Don't Call Me Daddy
16 Joke?
Notas iniciais

No dia seguinte, Sanji voltou de viagem e ao invés de ir para sua casa, foi direto para a casa de Zoro, sem nem saber se naquele horário o velhote estaria lá. De qualquer forma, preferiu arriscar a ouvir um discurso irritante de um ancião antiquado falando que crianças deveriam ir até em casa primeiro para visitar sua família ou qualquer merda do tipo que ele inventasse, aquele homem era extremamente irritante.
Sem pestanejar, o jovem tocou a campainha e esperou, não tão pacientemente, ser atendido. Quando teve que apertar a segunda vez, já começava a desbloquear o celular para ligar para o maldito idoso ir atendê-lo. Zoro provavelmente estava com a barriga para cima jogado naquele sofá, como sempre. Ou roncando e babando sem modos. Insuportável. Aliás, o loirinho nem sabia o motivo de ter ido ali, apenas sentiu vontade e foi, quase como se sentisse saudade do mais velho... Não, só queria encher o saco dele mesmo.
No entanto, assim que, depois de dois anos e meio, a porta se abriu, o enorme sorriso caloroso do menor que estava em seu rosto até então, sumiu completamente, dando lugar para uma expressão surpresa e olhos arregalados. Sua garganta secou ao ver o corpo moreno desnudo com gotas de água escorrendo pelo tronco avantajado, deslizando pelos peitos fartos.
Sanji engoliu a seco e forçou-se a levantar o olhar antes que ficasse muito óbvio que estava secando aquele pedaço de mau caminho... O que o deixava mais confuso era ter esses pensamentos inapropriados com outro homem. Pior, não era só outro homem, era o mais idiota e burro de todos, era Zoro! Em sua lista de afazeres diários, sem dúvidas babar em cima do marimo imbecil não estava incluído.
— Ei. — O sorriso gracioso voltou, fazendo o rosto harmonioso e levemente corado se tornar ainda mais belo. — Sentiu minha falta?
A pergunta era atrevida e provocante, se fosse para ser sincero, sentiu bastante a falta do mais velho, mas ele não precisava saber, definitivamente.
Zoro havia acabado de sair do banho para atender a porta. Teve um dia bastante cansativo na oficina e sentia como se o corpo inteiro estivesse morto. Ele continuou passando a toalha que segurava pelo corpo até estar devidamente seco e cogitou ir até o quarto e pôr uma camisa, mas talvez fosse mais interessante observar o garoto tentando desviar o olhar dele. Até pensou em falar algo, mas o garoto interrompeu com aquela pergunta idiota e um sorriso que fazia cada músculo cansado do seu corpo relaxar e descansar.
— A reunião com certeza foi bem mais tranquila sem você. — E por tranquila claro que Zoro queria dizer chata, mas não diria aquilo em voz alta.
E, justiça fosse feita, era chato sem Sanji mas irritantemente insuportável com ele. Sanji era absolutamente o pior e não parava de tagarelar um segundo, de ser sociável e amigável com todos, de flertar com qualquer mulher que passasse em sua frente. Mesmo assim, Zoro sentia um pouco de falta do garoto.
Aquela foi sua primeira reunião sem o moleque desde que se conheceram e ele não lembrava mais como era assistir os discursos sem Sanji comentando ao seu lado a todo instante, ou tomando suas milhões de xícaras de café e oferecendo a Zoro. Ou sempre parando na loja de conveniência logo após a reunião para comprar aqueles detestáveis pirulitos enquanto Zoro tentava comprar seu jantar e ouvia o mais novo reclamar sobre comida congelada.
Mas principalmente sentia falta do orgulho com o qual Sanji falava sempre que dizia há quanto tempo estava sem fumar. Embora ele soubesse que mesmo se o garoto tivesse ido, não diria aquilo. Provavelmente ainda estava se culpando muito por ter conseguido ficar um mês sem e estragar tudo na semana passada.
Antes de ser convidado, já sabendo que não seria de qualquer forma, Sanji foi se enfiando dentro do apartamento, conseguindo espaço que a muralha de músculos ocupava ao empurrar sua enorme e pesada mala de viagem, uma mala muito grande para tão poucos dias. Ele tentou com todas suas forças não voltar a olhar o peitoral forte e molhado, aquela visão estava fazendo seu corpo ter reações confusas e pensamentos estranhos, assim como desejos que definitivamente iria ignorar, não era gay para babar em um cara velho molhado...
