Notas iniciais
Desculpa gente, fic pensada e postada as pressas. O próximo capítulo será melhor, pois poderá ser melhor elaborado.Música do primeiro dia: Pro dia nascer feliz - Barão VermelhoEu já conhecia a música? Sim. Bastante.É meu costume em deixar um trecho de uma música sempre antes de começar o capítulo. Com a proposta do desafio, sempre será da música do dia, mesmo que haja outro trecho dentro do contexto da história. Não é pra "encher de palavras", é apenas pra criar um estilo.Link da música -> https://www.youtube.com/watch?v=7TRFQsSqDLAObrigada e boa leitura.

"Todo dia é dia
E tudo em nome do amor
Essa é a vida que eu quis"

Pro dia nascer feliz — Barão Vermelho

Em um quarto escuro e reconfortante, uma pequena menina dormia com a cabeça em um travesseiro e abraçada a outro. As cobertas macias estavam confortáveis e seu rádio relógio ligara para despertá-las às 9 da manhã de um tranquilo domingo. Abriu, ainda sonolenta, os olhos castanhos. Passou a mão pelo rosto e sorriu ao lembrar-se que dia era aquela. O tão esperado dia. O dia em que reveria sua irmã depois de seis meses. O quanto ela poderia ter crescido? Será que estava mais alta? Os cabelos estariam compridos? E os amigos, teria amigos novos pra brincar? Torceu o nariz ao perguntar-se se, apesar de serem gêmeas, Clara estaria mais bonita que ela. Todas as suas perguntas poderiam ser respondidas à noite, e Raíssa ansiava por isso.

Depois de dez minutos lutando para não dormir novamente e imaginando coisas sobre o dia e a irmã, pegou-se pensando também na mãe que iria rever. Uma lágrima escorreu por seu rosto, seguida por outra e mais outra. Há quatro anos os pais se separaram e ela fora privada da convivência integral com a irmã dois anos depois do ocorrido. Isso porque a mãe voltara a morar com a família na Itália e o pai ficara no Brasil. Eram raros os momentos em que via a irmã. Às vezes, nas férias, tinham oportunidade de conviver durante um mês ou dois seguidos, como fora em julho. Mas nesse dezembro Clara ficou de recuperação e não pode vir para o Brasil. A mãe dizia que era por pouco tempo, que depois voltaria a morar no Brasil e as duas ficariam mais próximas... Mas tinha a suspeita em si de que a mulher preferira a irmã à ela, por algum motivo que ela não compreendia qual era. O choro era constante no meio da noite. Os sonhos não ajudavam. O sentimento de desprezo se fazia presente.

Levantou, abriu as cortinas e enxugou as lágrimas e olhou para fora, como fazia tantas e tantas manhãs. Tinha agora doze anos e não podia deixar que isso lhe atormentasse para o resto da vida. Era uma “garota crescida” como dizia seu pai, e garotas crescidas não choram, assim como diz a música que a professora de inglês deu para as crianças traduzirem no semestre passado. Lembrou-se novamente da irmã e sorriu. As imagens da mãe ficaram pra trás e as de Clara, que sempre a confortou, voltaram a sua mente. Era dia de esquecer os medos e festejar o ano novo com fogos. Quem sabe elas não poderiam ficar mais próximas nos anos que viriam? Era uma esperança.

–Quem será que acordou?

A menina dos olhos castanhos e cabelo caramelo e liso olhou para a porta. A voz de seu pai estava diferente, e o que viu foi, primeiramente, uma grande coruja de pelúcia, azul e rosa. Depois um Graco esticado através da porta. Riu.

–Pai, não precisa trazer a Dona Coruja pra me acordar, eu já sou grande! Fiz 12 anos mês passado, lembra?

–Iiii, acho que seu pai não lembra, Rai. Ele precisa tomar mais água! – Disse o pai com a voz alterada, ainda imitando a coruja esticada à sua frente. – A menina riu e o pai entrou no quarto com a pelúcia na mão. A menina pulou na cama de novo.

–Olha, filha, ta tocando Cazuza!

Afirmou, agora em tom normal, após sentar-se na cama da filha e esticar-se para aumentar o som. O homem começou:

Todo dia tem a hora da sessão coruja
Só entende quem namora

–Mas eu não namoro, pai! – Ele a ignorou e continuou cantando, seguido por ela:


Agora vam'bora
Estamos, meu bem, por um triz
Pro dia nascer feliz
Pro dia nascer feliz
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir
Pro dia nascer feliz
Essa é a vida que eu quis
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir

Ambos riram e enquanto a música continuou, a coruja retomou a palavra:

–Acho que já demoraram demais! O dia já nasceu feliz e nenhum dos dois precisa dormir pra que continue assim, unhum.

–Pai, já não sou mais uma menininha...

–Não vai responder para a Dona Coruja? Cadê a educação que eu te dei? – Fez uma cara de emburrado. A menina revirou os olhos.

–Tabom, Dona Coruja. Vou me arrumar.

O pai sorriu. Inclinou-se e beijou a testa da menina.

–Bom dia, querida. Não demore. Os convidados estão para chegar, incluindo a sua irmã.

–Ela vem agora de manhã? – Perguntou eufórica.

–Um pouco antes do almoço, meu bem. Mas você vai querer estar preparada para recebê-la, não?

–Claro. Vou já pro banho!

Enquanto a menina corria para o banheiro de seu quarto e trancava a porta, o homem de pele morena e cabelos curtos e negros olhou para o brinquedo que segurava. Suspirou.

–Ela cresceu mesmo, não é D. Coruja?

