Don't Call Me Daddy
8 All night long
Notas iniciais

Zoro ficou esperando Sanji falar alguma coisa, mas o telefone continuava mudo, exceto pela respiração descompassada do loiro que era audível no silêncio da madrugada. Enquanto esperava o mais novo falar alguma coisa, se deitou novamente na cama, puxando para cima de si o cobertor que havia caído praticamente inteiro no chão durante à noite.
— Eu te acordei?
— Você sabe a resposta. — Zoro falou em tom de obviedade, embora não estivesse chateado. Óbvio que quando fora acordado quis assassinar o garoto, mas agora realmente não estava se importando muito em manter-se acordado. — Mas isso não importa.
— Desculpe... — Sanji falou de forma estranhamente sincera e arrependida que não parecia em nada se adequar com sua péssima personalidade. — É melhor você voltar a dormir, eu também vou me deitar...
A voz de Sanji tentava demonstrar alguma confiança, não querendo deixar evidente que nem mesmo estava mais deitado ou sequer na cama. Havia levantado e saído do quarto, indo em modo automático para a cozinha. O outro estava dormindo e não queria ser um peso nas costas dele... Não de novo...
— Não seja idiota. — Zoro teria falado de forma mais ríspida, mas o tom de Sanji parecia tão melancólico que ele nem conseguia brigar com ele direito. E pensar que Zoro sempre pensara no garoto como folgado e intrometido, agora parecia que ele era outra pessoa por completo, alguém que preferia ser invisível a incomodar outrem. — Eu já tinha dormido algumas horas desde que você foi embora, não é o fim do mundo.
— Mas você é um velho caindo aos pedaços que precisa dormir muito. — Sanji não resistiu a provocação, fazer o quê. O outro homem era a pessoa mais irritável do mundo, como se negar a esse prazer? Enquanto falava, ele mexia em algumas panelas guardadas no armário e pegava ingredientes para cozinhar, sem nem se dar conta do que estava fazendo.
— Sério? Você não consegue passar dois segundos sem me chamar de velho, pivete? — Zoro bufou irritado no celular. Isso era o que ganhava por começar a amolecer para um moleque sem modos. Pensou ter ouvido alguns barulhos estranhos do outro lado da ligação, mas se absteve de perguntar o que diabos o mais novo estava fazendo àquela hora da noite.
— Pivete é sua bunda, velhote. — Não conseguiu aguentar e começou a rir, caçoando da cara do moreno. De fato, não conseguia passar nem um segundo sem pensar no moreno sendo um velho e com vontade de insultá-lo. Zoro era engraçado, lembrava Zeff em muitas coisas, especialmente a idade exageradamente avançada. O mais hilário era que sua mãe, Sora, tinha a exata mesma idade que seu pai e para Sanji ela não era uma velha caindo aos pedaços, muito pelo contrário, era uma anja jovem linda e perfeita que ele amava com todas as forças. — É estranho não ter um cigarro na boca o tempo todo, faz tanto tempo que fumo que parecia algo que fazia parte do meu corpo já.
Zoro resolveu, pelo bem da sua sanidade, ignorar a risada debochada do mais novo. Em pouco tempo ela foi diminuindo e logo Sanji assumiu novamente um tom mais solene, fazendo Zoro quase desejar que voltassem a brigar sobre idade novamente, pelo menos ele era irritante e não melancólico. A falta que os cigarros faziam ao loiro era algo que Zoro conseguia entender, mas não poderia dizer que se identificava totalmente.
Imaginava muito bem que tipo de fumante que Sanji devia ser. Daqueles que não conseguem passar um segundo sequer com o cigarro nos lábios, que precisam de algo na boca para substituí-los o tempo inteiro. Ele ainda se lembrava bem da primeira reunião e adivinhou o vício no outro quase no mesmo segundo em que pôs os olhos nele.
