Notas iniciais
Esse site é morto, então se você gosta dessa história por favor considere ler e apoiá-la no wattpad : https://www.wattpad.com/story/211942733-don%27t-call-me-daddy Capa: Pixiv ID: 88180145 | 從碎紙機里自殺

Ao se levantar na manhã seguinte e se dar conta de que precisaria se arrumar para ir à formatura com Sanji, Zoro se perguntou por que diabos havia aceitado aquele convite. Mas ele se lembrava exatamente do motivo, por mais rabugento e mal-humorado que estivesse ao se olhar no espelho e coçar sua barba por fazer. Foram aqueles olhinhos injustos, aquela expressão no rosto de Sanji como se Zoro aceitar fosse a única coisa que fosse fazer aquele sorrisinho triste se transformar em felicidade. Maldito moleque problemático.

Zoro passou o dia alternando entre dormir e treinar, como era de costume, até sua campainha tocar e ele ser obrigado a lidar com a realidade que o aguardava. Recebeu um terno mandado por Sanji junto com um singelo bilhete.

Não. Se. Atrase.

Zoro suspirou e passou um tempo encarando a roupa chique com desgosto, já imaginando o quão desconfortável seria passar a noite com aquilo antes de finalmente tomar banho. Ele geralmente não costumava fazer isso nos fins de semana quando estava de folga da oficina, mas obviamente não ousaria aparecer na frente do pirralho frescurento sem tê-lo feito.

Antes de pôr a roupa, Zoro observou seu rosto no espelho do banheiro pela segunda vez naquele dia e, antes que pudesse desistir pela preguiça, buscou o barbeador.

Fazia muito tempo que não ficava de cara limpa, tanto que até mesmo se estranhou ao ver o reflexo no espelho. Nami costumava reclamar sobre o quão relaxado ele era com sua barba, mas ele realmente não ligava para aquilo, levava muito tempo e era inútil. Nem mesmo sabia porque estava se dando ao trabalho de tirá-la. Ou de vestir aquele terno maldito. E tentar amarrar aquela gravata ridícula. Sanji era irritante e o obrigava a fazer coisas ainda mais irritantes. Mesmo que não realmente o obrigasse a nada.

E por falar nele, Sanji já havia mandado dezenas de mensagens, com o making of da sua arrumação exagerada sobre a qual Zoro com certeza não precisava saber, e perguntando irritantemente se o mais velho estava se arrumando e exigindo que não se atrasasse nem um minuto. Zoro nem se deu ao trabalho de responder tudo. Na verdade, já estava contrariado o bastante pelo moleque insistir em buscá-lo quando ele tinha um carro e poderia perfeitamente chegar sozinho onde quisesse, claro. Geralmente Zoro seria teimoso quanto a esse tipo de coisa, mas estava com preguiça demais de discutir com o moleque, então apenas aguardou até que Sanji chegasse no táxi e foi ao seu encontro.

Finalmente o grande dia havia chegado. Sanji não sabia se estava mais ansioso por ser seu aniversário ou pela formatura. Iria se livrar dos estudos e poder começar a assumir o restaurante da família, quem sabe até mesmo pensar em abrir um negócio próprio. Também se livraria dos amigos questionáveis da universidade e por mais esperançoso que estivesse de continuar a manter contato com eles, não achava que isso aconteceria. Bom, ao menos tinha Zoro... Que ainda deveria estar dormindo como de costume.

Foram incontáveis mensagens que precisou enviar até obter uma resposta, ainda precisando aguentar aquela alga burra tentando enganá-lo de que não estava dormindo até de tarde, Zoro não sabia mentir nem por mensagem, ou apenas o conhecia muito bem. Se parasse para pensar bem, o fato de ter dispensado uma comemoração para sair com Zoro significava que não era de seu desgosto conhecer o marimo, no fim ele acabou se apegando demais e costumava procurá-lo com mais frequência.

Ele aproveitou seu dia de beleza, cuidando de seu próprio corpo, apreciando o presente que havia se dado. Zeff estava no restaurante desde antes de acordar, então acabou nem se encontrando com o velhote, não que ligasse, apenas pegou o terno mais bonito que ele tinha e mandou entregar na casa de Zoro. Estava um tanto ansioso para vê-lo vestido como gente, não que estivesse reclamando do claro exibicionismo diário.

