Havia acabado de me sentir mal, e ví uma multidão de pessoas cercando um lugar.

Pensei que era alguma apresentação ou algo do tipo, mas senti uma agulhada quando estava chegando perto.

— Ei, acho que era um aluno do 2°Ano — Ouvi um colega dizendo;

— Ele era tão bonito, e tinha um cabelo estilo vaso, pena que o Isaac o agrediu, como era o nome dele mesmo?

—O que?! — pensava — enquanto corria até a multidão — não, não pode ser o Akyra- martelava a minha cabeça com esse pensamento.

Quando me aproximei, saí empurrando todos que estavam na minha frente e:

—....Akyra? — me aproximei dele e tentei chamá-lo.

—Ei! EI! AKYRA! PARA DE BRINCADEIRA, CARA! — comecei a puxá-lo pela blusa e a gritar.

— Pare! ele está muito ferido, mantenha-se calmo! — disse a enfermeira que me tirava de perto.

— Quem...quem foi o desgraçado que fez isso? — perguntei, olhando para Akyra.

— Ãhn? — ela respondeu como se não tivesse entendido.

— QUEM FEZ ISSO? QUEM BATEU NELE! FOI VOCÊ? ÃHN? FOI AQUELE CARA ALÍ, ME DIZ LOGO!

— agarrei a enfermeira, enquanto apontava para os alunos.

Todos me olhavam assustados, não conseguiam se afastar e muito menos se aproximar para responder a minha pergunta.

(Sinal tocando)

— Vamos levá-lo ao hospital, enquanto isso, volte para a sala de aula e tente manter-se calmo — A enfermeira respondeu, segurando o meu ombro.

— Merdah! — respondi seco, mas não tinha escolha, comecei a voltar para a sala enquanto os outros me olhavam com pena.

—-------------X--------------

Meu pai me pediu para cuidar dele por 1 dia, e nesse mesmo acontece isso.

Não deveria ter deixado ele sozinho..- pensava na culpa enquanto andava até a sala de aula.

Cheguei e sentei ao lado da janela, coloquei os meus headphones e escutei músicas melancólicas como a Grisly Reminder.

A sala não falava de outra coisa a não ser sobre o meu irmão, falavam de mim também, mas de outra forma.

Cansei daquele lugar sem o Akyra e baixei minha cabeça para descansar, se tinha ou não tinha professor, pouco me importava, era o primeiro dia de aula mesmo.

—-------------X--------------

Acordei assustado, não tinha ninguém na sala de aula, e não tentaram me levantar.

Peguei minha mochila e saí correndo pelos corredores da escola, tinha que andar muito pela frente, pois me..

— Ora Isaac, você foi um babaca por ter agredido o Akyra! — uma líder de torcida chamada falou.

— Ele teve o que mereceu, não mandei querer dar um de popular não! — respondeu Isaac sem mostrar um pingo de culpa.

Comecei a andar lentamente até ele, abri a mochila e peguei o meu estilete que estava lá dentro, logo joguei a mochila no chão.

Os alunos em volta estavam me acompanhando com o olhar deles:

— Ei, você disse que bateu no meu irmão..só porque ele estava conversando com outros alunos? — apertei o estilete com força, fazendo minha mão se machucar.

Isaac se levantou, andando desengonçado, e com os braços atrás, como se tivesse sido algemado:

— Se isso te consola, sim, agredi aquele lixo, e eu deveria ter bat.. -parou de falar, logo que eu havia enfiado o estilete no meio do peito dele.

~Tun, tun~

Senti aquela sensação novamente, mas agora, tudo em volta estava vermelho.

Isaac, olhava pra mim assustado e quando tentou tirar o estilete, eu arranquei e o cortei da testa até a orelha esquerda.

— ARRHHHHHHHHHHH!!! — gritava muito enquanto estava caindo no chão.

Me distraí e Gordon tentou me dar um mata leão, peguei o braço dele, botei minha perna esquerda na perna direita dele, o desequilibrei e o lancei de nuca no chão.

Pulei em cima dele e comecei a cortá-lo bem devagar; começou do peito, iria acabar no umbigo.

— PARE! — ele me segurava enquanto gritava.

— Calma, já tó terminando a primeira parte, hihihihihihihi ~ mostrava um grande sorriso com aquilo.

~ Falta mais um pou..~

Fui acertado na cabeça com um pé de cabra:

~ Arrrhhhhhhhhhhhhhhh...

Ha!hahahahaha! ~ ria da enorme dor que sentia.

—Tá achando engraçado? — Dick amigo do Gordon, começou a correr para cima de mim com o pé de cabra.

— Vá se danar, lixo! — ele acertou a minha cabeça de novo.

Fui jogado para longe de Gordon, e estava quase inconsciente, mas mesmo assim, olhei para Dick e rí dele.

