Dois Lados: Surgimento de Um Psicopata
4 Culpado
Notas iniciais
Quando saímos do hospital, meus pais não paravam de me perguntar o porquê de ter feito aquilo, e ainda não escutarião o que eu tinha para dizer.
Eu sei que.... não me importava mais com o que falavam, na verdade, eu parei de ligar para a opinião das pessoas há muito tempo.
—Interrompendo----
— Se o Akyra estivesse aqui, ele não gostaria que você fizesse aquilo — Disse papai.
— Você pensou antes de fazer aquilo? pensou nas consequências, no seu pai, no Akyra e a mim? — Mamãe olhava para mim e me perguntava.
— E se você tivesse matado eles? como seria? a polícia iria atrás de você e seria preso. Já pensou em como iriamos reagir a tudo isso? — ela falava com as duas sombracelhas abaixadas.
Eu já me sentia culpado por deixar Akyra sozinho, mas eles me faziam sentir um enorme vázio dentro de mim, como se eu não ligasse para o que fiz.
— Por que tentou matar aqueles garotos? — papai me perguntou.
— Não sei... — respondi, esbanjando dúvida.
— Bateu neles e não sabe? isso é sério, Silver? — Ele estava começando a se irritar.
— Vai dizer o que? que não feriu eles? — ele respondeu a sí mesmo.
— Sim! não foi eu quem fiz aquilo!- respondi irritado.
— O que? você pegou um estilete, cortou dois dos seus colegas e bateu no outro com um pé de cabra, sendo que a escola tinha câmera e provou que o suspeito era você! — Papai começou a gritar.
— .......... — não respondi.
Eu não entendia o porquê de querer matar eles 3 e nem como aquele estilete estava na minha bolsa, muito menos conseguia raciocinar o por quê de eu saber que tinha aquilo alí. Como explicaria isso à eles?
—Interrompendo-
~ Telefone toca ~
(Papai atendeu o telefone)
— Alô, aqui é o senhor Wood, o que aconteceu? — ele perguntou.
(Na linha)
Ocorreu um incidente aqui no hospital, sendo considerado como homicídio pela policía, e eles querem interrogar o seu filho, pois suspeitam que ele tem envolvimento com o assasinato do aluno.
A principal cena de crime para eles foram que, seu filho, Silver, antes de sair do hospital, teria executado 1 enfermeira, 2 médicos e o paciente Sandro Dick. Caso tenha ouvido a mensagem, tentarão obter provas e prenderão o seu filho.
— Certo — Papai desligou o telefone e suspirou — Dick, foi assasinado, e não sabem quem o matou — os olhos dele estavam arregalados.
— O que?! — pensei — quem conseguiria matar o Dick naquele hospital? — me questionava.
— Eles suspeitam que você o matou antes de se retirar do hospital e agora, querem interrogá-lo — continuava com os olhos arregalados e mostrava um tom frio.
Parece que o meu pai conseguiu ler o meu pensamento, mas eu não matei o Dick no hospital, E...e..eu não conseguiria...
—Interrompendo os pensamentos-
— Silver — Mamãe me chamou.
— Que foi? — perguntei.
— Quando chegarmos em casa, quero que vá para o seu quarto e só saía quando eu mandar, ouviu? — mostrava-se fria igual ao meu pai.
Apenas concordei, balançando a cabeça, eles olharam um para a cara do outro e virarão-se para frente.
—-------------X--------------
— Akyra era o meu único amigo, nunca tive muitos amigos, eles me deixavam ou me trocavam por outros. Eu sempre me culpava por afastar as pessoas de mim, ainda me culpo.
Odeio ferir os outros, e sempre me colocava no lugar deles, mas não faziam isso por mim, eram egóistas sem empatia — pensava enquanto ouvia música no quarto.
Ouvia profundamente sad metal para afobar a culpa e a descrença do que me fora feito na escola e no hospital.
Sentia-me tão vázio, meu irmão entrava no meu antigo quarto e conversava comigo sobre qualquer coisa, e não me deixava sozinho na escola ou em qualquer lugar.
Ele era a última pessoa que poderia acreditar em mim e me ajudar, mas agora, que ele está no hospital, estou sozinho nessa.
—------------X------------
— Nós temos um psicopata dentro de casa! — gritava com o meu pai.
— Não o chame assim, Silver é o seu filho, se esqueceu? — ele respondeu.
— Você não vê, não é? desde que chegamos o quadro dele piorou, temos que interná-lo antes que ele machuque mais alguém RICHARD! — pronúnciou o nome do meu pai, ela só o fazia quando estava com medo.
— Interná-lo só o levará a se sentir pior, tente analisar a situação. Ele foi iludido pela Bianca, viu os amigos dele indo embora;se culpava e afastava-se das outras pessoas pois achava que ninguém o queria por perto; se afastou da antiga casa, escola e dos poucos amigos; possuiu depressão e diversos traúmas; viu o irmão caído no chão sangrando e se sentiu culpado por não ter ficado com ele; Dick acabou de morrer e estão o culpando pelo homicídio; e ainda o criticamos no carro, como você se sentiria no lugar dele? — ele perguntou.
—-------------X------------
É, eu contei ao meu pai o que estava sentindo. Ele fez sinal de entendimento com a cabeça e saiu do meu quarto sem me dizer nada, mas não contei a ele sobre aquele sonho.
Eu podia ouví-los da cozinha, sentia o medo e perigo deles batendo na minha porta, será que poderiam me mandar para um asilo? estava tentando dormir um pouco, mas a conversa deles não deixava.
--------------X-------------
— Caso ele melhore, não o internaremos, mas se ele piorar, não vamos poder mais ter paciência — Papai respondeu.
— Tá! mas e se ele fizer algo contra nós? — Mamãe falou baixo.
— Mary, o que diabos está acontecendo com você? deixou o medo tomar conta da sua mente? está se esquecendo de que ele é nosso filho?! — ele gritou impaciente com minha mãe.
— Desculpa, eu só não consigo parar de pensar nisso tudo! -ela gritou com o meu pai também.
— Logo, logo, o Akyra voltará e o Silver irá melhorar. Só tenha fé nos dois — Papai tentava acalmá-la.
—-------------X-------------
Depois que ele disse aquilo,
eu não escutava nada lá embaixo, e logo, acabei adormecendo.
—-----------X--------------
—Tick Tick Toc....
Hahahahahahaha! — uma voz, pouco conhecida.
— Acordei assustado com aquele som em um chalé na floresta..o que diabos estou fazendo aqui?- perguntava-me, enquanto olhava ao redor.
O chalé possuía janelas quebradas e era possível escutar o barulho do vento lá fora; um piso de madeira que ao ser pisado, fazia sons de
rachaduras; o quarto possuía um armário, uma cama, um bau e uma cabeça de servo moldado na parede.
Eu levantei enquanto ouvia um som de pressão ao meu lado, e fui até o bau, lá havia uma faca coberta de sangue e que tinha um símbolo de um dragão no cabo dela; peguei-na e botei no bolso, logo fui até a porta que estava velha e precisava de muita força para abrí-la, e empurrei. Logo quando consegui a porta fez um eco por toda a casa, eu deveria estar sozinho lá, pois foi um barulho alto.
Comecei a descer as escadas devagar, e vi um ser sentado no sofá, girando uma faca enquanto me encarava...
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