— E a viagem? — Zoro perguntou. Se pensasse bem sobre o assunto a vida de Sanji era até bastante parecida com a que ele próprio levara há anos. Sempre viajando de um lado para o outro, conhecendo várias cidades novas, embora Zoro passasse mais tempo treinando do que saindo, obviamente. — Algo de interessante?
Sanji estava com seu pirulito na boca e chupava como de costume, tentando se distrair da vontade constante de fumar, precisava ter algo em sua boca a todo instante para distraí-lo, a fixação oral o obrigava a isso, fosse um pirulito ou um palito, qualquer coisa o distraía.
Ele se sentou confortavelmente no sofá que basicamente havia tomado posse, muitas vezes sendo abusado o suficiente para expulsar Zoro do móvel e mandá-lo ir para a poltrona, usando o discurso que velhos deveriam ficar quietos em suas poltronas e o ameaçando deixá-lo sem comida, o que era a maior mentira de todas, nunca conseguiria recusar alimento a alguém.
— Normal. Nada novo. — Sanji disse com um sorriso maldoso no rosto, respondendo da exata forma que o moreno sempre fazia. Não que tivesse algo para contar, era só trabalho e curtição, como sempre, nada que um ancião entenderia. — É ótimo que você esteja pelado.
Acabou falando por impulso ao olhar para o corpo moreno e imediatamente desviou o olhar para sua mala, abrindo-a e começando a procurar algo, retirando algumas coisas de dentro e colocando no sofá, entre essas coisas havia lubrificante, camisinhas e um fleshlight transparente que ele nem se importou em tirar e deixar o maior ver, era um homem saudável, precisava se aliviar, afinal.
Quando Zoro piscou os olhos seu sofá parecia uma vitrine de sex shop, aquele pirralho pervertido não tinha o mínimo de vergonha na cara para se expôr daquela forma. Zoro nem precisava perguntar os detalhes para saber o que ele havia feito nos momentos de folga do trabalho. Completamente previsível e mais adolescente impossível. Agora Zoro entendia perfeitamente aquela pergunta descabida no telefone no dia anterior.
— Achei. — Sanji afirmou ao retirar uma pequena caixa da mala e uma camiseta ainda dentro da embalagem. Entregou a peça com um enorme sorriso caloroso nos lábios finos. — Aqui, vista isso. É para compensar a que minha mãe jogou fora.
— Tá... — Zoro apenas apanhou a camiseta e fez o que o moleque mandou, quer dizer, pediu, já que aquele garoto não mandava nele coisa nenhuma.
Era só uma camiseta branca normal, nova e claramente de marca. Provavelmente era dez vezes mais cara do que o trapo velho do moreno e ficaria perfeito no corpo dele, mesmo que ao comprar não tenha se lembrado da numeração, então comprou uma na qual que cabia praticamente dois Sanjis. Ficou observando ansioso o moreno vestindo na expectativa.
Os olhos do loiro olhos brilhavam quase tanto quanto o sorriso em sua boca melada pelo pirulito que não parava de chupar. O mais velho sabia que a camiseta caberia nele, mas não era exatamente o seu tamanho. Zoro tinha muitas camisetas assim, de alguns anos atrás quando seu corpo era um pouco menor e a musculatura era menos desenvolvida, mas ele evitava usar porque eram muito coladas para seu gosto.
A camiseta que Sanji havia dado não era diferente, não era apertada nem o incomodava e o tecido era suficiente para cobri-lo, porém ficava completamente justa em seu corpo. Marcava cada um dos músculos de seu tórax e seu bíceps ameaçava rasgar a manga da roupa quando flexionava. Mas Zoro não havia odiado, o algodão era gostoso na pele e a camisa era simples e funcional do jeito que ele esperava que roupas fossem, embora tivesse certeza que devia ter custado muito mais do que ele ficaria confortável em saber.