— Quanto tempo fazia? — Zoro perguntou curioso. Era até engraçado alguém tão novo quanto aquele loiro falar de algo como se fizesse décadas. Pela idade de Sanji, não poderia ter começado há tanto tempo assim, talvez uns três no máximo uns cinco anos.
— Quase dez anos. — Sanji suspirou, coçando a própria bochecha em vergonha. Sim, era só uma criança e sofreu as consequências por colocar um cigarro na boca apenas como brincadeira... E as consequências não foram só se viciar na droga.
Zoro tentou fazer as contas mentalmente abismado. Tinha certeza que Sanji havia dito em sua apresentação na primeira reunião que tinha apenas dezenove anos. Não era exatamente brilhante em matemática, mas não era difícil calcular que o loiro deveria ter começado quando ainda era uma criancinha.
— Novo demais... — Ele falou mais para si mesmo do que para o loiro do outro lado da linha. — Eu comecei a beber quando era muito novo, mas não tão precoce quanto você. Devia ter uns doze ou treze anos.
— Nossa, que diferença enorme de dez para doze anos. — Sanji disse extremamente sarcástico, sem conseguir evitar. Zoro também era um pirralho quando começou.
— Óbvio que faz diferença. — Claro, se ele visse dois pirralhos de dez e doze anos hoje em dia, diria que é tudo criança igual, mas ainda teimava na sua cabeça que tinha uma enorme diferença, Sanji nem devia ter saído das fraldas ainda quando colocou um cigarro na boca.
— Você teve alguma recaída nesse tempo? — Como as mãos estavam livres por usar um fone, Sanji estava cortando perfeitamente alguns legumes, enquanto uma panela cheia de água borbulhava no fogão.
— Algumas. — Zoro falou sucintamente. Não é como se fosse contar a história da sua vida para aquele pirralho, mas provavelmente havia um motivo para ele estar perguntando isso. Devia estar se sentindo mal por ter voltado a fumar mais uma vez. — Isso é completamente normal, todo mundo passa por isso.
Não que Zoro achasse que aquele loiro arrogante que se achava muito importante fosse se contentar em saber que era apenas exatamente como todas as outras pessoas.
— Hmm... — Sanji apenas resmungou em resposta, não sabendo bem o que falar. Parecia que estava levando um sermão, mas não se sentia irritado e sim aliviado. Claro, havia ouvido os discursos dos outros participantes na reunião, só que às vezes parecia tudo inventado e ensaiado, ouvir direto da boca de Zoro, de quem mais estava próximo entre todos eles, o deixava aliviado.
Ficou em silêncio, esperando o outro falar alguma coisa que nunca surgiu, fazendo o clima se tornar tenso e estranho. Enquanto isso, suas mãos habilidosas não pararam um segundo, sempre mexendo em alguma panela ou cortando algo, fazendo as coisas tudo no automático.
Era exatamente por isso que Zoro odiava ligações. Já não era o tipo de pessoa que falava muito, manter a conversa por telefonema então se tornava uma missão impossível. Era sempre assim, os assuntos se esgotavam e pairava aquele silêncio desconfortável no ar. Rapidamente o sono começou a voltar e Zoro havia começado a cochilar quando ouviu a voz de Sanji distante perguntar alguma coisa.
— Você namora? — Já fazia mais de um minuto que estavam em completo silêncio e estava se sentindo pressionado para quebrá-lo e sem pensar disse a primeira coisa que veio em sua mente… E se arrependeu imediatamente por deixar aquilo escapar, poderia ser mal interpretado e essa era a última coisa que desejava que Zoro achasse dele. Não estava interessado por um homem, muito menos por um tão velho. Só o pensamento era nojento. Argh.
— Quê? — Zoro perguntou, enxugando a baba que já começava a cair pelo canto da boca, e Sanji repetiu a pergunta rapidamente, como se ele próprio não quisesse pronunciá-la de novo.
