Dominante
3 III
Notas iniciais
Seis horas da manhã. Tudo bem então. Como eu havia previsto, eu não havia conseguido dormir quase nada na noite passada. Se consegui uma hora de sono, já foi muito. Eu já estava a um bom tempo encarando meu relógio, apenas esperando um horário digno para sair da cama. Seis horas da manhã era digno o suficiente.
Saí do refúgio quentinho que era minha cama e comecei meus rituais diários. Fiz minha higiene e tomei um banho demorado, deixando a água quente do chuveiro levar embora todo o estresse que não me permitiu dormir. É claro que o chuveiro não iria resolver meus problemas para mim, mas eu poderia esquecê-los por, pelo menos, mais meia horinha. Assim que meu tempo se esgotou, enrolei-me numa toalha e me vesti, em seguida indo arrumar meu cabelo e todo o resto que precisava ser feito.
Sem surpresa alguma, eu estava esfomeada. Eu havia pulado o jantar ontem. Fui até a cozinha e entupi minha torradeira com pães. Lobisomens comem bastante, muito mais do que um humano normal, por causa do simples fato que nós gastamos muito mais energia do que um humano normal. A própria transformação consome muita energia, e é por isso que nunca se deve estar perto de um lobisomem que se transforma em lobo com um estômago vazio... Eles ficam com um péssimo humor...
Eu estava sentada na cadeira, esperando a torradeira, quando ouvi meu celular tocando baixinho, a distância.
— Merda, esqueci no quarto de novo. – Xinguei.
Fui buscar o aparelho que foi deixado em cima da minha mesinha de cabeceira, ao lado do relógio que havia me feito companhia pela noite. Era Corrie.
— Oi Corrie. – Eu disse ao celular simplesmente.
— Rebecca? Ué, é só isso que eu ganho então? “Oi Corrie”? – Ela reclamou, notando o desânimo óbvio em minha voz. – Está tudo bem aí garota?
— Está sim. – Suspirei. – Está. Quer dizer, mais ou menos, mas está tudo sob controle. – Menti.
— Hmm... Bem, já que você diz. Mas não se esqueça que, qualquer coisa, eu estou sempre aqui pra lhe ajudar! Afinal de contas, você é meio que minha responsabilidade, tendo em mente que fui eu quem lhe transformou e lhe ensinou tudo que você sabe.
— Sim, sim, ó mestra. – Rimos juntas. – E largue mão, eu já sou uma mulher adulta, okay? Não venha me dar uma de babá.
— Nossa, como estamos hostil hoje! – Ela deu sua risada doce pelo telefone. Eu adorava ouvir a Corrie rindo, era um som tão... puro, fazia até bem aos ouvidos.
— Sério, está tudo bem. Agora, o que houve que você está me ligando a essa hora da manhã?
— Em primeiro lugar, você sabe como eu adoro estragar o seu dia, então eu queria lhe acordar, mas pelo visto você já estava de pé. Segundo, eu sempre acordo cedo assim e você bem que sabe.
— Sei. E o Christian odeia isso. Sério Corrie, por mais que o seu lobo fedido me irrite, você deveria pelo menos deixar o cara dormir um pouco mais nos finais de semana! Hoje é sábado, pelo amor de Deus.
— Desde quando você defende o Chirstian? Sério Becca, tem certeza que está tudo bem? – Ela riu novamente e eu não pude deixar de rir com ela.
— Tem razão, eu devo estar com febre ou alguma coisa assim. Vou medir minha temperatura assim que desligar. – Brinquei.
— Só pode ser. Nunca vi. Vocês dois normalmente querem comer o fígado um do outro... Enfim, voltando. É o seguinte, eu e o Chris vamos passar aí algum dia nessa próxima semana, pode ser? Já faz um bom tempo que eu estava querendo dar um pulo aí e lhe fazer uma visitinha.
— Só aceito se você trouxer comida. Uma torta, das boas. – Corrie deu uma risada tão alta que eu tive que afastar o celular das minhas orelhas sensíveis.
— Sempre tirando vantagem da sua amiga que é cozinheira, hein.
— Mas qual é o propósito de ter uma amiga que cozinha bem pra cachorro se ela não me traz nem uma torta? – Faço um biquinho que ela, obviamente, não vê, mas ela escuta o tom de manha em minha voz.
— Tá bem, tá bem, Rebecca. Eu trago uma torta pra você.
