Notas iniciais
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— SCARLET! ABRA A PORTA! – Eu berrava e batia na sua porta, em plena noite. Eu já estava lá há alguns minutos, e não escutei nem um “Já vai!” nem nada do tipo. Isso era muito estranho... A Scar e o Luke nunca me deixavam esperando. Eu era quase moradora da casa também, assim como eles eram da minha.


Dei alguns passos impacientes na frente da porta, tentando me acalmar. Eu estava apavorada com tudo que aconteceu no Basement, o bar que fui com David. Aqueles homens... Tinha algo muito estranho neles. Estranho e intimidador. Principalmente o do meio, que emanava a maior parte do poder que fez eu e minha loba nos sentirmos inquietas e amedrontadas. Se existia uma coisa que eu nunca havia sentido na vida, era indefesa. E até isso o homem do bar conseguiu. Tanto eu como minha loba estávamos extremamente confusas com tudo isso.


Graças aos vários cheiros diferentes dentro do Basement, nós não conseguimos identificar o cheiro deles. Isso era bom e ruim porque, ao mesmo tempo em que nós não conseguiríamos reconhecê-los ou caçá-los pelo cheiro depois, eles também não poderiam conosco.


Dei uma bufada irritada e fechei meus olhos, contando até dez. Scarlet me deixar esperando já me deixava irritada. Estar completamente amedrontada por causa de um cara e seus dois amigos, que eu nem sequer fazia ideia de quem eram, me deixava furiosa.


Finalmente, quando eu ia começar a socar a porta de novo, a porta se abriu.


Scarlet me olhava com os olhos cheios de culpa e vergonha. Sua blusa estava um pouco torta e amassada, e seu cabelo estava levemente despenteado atrás. Havia um cheiro diferente ao redor dela, mas não prestei muita atenção, estava muito brava no momento.


— B-Becca! Oi! Que, uhm, visita inesperada! – Falou, um pouco sem graça.


— Como assim inesperada? – Falei, já entrando. – Eu sempre venho aqui!


— Eu s-sei, mas, erm, você nem avisou, nem nada...


— E desde quando eu preciso avisar? Poxa Scar, achei que nós fossemos família! Melhores amigas! Nunca vou fazer você ter que avisar quando você vier lá em casa. – Murmurei magoada.


‘Só depois que você arranjar um cara com quem trepar.’ Falou minha loba, com uma risada. ‘Daí nós vamos querer que ela ligue antes de ir batendo na nossa porta.’


Demorou alguns segundos apenas para eu entender.


Olhei mais uma vez para Scar, que tinha um leve rubor nas bochechas. Ela ainda me olhava com uma expressão de quem pedia desculpas. Examinei-a novamente. Seu cabelo desarrumado, sua blusa torta e amassada, suas bochechas rosadas... Agora que eu prestava mais atenção, havia outros sinais. Suas mãos mexendo nervosamente na barra de sua blusa, o fato de ela estar descalça, sua falta de sutiã por debaixo da blusa. E onde estava Lucius? Por que ele não havia aparecido ainda?


Isso tudo sem contar a maior prova do crime, que ela com certeza sabia que eu iria perceber, e ela seria descoberta. O cheiro.


— Scarlet, — Comecei, andando em círculos em torno dela, como um pai que acabou de ler as mensagens de celular trocadas por sua filha e seu namorado. – pode me explicar porque sua casa está impregnada com o cheiro de excitação? – Perguntei, sem rodeios, e ela ficou tão vermelha que eu até achei que ela fosse enfiar sua cabeça na terra, como uma avestruz.


— E-eu, e-eu, eu...


— E onde está Lucius? – Continuei atormentando-a.


— B-bem, Becca...


Não esperei por uma resposta. Corri até seu quarto, mas a porta estava fechada. Quando girei a maçaneta, ouvi a voz do lobo.


— Então, ruivinha gostosa, já mandou a Senhorita Bomba-Relógio embora? Estou louco pra continuar aquela massagem gost-


— CALE A BOCA! – Berrei, antes que meu cérebro fosse completamente danificado.


Abri a porta e vi a cara de total espanto de Lucius. O sangue havia sumido completamente de sua face e seus olhos estavam do tamanho de bolas de sinuca.


— R-Rebecca?! – Gritou, cobrindo-se como pôde com o lençol.