Ele ficou assustado, e estava se tremendo igual uma menininha, logo comecei a andar até Dick, e ele se afastava de mim.

~ Dick? Dick? Dick? o que foi? por quê está se afastando de mim?

vamos brincar, não é? ~ levantei a cabeça e abri um sorriso.

— M..m...mmas que porrah?! -soltou o pé de cabra no chão e tentava se afastar.

Me abaixei um pouco para pegar o pé de cabra e Dick havia tropeçado em uma pedra.

Levantei o pé de cabra e:

~Vamos lá! hahahahaha! ~ falei.

O golpei no rosto, rasgando uma parte da sua bochecha.

— Maldito! cretino! — Dick cobria o rosto com a mão dele.

~ O que foi? doeu? que pena.. pensei que você iria durar por mais tempo — respondi.

Levantei o pé de cabra e

acertei-o no rosto de novo.

— Urfgh, urfgh — Dick cuspia sangue.

~O que foi ãn? parece que você está tentando falar alguma coisa, deixe-me ajudá-lo — olhava para ele com a cabeça inclinada.

Me preparei para atacá-lo novamente e o golpiei na nuca.

Ele estava se tremendo, igual a um sapo sendo eletrocutado. Aquilo me dava pena, eu queria poder bater mais nele, mas tinha de matá-lo logo.

Peguei o pé de cabra, botei na parte em que havia pontas e quando ía bater nele...

— PARE! OU SERÁ EXPULSO! -O Diretor Joker, segurava o meu braço.

Meus olhos que estavam arregalados, voltaram ao normal assim como a minha sanidade mental naquele momento.

Sentia uma dor extremamente insuportável na minha cabeça, e passei a mão nela, havia sangue na minha mão inteira, olhei para aquilo e minhas pernas se tremiam, além de estarem perdendo as suas forças; minha visão estava ficando distorcida e escura....

— Chamem a ambulância! — Dizia Joker.

—------------X--------------

~ Bip, bip~

Acordei em uma maca de hospital com um curativo na minha nuca, e ouvia o barulho da máquina ligada ao meu corpo.

— Drogah! — pensei, eu havia desmaiado.

Eu não me lembrava do porquê estar alí naquele estado, mas quando olhei para o lado, ví Akyra dormindo; logo tentei sair da maca para ir até ele, mas uma enfermeira havia abrído a porta do nosso quarto.

— Hey, não se esforce muito! — disse a enfermeira, me deitando de novo.

— Eu estou muito melhor....me deixa ver meu irmão! — respondi e tentava sair dos braços da enfermeira.

— Silver, pare com isso agora! — respondeu mamãe, ela estava de braços cruzados.

— Bom saber que você está melhor, vamos conversar muito no caminho.. — papai me olhava com um tom de decepção.

— Vamos, pegue suas roupas e deixe desse quarto — falou isso e se retirou)

— Mas...pai, e o Akyra?- ele apenas olhou para Akyra e mostrou-se triste.

— Te vejo no carro, depois te explico o estado do Akyra, você não deveria querer discordar de nada, sua mãe está triste — também falou, e logo se retirou.

—O que... diabos eu fiz?- não me lembrava de ter brigado com o Dick, Gordon e Isaac, apenas me recordo do diretor segurando o meu braço.

—------------X--------------

Quando terminei de vestir minhas roupas, saí do quarto e andei um pouco pelo corredor com a enfermeira, pois ela precisava preencher um formulário.

— Pronto! está tudo ok. Agora você pode sair do hospital e lembre-se de não se meter em encrenca de novo! — A enfermeira adverteu-me como se fosse minha mãe.

— Ok — só concordei e saí andando pelo corredor.

Enquanto estava saindo, ví um quarto com duas pessoas preocupadas.

Eu não sabia quem eram, mas quando olhei pela janelinha da porta, consegui ver Dick na maca.

— Eu fiz aquilo? — perguntava-me, pois não estava crente daquilo.

Logo me afastei e voltei a caminhar novamente pelo hospital, não queria mais ficar naquele lugar.

Avistei a saída e quando eu passava pela recepção, todos olhavam para mim como se estivessem com medo.

Empurrei a porta, e finalmente consegui sair, estava chovendo e ví o meu pai me esperando de guarda-chuva próximo do carro.

Eu já sabia o que me aguardava.

-------------X--------------

— MEU DEUS! QUEM FEZ ISSO? — gritava a mulher.

— COMO ISSO ACONTECEU? NÓS SAÍMOS AGORA Á POUCO! VOCÊS SÃO UNS IRRESPONSÁVEIS — gritava um homem desesperado.

Durante a conversa no carro, 4 horas depois nos ligaram dizendo que Dick havia sido assasinado por alguém no hospital.

Certamente, as coisas estavam prestes a explodir do meu lado, e eu não poderia fazer mais nada para conseguir me defender.