— E avise o Chris que eu não vou dividir a torta. Ela é minha e aquele gordo não vai nem sentir o cheiro! Ele que nem respire perto da minha torta!
— Ei! Ele não é gordo! – Agora era a vez da Corrie usar seu tom de manha. — Ele é muito bem malhado, obrigada.
— Eu sei. – Rimos novamente. – É apenas para não perder o hábito de depreciá-lo. Tudo bem Corrie, vejo você em breve.
— Até logo, Becca. Vê se não arruma confusão até eu chegar!
Nos despedimos e eu desliguei o telefone com um sorriso enorme no rosto. A Corrie vinha me visitar! Tudo bem que o irritante do companheiro dela vinha junto, mas, da mesma forma, a Corrie viria!
Não é que eu odiasse mesmo o Christian, ou ele me odiasse. Ele sendo o companheiro da minha melhor amiga há quatro anos, bem, nós meio que éramos forçados a nos aturar. No fundo, nós nos gostávamos bastante, entretanto, ambos éramos dominantes. Christian era o quarto em comando da alcateia do Joseph, então era razoavelmente dominante, mas ambos sabíamos que eu era mais dominante que ele. O problema era que ele não gostava de admitir que era mais submisso que uma fêmea, principalmente a mim, e que, numa alcateia justa, ele teria que me obedecer. Então, para se sentir melhor ou sei lá, ele adora, até hoje, infernizar-me de qualquer modo que lhe venha à cabeça. E eu, bem, eu também não deixo barato.
Peguei minhas torradas e passei manteiga nelas, comendo-as com o coração um pouco mais leve. A Corrie estava vindo! Ah, só a Corrie para iluminar meu dia mesmo.
—x-
“Look at me, I’m Chandler! Could I be wearing any more clothes?”
Explodi em gargalhadas. Joey Tribbiani, personagem da minha série favorita F.R.I.E.N.D.S havia acabado de pegar todas as roupas do Chandler Bing, outro personagem, e as vestido de uma vez só, como vingança pelo outro ter roubado e escondido sua cueca. Ah, como eu adorava esse seriado, mesmo depois de já ter visto a série várias vezes.
Eu estava no meu sofá, vendo o seriado em minha televisão de caixote pequena. A imagem era horrível, mas pelo menos eu tinha uma televisão. Enquanto eu continuava a ver e rir das palhaçadas de Joey enquanto o Ross Geller estava aflito, tentando fazer todo mundo se arrumar para a festa de uma vez, meu celular tocou novamente, só que dessa vez, era a Scar.
— Rebecca! Olha desculpa desculpa desculpa desculpa desculpa-
— Porra, Scarlet, tá bom. Eu já sei. Você já se desculpou ontem, não se preocupe. – Cortei-a. – Você estava apenas preocupada com minha segurança, entendo muito bem.
— Está tudo bem entre a gente?
— Mas é claro! Ruivinha, acalme-se, não foi nada. Você quer meu bem, e isso significa muito pra mim, mesmo se isso significa você me forçar a fazer algo que não quero.
— Rebecca... Desculpa!
— Está desculpada. – Disse, realmente desculpando-a. Meu humor havia melhorado mil vezes graças ao telefonema da Corrie pela manhã.
— Ótimo! Obrigada Becca, eu lhe amo! – Sorri. – Mas, no fundo, eu não liguei só pra isso. O Luke quer sair hoje a noite, e ele quer que você vá também.
— Hm, o Sr. Lucius Latham quer minha ilustre companhia? – Dei uma leve risada. – Okay, eu vou. No Bar do Johnny, como sempre?
— No Bar do Johnny. – Ela disse e pude ouvir o sorriso em sua voz. – Oito horas.
— Feito. Beijos Scar, até mais tarde.
— Beijos, e vê se põem uma roupa bem sedutora.
— O quê?! Bebeu, foi Scarlet? – Falei chocada e ela riu. – Desde quando você acha que eu quero seduzir o Luke?
— Nããão, Becca! Vai que o David esteja lá? – Scarlet diz e tenta esconder a risada, mas eu ouço.
— O David é rico demais para ir no mesmo bar que nós, reles mortais, vamos.
— Mas nós não somos reles mortais.
— Ah você entendeu, Scar. E, de qualquer forma, esse é outro com quem eu não perderia meu tempo. Adios ruivinha, até mais tarde.