— Rebecca! – Gritou Scar atrás de mim, puxando-me para o corredor. – O que raios você está fazendo?!


— Woah. Peraí! O que eu estou fazendo? Com licença, ruivinha gostosa, mas eu não fazia ideia que vocês estavam... Estavam... Urgh! – Coloquei as mãos no rosto, na vã esperança de arrancar meus olhos fora, e depois meus ouvidos. – A propósito, obrigada pelo show, Lucius. – Falei sarcasticamente, referindo-me a completa visão de sua intimidade que eu havia acabado de experimentar.


— B-Becca! – Exclamou a ruiva, incrédula.


— Vocês acabaram de me levar num caminho completamente escuro, assustador e absurdo! Onde meus dois melhores amigos estão se comendo em segredo!


Luke correu até o banheiro da suíte, provavelmente atrás de suas roupas e Scarlet jogou-se em sua cama, exausta psicologicamente.


— Ah, Becca, eu não acredito! – Lamentou-se.


Encostei-me na parede do corredor, minhas mãos ainda cobrindo meus olhos, que pareciam arder. Não que o Luke não fosse, bem, gostoso. Eu já sabia que ele deveria ser um baita de um colírio para os olhos, mas ele era meu amigo. Eu havia acabado de ultrapassar uma linha muito terrível.


— Ah meu Deus, Scarlet. Ah meu Deus.


Peguei meu crucifixo de ouro, aquele que eu havia dado a Bernard, e o puxei em direção ao quarto, tentando me proteger com ele, em parte brincando, em parte séria. Desde o dia em que matei Bernard Holland, três anos atrás, eu sempre usava o crucifixo ao redor do meu pescoço. Sempre. Era como meu amuleto da sorte, e eu também me sentia protegida com ele. Sem ele eu me senti exposta, igual a como me senti no Basement. Esse pensamento me lembrou da razão pela qual eu estava ali.


— Scarlet, eu preciso falar com você. É muito, muito, muito importante! Por isso que vim aqui e-


— Importante o suficiente para justificar essa merda toda que você fez? – Lucius saiu do banheiro, vestindo uma bermuda jeans e uma camisa de abotoar listrada. Com seu cabelo negro despenteado e seu olhar de predador, parecia um modelo. Um modelo que queria sentir minha carne rasgando em seus dentes.


— Olha, eu não fiz porra nenhum! E nem venham me culpar por nada! – Ergui a voz, irritada com a postura ofensiva que ele estava tomando comigo. – Se eu soubesse que vocês dois estavam... Juntos... Eu jamais apareceria aqui assim ou andaria pela casa como se fosse minha. – Continuei, achando tudo muito injusto. – Eu estou acostumada com nós três sendo amigos inseparáveis. Apenas amigos inseparáveis. Amigos ao ponto de chegar à casa do outro, abrir a porta da geladeira e beber o leite direto da caixa! Não amigos ao ponto de: “Oi, com licença, será que eu poderia passar aí a tal hora e a tal minuto de tal dia para pedir ajuda? Vocês não vão estar ocupados transando, vão? Por que eu odiaria interrompê-los!” – Falei, fazendo uma vozinha de mulherzinha no final.


Scarlet suspirou e levantou da cama, indo até o Luke e fazendo um carinho em seu ombro, o que o acalmou.


— Tem razão, desculpa Becca. Você é nossa melhor amiga, nós deveríamos ter contado pra você...


— Desculpe também. – Falei, sinceramente, não conseguindo olhar Lucius nos olhos. – Eu não deveria ter corrido e aberto a porta de seu quarto depois de suspeitar... Desculpe, Luke.


— Tudo bem, relaxa, Becca. – Suspirou como Scarlet. – Nós só não lhe contamos porque...Bem, porque não é nada oficial, na verdade.


— Como assim? – Perguntei confusa.


— Nós não estamos em um relacionamento. Nós apenas... Fazemos isso de vez em quando. – Quando essas palavras saíram da boca do homem, percebi os olhos de Scar perderem um pouco de vida. Ela abaixou o olhar. Teria que me lembrar de conversar com ela sobre isso mais tarde. – Mas então, você falou algo sobre ajuda...?


Foi minha vez de suspirar. Sentei-me na cama da Scar e segurei a cabeça nas mãos.


— Aconteceu algo muito estranho. Muito estranho mesmo hoje no Basement comigo. Assustador até.


