Dollhouse

4 Lições, Shakespeare e Valsas


Notas iniciais
“Se não foi hoje amanhã será. Se não for amanhã, um dia à de ser. A paciência é uma das maiores virtudes do ser humano, tenha calma, e espere sua vez de vencer… O mundo dá voltas, aqui você cai, logo ali se levanta.” William Shakespeare

Sem Rin perceber, os dias foram passando cada vez mais rápido, e a data do baile logo se aproximava.

O treinamento com Luka era intenso, e no começo ela realmente achou que não fosse conseguir. As lições de matemática e ciências eram muito difíceis para ela, mas pelo menos Rin era humilde o suficiente para estar disposta a aprender. Afinal, ela nunca frequentara a escola e a base de sua educação eram as coisas que a mãe a havia ensinado.

Bom, pelo menos Rin sabia ler, e conseguia compreender com mais facilidade as matérias de humanas. Porém, as matemáticas eram difíceis ao ponto em que ela seriamente chegou a pensar em rasgar e botar fogo nas suas lições várias vezes.

As lições de escola podiam ser difíceis, claro, mas elas não chegavam nem aos pés do nível de dificuldade das lições “comportamentais”, como Luka chamava.

Rin sinceramente nunca imaginou que tantas coisas eram necessárias para realizar simples ações do dia a dia no mundo dos ricos. O simples ato de comer se transformava num desafio, tendo de decorar quais talheres usar e quando, o jeito correto de se sentar e até os momentos certos para se falar durante o jantar.

Rin também mudou de ideia quanto aos vestidos. Eles definitivamente não eram coisas belas e desejadas, mas sim peças assassinas de roupa que apertavam todo o seu ser e faziam respirar ser uma tarefa quase impossível, com corpetes extremamente apertados que deveriam servir para “arrumar a postura” e “acentuar as curvas”, mas que para Rin eram somente mais uma forma de tortura.

As lições de maneiras eram humilhantes e intermináveis. Luka não media palavras, e criticava Rin em todo aspecto. O engraçado é que Rin não se importava de todo se essas críticas viessem de Luka, pois ela sabia que a mais velha só estava tentado ajudá-la (de uma forma totalmente não gentil, mas ainda sim).

O que ela odiava era quando outras pessoas interferiam. Um dia, Luka pediu (ordenou) que Rin andasse pelo corredor equilibrando um livro na cabeça, para ajudá-la ao “atingir o equilíbrio e postura perfeita de uma dama”.

Infelizmente, Rin deu de cara com SeeU saindo de um dos quartos, e a garota pareceu ter ganhado o dia quando viu Rin no meio de sua ridícula lição. Ela riu tanto que chamou a atenção de Oliver, que apareceu saltitando e também achou a ideia de Rin carregar um livro na cabeça super divertida. Depois disso, ele resolveu ficar pulando ao redor dela e passando rasteiras o tempo todo para tentar fazê-la perder o equilíbrio. O que infelizmente aconteceu todas as vezes que ele tentou. Que foram muitas.

Pelo menos Luka pareceu ter ficado extremamente irritada com a demonstração de “amor fraternal” na sua frente, e logo enxotou os meninos para longe (de uma forma mais educada, claro. Afinal, eles eram os herdeiros Kagamine).

Esse pequeno incidente, infelizmente para Rin, não acabou com as lições de equilibrar objetos na cabeça.

Olhando pelo lado bom, pelo menos parecia que Rin finalmente tinha encontrado seu lugar no dia a dia dos Kagamine. Ela tinha lições escolares com Luka pela manhã, e à tarde prática de lições de maneiras e outras atividades. Na verdade, o único momento em que ela chegava a ter contato com os outros habitantes da mansão era no jantar, em que todos sem exceção tinham que comparecer. Ela não falava muito nessas ocasiões, e na maioria das vezes ela tinha a impressão de que eles até esqueciam que ela estava lá em primeiro lugar.

No seu tempo livre, Rin geralmente optava por ler um livro dentro do quarto. Ela ainda era muito tímida para ficar na biblioteca, onde ela sabia que uma hora ou outra iria acabar topando com Len. O jardim gigante da mansão também seria um lugar perfeito para passar as horas livres, se não fosse pelo fato de Oliver já ter clamado o local “seu território”, e passar o dia todo lá fazendo traquinagens. Provavelmente matando passarinhos inocentes ou algo igualmente perturbador.