— Uh... Não. — Zoro estranhou a pergunta vinda do nada. Mas, talvez fosse uma boa oportunidade de provocar o loiro, já que Sanji gostava tanto de fazer o mesmo a cada brechinha que tinha. — Por quê? Está interessado, pivete?
— É claro que não, seu velho pervertido, eu não sou viado! — Sanji praticamente gritou como resposta, se arrependendo imediatamente de usar um tom muito alto para aquela hora da madrugada. Não duvidava que tinha acordado Zeff e o velho caquético fosse chutar sua bunda para aprender a ter modos quando os outros estão dormindo.
Talvez provocá-lo tivesse sido uma péssima ideia. Zoro estaria bem mais feliz sem ficar surdo de um ouvido por causa dos escândalos daquele garoto. Ele suspirou pela centésima vez naquela ligação. Não bastasse ser irritante, o pirralho ainda tinha que ser esse tipo de homem preconceituoso.
— É só que seria estranho você ter me beijado se estivesse namorando. Com certeza eu chutaria sua cara por ser um pervertido indecente que não consegue conter sua boca beijoqueira e por trair sua bela namorada, seu cafajeste.
— Pode ficar sossegado. Eu e minha boca... — Zoro ia repetir o adjetivo dado pelo loiro, mas não teve coragem de dizer tal absurdo. — Estamos muito bem sozinhos há bastante tempo. Pessoas dão muito trabalho.
Fez questão de não corrigir o loiro, embora nunca tivesse ficado uma mulher na vida. Se ele pensava que Zoro gostava de mulheres ou não era problema dele. Nem fazia lá muita diferença para Zoro, de todo modo, já que não se envolvia mais com ninguém. Devia ter transado algumas poucas vezes quando era mais jovem e depois tentou namorar uma única vez, o que acabou não dando muito certo. Depois, Zoro só nunca mais ficou com ninguém porque era tudo muito trabalhoso e ele nem sentia tanto desejo para começo de conversa, então nunca valeu a pena tanta dor de cabeça.
— Bastante tempo? — Foi basicamente tudo que Sanji ouviu e sua curiosidade era muito grande para deixar passar. Para quem não estava interessado, estava demonstrando muito interesse naquele assunto. Parando pra pensar, ele também estava na seca há um bom tempo... — Quanto tempo?
O jovem se espreguiçou, estalando os dedos e as costas após retirar uma forma do forno. Quando foi que havia colocado aquilo ali mesmo? Assim que deixou a forma quente em cima da mesa, ele voltou para a frente do fogão e mexeu em uma panela borbulhante que exalava um cheiro delicioso.
— Sei lá, uns dez anos? Talvez mais, mas eu não fico contando. — Zoro respondeu dando de ombros. Realmente fazia muito tempo que não parava para pensar naquilo. Só fazia ideia de quando mais ou menos havia sido porque sabia que começara o namoro um pouco depois de sua última recaída, buscando conforto em um substituto para algo importante após perder.
Percebendo alguns raios de luz já entrando no quarto, Zoro tirou o telefone do ouvido para olhar a hora e decidiu que provavelmente já estava na hora de levantar, pôr uma blusa e calçar as botas.
— Sério? — Sanji praticamente gritou no telefone outra vez e quando ouviu um resmungo do outro lado confirmando, seu queixo caiu. Dez anos sem transar? Como assim? Como era possível? Como uma pessoa normal conseguia aguentar tanto tempo sem sexo? — Meu Deus, dez anos sem dar umazinha... Você deve estar cheio de teias de aranhas. É tão velho que não sobe mais é?
A última parte saiu de forma mais obscena e pervertida que o planejado, mas achando que Zoro não notaria, o loiro apenas deu de ombros.
— Pense o que quiser. — Ele sequer havia falado sobre transar, mas óbvio que o pivete tinha que ir direto para esse assunto. Zoro pensou em diversas formas para responder aquele loiro malcriado, mas depois do que o mais novo havia falado da última vez que brincou com isso achou melhor apenas ficar calado ao invés de receber outro chilique sobre não ser gay, ou algo do tipo.