Sanji não havia notado, mas estava com uma expressão idiota observando o velho. Ou melhor, o corpo do velho. Os músculos exagerados pareciam implorar por espaço na camiseta justa, se esmagando para caber naquela peça. O peitoral estava tão marcado que era vergonhoso olhar e mesmo assim o loirinho não parava de encarar fixamente aquela parte sentindo... Desejo? Não, não, jamais, aquele pensamento era insano, ele não gostava de homens, muito menos desejava, especialmente um brutamontes como aquele.
Zoro não tinha nada que o atraía, definitivamente não... Porém, seus olhos não paravam de deslizar entre o peitoral esmagado e os músculos do abdômen. Talvez devesse ter comprado uma roupa ainda maior, que coubesse três Sanjis. Aquelas mangas pareciam que iam explodir a qualquer instante. Se prestasse um pouco mais de atenção, poderia notar facilmente os mamilos escuros debaixo daquele tecido claro e reparar neles fez o menor morder o lábio juntamente com o canudinho do pirulito… Droga.
— Só falta uma coisa para completar. — Zoro falou e foi rapidamente até o quarto trazendo consigo seu velho haramaki que logo colocou no corpo por cima da camisa, vendo o olhar horrorizado de Sanji ao fazê-lo.
O jovem só se deu conta de que estava secando o corpo do moreno quando ele saiu e voltou com aquele… Troço. Sua expressão de desgosto não poderia ser maior e mais aparente, Zoro acabava de estragar completamente suas fantasias com o corpo dele, sem contar que impedia sua visão do abdômen trincado e… Céus, ainda bem que ele colocou aquela coisa surrada, ao menos afastaria os pensamentos absurdos e completamente sem sentido.
— Seu gosto para roupas é péssimo. — Sanji disse revirando os olhos de forma entediada. Ao menos não precisaria mais aguentar Zoro pelado o tempo todo, maldito exibicionista.
— É quente, não enche, moleque. — Zoro se defendeu, colocando as mãos grandes dentro do tecido verde, já antecipando a ladainha que receberia por estar usando sua peça de roupa favorita apenas pelo olhar de Sanji. Sentou então ao lado do menor no sofá, tentando arranjar um espaço que não estivesse ocupado por roupas ou objetos sexuais.
— Ah, eu tenho outra coisa pra você.
O loiro pegou a pequena caixa que havia tirado da mala e a abriu, revelando um celular novo de última geração que deveria ser mais caro que o salário anual do moreno. Com um sorriso enorme, ele ligou o aparelho e enquanto esperava, pegou seu próprio celular e entregou nas mãos do mais velho.
— Eu voltei para as configurações de fábrica, então não tem mais nada relacionado a mim. Fica pra você. — Ele disse enquanto mostrava para o moreno como ligava o aparelho. — Não que eu tenha problemas em te dar um novo, mas você é um marimo problemático que ficaria com frescura para aceitar, então pensei em comprar um novo para mim e te dar meu velho. E não aceito, de forma alguma, uma negativa como resposta. Não aguento mais viver no tempo das cavernas e ter que mandar sms e fazer ligação pra você.
Zoro estava pronto para protestar quando Sanji entregou seu próprio celular em suas mãos. Mesmo assim o mais velho não estava inteiramente satisfeito. Já tinha um celular e não precisava que o outro ficasse gastando dinheiro à toa consigo. Mas, sabia que Sanji era muito cabeça-dura e insistente para aceitar uma recusa.
Por um tempo, Zoro ficou examinando o aparelho que parecia estar em perfeito estado, o loiro certamente cuidava de suas coisas com muito zelo, se Zoro não soubesse que era usado pensaria que tinha acabado de ser comprado. Quando ligou o aparelho, ele exibia uma tela de bloqueio com uma foto do loiro sorrindo e o mesmo acontecia quando desbloqueava, o plano de fundo era outra foto de Sanji em uma pose diferente. Ambas tiradas com a mesma roupa que o loiro estava usando naquele momento.
— Configurações de fábrica, hein, sei... — Zoro não pôde deixar de rir um pouco, Sanji às vezes parecia que queria chamar sua atenção de qualquer jeito como uma criança mimada. Bom, era exatamente o que ele era na opinião do mais velho.