Depois de horas em frente ao espelho, no fim da tarde ele chamou o táxi e foi buscar o moreno. Sorriu ao vê-lo vestido com o terno, mesmo que não tão refinado quanto sua mente estava fantasiando. Como um cavalheiro, Sanji abriu a porta para que entrasse e continuou sorrindo bobamente enquanto observava os detalhes e o caimento um pouco folgado da roupa.

— Nem parece o homem das cavernas de sempre. — Claro que o primeiro contato que trocava com o extraterrestre verde tinha que ser uma provocação. Antes que o velho começasse a resmungar, ele levou as mãos até a gravata e desfez o nó cego que Zoro havia feito, arrumando direito o acessório no pescoço grosso e dando um nó perfeito sem dificuldade. — Assim fica melhor.

— Assim eu vou sufocar, isso sim. — Zoro rosnou e afrouxou um pouco a gravata puxando ela de seu pescoço, recebendo um olhar de reprovação de Sanji. — Não sei como você aguenta se vestir sempre assim.

— Se chama elegância, seu ogro sem modos.

Sanji parecia impecável e pomposo como sempre, embora não conseguisse ver muita coisa naquele carro escuro, mas conhecendo o garoto como conhecia imaginava que até seu dedinho do pé estivesse perfeitamente cuidado e arrumado. Fresco como sempre. O táxi estava impregnado com o cheiro de Sanji e Zoro estava prestes a perguntar se o moleque havia tomado banho com água ou perfume quando recebeu um grande sorriso de Sanji, que olhava alegremente para ele transparecendo alegria por ele estar ali, mesmo com o mau-humor de Zoro sobre a gravata.

Em seguida, o moleque simplesmente o beijou e Zoro arregalou um pouco os olhos antes de fechá-los. Era um pouco surpreendente que o mais novo não ligasse para o fato do motorista estar bem ali, talvez porque Zoro achasse que o moleque ainda iria querer manter certa pose ou teria alguma vergonha de se expôr assim em público. Aparentemente, estava enganado, e enquanto beijava calmamente o loiro imaginou se seria daquele jeito a noite toda e o quanto de exposição vergonhosa desnecessária teria que aguentar.

O beijo teria durado bem mais caso Sanji não tivesse começado a estranhar. Algo estava diferente do normal e o incomodou, fazendo-o recuar pouco depois e encarar o rosto do moreno. Não era comum que sentisse maciez quando beijava o outro, então claro que se incomodaria. Ele ficou encarando o rosto muito de perto, percebendo a falta de uma das partes pelas quais mais se atraía.

— Você fez a barba... — Sanji murmurou e havia um leve biquinho em seus lábios. Por mais lindo que ele estivesse visualmente, e que agradasse o loiro que tenha se esforçado a esse ponto, ainda o deixava um tanto desgostoso ao tocar o queixo e o pescoço e não sentir a tão conhecida textura pela qual desde o dia em que se conheceram o loirinho era atraído.

Zoro assentiu e observou a expressão levemente desapontada de Sanji enquanto o garoto tocava curiosamente seu rosto liso com os dedos, a sensação agora bastante diferente sem os pelos que costumavam ficar ali quando Sanji o tocava.

— Ficou ruim? — Zoro perguntou com a voz baixa. Não que se importasse com isso, óbvio, não que se importasse com sua própria aparência de alguma forma. Ele só estupidamente não queria que Sanji desgostasse.

Sanji balançou a cabeça e beijou o pomo-de-adão do moreno, sorrindo bobamente ao levantar o rosto e selar de leve os lábios.

— Te deixa bonito e mais jovem. — Ele falou inocente e continuou fazendo carinho no rosto liso, sabendo que não duraria nem um dia antes de começar a pinicar bem pior do que quando estava maior. Claro que ter aguentado por cinco minutos ficar perto daquele homem sem ceder a perversão era muito, então suas mãos deslizaram para o pescoço e começaram a arranhar levemente, enquanto sua boquinha safada alcançava a audição do outro para sussurrar indecente. — Mas a barba me dá tesão...