Depois que a irmã chegou, foi apenas festa. As duas quase não pararam de brincar para almoçar. Para a felicidade de Raíssa, a irmã continuava exatamente igual a ela, com exceção dos cabelos mais curtos. Falaram sobre os seis meses que não se viram, e apesar de terem trocado muitas mensagens por email e até se falado por Skype, a saudade de estar com a pessoa ao lado não estava dando nenhuma trégua para nenhuma delas. Até aquele dia. Raíssa também vira a mãe, abraçou-a e conversou com ela. Quando estavam juntas, a preferência que a menina imaginava existir parecia apenas fruto de sua imaginação e das escuras noites de solidão. Talvez nunca viesse saber ao certo o que a mãe sentia por ela, e isso também a entristecia.

À noite, dois homens estavam lado a lado, em pé no terraço de uma casa vizinha. De lá podiam ver as comemorações, as pessoas conversando, dando risada e esperando a ceia de ano novo.

–Talvez seja hoje, Ciro.

–Eu sei, Alexandre. Não precisa me lembrar.

Ciro aparentava ser um homem alto, de pele clara, com os cabelos com fios medianos em tom caramelo e de olhos negros. Forte e robusto, estava vestido com um sobretudo negro, calça jeans rasgada e uma camiseta acinzentada. Fora as botas de cano longo. Já Alexandre era negro, num tom extremamente escuro. Tinha olhos verdes e suas vestimentas eram uma camisa branca por baixo de uma jaqueta jeans e uma calça preta, combinando com o tênis escuro. Não sentiam calor ou frio. Eram anjos e deixavam seus espíritos da forma que queriam.

–Como está sua protegida, Ciro?

–Raíssa está bem. Sente-se triste como todos nós podemos nos sentir as vezes, mas ela deve superar esses sentimentos sozinhas. E Clara?

–Solitária também. Procura não pensar muito na vida, na irmã e no pai e se concentra em algumas coisas mais superficiais.

–Entendo... Tem aparecido pra ela?

–Não, ela não consegue me ver mais. Desde os oito anos... Como Raíssa. Ou mudou algo e você não me contou?

–Não, não mudou absolutamente nada.

–Bem... Talvez possa mudar agora. E se mudar...

–Lembro-me bem, não se preocupe, Alexandre. Por mais que você teime em não confiar em mim, eu me lembro de bem do nosso acordo. Nada de brigas, lutas ou desavenças entre nós enquanto elas não desenvolverem a mediunidade. Afinal, queremos a mesma coisa.

Era quase meia noite e as duas meninas estavam inquietas.

–Raíssa, vem, vamos pra sacada. O tio João vai soltar fogos da ilhazinha e vai da pra ver melhor de lá! – Clara agarrou a mão da irmã e a arrastou.

–Estou indo, Clara! Espera! Cuidado, vai arrancar minha mão!

Por onde passavam arrancavam risos dos convidados. Eram umas espevitadas.

–Hey, mana, preciso te perguntar uma coisa. – Declarou Clara quando estavam sozinhas na varanda.

–Pode perguntar.

–Rai... – A menina não sabia bem como expressar-se. Arrastou os sapatinho vermelho do pé direito no chão enquanto olhava para ele. Tinha ambas as mãos grudadas atrás de si.

–Clara. – A irmã pegou nos ombros de Clara e a fez olhar para si. – Pode falar, eu não vou ficar chateada.

–Hum... Eu queria saber... Como o papai ta?

–Como assim como ele está? Você viu ele hoje, ele está bem. Ta sorrindo quenem um pamonha.

–Eu sei, mas... A mamãe também ta sorrindo, mas ultimamente ela está muito triste. Ela chora de noite, eu ouço.

–Ouve?

–Eu fico atrás da porta do quarto dela as vezes e eu ouço ela chorando. Daí eu choro também.

Raíssa ficou surpresa com a revelação. Sua mãe chorava de noite igual a ela. Será que ela pensa que eu prefiro o papai assim como eu penso que ela prefere a Clara? Ou será alguma outra coisa?

–O que eu quero saber – continuou clara – é se você sabe se o papai também chora de noite.

Por mais que ela tentasse, não tinha nenhuma lembrança do pai chorando de noite.

–Não, Clara. Eu acho que não. Eu acho que ele ta bem mesmo...

–Ah... – A menina de vestido vermelho olhou para baixo.

–Mas nãose preocupe, vamos descobrir uma forma de ajudar a mamãe. Juntas, ok?

–Ok.

Nesse momento, elas ouviram as pessoas gritarem a contagem regressiva para o ano novo. Quando deu meia noite, os fogos encheram o céu de esplendor. Com eles elas perceberam a queda de uma estrela cadente, que doemorara para sumir do céu.

–Olha, Clara! Uma estrela cadente. Vamos fazer nossos pedidos. Eles vão se realizar!

–Ta bem.

As duas deram as mãos, fecharam os olhos e fizeram seus pedidos. Clara, por mais que tivesse a irmã, queria uma companhia para o dia a dia. Uma que estivesse lá sempre que precisasse. Já Raíssa queria porque queria descobrir os sentimentos da mãe, e o porquê dela chorar tantas vezes à noite. No entanto, o desejo de ambas, o mais profundo, era que voltassem a ter a companhia uma da outra. Que fossem mais próximas dali em diante.

Os dois anjos ainda as observavam.

–Elas viram o cometa, Ciro. Você sabe o que significa, não?

–Eu sei. Fim do trato.

Mal sabiam as meninas, mas elas eram as únicas que tinham visto aquela estrela cadente em específico.

Notas finais
Apesar de ter uma boa ideia do que eu quero com essa fic, estou aberta a sugestões. O que vocês acham que vai acontecer agora? As coisas estão claras ou não entenderam algo? Palpitem! Digam olá :)PS: Capítulo sem correção, caso achem erros, podem informar nos comentários ou nas mensagens privadas que eu corrigirei.