— Peraí, — Interrompeu-me Scar. – você foi no Basement hoje? Ué? Com quem?


— Pois é! Esse bar é lá na puta que pariu, no centrão de Columbus! E custa o olho da cara ainda!


Fechei meus olhos, lembrando-me de como havia deixado David.


— Eu talvez tenha aceitado sair com o David... – O espanto na cara de Scarlet chegou a ser cômico.


— David é aquele seu chefe irritante que quer entrar nas suas calças, certo? – Concordei. – Então já sabemos por que foi assustador. – Falou Luke e, mesmo apavorada, tive que rir com ele. A única que não achou graça foi a Scar.


— Vocês só falam mal dele! Ele tem sentimentos pela Becca, e daí? – Scar o defendeu.


— Quem disse que ele tem sentimentos? – Retrucou Luke. – Ele pode muito bem estar fissurado assim com a Rebecca só porque ela foi a única de suas mulherzinhas que ele não conseguiu comprar.


— Obrigada por achar que nenhum homem se apaixonaria por mim, Luke!


— Becca, me poupe. Você sabe que não foi isso que eu quis dizer...


— Eu sei. – Mostrei minha língua para ele. – Mas sério, chega de falar no David. Como eu estava dizendo, aconteceu algo muito estranho no Basement.


— Quão estranho? – Perguntou Luke, sentando-se do outro lado da cama.


— Apavorante. – Falei, e Scar levou sua mão à boca.


— Já sei o que é. – Falou a ruiva, mas eu fiz um sinal com a mão pra ela esperar eu contar toda a história.


— Bem, o encontro estava indo “bem”, mas, de repente, eu senti algo puxar minha atenção. Parecia que eu havia sido fisgada. – Expliquei. – Até minha loba ficou em alerta, preocupada, sentindo-se em perigo. – Scarlet fez uma careta e começou a andar de um lado pro outro do quarto, sua mão ainda cobrindo sua boca, enquanto eu contava. – Parecia uma energia que estava me puxando, um poder, sei lá. Eu procurava desesperadamente pela fonte desse poder, mas não a achava. Eu só sentia que precisava me esconder, me camuflar, fazer de tudo para passar despercebida.


— Isso não está me soando nada bem... – Comentou Luke ao meu lado, mas eu o ignorei e continuei a contar.


— Finalmente, percebi três homens no balcão do bar. Minha loba, de alguma forma, tinha certeza absoluta que o poder que nos intimidava era deles. Eu nunca senti nada assim antes! – Confessei, desesperada. – Eu tive que me controlar muito para não me transformar ali mesmo, pois minha loba queria simplesmente sair correndo! Nós somos dominantes, eu nunca senti necessidade de correr! – Joguei-me na cama, querendo apenas me enrolar nas cobertas e fazer tudo isso ir embora. – O mais estranho foi que, quando um dos homens saiu, o mais alto e o que me parecia mais intimidador, o poder diminuiu. Diminuiu ao ponto de eu quase não sentir mais nada. O problema era esse primeiro cara que saiu!


— Hmm...


— Becca, você conseguiu dar uma boa olhada neles? – Perguntou a Scar, e eu fiz que sim. – Conseguiu vê-los bem o suficiente para descrevê-los fisicamente para o Luke?


— Sim. – Pus as mãos na cabeça, mexendo inquietamente com meu cabelo.


— Comece com os dois que você acha que emanavam menos poder. – Pediu o lobo, e assim o fiz.


— Bem, um deles tinha cabelos bem negros e olhos bem azuis, bem parecidos com os seus, Luke. O outro tinha cabelos castanho-escuros e olhos castanho-claros. Esse último usava o cabelo penteado para frente, como está na moda agora, e costeletas. Os dois tinham praticamente a mesma altura, que eu estimo que seja perto de um metro e oitenta, mas não passam disso. – Descrevi-os. – Ambos pareciam jogar algum tipo de esporte ou ir bastante na academia, pois dava para ver que tinham pernas, ombros e abdômen muito musculosos.


Lucius olhou para a Scar, que ainda andava para lá e para cá. Parecia muito preocupada.


— Você, Becca, acabou de me descrever, respectivamente, Connor Lawson e Trevor Sullivan.


— Quem? Como você sabe assim tão fácil quem eles são? – Perguntei, confusa. Columbus é a décima quinta cidade mais populosa dos Estados Unidos, como Lucius reconheceria, apenas por minha péssima descrição, quem eram esses homens?


