Doces Palavras

8 Capítulo 8 ஃ “O. Amor Da. Minha. Vida”


Notas iniciais
Boa noite! Tudo bom com vocês? Espero que sim! Bem, vamos aos agradecimentos! Agradeço a todos que favoritaram, que colocaram nos acompanhamentos e que comentaram nos capítulos passados: Diamond, princesa de jade, VSPinheiro, GabiSan, Yaoi, Ariane Munhoz, LadyYuro, Elisa Bandd, Deby Costa, Ru Damas e a Babs que sempre surta comigo. 'Cêis são demais ♥ Espero que gostem do capítulo! Boa leitura.

Capítulo 8 — O. Amor Da. Minha. Vida

A fumaça do café ondulou no ar quando o líquido escuro foi despejado na caneca de super-herói favorita. O dia estava um pouco cinzento às oito e meia da manhã, mas havia uns poucos raios de sol por entre as nuvens mais densas. Não parecia que ia chover, ao menos, não por enquanto.

A falta de chuva, dava a certo alguém naquela casa, a ideia de diversão. Diversão longe de qualquer eletrônico ou papel e mais perto de respirarem um ar puro e ver as tão famosas paisagens da cidadezinha.

Mas se uns pensavam em campos verdejantes e liberdade, outros não pareciam importar-se com tais desejos.

— Eu pensei que esses dias serviriam como “férias”, mas eu estou vendo o tamanho do meu engano.

Filipo ouviu o tom desgostoso na voz conhecida do namorado, mas decidiu não erguer os olhos da tela do notebook, afinal, um Túlio vestindo somente um shorts de dormir e pantufas do Frajola, não era muito aconselhável se quisesse alguma concentração para o trabalho. Era um verdadeiro teste de resistência ter aquelas coxas torneadas desfilando para lá e para cá, mas o trabalho vinha antes de tudo. Claro que essa regra não se aplicava a todos os outros dias.

— É importante. — Respondeu sem desviar a atenção. Não dava simplesmente para ficar a passeio quando se havia muito o que fazer.

— É um tédio. — Túlio bufou, desistindo de terminar o café. Os passos o levaram até a janela e os dedos afastaram a cortina. Não que tivesse muito o que fazer em uma cidade pequena, mas qualquer coisa seria melhor que ficar enfiado em casa e se entupindo de cafeína. — Que merda eu tinha na cabeça quando aceitei você na minha vida divertida e cheia de cores?

— Lembro de você me pedindo em namoro em uma manhã de tédio igual a essa.

Túlio nem precisava virar o rosto e buscar pela expressão do mais velho. Era óbvio que ele estava sorrindo e isso fez com que ele também sorrisse. Fazia tempo, mas nunca esqueceria de certas memórias.

— Eu era só um menino e nem sabia o que estava fazendo. — E mesmo com a frase em falso tom de arrependimento, ele se aproximou do namorado e se debruçou às costas dele para abraçá-lo. — Fiquei todo animado com o bonitão de olhos verdes que sorriu pra mim.

— Eu não sorri pra você. — Filipo desviou rapidamente a atenção do visor, vendo a expressão convencida no rosto bonito de seu jornalista favorito. — Eu estava rindo discretamente da sua confusão.

A confusão de Túlio, era perfeitamente aceitável, no entanto, foi constrangedora a forma como ele teve a certeza de que Filipo era o instrutor da academia a qual se inscrevera. Ele chegou até mesmo a elogiar os bíceps do “professor” e a pedir dicas para ficar mais gostoso igual a ele.

Filipo apenas sorriu do engano, mas a partir da confusão, acabaram se encontrando para um jantar e terminaram aos amassos em seu apartamento, iniciando o relacionamento que já durava sete anos.

— Mas se não fosse pela minha confusão, provavelmente você seria um tiozão solteiro desses que nem os gatos aguentam. — Túlio acusou ao se erguer e buscar espaço no colo do namorado, jogando-se preguiçosamente sobre as pernas dele. Estavam ali os dois, sem nada para fazer… Bem, ao menos ele não estava fazendo nada.

— Sorte a minha você ter me confundido com um professor gostoso e me seduzido antes de eu te levar pra casa. — Uma das mãos subiu pela coxa nua e ele apreciou o contraste entre as peles e o arrepio que surgiu a partir do toque. Adorava tudo em Túlio e fazia questão de sempre ressaltar o quanto o amava e o desejava.

— É, eu sou mesmo muito sexy. — Fez ares pensativos antes de se erguer e puxar Filipo pela mão, não deixando que ele contestasse sobre o trabalho, afinal, o que era melhor que seu fogo pela manhã? — Achei um jeito melhor de afastar o tédio. — Sorriu ao empurrá-lo para o sofá e buscar espaço sobre as coxas dele, dando logo um jeito de arrancar a camiseta lisa que ele vestia e jogá-la para o chão.

— Pensei que quisesse sair… — Filipo sorriu ao receber uma mordida no pescoço e sentir a rigidez do namorado se pressionar a sua sob os tecidos do pijama. Em um momento estava concentrado no trabalho e no outro se encontrava excitado e ansiando pelos próximos toques.

— Eu queria, do verbo passado. — Os dedos desceram pelo peito recém-descoberto e buscaram um contato mais íntimo ao escorregarem para dentro das calças de algodão. — Agora eu quero outra coisa.

...

— Atender a porta?

Os olhos castanhos de Túlio teriam rolado nas órbitas, mas o sentimento era outro. Com tantos horários disponíveis para visitas, elas resolviam aparecer justo naquele momento! Será que não podiam prever o que estava acontecendo ali?

