Notas iniciais
Este capítulo tem o P.D.V de outro personagem.

Em pensamentos, repassei o plano. Descer, pegar, subir e orgulhar Jenkins. Não é um plano elaborado, de qualquer jeito. Ela passou à minha frente no telhado, e escalou as telhas com majestosidade. Levantei a máscara para respirar um pouco, e percebi que não havia lua no céu. Toda a luz era artificial, feita pelos postes dispostos por toda a rua e ao redor do museu que estávamos prestes a invadir.

Abaixei a máscara, e agora só enxergava pelos buracos dela. Jenkins me esperava perto da janela feita acima do telhado. Era redonda, marcada por uma cruz de aço, e só havia espaço para alguém como eu passar. Jenkins amarrou a corda em si mesma, e jogou a outra ponta para mim. Agarrei e escalei até lá.

— Pronto, Chris? — ela perguntou, também de máscara. Assenti. O ar estava frio demais para respirar sem formar fumaça. Arrombamos a janela com um pé de cabra, tomando cuidado para não fazer barulho, e me coloquei na parte inferior direita da cruz.

O local em que eu estava, do lado de dentro da janela, era como uma chaminé. Minhas pernas pressionavam minhas costas contra a parede paralela à janela, e desci devagar até o teto. Passei a corda pela cintura e prendi-a no meu cinto. Soltei uma perna e me segurei com os braços. Senti a gordura acumulada na janela, e a poeira na parede.

Jenkins ativou o cronômetro em seu relógio, eu teria três minutos para roubar o artefato e dar três puxões na corda, ou ela fugiria, pelo bem da equipe. Olhei para o breu abaixo de mim mais uma vez, e sabia que estava sobre os ossos fossilizados de um Tyrantrum, pois havia decorado o mapa daquele lugar nas noites anteriores. Olhei dentro dos olhos de Jenkins uma última vez antes de me soltar.

Ouvi passos. Puxei minha perna de volta, e voltei a posição inicial, encarando Jenkins do lado de fora, sem saber se ela também havia ouvido. Um feixe de luz correu pelo Tyrantrum, e passou direto. Não tínhamos planejado como lidaríamos caso houvesse alguém ali. Minha parceira sacou uma pokébola do cinto, e me entregou pela cruz de ferro.

Respirei fundo, tentando me acalmar dentro do uniforme negro, e saltei. Jenkins segurou a corda e me desceu por dois metros até o chão. Meus pés sustentavam meu corpo sobre os ossos das costelas do Tyrantrum. E tudo desmoronou abaixo de mim. Os ossos deveriam estar colados com uma resina quase indestrutível, mas era óbvio que não estavam. Jenkins não vai gostar disso, droga!

Um feixe de luz iluminou um círculo na parede atrás de mim, e me abaixei para desviar, mesmo com a dificuldade que me mover com aquela corda impunha. Pelo que eu sabia, o objeto estaria atrás de mim. Aquele guarda não poderia me fazer mal, provavelmente não estava nem mesmo armado!

Levantei-me com toda a imponência que pude mostrar com meu corpo. Ergui o queixo e deixei os ombros retos, andei com firmeza até o fóssil e sorri por baixo da máscara.

Senti calor nas costas, e então senti ela queimando. Uma explosão de chamas me lançou contra a parede, e desmaiei ao bater a cabeça.