Zoro agarrou o pulso de Sanji e por um momento apertou tão forte que achou que iria quebrá-lo. Sanji nunca havia mencionado aquilo e Zoro também nunca reparou. Era algo tão bobo, tão simples, mas de alguma forma escutar o garoto falando daquele jeito o deixava queimando por dentro. Queria matar o garoto por querer deixá-lo excitado em público, mas tinha uma ideia melhor.

— Eu tomaria cuidado com o que diz, Cook. — Zoro sussurrou no ouvido de Sanji, espelhando a ação dele. — Do jeito que é fácil, se a gente continuar essa conversa você e sua calça apertada vão passar muita vergonha na frente dos seus colegas.

— Então eu teria que te forçar a se ajoelhar para resolver esse grande problema, não é? — Sanji sorriu, a voz cada vez mais carregada conforme falava palavra por palavra, quase pausadamente. Seu corpo começava a reagir e por mais excitante que a brincadeira fosse, era melhor parar, além disso, estavam próximos do local da festa, acabaria realmente ficando de pau duro em público. — Ou talvez quem vá precisar se ajoelhar seja eu, não é mesmo, Zo...ro...

Zoro precisou de cada gota de autocontrole que existia em seu corpo disciplinado e treinado para não fazer absolutamente nada ao escutar as palavras de Sanji. Já era a segunda vez que o moleque provocava com essa história de se ajoelhar e mamá-lo num lugar público e talvez Zoro estivesse cada vez mais assustadoramente interessado na ideia. Mesmo que soubesse que era brincadeira, não sabia quantas vezes mais conseguiria escutar o garoto falando de forma tão obscena até querer testar de verdade. Para sua infelicidade, não importava sua falta de reação, porque Sanji agiu indecentemente mesmo assim.

Ele terminou lambendo sensualmente o lóbulo com os três brincos e a mão abusada desceu pelo peitoral largo do moreno até a calça que infelizmente não era justa como deveria, ainda assim, sua mão agarrou com vontade o tecido frouxo até conseguir apanhar o pau grosso do maior e para piorar a situação alheia, ainda soltou um gemidinho baixo e completamente obsceno.

— Senhor... — O motorista pigarreou para chamar a atenção dos dois no banco de trás. — Já chegamos.

Zoro levou um grande susto ao ser tirado do transe, pois já havia esquecido de para onde estavam indo, ou que carro era aquele ou até mesmo do seu próprio nome enquanto Sanji o enfeitiçava daquele jeito. Ele amaldiçoou irracionalmente o taxista por tê-los atrapalhado, mas sabia que estava só agindo instintivamente. O motorista precisava avisá-los de que tinham que desembarcar e ir à formatura, de que tinham que se recompor, e especialmente, de que os passageiros inconvenientes tinham que parar de quase transar em seu táxi. Era entendível.

Quando saíram do veículo, Zoro pôde ver finalmente o quão arrumado Sanji estava, estonteante. Embora ele geralmente já fosse vaidoso e não era raro que usasse roupas sociais, até alguém como Zoro poderia notar a diferença e perceber que havia um capricho a mais naquela noite. E Zoro se sentiu muito grato pelo seu autocontrole há pouco, porque ao olhar aquela roupa tão bem alinhada e nem um pouco amassada, ele tinha certeza que Sanji o teria chutado até a morte se Zoro tivesse bagunçado um milímetro daquela perfeição.

Era irritante para Sanji que foram atrapalhados durante a pequena diversão, mas não é como se o loiro fosse realmente chupá-lo em público... Provavelmente não... Não faria sentido ter reservado o melhor quarto de hotel para depois da festa, apenas para aproveitar com o marimo, e fazerem no meio da rua. Só era um saco não ter conseguido uma diária e só poder ficar lá durante três míseras horas. Do jeito que haviam se provocado apenas por se encontrar, claramente não seria o suficiente.

Discretamente, ou nem tanto, o loiro segurou na mão do moreno e virou o rosto para esconder sua vergonha, quão constrangedora era aquela situação? Ele realmente ia entrar acompanhado de outro homem em um dos dias mais importantes de sua vida? Parecia uma completa loucura.