— Connor Lawson, o de cabelos negros, é o terceiro em comando da alcateia. – Segurei minha respiração. – O outro é Trevor Sullivan, o segundo em comando.


— Puta merda, Becca! – Exclamou a Scar, pondo suas mãos na cabeça em desespero.


— Calma, vocês duas, calma. Descreva para mim o outro homem, por favor.


Concordei com a cabeça, engolindo em seco.


— O outro era bem mais alto, — Comecei, ainda jogada na cama. – acho que deveria ter um metro e oitenta e cinco. Estava, como os outros dois, em boa forma física. Tinha cabelos castanho-escuros da mesma cor do de... Trevor Sullivan, e tinha olhos marrons bem escuros. Dependendo da luz, pareciam ser negros. E... Bem, seu olhar me amedrontava.


— Esse é o que você disse que emanava mais poder? – Perguntou Scarlet e eu assenti.


—Bem, Becca, — Lucius suspirou. – Parece que você acabou de conhecer o Alpha da Alcateia de Columbus, Aidan Rucker, o quinto lobo mais dominante da América do Norte.


Scarlet, de repente e completamente fora de si, puxou-me pela blusa e começou a me chacoalhar loucamente. Berrava tão alto e tão rápido que eu não consegui entender absolutamente nada que ela estava me dizendo e, pelo visto, nem o Luke. Ele se levantou, conseguiu fazê-la me soltar e me colocou sentada na cama, em seu lugar.


— M-mas, por que fiquei tão apavorada e me sentindo em perigo?


— Em parte porque você realmente estava em perigo. – Luke explicou, em pé em minha frente. – Você podia não saber que aquele era o Alpha, já que nunca o viu antes, mas sabia que estaria correndo perigo se encontrasse o Alpha. Alguma parte de você deve ter pressentido que ele não era um humano qualquer, nem um lobo qualquer, e isso fez você se sentir em perigo. – Deu um leve afago no ombro de Scar, que estava com a cabeça enterrada nas mãos, chorando silenciosamente. Eu me sentia péssima por deixá-la assim. – Também é por causa desse poder que você mencionou. Todo lobo dominante tem um pouco dessa energia. Você ainda não a usou porque ainda é muito nova, só tem três anos, mas logo você aprenderá a usá-la. Os lobos dominantes a usam sempre que querem exercer seu poder sobre algum outro ser sobrenatural. Às vezes funciona com humanos também. É como se fosse intimidação, só que, você bem sabe, para os lobos isso vai muito além. Eles usam esse poder para mostrar para o outro lobo quem é que manda, qual dos dois é mais dominante e quem vai seguir as ordens de quem. Se um lobo da alcateia estiver desobedecendo ou ignorando ordens do Alpha, o Alpha pode facilmente usar esse poder para fazer o lobo obedecê-lo quase que de imediato. Essa obediência vem do nosso lado animal, claro.


— E-então eles sabiam que eu estava ali?


— Não necessariamente. Não temos como saber. Como eu disse, eles podiam estar usando o poder em algum humano, ou estavam atrás de outro ser sobrenatural, mas acho que não era esse o caso.


— Eles falaram com o barman e levaram um pacote. – Contei.


— Ah! Então, podia muito bem ser por causa disso. – Assegurou-me. – Ou eles podiam estar tendo um dia ruim. Lobos às vezes emanam um pouco desse poder quando estão irritados ou prestes a se transformar.


— E por que o poder dos outros dois quase não me afetou? E por que eu nunca senti nada assim com você, o quarto lobo mais dominante? Ou lá na Alcateia de Seattle?


— Calma, Rebecca. Uma coisa de cada vez. – Deu uma leve risada. – Número um: Porque você é mais dominante que eles. Eles não são dominantes o suficiente para manipular você como fazem com os outros lobos da alcateia, portanto, o poder deles quase não lhe incomodou e, quando você desenvolver o seu, facilmente ultrapassará o deles. Dois: Porque eu sei me controlar muito bem. Posso ser o quarto mais dominante do continente, mas sou, provavelmente, o mais controlado. Aposto que consigo me controlar mais que meu próprio pai. Diga-me, Becca, quando foi que você viu meus olhos trocarem de cor, o sinal de que meu lobo está prestes a tomar conta?


— Nunca, Luke.