— Na verdade faz um bom tempo que eu não transo também... — Dessa vez Sanji falou com o maior cuidado para não deixar mal entendido de que estava fazendo uma proposta para se aliviarem juntos, óbvio que isso era a última coisa que desejava.
— Duvido. — Com o desespero com o qual o garoto falava de sexo e o comportamento que Zoro já havia reparado muito bem quando ele estava perto de mulheres, achava pouco crível que Sanji estivesse realmente há muito tempo sem transar. Só devia estar exagerando como um adolescente cheio de hormônios e sem nenhum controle. — Do jeito que é desesperado não deve aguentar uma semana sem.
Zoro saiu do quarto segurando o telefone, catou alguma coisa na cozinha para comer rapidamente antes de ir para o trabalho e ligou a televisão no mudo, apenas para distrair os olhos enquanto ainda conversava com o loiro.
— De fato, não aguento, mas já faz um mês que não vejo um par de belos peitos. — Diferente de antes, agora a voz de Sanji estava completamente banhada em luxúria e perversão, totalmente descontrolado. Não duvidava que podia estar até babando pensando em seios fartos, em coxas grossas, uma bunda grande rebolando em seu colo... Ele mordeu o lábio inferior, sentindo-se ofegante. Talvez tivesse que dar uma rápida visita ao banheiro depois desse devaneio…
— Tão previsível. — Zoro falou enquanto enfiava a comida na boca e revirava os olhos. Ficou olhando para a tv tentando se distrair das besteiras que estava ouvindo, e também porque o loiro se calou um pouco depois disso.
No momento em que notou a claridade do lado de fora da janela, Sanji piscou repetidas vezes sem entender. Já estava clareando? Nem notou o tempo passar. Ao se virar, viu a mesa cheia de preparativos finalizados e piscou repetidas vezes sem entender. Quando havia cozinhado tudo aquilo? Pior ainda, quando começou a cozinhar? Aquele péssimo costume de ir cozinhar quando não conseguia dormir. Ele suspirou profundamente, tentando encontrar algo para fazer com toda aquela comida.
Estava passando o final de algum filme da sessão da madrugada e Zoro notou que um dos atores era um pouco parecido com Sanji. Não muito na verdade, mas loiro de olhos azuis e bastante novo. Pensando bem… Desde que conhecera Sanji tinha tido uma impressão de que já havia visto aquele rosto.
— Eu sei que é aleatório... — Zoro disse enquanto comia, pronunciando as sílabas de forma quase incompreensível e claramente soando como alguém que estava falando de boca cheia. — Mas parece que eu te conheço de algum lugar. Tinha esquecido de falar isso.
— É? Loiro, jovem, lindo e de olhos azuis, onde será que você pode ter me conhecido… — Sanji caçoou das palavras do outro, preferindo tirar uma com a cara dele do que propriamente dizer que era modelo e que provavelmente já o vira em comerciais na TV ou alguma coisa do tipo, mas se falasse de uma vez, que graça teria?
O pivete era tão convencido que Zoro apenas revirou os olhos. Não é como se tivesse algo para discordar também, ele tinha olhos, sabia que Sanji era bonito, mesmo que não ficasse exatamente reparando nisso. Mesmo assim tinha certeza que não era alguém parecido, ele realmente tinha a sensação de que Sanji era estranhamente familiar.
— O que merda está fazendo? — O jovem tentou ignorar o barulho de uma vaca comendo pasto, mas como Zoro continuou fazendo aquele barulho por um tempo, ficou irritado.
— Comendo, ué. — Respondeu engolindo o restante do que estava mastigando e desligando a televisão assim que o filme começou a mostrar os créditos. — Daqui a pouco preciso sair para trabalhar.