Zoro tentou mexer no aparelho, se dando conta que era extremamente mais difícil do que parecia. Aquela tela não parecia querer obedecer seus dedos e ele não conseguia achar coisa alguma. Quando entrou no aplicativo de contatos sem querer pensou em sacar seu aparelho antigo do bolso e passar seus contatos para o novo, mas estava com preguiça demais naquele momento, mesmo que fossem pouquíssimos números.
Notou que o número do loiro já estava salvo ridiculamente sob a alcunha de best cook in the world e lentamente, os dedos grossos falhando miseravelmente em escrever direito naquele teclado minúsculo e sensível, trocou para Pirralho, provando que sua preguiça era absolutamente seletiva e sempre estava disposto quando o assunto era irritar aquele garoto.
Zoro estava demorando, o que era um tanto irritante para um quase adolescente hiperativo. Curioso, Sanji colou seu corpo no dele para espiar o que tanto fazia ali. Era normal ficar imerso quando se compra algo novo, mas aquilo já estava sendo exagero, nem mesmo ele que amava tecnologias passou tanto tempo com seu novo. Começou a espiar por cima do ombro dele, já estranhando a forma que segurava ogramente o aparelho delicado. As mãos do homem eram gigantes para algo tão pequeno. Notou que ele estava entrando nos aplicativos aleatoriamente e franziu o cenho, confuso. Sabia que Zoro não ia saber bem como usar, mas aquilo já era exagero.
No entanto, quando pensou em oferecer ajuda, Sanji viu aquele absurdo de camarote e não poderia ficar mais ofendido. Quem aquele ancião pensava que era para ousar mudar o nome de seu número gravado com tanto amor e carinho? Maldito velho abusado, queria chutá-lo até ele morrer de velhice, mas, havia uma forma melhor de irritá-lo, então ele pegou o próprio celular e abriu a agenda, colocando em editar o apelido de Zoro. Se sentia um completo imbecil por ser o melhor garoto e ter salvado com o nome do desgraçado, aquilo não se repetiria jamais.
O apelido se tornou Velhote Decrépito e o loiro sustentou um enorme sorriso vitorioso, só não mostrou a língua porque estava com as mãos ocupadas no celular para retirar o pirulito da boca.
— Isso significa que vou ter que te aguentar me mandando um milhão de áudios todo dia? — Zoro disse enquanto guardava displicentemente o celular no bolso da bermuda, com certeza o aparelho seria cuidado com bem menos delicadeza de agora em diante. — Porque se for, já me arrependo de aceitar.
— Claro que não, idiota. Não se preocupa que não vou ficar mandando áudios. — Ele mentiu descaradamente, mas o ponto principal daquele celular definitivamente não era apenas áudios. Quando viu a expressão um tanto aliviada no rosto do moreno, o sorriso angelical se tornou endemoniado. — Vamos conversar sempre por chamada de vídeo agora.
Zoro com certeza tinha cometido um erro terrível ao aceitar aquele presente. Era claramente um cavalo de troia e agora além de ser infernizado por mensagens e ligações também teria que aguentar todas as formas de irritação que a tecnologia podia oferecer vindas daquele pirralho a todo momento. Não poderia ficar mais irritado ao ver aquele sorriso diabólico do outro confirmando todos os seus receios.
Ouvir o marimo bufando irritado só fazia Sanji rir ainda mais alto da situação. Havia vencido aquela disputa, assim como vencia todas as outras. Depois do moreno guardar o novo brinquedinho, Sanji também colocou o seu no bolso da calça social. Porém, não se afastou para seu lugar de antes, ficando exageradamente próximo do outro.
— Me lembrei de algo absurdo que aconteceu esses dias. — Subitamente o jovem chamou a atenção alheia e jogou as costas para trás até estar totalmente encostado no sofá com a postura perfeita. Cruzou os braços em frente ao peito e suspirou, lembrando-se da situação irritante que passou. — Acredita que um velho tarado tentou me agarrar?
Sanji esbravejou irritado, sentindo fumaça sair do palito vazio do seu pirulito de tão puto que estava. Vendo a cara de tacho do maior, ele suspirou e resolveu explicar melhor.
— Eu tive uma sessão de fotos e depois de terminar o fotógrafo foi até o camarim e tentou me beijar, como se eu fosse deixar um homem velho e feio me beijar! — O loiro deu ênfase na negativa, jogando seu palito pelos ares, afirmando com toda certeza que jamais beijaria um homem daqueles, ainda mais um velho acabado. — Filho da puta desgraçado, chutei as bolas murchas daquele cuzão arrombado de merda.