O Bar do Johnny era onde nós três, eu, a Scarlet e o Luke, íamos passar o tempo. Nem sempre dava para nós irmos, mas, pelo menos uma vez na semana, a gente arranjava um tempinho. Era muito bom, estar entre amigos desse jeito, amigos dos quais você não precisa guardar nenhum segredo.
Ainda eram quatro da tarde, então voltei para meu querido F.R.I.E.N.D.S e provavelmente iria continuar na mesma posição até umas sete horas.
—x-
— E pra você, Rebecca? O que vai querer tomar com seu pedido? — Perguntou o barman, que veio nos atender na mesa. — O de sempre?
— O de sempre, Austin, obrigada. — Respondi. O meu “de sempre” era uma Coca-Cola normal. Eu sei que eu estava em um bar com meus amigos e normalmente isso significa cerveja, mas, bem, tenho dois motivos para não beber:
O primeiro é por causa do ótimo exemplo que tive com minha mãe. Eu sei que o caso dela era extremo, uma doença até, e que não há mal nenhum em tomar dois copinhos de cerveja com os amigos no final de semana, contanto que você não vá dirigir. Mas, mesmo quando eu era adolescente e eu e meus amigos íamos nas festas, eu era a única que não bebia nem um copo sequer. Não gosto e não tenho vontade.
O segundo motivo é porque não faz sentido para lobisomens tomar bebidas alcoólicas. O álcool não faz efeito nos lobos, e drogas também não, incluindo remédios. Só remédios muito fortes, normalmente manipulados por outros lobisomens que são médicos, funcionam. Não que nós precisássemos de remédios, já que não ficamos doentes e nos recuperamos rapidamente de acidentes, mas, quando um lobo é ferido por prata, eles são úteis. Assim sendo, o objetivo do álcool, que é deixar a pessoa um pouco mais “soltinha”, ou sei lá, não faz efeito em lobisomens, então não há motivos para consumi-lo.
O barman, Austin, assentiu e sumiu entre as mesas, para anotar mais pedidos e voltar com os nossos.
Estávamos em uma mesa redonda, então eu estava, praticamente, de frente para ambos Lucius e Scarlet.
Lucius Latham era um cara de estatura média para homens, mas ombros largos e corpo bem definido, como qualquer outro lobisomem. Tinha olhos do azul claro mais lindo que eu já vira e cabelos negros como a noite, não muito curtos, mas também não muito compridos. Eu tinha que admitir, ele era muito agradável aos olhos.
Luke, como era seu apelido, morava com a Scar. A casa dela não era muito grande, mas os dois se viravam bem no espaço que tinham. Sei o que vocês devem estar pensando, os dois tem algum tipo de relacionamento amoroso... Na verdade não, mesmo eu sinceramente achando que os dois dariam um belo casal. Scarlet cresceu com o Luke quando foi mandada pela sua família para a alcateia do Letum no Maine. Como ela era uma Selvagem, algo diferente e mais fraco, a maioria dos lobos não gostavam dela e viviam atormentando-a, ambos psicologicamente e fisicamente. Com isso, o Letum, que era ocupado demais para protegê-la ele mesmo, mandou seu filho mais novo para ser seu guardião, e foi assim que os dois passaram a ser melhores amigos.
Até hoje o Lucius é bem protetor em relação a minha amiga, mas eu não tenho certeza se é apenas porque os dois são praticamente irmãos ou se tem algo mais profundo no meio disso. De qualquer forma, a Scarlet parece não notar nada fora do comum nele, no sentido de ele flertar com ela ou algo do tipo. Eu acho uma pena porque, como mencionei antes, acho que os dois formariam um belo casal. Se eu falar isso pra ela, ela com certeza ficaria tão brava como eu quando ela fala sobre o David.
Mesmo os dois tendo crescidos juntos, não foi bem assim que aconteceu. Quem cresceu foi apenas a Scarlet, já que o Luke já era um homem crescido quando ela chegou bem pequena. Eu já perguntei a ela várias vezes, mas ela diz que não sabe quantos anos ele tem. Já perguntamos a ele também, mas ele não quer revelar... A Scar estima que seja entre um e dois séculos. Isso porque ele é o filho mais novo do Letum, que com certeza tem mais de um milênio.