— Comendo, ué. — Sanji repetiu, imitando a voz horrível de Zoro, só que de forma bem mais fina e irritante, como uma criança de cinco anos. Sério que ele estava comendo? Quem diria, nunca ia imaginar. — Você é algum tipo de burro? Eu sei que você está comendo, parece que é uma vaca mastigando, o que eu quero saber é o que está comendo se nunca tem absolutamente nada na sua despensa.
Sua exaltação raivosa o fez ter uma ideia genial. Zoro nunca tinha nada guardado, vivia de comida congelada horrível e Sanji acabava de cozinhar dezenas de coisas que se continuasse em sua casa, apenas estragariam, então era só juntar o útil ao agradável.
— Passa aqui em casa antes de ir para o trabalho. Vou te mandar o endereço por mensagem. — Disse animado já procurando potes e marmitas para poder montar e armazenar toda aquela comida, separando em porções grandes que sustentariam aquele homem guloso por dias.
De novo teve que aguentar o ataque histérico de Sanji. Mas, antes que pudesse abrir a boca para responder, o loiro já foi fazendo aquele pedido estranho.
— Tá... — Concordou confuso. Eles já haviam conversado por horas e agora que mal havia amanhecido e ele tinha que trabalhar o loiro pedia para ele passar na casa dele, não via sentido nisso. Não questionou a loucura, não estava exatamente com tempo sobrando, já devia ter saído de casa se quisesse chegar à oficina a tempo. Claro, ele poderia ter apenas dito não ao moleque, mas estava curioso.
Antes de ir preparar as marmitas de Zoro, Sanji teve que dar uma corrida no banheiro para se aliviar. Fazer o quê, ainda era só um adolescente com os hormônios à flor da pele, quando sua mente divagava em mulheres era uma reação completamente normal. Como de costume, não demorou mais que cinco minutos até que voltasse para a cozinha e começasse a arrumar tudo, montando porções equilibradas e grandes o suficiente para sustentar o homem por dias, sem deixar que ele sentisse fome. Quando terminou, tudo estava muito bem guardado e Sanji aguardou. Aguardou. E aguardou mais um pouco. Com meia hora ele já estava entediado e cansado de esperar, suas redes sociais não conseguiam entretê-lo o suficiente para ocupar sua mente. Talvez Zoro não fosse, afinal, nem eram tão próximos, se viram apenas duas vezes na vida, nem chegavam a ser amigos. A demora deixou claro que ficar esperando seria besteira. O caminho da casa do homem até a sua não demorava tanto tempo assim, no dia anterior ele chegou bem mais rápido do que esperava, no fim, moravam bem próximos.
Com um suspiro frustrado, o loiro desistiu de esperar e deitou-se no sofá. Precisava ter coragem para se arrumar antes de ir para a universidade, mas depois daquela rejeição estava bastante abatido, pensando até mesmo em não ir. Sanji nunca ligou em levar um fora, mas Zoro estava dando um fora em sua comida, era um caso bem mais grave. Bom, não que ele soubesse que estava indo ali apenas para pegar comida.
Meio entristecido, ele começou a ir em sites não muito apropriados para uma pessoa que em pouco tempo sairia para estudar. Só de entrar em seu site preferido já começava a sentir um volume se formando em sua calça outra vez.
Quando Zoro olhou a mensagem com o endereço ele tinha certeza que sabia onde ficava o lugar. Ou pelo menos achava que sabia, já que demorou muitíssimo mais do que o esperado para aquele trajeto que só deveria durar dez minutos. Iria chegar super atrasado na oficina, para sua sorte Franky não era tão rigoroso a ponto de puni-lo por algo assim. Provavelmente o mais inconveniente fosse ter que explicar o motivo e ouvir alguma gracinha do chefe. Talvez parecesse estranho dizer que tinha ido na casa de alguém tão cedo pela manhã.
Afastando esses pensamentos, Zoro estacionou na frente na bela residência de Sanji. Já havia errado de quarteirão tantas vezes que estava impaciente e tocou a campainha da casa com grosseria.