As aulas de música também já tinham começado. Rin, Lily e SeeU se reuniam quase todo dia com Luka na sala de música para ensaiar. As três deveriam fazer uma pequena apresentação para o baile de Lily, já que aparentemente a família Kagamine apoiava bastante a educação musical e sempre faziam questão de exibir seus talentos musicais nos eventos que produziam.

E Rin sabia que aquele baile não era somente para comemorar o aniversário da primogênita dos Kagamine, mas também para apresentar Rin, a nova integrante da família, à sociedade. E isso definitivamente a apavorava mais do que tudo. Olhando pelo lado positivo, pelo menos as aulas de música com Lily e SeeU não acabaram sendo tão horríveis como Rin esperava.

Rin ainda se lembrava nitidamente da fascinação que sentiu ao entrar na sala de música pela primeira vez. A sala tinha uma janela gigante que dava para o jardim, e a vista era simplesmente maravilhosa. Dois pianos ocupavam o espaço central do cômodo, sendo que um parecia ser maior e mais novo, enquanto o outro era um modelo mais antigo, com as teclas já amareladas pelo tempo.

Tudo teria sido perfeito se pelo menos Rin tivesse visto um violino junto dos outros instrumentos. Depois que Luka tinha dito pela primeira vez que ela teria aulas de música, ela simplesmente não tinha conseguido para de pensar na possibilidade dos Kagamine terem um violino em algum lugar naquela sala. Mas não tinha violino em lugar nenhum, e isso acabou matando um pouco do entusiasmo de Rin quanto as lições de música.

Rin não sabia tocar piano, e nunca chegara a pensar muito sobre o instrumento. Mas no momento em que viu Lily sentar na frente do piano maior e começar a tocar, ela sentiu-se quase que movida a lágrimas. O som era maravilhoso e a garota tocava com muita habilidade. Na festa, ela deveria tocar uma peça solo, e depois SeeU e Rin apareceriam e deveriam acompanhá-la no canto.

SeeU cantava surpreendentemente bem. Parecia que o dom para música realmente corria nas veias dos Kagamine.

Só que o dom de Rin era para o violino, não para o piano ou para o canto. Ela podia cantar, sim, mas não tão bem quanto SeeU. De alguma forma, ela se sentia um peso desnecessário na apresentação, e SeeU parecia determinada a lembrá-la deste fato do momento que Rin pisava na sala de música ao que saía.

Mas Rin tinha uma voz bonita, apesar de soar um pouco anasalada (como SeeU tinha feito questão de tão gentilmente informá-la) e Luka definitivamente não iria deixá-la sair de fininho da apresentação de qualquer maneira, então Rin não tinha escolha além de tentar lidar da melhor maneira possível com suas talentosas (e rudes) meias-irmãs.

Rin suspirou, deixando seus devaneios de lado e focando na situação atual. Ela estava na sala de música junto com as outras meninas, ensaiando mais uma vez, enquanto a tarde avançava num ritmo lento e preguiçoso. Elas já estavam praticando há mais ou menos uma hora, e Rin já estava começando a ficar seriamente cansada.

Lily começou a tocar, perfeita como sempre, e SeeU e Rin começaram a parte delas. Mas Rin não chegou a cantar nem dez segundos até Luka interrompê-las.

“Rin! Você está fora de tom de novo!”

Lily revirou os olhos pela décima vez naquele dia e SeeU tentou disfarçar um riso zombeteiro.

“Me desculpe... Vou tentar prestar mais atenção, senhorita Megurine.” Rin respondeu, com os olhos grudados no chão e as bochechas vermelhas de embaraço.

“Sim, mas antes você vai fazer outro aquecimento vocal. Vocês não podem cometer nem o menor dos erros nessa apresentação.”

“Eu acho que ela vai precisar de mais que um simples aquecimento vocal para parar de errar, Senhorita Megurine!” SeeU acrescentou venenosamente.

Luka já ia abrindo a boca para responder, quando Lily de repente murmurou. “Mas isso tudo já é um erro. Eu deveria estar apresentando sozinha... É o meu baile, no final das contas.”

SeeU, que até então estava dando risinhos e se divertindo com a situação, fechou a cara ao escutar a irmã.“Não seja egoísta, Lily! O mundo não gira só em torno de você.”

“Ah é, porque na sua concepção de pirralha mimada ele gira em torno de você, não é verdade, SeeU?”

“Ora, sua-”

“Senhoritas!” Luka exclamou, exasperada. “Contenham-se, por favor! Donzelas respeitáveis não se comportam assim!”

“Haha, como se a Lily ainda fosse ‘donzela’!”. SeeU começou a rir, e Lily corou numa mistura de raiva e vergonha.