— Ei, Sanji. — Ele congelou ao ouvir a voz de um dos colegas de classe que já havia admitido que acompanhava sua carreira artística. Caso aquela pessoa soltasse um boato maldoso na mídia de que estava com um homem, nem sabia o que poderia acontecer.

Então ele percebeu que não realmente se importava e se tranquilizou. O corpo tenso relaxou e ao invés de afastar a mão do moreno, a segurou com mais firmeza. Claro que ainda não tinha coragem de olhar no rosto alheio, mas isso era outro assunto. O colega do loiro acabou indo com eles até a entrada e antes de se separarem, tocou em seu ombro e sorriu amigavelmente.

— Feliz aniversário, cara. Espero que aproveite a festa. Queria eu conseguir economizar com a festa pela formatura cair no mesmo dia em que nasci.

— Valeu. A gente se fala depois. — O loirinho disse um tanto sem saber como responder à parabenização. Não é como se o plano fosse comemorar na formatura, mas falar qualquer coisa sobre o assunto já seria dar muita informação desnecessária, apenas para ele e Zoro importava.

— Uh... Aniversário? — Zoro arqueou uma sobrancelha para Sanji e o encarou confuso. Ele não ligava realmente para esse tipo de comemoração, claro, nem mesmo em seu próprio aniversário ele se lembrava de que data era. Mas não achava que Sanji fosse do tipo que seria discreto sobre esse assunto. Imaginava que o loiro estaria falando sobre isso incansavelmente, da mesma forma que estava fazendo aquela semana inteira pela formatura.

— Então o pirralho finalmente chegou aos 20? Uau, acho que até vejo outro micro fiozinho de barba nascendo, já é um homem. — Zoro debochou sem culpa, já que era importunado diariamente por ser um idoso à beira da morte, segundo Sanji, então nada mais justo que se divertisse um pouco quando o assunto era a imaturidade daquele moleque.

— Uhn... É... — Sanji desviou o olhar imediatamente, como se tentasse disfarçar algo. Não era como se tivesse mentido sua idade ou algo do tipo, apenas... Havia arredondado para cima desde alguns meses atrás, não teria sentido falar que tinha 18 anos e meio, era mais prático arredondar para 19. Ele só não sabia como falar isso sem parecer que estava mentindo o tempo todo.

Zoro estranhou que Sanji não parecia muito atento à sua provocação, nem mesmo quando mencionou sua barba inexistente e preciosa. Parecia que estava tentando ignorá-lo e olhar para todos os cantos da festa ao invés de Zoro.

— Oh! Ali tem bebidas não alcóolicas, vamos buscar uma. — Nada discreto o loirinho tentou mudar de assunto, começando a tentar conduzir o mais velho até a mesa com bebidas até ser segurado pela mão e puxado de volta para o ponto inicial e continuou a não olhar nos olhos do moreno como se soubesse que, se o fizesse, acabaria sendo lido.

— Tem alguma coisa que você está escondendo, por acaso? — Zoro não era nenhum adivinho, nem mesmo bom de empatia. Na realidade, na maioria das vezes conseguia ser bastante péssimo em ler as pessoas, mas ele sabia ler Sanji em algumas situações e aquela era um tanto óbvia. A única coisa que conseguia ver abaixo de si era um amontoado de cabelos loiros e sedosos, já que Sanji estava determinado a apenas olhar para o couro italiano dos seus próprios sapatos.

Zoro estava um pouco preocupado com o silêncio de Sanji e incomodado com o fato de não poder ver seu rosto e decifrar exatamente que tipo de reação era aquela. Quando finalmente o garoto resolveu olhar para ele, Zoro compreendeu que só poderia ser algo idiota, já que Sanji tentava disfarçar de maneira comicamente nada discreta, desviando o olhar como uma criança endiabrada quando é pega fazendo alguma travessura.

— Hn... Dezenove... — Sanji disse tão baixo que caso não estivessem tão próximos e a música fosse um pouco mais alta Zoro não teria escutado.

— Haa?

— Eu nunca disse que já tinha feito dezenove. — Ele fez questão de dar bastante ênfase no "já" e de fato não estava errado, apenas havia dito que tinha 19 anos por já se considerar com 19, não que já tinha feito. Não era problema dele se Zoro era burro e não tinha capacidade para interpretar as coisas corretamente.