No momento que Sanji se levantou para ir até o quarto resolver seu pequeno problema, ouviu a maldita campainha e andou irritado até a porta, desejando matar quem é que fosse, apostava que era uma entrega idiota de Zeff. Quando viu aquela árvore plantada na frente de sua casa, teve que se conter para não dar um belo chute naquela cara de pau.
Sério que aquele ancião tinha apertado a campainha mesmo depois de dizer mil vezes para não fazer? Zeff sempre acordava com aquela merda e se visse o moreno ali, ia implicar com ele perguntando se não tinha amigos de sua própria idade, sendo que nem amigos eram.
Sanji o atendeu com cara de poucos amigos, resmungando algo sobre ter mandado uma mensagem pedindo para que avisasse quando chegasse ao invés de tocar a campainha.
— Se meu pai acordar, juro que te mato. — Disse de forma ameaçadora, revirando os olhos e muito irritado para ter bons modos e convidar o outro para entrar, ele apenas deixou o imbecil esperando na porta e Zoro apenas deu de ombros e ficou aguardando o garoto voltar na soleira da porta.
Sanji reunia todas as marmitas em algumas sacolas e levava de volta para a porta, praticamente jogando tudo na cara do outro, com cuidado, é claro, comida era preciosa.
— Aqui tem comida o suficiente para duas semanas. Uma pessoa normal comeria por vinte dias, mas um esfomeado como você não deve conseguir guardar por quinze. — O loiro falou se livrando de todas as sacolas. Em seguida levou as mãos até os bolsos da calça, procurando o costumeiro maço de cigarros por alguns segundos, sentindo-se envergonhado por não achar nada e mesmo assim ter procurado como se fossem aparecer ali magicamente. Zoro o estressava. — Tsc.
— Uh... Tá bom então. — Zoro falou olhando confuso para o loiro que parecia ainda mais maluco que o normal. As olheiras abaixo dos olhos denunciavam a insônia do dia anterior, o rosto franzido em irritação parecia menos belo do que de costume e aquela quantidade de comida feita provavelmente naquela mesma noite enquanto conversavam no telefone era absolutamente sem sentido. — Até semana que vem, cook.
— Até, marimo. — Sanji sorriu gentilmente, sentindo-se extremamente bobo e feliz por ser chamado de cook.
Zoro suspirou enquanto empilhava tudo no carro, ajeitando as marmitas no banco do passageiro. Achou que apenas daria uma passada rápida na casa do outro, porém já estava mais de uma hora atrasado e agora precisaria voltar para casa e guardar aquilo tudo. Não que Franky fosse lá muito exigente com horários, mas não poderia se dar ao luxo de perder aquele emprego. Na sua situação, se fosse demitido arranjar outro trabalho não seria nada fácil.
Maldito loiro maluco. Mas, até que não era nada ruim ter comida pela semana inteira. Boa comida pela semana inteira. Zoro começou a pensar se aquelas marmitas estariam tão boas quanto o jantar da noite anterior e sentiu sua barriga roncar um pouco com o pensamento, se arrependendo por não ter tomado um café-da-manhã reforçado. Pelo menos comeria muito bem hoje no almoço, graças aquele moleque.
Sanji esperou Zoro arrumar as marmitas no carro e assim que ele ligou, acenou antes de entrar em casa e fechar a porta, dando de cara com seu pai paradão atrás dele.
— Quem era o mendigo, pirralho? — Zeff disse, a expressão irritada parecia que mataria o pobre loirinho ali mesmo.
— Um amigo. — Ele respondeu desviando do mais velho, claramente fugindo dos xingos que receberia por tê-lo acordado tão cedo, sem dúvidas mataria Zoro por ter apertado aquela maldita campainha. De qualquer forma, tinha que se arrumar para a universidade, e ainda tinha um pequeno probleminha pressionando sua calça para ser resolvido.
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