“Como você ousa insinuar que-”

“Se vocês não pararem com isso agora...!” Luka ameaçou.

“Não estou insinuando nada, só estou falando de coisas que vi.” SeeU continuou, ignorando Luka.

“Ah, é mesmo?! Diz-me então, o que você acha que viu.” Lily desafiou.

“Você se agarrando com o jardineiro, com o irmão mais velho de um dos amigos do Len, com o Senhor Kamui na festa do ano passado...” SeeU disse contando nos dedos, olhando para cima como se estivesse tentando se lembrar de mais alguém.

Enquanto isso, o rosto de Lily ficou ainda mais vermelho, e ela se levantou do piano. Rin engoliu em seco, enquanto Luka pareceu ter entrado em estado de choque.

“Você! Como ousa me difamar assim!”

“Ha, acredite, não sou a primeira e nem a única.”

“O que você quis dizer com-“

“Hum... Gente...” Rin tentou.

“Cala a boca!” As duas gritaram em uníssono.

Rin obedeceu. As duas continuaram brigando por mais alguns minutos, até que Luka pareceu ter finalmente saído do seu estado de choque e colocou tudo em ordem novamente.

Elas ensaiaram por mais ou menos uma hora, e no final do ensaio Lily e SeeU já estavam conversando animadamente como se nada tivesse acontecido.

Rin tinha ficado surpresa com a volatilidade das duas, o modo em que uma podia gritar coisas horríveis na cara da outra, mas logo depois continuarem agindo como melhores amigas. Talvez isso acontecesse porque as duas eram realmente parecidas em personalidade, uma numa versão mais nova e outra numa versão mais velha.

Bom, de qualquer maneira, Rin preferia as duas brigando entre si do que contra ela. Deus sabe que ela não precisava de mais estresse, considerando toda a pressão que as preparações para este baile já estavam causando.

Ainda faltavam horas para o jantar, mas Rin já estava com fome. Ela foi até a cozinha na esperança de encontrar alguém que pudesse se voluntariar a preparar um lanche rápido para ela, e acabou esbarrando com Gumi no caminho.

“Gumi!” Disse Rin, honestamente surpresa. Ela não tinha visto a empregada desde aquele dia em que ela conhecera os Kagamine, um dia que parecia ter acontecido anos atrás.

“Olá, Senhorita Rin!” Disse Gumi com um tom alegre, se curvando respeitosamente.

Rin reprimiu a vontade de mandá-la parar. Era verdade que ela ainda não tinha se acostumado com toda essa pompa que os servos da mansão a tratavam, mas ela sabia melhor do que ir contra os ensinamentos de Luka. A instrutora tinha dito que era importante que Rin mantivesse um perfil nobre até na frente dos empregados, e que nunca deveria rejeitar as formas de cumprimento ou o respeito que eles lhe davam.

“Ei, Gumi, você poderia me acompanhar até a cozinha? Eu não sei onde os ingredientes para fazer comida ficam...”.

“Oh! Não se preocupe com isso Senhorita Rin. Eu mesma posso fazer um lanche para a senhora, vamos lá!”

Rin seguiu Gumi até a cozinha, onde a empregada começou a preparar um pouco de chá.

Elas ficaram em um silêncio confortável por alguns instantes, e depois que Gumi serviu o chá, acompanhado de uns biscoitinhos, Rin perguntou algo que já vinha pensando há um tempo. “Gumi... Os Kagamine costumam dar esses bailes gigantes toda vez que alguém da família faz aniversário?”.

Gumi riu. “É verdade que bailes nessa mansão não faltam, mais esse baile da Lily é muito mais do que para comemorar uma data aleatória de aniversário. O senhor Kagamine definitivamente está usando a festa como um pretexto para arranjar pretendentes para Lily... Afinal, ela já está na idade para casar!”.

Rin arregalou os olhos para isso. Tem razão que ela tinha pensado em outros motivos para a importância do baile além do aniversário da própria Lily (o fato de Rin estar sendo apresentada para a sociedade incluso), mas ela não tinha pensado na possibilidade que Gumi acabara de apresentar.

Lily se casando... Rin não pode deixar de sentir um pouco de pena do homem que ficaria preso ao resto da vida a uma mulher com uma mente de menina mimada como Lily.

“... E é por isso que essa festa vai ser o máximo! Vai ter todo o tipo de pessoas importantes lá. Parece que até os Hatsune vão estar presentes! Meu Deus!” Continuou Gumi animadamente.

“Hatsune?” Rin levantou uma sobrancelha.