— Você disse que tinha dezenove, o que dá no mesmo. Você é idiota? — Zoro disse olhando o biquinho que o loiro fazia ao admitir aquilo. Sanji era um garoto muito imbecil. Mas pelo menos não havia mentido tanto assim a idade, o que era um grande alívio. Não é como se Zoro sentisse saudades da prisão, não queria voltar lá tão cedo. — Não acredito que você é ainda mais pirralho do que eu achava.

— Que velho chato. — Sanji infantilmente mostrou a língua. E pirralho era a bunda grande daquele idiota.

Dessa vez, Zoro apenas se deixou ser arrastado para a mesa das bebidas. No caminho passaram por alguns dos colegas de Sanji que o cumprimentavam cheio de sorrisos e olhares curiosos onde a sua mão se conectava com a de Zoro. Todos estavam animados e não pareciam tão ruins à distância, mas Zoro preferia que se mantivessem assim, sem muitas interações desnecessárias. A maioria deles estava bebendo excessivamente e, embora Zoro não negasse que sentia certa nostalgia ao observar, aquilo não o incomodava muito.

— Pode beber, se quiser. — Zoro disse ao garoto enquanto pegava uma taça de refrigerante para si mesmo e Sanji o olhou um pouco alarmado. — É sério, não me importo.

— Eu menos ainda. Nunca liguei para álcool, marimo. Meu negócio era outro. — Por mais que parecesse mentira, não era. O loiro realmente mal bebia, sempre esquecendo da existência de bebidas, independente de qual fosse, por estar muito entretido com o palito de veneno em sua boca.

Ele pegou uma taça de suco antes de se afastarem da mesa, indo para um canto do salão que ainda não estava muito cheio por ser relativamente cedo e só ter começado a festa que provavelmente viraria a madrugada.

— Eu sinto falta de ter algo o tempo todo na minha boca... — Ele disse um tanto melancólico observando um dos alunos mexendo no bolso em busca do maço de cigarros enquanto se direcionava para o lado de fora do salão. Sanji conhecia o hábito bem o suficiente para saber que o idiota estava procurando no bolso errado e que ele era tão viciado quanto ele antes era, tanto que parecia começar a se afobar por não achar sua droga.

— Achei que esse fosse o ponto daqueles seus pirulitos. — Zoro falou, embora soubesse muito bem que estava longe de ser a mesma coisa. Sabia porque era igual com ele, principalmente no começo, não importa quanto bebesse, se não tinha álcool era inútil. Sanji ainda estava observando o aluno que parecia ter achado e finalmente havia saído do salão. Ele suspirou frustrado, sempre era mais difícil se conter quando via um companheiro fumante.

— Não é a mesma coisa, o palito é muito fino. — Sanji disse pensativo e inocentemente, mas se Zoro ainda estivesse bebendo o refrigerante talvez tivesse engasgado com o quão pervertida aquela frase estava soando em sua mente. Talvez tivesse se contagiado com a indecência de Sanji depois de passar tanto tempo com ele.

— Então, o que exatamente se faz numa festa? — Zoro disse após entregar seu copo vazio a um garçom que estava passando por perto. — Na época em que frequentava algumas a única coisa que eu fazia era arrumar confusão e cair bêbado pelos cantos, então não sei realmente o que se faz em uma.

— É estranho pensar que um velho rabugento frequentava festas. — Sanji disse se divertindo e após se livrar de sua taça também, enlaçou a cintura do moreno e colou mais seus corpos, repetindo o mesmo que alguns casais estavam fazendo enquanto dançava ao som da música lenta. — Nós dançamos... Comemos e... Conversamos, acho.

Ele começou a dançar coladinho, bem lentamente, sorrindo de forma angelical para o moreno que com certeza não sabia o que estava fazendo e muito menos conseguia acompanhar seu ritmo, mesmo que estivesse apenas dando dois passos para um lado e dois para outro.