Outra curiosidade sobre o Luke é que ele é o quarto lobo mais dominante do continente, perdendo apenas para seus irmãos e, lógico, seu pai. Mesmo assim, talvez por causa de seus anos de experiência, ele é o lobo mais controlado que já conheci. Normalmente, confesso que isso se aplica a mim também, é só você fazer uma provocaçãozinha de nada para acordar a fúria de um lobo dominante, mas o lobinho de olhos azuis aqui tem uma capacidade de manter a calma que eu admiro muito. Tem que ser muito forte para ser calmo.
— Então Rebecca, eu até faria isso de outra forma, mas até eu estou ficando sem paciência com você. — O lobisomem falou para mim, assim que o Austin, que tinha vindo trazer nossas comidas e bebidas, saiu.
— Luke! — Percebi que a Scarlet deu uma chute em sua perna por baixo da mesa nele. — Hoje não... Não estrague a noite... — Lançou-lhe um olhar que arrepiaria meus pelos da nuca se fosse dirigido a mim.
— Tudo bem Scar, deixe ele falar. — Falei, prevendo o assunto da conversa.
— Vá falar com o Aidan. — Jogou simplesmente na minha cara.
— Olha, — Falei me levantando e consequentemente chamando a atenção de algumas mesas do lado da nossa. — já estou por aqui dessa conversa. — Gesticulei com a mão. — Vocês acham que não me cansa ficar ouvindo isso praticamente toda vez que estou com vocês? — Terminei, irritada.
— Bem, talvez se você escutasse a porra da voz da razão que são seus amigos de uma vez, você se livraria desse desgosto toda vez que nos reunimos.
— Eu já expliquei milhares de vezes, Luke, ou será que é muito difícil para você entender? — Falei em um tom alto, chamando mais atenção ainda. Minha loba estava atenta dentro de mim.
— B-Becca, é melhor você se acalmar. Que tal você sentar? Você não quer discutir isso com uma plateia, não é? Sua comida está esfriando, por favor, coma um pouco. — Disse a ruiva, tomando muito cuidado com suas palavras. Com lobos dominantes irritados é muito importante você não dar comandos acidentais para eles, como “acalme-se”, “sente-se” ou “coma”, a menos que você seja mais dominante que eles, daí tudo bem. O Luke poderia facilmente me dar esses comandos, mas nós tínhamos meio que um trato de respeito um com o outro, por isso conseguíamos nos dar bem apesar de sermos dois lobos dominantes sem poder um sobre o outro e no mesmo território.
Contei até dez e concordei, sentando-me e engolindo uma garfada de minha comida.
— Como eu estava dizendo, — Continuei, agora em um tom mais baixo, que só meus amigos conseguiam ouvir. — eu já expliquei. Eu não arriscaria minha vida dessa forma se não fosse por algo importante. Eu. Não. Aguento. Ficar. Em. Uma. Alcateia. — Falei, ainda tentando me acalmar mais e assegurar minha loba de que não havia nada de errado e que ela podia relaxar.
Luke suspirou e tomou um gole de seu suco.
— Eu sei, Becca. Eu sei como deve ter sido o inferno aquilo pra você. Mas são riscos demais. — Estava preocupado e olhou para Scarlet, que tinha a mesma expressão que ele. — Você sabe como são os lobos solitários, como nós dois. — Lá vinha ele me dar uma aula sobre os seres lupinos, algo que eu já cansei de escutar e já sabia de cor e salteado. — Os lobos quase nunca saem de sua alcateia. Quando saem, é porque eles tem algum tipo de problema, algo que traga perigos para sua alcateia, e por isso são expulsos ou liberados. Quase sempre é porque são muito violentos e nenhum dos lobos, nem o Alpha, conseguem controlá-los. Ou também porque não aprenderam a controlar seu próprio lobo. Mas existem raros casos como nós dois. Você, que é dominante demais, e eu, que já passei tanto tempo na mesma alcateia que decidi dar um tempo.
— Eu sei...
