava o total oposto. Zoro era lindo e se ele tivesse um tipo para homens, ele seria o que se encaixava perfeitamente.

Para sua própria surpresa, ele colocou sua mão na nuca do maior e se forçou para frente até ter os lábios selados. Como alguém conseguia fazê-lo sentir tanto tesão e ódio ao mesmo tempo?

— Mas você é uma criança. Do tipo mais irritante que existe. — Zoro disse pensando em todas as vezes que o mais novo agia conforme a sua idade tão pouca, sendo infantil e imaturo e fugindo o tempo todo.

Mas talvez ele estivesse mentindo um pouco com essa resposta. Porque ele sabia muito bem que não havia criança alguma ali, e o que sentia quando estava com ele provava isso. Ter pensado tantas vezes naquele garoto enquanto estava sozinho, tocar aquele corpo e ser tocado de volta. E ser beijado naquele momento também. Mesmo que tenha sido breve, parecia que Sanji estava querendo provar seu ponto.

A reação do retardado era tipicamente idiota como o esperava e conseguia deixar Sanji ainda mais irritado.

— Se você acha que o que está acontecendo é só a merda de uma brincadeira, você é mais idiota do que aparenta, o que é bem surpreendente porque você já aparenta ser a criatura mais idiota, burra e sem cérebro de toda a galáxia. — O tom de voz estava acima do normal, mas não chegava a gritar. As palavras fugiam de sua boca com a intenção de machucar o outro, mesmo que estivessem tão acostumados com aquela troca verbal de carinho que a anta lerda nem deveria notar. — Não vou negar que estou sim curioso com tudo que está acontecendo ultimamente, que é algo novo e que nunca pensei em experimentar, afinal, a ideia de me envolver com outro homem era completamente absurda. Mas se fosse só isso eu teria me entregado àquele fotógrafo. Ou aos outros milhares que já deram em cima de mim e eu rejeitei. A questão não é curiosidade em me relacionar com outro homem, é me relacionar com você, seu jegue estúpido.

Sanji sabia que estava corado, seu rosto estava tão quente que parecia queimar em febre. Era vergonhoso, estava basicamente se declarando para a criatura mais sem cérebro de todas, mesmo que fosse uma declaração confusa em forma de xingamento. Ainda era uma declaração óbvia e só uma mula não perceberia.

Zoro era a criatura mais lerda do universo, então quando ele demorou para dar sua resposta, apenas pôde esperar ansiosamente como o belo adolescente impaciente que era.

Zoro tinha certeza que Sanji conseguiria ouvir as engrenagens se movendo dentro da sua mente naquele momento. Ele deveria ficar irrado por ser xingado tantas vezes de burro de uma só vez. Bastante irritado. Mas não conseguia. Só continuava olhando para Sanji abaixo de si, preso pelo seu próprio corpo contra o sofá e pensar no significado do que ele disse.

Ele nunca havia parado para pensar naquela perspectiva. Sempre acreditou que o garoto só estava testando aquela nova atração, mas a forma como ele falava, como se Zoro fosse o único, como se não fosse deixar outros caras colocarem suas mãos nele, apenas Zoro, fazia seu corpo queimar numa estranha e indevida sensação de posse.

— Ok... Não é uma brincadeira. — Zoro disse, observando atentamente o rubor que avermelhava todo o rosto de Sanji e descia por toda a extensão do seu pescoço. Ele levou uma das mãos grandes até segurar o maxilar do rosto pequeno de Sanji, envolvendo-o por completo. — Então eu não vou mais agir como se você fosse correr.