Dois Verões

1 Exatamente igual


Notas iniciais
Boa leitura! ^^

Denise se desligou momentaneamente da bagunça que os amigos faziam dentro da van alugada. Bem de longe ainda podia ouvi-los debatendo fervorosamente sobre qual CD deviam ouvir a seguir, mas sua atenção já tinha se voltado para a estrada que passava diante de seus olhos através da janela de vidro.

Ainda se perguntava se fazer aquela viagem fora mesmo uma boa ideia. A única coisa que a fizera aceitar o convite fora o fato de que provavelmente essa seria a última oportunidade de viver momentos assim com a turma. Dali a poucas semanas, estariam todos preocupados em ir para uma boa faculdade e dar rumo a seus futuros profissionais, muitos deles em cidades diferentes.

Muita coisa mudara naqueles dois anos, inclusive ela. É claro que, para todos os efeitos, ainda era aquela Denise “fofoqueira, brincalhona e alto-astral” de sempre. Ainda assim tinha medo de encarar de novo aquela casa. Aquela mesma casa onde, em uma realidade tão diferente, ela e Xaveco se apaixonaram.

— Ei, Terra para Denise! – gritou Mônica de repente – Já chegamos, amiga. Vai ficar parada aí com essa cara de jacu?

— Claro que não, meu amor! – respondeu, logo tratando de se recompor.

A casa continuava exatamente igual. Havia a praia, a varanda, as pedras e o mesmo cheiro de mar que ela se lembrava. Ela respirou fundo, decidida a deixar todos os problemas para trás e fazer daquela uma viagem de formatura memorável.

Xaveco cumprimentava a todos animadamente, perguntando aos colegas coisas sobre o percurso de vinda e dando risadas com as piadas que faziam. Ele, ao contrário do lugar, não era mais o mesmo de dois anos atrás. Sem dúvida nenhuma estava mais alto e ligeiramente mais maduro e forte, embora não se parecesse tanto com a outra versão dele que ela conhecera. Por um segundo ela se perguntou se ele se olhava no espelho e se comparava àquele Xavecão das histórias. Ela fazia isso às vezes consigo mesma.

A ruiva percebeu Magali a olhando com ares de preocupada e colocou no rosto seu melhor sorriso, antes de rapidamente cumprimentar o anfitrião e seguir para dentro com suas malas.

— Marcela! – sorriu ao encontrar Bia na varanda. A garota fez cara de aborrecida, mas riu e a abraçou em seguida.

— Denise... Pelo visto continua a mesma chata de antes. – girou os olhos, fazendo a outra mostrar a língua. – Eu se fosse você corria pro quarto de hóspedes logo. Com esse tanto de gente, alguém vai acabar na sala.

A divisão acabara ficando mesmo um pouco apertada. No quarto de hóspedes ficaram Mônica, Magali, Denise e Maria Cascuda. Cebola, Nimbus e Quim ficaram junto com Xaveco no quarto dele. Do Contra se recusara a entrar na briga dos quartos e ficara na sala de bom grado, enquanto Cascão perdera no par ou ímpar americano e ficou com o outro sofá.

Depois da divisão feita, Denise se apressara para ser a primeira a tomar banho. Estava sozinha no quarto, já vestida com seu pijama cor-de-rosa e penteava os cabelos preguiçosamente quando ouviu batidas na porta. Sem saber que a pessoa do outro lado era justamente quem ela menos queria ver, gritou um “pode entrar” preguiçoso.

Xaveco passara muito tempo esperando aquela viagem, mas agora que ela estava acontecendo se sentia ainda mais ansioso. Aquele continuava sendo um momento especial, é claro. Uma semana antes haviam colado grau e tido a festa de formatura mais maneira de todos os tempos. A escola acabara e agora viria uma nova fase, com novos lugares, novas pessoas e um novo futuro inteiro à sua espera.

No entanto, era seu antigo futuro que vinha lhe tirando o sono (se é que isso fazia algum sentido).

Ele demorara um pouco para perceber, mas uma hora ficou claro que Denise vinha se esquivando dele desde as férias do primeiro ano. Então, um pouco antes de seu “eu do futuro” ir embora, ele o colocou contra a parede e exigiu saber a história completa.

Com o tempo, ele e Denise acabaram se afastando. A expectativa do possível romance tornara a amizade deles esquisita e automática demais. Era quase como se estivessem cumprindo um roteiro e nenhum deles sabia como lidar com isso. Ele esperava que com o tempo tudo voltasse ao normal, mas isso nunca aconteceu.

Era estranho como o amor que os uniu na outra realidade fora justamente o que os distanciara tanto nessa.

O loiro acordou do devaneio, sentindo-se meio idiota por gastar tanto tempo pensando bobagens, e finalmente bateu na porta, entrando logo depois de receber uma resposta positiva.

— Ahn... – murmurou, diante do olhar receoso dela – Eu achei que vocês iam precisar. – completou, colocando o amontoado de travesseiros e lençóis que trazia sobre a cama. Já ia se virando para ir embora quando ouviu a voz dela, bem mais baixa e temerosa que o normal.

— Que loucura a gente já estar se formando.

— Pois é... Parece que foi ontem que... – deu uma pausa, sem saber ao certo como terminar. – Você sabe, que a gente começou a escola.

— Me pergunto quem vai fuçar nas suas vidas quando vocês estiverem longe de mim. – ela fez bico, antes de rir divertidamente.

— Vai saber... – sorriu. – Talvez você mesma dê um jeito.

Denise ia abrir a boca para responder quando Mônica e Magali entraram no quarto conversando sobre banalidades. Xaveco aproveitou a deixa para se despedir das três e sair.

— O que foi isso? – Magali arqueou as sobrancelhas.

— Ele veio trazer cobertas, lençóis, sei lá. – a ruiva deu de ombros, aparentando desinteresse.

— Tá tudo bem, Dê? – perguntou Mônica, visivelmente preocupada.

— Tudo perfeito, lindo e fabuloso.

— Então você não está nem um pouco chateada com... Você sabe... O Xaveco? – continuou Magali.

— Fala sério, Magá! Quem vive de passado é museu, amiga. – girou os olhos – Até parece que vou desperdiçar nossa viagem de formatura me preocupando com meninos!

— Sabe do que mais? Ela tá certa! – disparou Mônica, determinada. – Nada de chorar pitangas aqui. Vamos deixar todos os nossos problemas lá no Limoeiro. – e sorriu.

Porém, o que as três sabiam, é que seus corações não conseguiriam ficar quietos enquanto estivessem junto dos rapazes que estavam há poucos metros de distância.

Bem, não custava nada sonhar.

Notas finais
Yaaaaay! Nossa, faz MUITO tempo que não escrevo fanfics de TMJ. Estava morrendo de saudades!
Essa história surgiu quando eu estava relendo a edição 79 e eu tive que escrever.
Esse capítulo foi curtinho, só para dar uma introdução à história.
Espero que gostem!
Mia