— Pois é. – Sorriu confiante para mim. – Sei me controlar e controlar meu poder. E também nunca senti necessidade de usá-lo aqui em Columbus. – Deu de ombros. – Número três: Pode ser que sua alcateia antiga fosse bem pacifica, sem muitos conflitos sérios entre si ou com outros seres sobrenaturais. Ninguém dominante se sentiu ameaçado ou ofendido lá em nenhum momento. Ou, pode ser também que você era tão mais dominante que eles, até que Joseph, que não sentia o poder, não sentia nada. Afinal, foi por isso que veio para cá, não? Porque se sentia presa e irritada em ter que seguir ordens. – Assenti. – Você as seguiu apenas, pois queria experimentar a vida em alcateia, mas, quando não aguentou mais, saiu. Se seu Alpha fosse mais dominante que você e usasse seu poder, você não se sentiria presa. Sua loba atenderia aos pedidos com prazer.


— Chega! Chega disso! – Exclamou Scarlet, levantando o rosto das mãos e ficando em pé. Seu rosto estava manchado com trilhas de lágrimas. – O que importa é que Aidan lhe encontrou! Eu falei pra você ir atrás dele! Eu avisei!


— Na verdade, — Interrompeu Luke, pensativo. – foi ela quem o encontrou. Nós não temos como saber se ele a viu ou se sequer percebeu sua presença. Ele chegou a olhar pra você?


— Não. – Respondi, apavorada. – Eu me escondi atrás de David e, quando olhei para eles, nenhum deles me olhou nos olhos, nem para mim. E tenho quase certeza que meu cheiro ficou misturado com os outros vários cheiros do bar.


— Ótimo, isso é ótimo! – Luke me tirou da cama, puxando-me pela mão, e me rodopiou, dando gargalhadas. – Eles nem sequer faziam ideia que havia uma loba lá dentro! Deus abençoe os universitários!


— Pare! – Falou Scarlet, brava. – Vocês estão comemorando? Sério? Qual é o problema de vocês? – Segurou-me firme pelos ombros, olhando-me direto nos olhos. Seus olhos verdes perfurando meus cor de mel. – Foi por pouco, Rebecca. Você passou perto demais dessa vez. – Engoli em seco, ela tinha toda razão. – Mesmo que vocês estejam certos e nenhum dos três lhe viu, você passou perto demais. Você sentiu o que apenas o poder do Alpha pode fazer com você! Imagine o que o lobo dele não pode fazer com seus ossinhos? – Estremeci. – Você não tem mais opção. Você precisa se apresentar pro Aidan.


— E-eu sei... – Respondi em um sussurro.


— Você sempre “sabe”! – Explodiu, gritando em minha cara. – Você sempre fala a mesma coisa, e não mexe a bunda pra fazer nada! Eu já disse uma vez, eu não quero ter que levar flores no seu túmulo, Rebecca Young. E juro que não vou! Eu já cansei de falar pra você, nós dois já cansamos, e você se acha a inteligente, a expert, e não nos ouve! Nós estamos fazendo de tudo pra continuar tendo você conosco. – Voltou a chorar, sua voz abaixando o tom. – Eu amo você. Por favor, faça esse sacrifício. Vá falar com o Aidan.


Olhei para o Luke que estava sério agora, provavelmente um pouco surpreso pela reação da ruiva. Ele concordou com a cabeça para mim, dizendo-me que, dessa vez, eu não tinha mais escolha.


— Tudo bem, de verdade. Eu... Eu vou falar com ele amanhã. Sei onde ele mora.


O rosto de Scar se acendeu imediatamente e ela pulou em cima de mim, com um abraço forte e gostoso.


— Você é uma idiota cabeça-dura, mas eu lhe amo!


— E você é uma pirralha irritante, que por acaso é mais velha do que eu, mas eu também lhe amo!


Eles me levaram até a porta da frente, onde meu carrinho me aguardava na frente da porta da garagem. Virei-me para os dois para me despedir.


— Amanhã, hein! – Cobrou-me Scar.


— Sim, senhorita. Obrigada por toda a ajuda, Luke. E me desculpem por... Bem, vocês sabem.


— Disponha, Becca. – O lobo riu. – E nós vamos torcer pra essa não ser sua última noite como uma loba solitária.


Cruzei meus dedos e entrei no carro, meu coração a mil por hora.

Notas finais
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