O mais velho achava engraçado como Sanji primeiro dizia que a viagem foi tranquila e nada aconteceu e do absoluto nada vinha com alguma história sem sentido. Zoro apenas ergueu a sobrancelha angulosa e aguardou pelo restante da explicação do loiro raivosinho.
— Ah, é? — Zoro riu depois de escutar qual foi a reação do pirralho àquilo. Era bastante irônico e cômico que ontem à noite estivesse querendo pedir desculpa por um beijo que trocaram e agora ele estivesse dando um completo chilique por uma situação parecida. Quer dizer, não que Zoro fosse um velho. Nem tarado. Mas do ponto de vista distorcido e completamente maluco do mais novo deveria ser a mesma coisa.
Então, se aproveitando da proximidade, Zoro segurou o queixo do loiro e encostou seus lábios num selinho, apenas para brincar com a reação exageradamente enojada do outro e esperando ser prontamente rejeitado pela provocação. O problema era que ele não esperava ser correspondido. Era mínimo, mas lábios pequenos estavam claramente o beijando de volta e Zoro se perguntou por que tinha essas ideias estúpidas. E mais ainda por que estava gostando do resultado daquela ideia estúpida.
Sanji estava distraído no momento em que o marimo se aproximou ainda mais, não esperava que ele fosse tentar fazer qualquer coisa, muito menos beijá-lo. Pego de surpresa, ele acabou não fazendo nada, pior, sua mão moveu-se sozinha e foi até a nuca do outro, puxando-o mais contra seus lábios que passaram a se mover lentamente contra os do maior, em um beijo completamente diferente do que haviam trocado há alguns dias. Havia desejo e desespero ali.
Foi tão oposto que durou míseros segundos, até Sanji cair em si e perceber a merda que estava fazendo. Há segundos estava afirmando com toda certeza que jamais beijaria outro homem, que não gostava disso e logo em seguida se deixava levar e apreciava o toque de Zoro em sua pele. Horrível. Deveria se sentir enojado da mesma forma que foi com o fotógrafo, chutar as bolas dele e sair, mas a única coisa que sentia era confusão.
Ao voltar a si, o loiro se levantou e sem falar nada saiu da casa pela porta, como se estivesse fugindo… E realmente estava. Até estar longe o suficiente de Zoro para não ceder a seus desejos confusos… Desejos que nem sabia existir. Era estranho, seu corpo parecia querer voltar para o sofá, mas sua mente parecia ser a única sã naquele momento, ficar longe do velho era a coisa certa a se fazer, andava muito confuso ultimamente e com certeza era tudo culpa do outro.
Fazia algum tempo que estava na calçada andando de um lado para o outro e mexendo em seu celular. Já havia pedido táxi várias vezes e sempre cancelava minutos depois. Ao mesmo tempo que queria ir embora, queria voltar lá para dentro, pular em cima de Zoro e beijá-lo apropriadamente durante horas, retribuir aquela provocação e provar que não era um covarde.
O único pensamento que pairava na mente de Sanji era que estava cometendo o maior erro de sua vida. Provavelmente chamou 30 táxis durante os poucos minutos que ficou lá fora andando de um lado para o outro e sempre cancelava um minuto depois. Sua conta depois disso seria bloqueada com toda certeza, era uma atitude suspeita, estúpida e impensada, ele só estava se agarrando a algo que poderia distraí-lo do real problema.
Tudo seria mais fácil se apenas fosse embora e nunca mais voltasse, se não visse Zoro mais nenhuma vez. Droga, ele precisava desesperadamente fumar. Precisava se acalmar ou acabaria tendo outra crise. Um cigarro resolveria tudo. Apenas um cigarro.
Sanji precisava de algo em sua boca, então porque o desejo pela língua do moreno estava bem mais forte do que pelo seu vício? Era um pensamento estúpido, confuso e desesperador, ele não era gay, não gostava de homens, achava tudo aquilo nojento... E cada vez que se lembrava da pressão que os lábios nada delicados fizeram nos seus, ele se derretia e necessitava de mais.
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