“Sim,” Gumi começou a recolher os pratos. “Eles são superimportantes, talvez tanto quanto os próprios Kagamine. Sabe, eles ficaram super-ricos super rápido! Ninguém sabia da existência deles até alguns anos atrás. Agora, eles já dominam boa parte das indústrias por aqui.”.

Rin começou a pensar no fato de que ela realmente iria conhecer essas pessoas. E todo o tipo de gente nobre e da classe alta, todos esses tipos de gente que a intimidavam tanto. Rin resolveu parar de pensar tão seriamente sobre isso, ela já estava nervosa o suficiente.

Se levantando, ela agradeceu Gumi pela comida, e resolveu ir para seu quarto.

Passando pelo corredor, ela viu Luka passando rapidamente, olhando para os lados e com uma expressão definitivamente assassina, e Rin escolheu sabiamente sair do caminho dela entrando na sala de estar principal, no lugar de continuar seu percurso para o quarto.

Ela andou até o sofá, só para perceber que ele estava ocupado. Ou melhor, que a parte de trás dele estava ocupada, por um loiro sentado no chão que ela conhecia muito bem.

“Len, mas o que você-” Ela começou, só para ter seu braço agarrado abruptamente e ser jogada no espaço vazio ao lado de Len, atrás do móvel, a parede da sala pressionando suas costas e as costas do sofá pressionando a sua frente.

“Shhhhh!” Ele colocou o dedo na frente dos lábios pedindo por silêncio, e Rin se perguntou não pela primeira vez se todos nessa casa tinham algum tipo de problema. “Ninguém pode saber que eu estou aqui, entendeu? Fique quietinha.”

Rin obedeceu e ficou quieta por alguns instantes. Mas não porque Len tinha mandado, mas sim porque ela subitamente percebeu o quão próxima ela estava dele -- a forma com que o braço dele estava pressionado no dela, que ela podia sentir um pouco da respiração dele na sua bochecha -- e tudo isso a chocou em silêncio.

Mas tudo isso durou por apenas alguns instantes, até que Rin se viu obrigada a quebrar o silêncio para se livrar desses sentimentos estranhos. Ela se afastou o máximo que podia dele e perguntou:

“... Há quanto tempo você está aqui?”

“Hã?” Len perguntou e virou para ela com um pouco de surpresa, como se tivesse esquecido que ela estava ali.

“A-atrás do sofá. Há quanto tempo você está escondido atrás do sofá.” Ela continuou inexplicavelmente embaraçada.

“Aaah sim... Bom, na verdade eu acho que uns bons quinze minutos. Não sei, perdi a noção do tempo.”

“Mas qual a utilidade de ficar assim parado por tantos minutos... Porque você está se escondendo?”

“Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha a nossa vã filosofia."

Rin olhou para Len em um silêncio surpreso por alguns segundos. Depois, abriu um sorriso pensativo. “Não acho que essa situação pedisse por Shakespeare, mas...”.

Agora foi a vez de Len de ficar surpreso. “Você conhece Shakespeare?”

“Sim, eu li algumas obras dele quando cheguei aqui.” Rin respondeu numa mistura de timidez e orgulho.

“Que bom! Pelo menos alguém além de mim nessa casa que aprecia uma boa leitura... Qual sua obra preferida dele?”

“Romeu e Julieta.” Ela respondeu imediatamente.

Len fez uma careta. “Shakespeare é tão melhor do que isso... O que fez você gostar tanto de Romeu e Julieta?”

“E-Eu gostei do romance...” Rin disse defensiva.

Len revirou os olhos.

“Aquilo não era um romance, desculpe destruir seus sonhos. Romeu e Julieta eram só dois adolescentes na puberdade que achavam que sabiam o que era amor. Eles conversaram por o que, duas horas e decidiram que queriam se casar. Romeu disse que amou Julieta no momento que a viu, mas ele nunca tinha falado com ela antes, o que quer dizer que ele a teria amado só pela aparência... Isso é luxúria, não amor. Sem contar que Romeu dizia que amava Rosaline antes, não se lembra? Ele até chegou a dizer até que morreria por ela, e que nunca poderia amar de novo. Você não acha que ele parece trocar de almas-gêmeas rápido demais?”

Rin olhou para Len de olhos arregalados. Ele obviamente levava sua opinião literária muito a sério. Mas...