O Lucius era, como eu, um lobo solitário. A Scar deixou o Maine quando tinha dezoito anos, e veio fazer a vida aqui. Pouco menos de um ano atrás, o Luke entrou em contato com ela e pediu para o Letum deixá-lo morar com ela. Como ele é o quarto mais dominante da América do Norte, e o Alpha de Columbus é o quinto, ele não poderia entrar na alcateia pois, se entrasse, teria que virar Alpha. Além de ele não querer ser Alpha de alcateia nenhuma, o Aidan não deixaria seu posto tão facilmente. Uma batalha até morte com certeza ocorreria entre os dois. Como solução, o Luke entrou em contato com o Aidan e fizeram um acordo, que permitia o Luke viver em Columbus como um lobo solitário. O motivo de eu não poder fazer um acordo desses é que o Luke é filho do Letum. Se o Aidan matá-lo, o Letum iria exterminar ele e sua alcateia. Mas não há ninguém que impeça o Aidan de me matar, e ele com certeza irá querer se me descobrir.
— Você está vivendo escondida no território dele. Ele vai achar que você está tramando alguma coisa, querendo tomar a alcateia dele ou implantar sua própria alcateia em seu território. Ou ele pode achar que você é uma das problemáticas, não consegue controlar sua loba ou tem uma sede por sangue insaciável. De qualquer forma você é uma ameaça, e ele estará cagando e andando para o seu sexo. “Ah, olha, uma fêmea! São raras, só ¼ da população lupina! Mas, epa, ela quer me matar e tomar meu território! Vou matar essa vadia antes que ela possa sequer pensar em fazer alguma coisa contra mim!”
— Ótima imitação de voz de Alpha, Luke. Parabéns. — Disse sarcasticamente. — Você só esqueceu um detalhe. Ele pode não levar em conta que eu sou fêmea se eu não falar com ele e ele me achar, mas se eu for falar com ele, daí sim ele vai levar em conta o fato de eu fazer parte do ¼ da população que são fêmeas, e vai com certeza me forçar a entrar na alcateia. Daí ele poderá me “proteger” e, ao mesmo tempo, ter o orgulho de ter uma fêmea em sua alcateia. Eu sei como é. Na alcatéia do Joe, espantosamente, tinham quatro fêmeas, contando com a Corrie e não contando comigo. O Joe adorava se gabar para os outros Alphas nas reuniões de alcateias ali perto que ele tinha cinco fêmeas no total. Eu não vou aguentar esse babaca desse Aidan se vangloriando por ter uma fêmea que ele protege, ainda mais quando a fêmea foi forçada a entrar.
— É, Becca. Isso é babaquice mesmo. — Luke concordou.
— Mas ainda assim é melhor aturar tudo do que morrer por bobeira! — Scarlet disse, entrando em desespero por não conseguir me convencer de jeito nenhum.
— Bobeira? Bobeira?!— Não consegui mais. Senti minha loba tomando controle, mas não a deixaria se transformar. Olhei no reflexo do espelho que tinha na parede do bar atrás de umas três mesas e vi que meus olhos estavam da cor de gelo. — Você acha que é bobeira tudo isso que eu falei? — Já não era mais eu falando, era minha loba.
— N-Não. Bem, e-em comparação com s-sua morte...
— Ah, cale a boca, Scarlet. Você é uma porra de uma raposa, você não sabe nada sobre dominância ou alcateias. O fato de você ter crescido ao lado de uma não faz de você uma loba, então não venha falar merda pra mim.— Levantei da cadeira novamente.
— Acho que seria uma boa ideia se você fosse embora agora, Rebecca. — Luke falou com cuidado. A última coisa que queríamos era uma briga de lobos dentro de um bar.
‘Vamos embora. Eles não nos entendem.’
Deixei a quantia equivalente aos meus gastos em dinheiro em cima da mesa, meu prato praticamente cheio e peguei meu casaco, saindo do bar. Entrei no meu carro e fiquei me olhando no espelho retrovisor. Meus olhos gelados me encaravam de volta.
A Scarlet não me entendia, ela não entendia o que era pra um lobo dominante, que foi feito para dar ordens, seguir ordens. Seguir ordens até dos submissos. E o Luke também não entendia. Tudo sempre fora tão fácil para ele, sendo o filho do Letum e tudo o mais. É só o pai dele dar um peido que os outros Alphas vão correndo.
Suspirei e liguei o carro. Nós estávamos irritadas e iria levar um bom tempo para nos acalmarmos. Besteira! Há, besteira! Sacudi a cabeça, tentando esquecer sobre tudo que eles me falaram essa noite.
— Vou pra casa, tomar um banho e ver televisão, isso deve nos acalmar. O que você acha?
‘Parece uma boa ideia.’
E assim acelerei o carro e dirigi até em casa, de estômago praticamente vazio, mais uma vez.
Fale com o autor