Zoro definitivamente nunca havia feito aquilo. Dançar era um conceito estranho e ele provavelmente teria rido ou se recusado caso Sanji tivesse o convidado, mas o mais novo não precisou pedir. Tudo que fez foi se aproximar tanto dele quanto possível e antes que Zoro pudesse notar os dois já estavam dançando, assim como aqueles outros casais de pirralhos. O que era estranho era que... Não era estranho. Era natural apenas deixar o garoto apoiar seu corpo no seu e conduzi-lo. Ele nem precisava pensar no que estava fazendo, era só se deixar levar. O que estaria bastante confortável se Sanji não abrisse sua boca.

— Pode parecer estranho, mas eu também nunca fui muito chegado a festas, meu objetivo em frequentá-las era outro. — O sorriso inocente imediatamente se transformou no mais depravado e obsceno de todos, até a linguinha contornou seus lábios finos ao se lembrar da época de caça.

— Você é ridículo. — Zoro disse fazendo menção a se desprender de Sanji, mas o garoto o apertou mais forte, fazendo Zoro desistir e se manter no mesmo lugar. O loiro deitou a cabeça em si e Zoro suspirou, levando a mão grande aos cabelos dourados de Sanji. — Por que me chamou então? Poderia ter saído com uma das pirralhas da sua turma.

Zoro tinha algum senso de auto-percepção, então sabia que estava soando ridículo. Que era um comportamento que o fazia soar como um pirralho tão idiota quanto Sanji. Mas ele não podia evitar. Era uma isca certeira, que sempre o fazia cair na provocação e se irritar. Talvez Nami tivesse razão e ele estivesse com seu ciúme fora da linha.

— Porque hoje é um dia importante para mim e... — Queria passar com alguém importante. Claro que algo tão constrangedor jamais sairia da boca do loiro, até parece que agiria de forma tão vergonhosa com aquele marimo, por mais que fosse verdade. — A presa do dia já foi capturada.

A voz soou extremamente maliciosa e suas mãos abusadas deslizaram da cintura até a bunda carnuda de Zoro, apanhando as nádegas com as duas mãos com vontade. Por sorte o moreno estava com as costas quase batendo na parede, não que Sanji fosse evitar apertá-lo caso estivessem em posições opostas. Aquela bunda havia resultado em boas punhetas naquela manhã, com certeza. E tocá-la outra vez o deixava bastante animado. Era enorme e suas mãos não conseguiam segurá-la completamente, o que o deixava com ainda mais tesão. Caso Zoro estivesse com uma calça ajustada, sem dúvidas o loiro estaria de pau duro naquele momento.

— Hmm... — Zoro se apressou em arrancar aquelas mãozinhas safadas do seu corpo, embora tivesse que admitir que a vontade com que Sanji o abusava era suficiente para deixá-lo querendo mais. Sabia que não era uma boa ideia sair com aquele diabinho, porque qualquer pequena coisa que fizesse já era suficiente para fazer com que Zoro desejasse que estivessem a sós.

Em dois segundos o mais velho inverteu suas posições, fazendo as costas de Sanji encostarem na parede e imitou seus movimentos pervertidos, esgueirando suas mãos para apertar sua bundinha pequena, com muito mais facilidade do que o garoto faria com a sua. Sanji adorava provocá-lo indevidamente, então merecia exatamente o mesmo.

— Quero saber que horas vamos poder sair. — Zoro falou tão próximo do ouvido de Sanji que seus lábios encostavam na pele. — E ver se você vai cumprir o que disse ontem.

O corpo todo do loirinho se arrepiou com aquele contato inesperado. Era injusto que ele não pudesse passar horas abusando do corpo moreno, mas não é como se estivesse reclamando de ser quem estava sendo abusado agora. Zoro o excitava quando agia dessa forma desesperada e os corpos tão próximos fez seu pau pulsar necessitado. O mais sem controle, como sempre.

Antes que pudesse fazer qualquer coisa inconsequente, como se ajoelhar e mamá-lo ali mesmo na frente de todos, Sanji o afastou e praticamente arrastou para fora, parando o primeiro táxi que passava para que pudessem sair daquele lugar logo. Zoro era o mais injusto por atiçá-lo àquele ponto e ele estava quase voando em cima do moreno nos poucos minutos que levou até que chegassem ao hotel.