“Eu sei.” Disse ela simplesmente. “Porém... Se quisermos exemplos reais desses tipos de relacionamentos, é só olhar ao nosso redor. Vivemos em um mundo que infelizmente está cheio de traição, morte e tristeza. Acredite, eu já vi. Eu via o tempo todo antes de vir morar nessa mansão, coisas mais trágicas até do que Romeu e Julieta.” Rin suspirou, e finalmente olhou nos olhos de Len. Ela sorriu. “Então, você não acha que pelo menos no mundo dos livros e da ficção, as pessoas tem o direito de sonhar com o amor verdadeiro? Se quiser um pouco do gosto amargo da realidade, é só fechar o livro e sair na rua. Pelo menos tenha a biblioteca como um refúgio.”

Len olhou para Rin em um silêncio chocado por alguns instantes. Quando, talvez pela primeira vez, os olhos dele focaram nela com um brilho diferente, com algo que parecia interesse. Como se fosse a primeira vez que ele realmente a tivesse visto.

Ele abriu a boca para falar alguma coisa, mas parou imediatamente no momento que viu um fio de cabelo rosa entre ele e Rin.

Os dois empalideceram e olharam para cima lentamente, só para dar de cara, para horror geral, com uma Luka em cima do sofá, parecendo muito, muito furiosa.

“LEN!” Ela rangeu os dentes, agarrando o garoto pelo rabo de cavalo e o obrigando a se levantar.

“Ai! Calma Luka, eu não quero ficar careca ainda!”

“Eu procurei você por meia hora. Meia hora! Não pense que vai escapar da sua lição, mocinho. Vamos para o salão de festas agora!” Luka gritou para Len e virou com um olhar assassino para Rin, que estava tentando sair de fininho daquela situação. “E você vem também.”

“O-o quê?! Mas eu não fiz nada!”

Luka ignorou os protestos de ambos os loiros e arrastou um em cada braço para o salão de festas.

“Nããão Luka, por favor, não faça isso! Eu odeio dançar!” Len gemeu.

“Eu sei, mas é necessário que você pare de tentar fazer a função do papel de parede nos bailes da sua família. Você tem que ser um cavalheiro responsável e dançar pelo menos duas vezes numa festa!”

“Dançar?” Rin perguntou confusa.

“Sim,” Disse Luka, abrindo a porta do salão. “Vou ensinar Len a dançar valsa. De novo.”

“Uh... Certo... Então eu já vou indo...” Rin tentou ir embora.

“Não, não, mocinha. Você vai aprender a dançar também!” E então Luka empurrou sem cerimônia nenhuma Rin nos braços de Len.

Se Rin pudesse, ela teria corado e ficado pálida ao mesmo tempo, porque não tinha outro jeito de descrever a vergonha e o medo que ela sentiu naquele instante. “Mas-Mas eu não sei dançar! Eu nunca dancei antes!”

“Sim, por isso mesmo que vou ensinar. Len coloque sua mão aqui, isso, na cintura. Rin, mão esquerda em volta do pescoço dele!” Luka os ajudou a ficar na posição perfeita. Ela olhou para Len com seriedade. “Pronto, agora quero que vocês dancem para eu ver se você melhorou da última vez ou se Rin vai conseguir não pisar no seu pé. Comecem!”

Len tomou a liderança e guiou Rin para um lado, mas ela não esperava esse movimento súbito e acabou tropeçando no pé dele, o que levou Len a perder o equilíbrio e aos dois a se estatelarem no chão.

Luka olhou para os dois com uma mistura de choque e horror, Rin corou e Len riu.

“É,” Ele disse, ajudando Rin a se levantar. “Isso vai ser mais divertido do que eu pensei.”

Notas finais
Heeeeey pessoal! Eu ressuscitei! Infelizmente não no terceiro dia, mas no sexagésimo ou algo assim. Quero pedir desculpas pela demora para postar esse capítulo, ainda mais quando eu tinha prometido que iria tentar dar uma agilizada. Dollhouse é a primeira fanfic longa que eu já escrevi, e por mais que eu tente a escola toma muito do meu tempo, ainda mais agora que tenho provas todos os sábados. De qualquer forma, quero que fique claro que apesar do ritmo lento tartaruga-style que venho guiando essa história, eu NÃO tenho planos de abandoná-la. Eu definitivamente vou terminar essa fic (algum dia). Eeeeee, só informando algo para vocês, a partir de agora toda nota inicial vai ter alguma frase especial de algum escritor famoso que tenha a ver com o capítulo. Mas acho que a maioria vai acabar sendo de Shakespeare... Amo esse homem do fundo do coração. E o Len e a Rin também ;) Obrigada a todos que vem acompanhando essa história, tamojunto, amo vocês! Queria escrever mais... Droga de limitação de caracteres --'