— Não dá pra atender a porta assim! — Bufou ao escapulir de maneira frustrada para buscar por trajes mais apresentáveis.

Filipo não estava lá essas coisas, mas voltou para a mesa com o notebook. Lugar que logo deixaria novamente ao receber o inusitado convite vindo dos amigos atrás da porta.

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Dionísio era a cara da derrota quando, logo que despertava, ia se encarar no espelho do banheiro. Ele não fazia ideia do porquê de tantas olheiras naquela manhã ou do cabelo todo embaraçado. Parecia mais é que não tinha dormido ou que passara a noite brigando com os gatos no telhado. Não que estivesse no CIO, claro, ao menos, longe de Nicolai ele era mais comportado.

E pensou que se fosse mesmo um gato, provavelmente seria um daqueles vira-latas que saqueavam os lixos dos vizinhos. Nico seria um daqueles felinos com nome complicado e coleira de ouro com endereço dos donos, desses que andavam com o rabo arrebitado. Talvez fosse até melhor, já que gatos não faziam distinção. A não ser que fosse um gato dos desenhos da Disney, porque aí daria no mesmo.

No fim, eram como A Dama e o Vagabundo ou Thomas O'Malley e Duquesa dos Aristogatas.

— Faz uns nove anos que você 'tá aí. Cara, você 'tá me assustando. — Yuri parou no batente da porta, o cenho franzido, tentando entender o que raios o irmão mais velho fazia ao se olhar tanto no espelho embaçado. Aquilo não era um clipe ou filme bizarro.

Dionísio suspirou e buscou arrumar os cabelos úmidos.

— Acha que eu seria um gato vadio ou um gato com coleira?

Que merda de pergunta era aquela?

Oh, claro! Era mais um daqueles momentos filosóficos de Dionísio Barelli. Um daqueles que ninguém além dele entendia coisa alguma.

— Acho que você seria um desses gatos carentes que fica se esfregando na perna de todo mundo que chega. — Parecia um gesto bem Dio aquele. — Eu seria o gato vadio. — E com orgulho! — Agora some porque eu preciso mijar e não curto muito ter plateia.

— Acabou de dizer que eu me esfrego em qualquer um… — Dio poderia ter soado desacreditado, já que seu querido irmãozinho o tinha em tão bom conceito, mas ele fez somente alguns segundos de drama e logo recordou-se de que estava falando com Yuri. Nada de novo sob o sol.

— Não tenho culpa se você termina o banho e fica viajando olhando pro espelho. — O irmão mais velho não precisava nem de drogas caso quisesse escapar da realidade. Ele se daria melhor escrevendo novelas que servindo café, mas deixaria para falar isso em outra ocasião, afinal, por culpa dele, estava atrasado.

— É a minha beleza matinal, sabe? A madrasta da Branca de Neve, mandaria o caçador arrancar meu coração. — Porque uma coisa era o reflexo mostrar alguém que parecia ter sido atropelado por um ônibus, e outra bem diferente era a autoestima que, vez ou outra, acabava surgindo. — Vê se lava esse cabelo ensebado! — Ordenou ao deixar o banheiro.

— É estilo! — Yuri gritou de lá de dentro.

As coisas eram bem animadas pela manhã na casa dos Barelli.

Agora só precisava ficar um pouquinho menos Família Addams e seguir para o trabalho.

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Andar não era lá seu verbo favorito, mas ele podia fingir que era uma daquelas pessoas preocupadas com a saúde e que acordavam cedinho para correr no parque. Ele só corria atrás do carro de churros ou de certo escritor bonitão. Desse último, não era tanto assim. Até pensava que trocaria o Werner por um churros com recheio de brigadeiro e confeitos coloridos. Seria mais proveitoso, afinal, poderia comer o doce e, bem poderia comer o Nicolai também, claro, caso ele deixasse.

Acabou sorrindo da imaginação que voou com aquele outro verbo interessante. Não queria ficar pensando naquele homem maravilhoso, mas foi impossível não imaginar o que ele teria por baixo de toda aquela roupa social. Devia ser um sonho! A visão do paraíso estava dentro daquelas calças…

Céus! O que estava pensando? Pensamentos + 18 em público eram um problema e ele não queria ser tachado como o tarado do bairro que ficava duro em um ônibus repleto de velhinhos.

Era bom manter alguma dignidade pública e era uma dádiva que não pudessem ler mentes. Uma senhora acabou sorrindo para ele. Pobrezinha. Se ela soubesse o que ele estava pensando momentos antes, ficaria chocada.

Os olhos vagaram para a janela já quase no fim do percurso e os azuis ganharam o vislumbre de uma pequena e conhecida figura. Ele poderia gritar pela janela para o futuro enteado notá-lo, mas optou por manter-se comportado. Passar vergonha era grátis, mas devia ter um limite que pudesse ser usado. E ele já tinha ultrapassado esse limite há tempos.

Agora ficaria confabulando o que o pirralho, filhote de seu amor platônico – mas que poderia deixar de ser platônico caso o Werner colaborasse – estaria fazendo por aquelas bandas com a babá. Talvez estivessem todos passeando com a bruxa em um tour pela cidade. É, só podia ser! Aquela mulher alta e desgraçada de bonita, os havia arrastado para um passeio cheio de feitiços e com direito a carona na vassoura. Do jeito que ela era metida, podia muito bem ser uma Nimbus 2.001…

Ele também podia levar o escritor bonitão para um passeio turístico, só não sabia como algo assim podia acontecer, visto que não encontraria mais Nicolai por aí. Tinha sido bom enquanto durou. E nos dias que ficaram sem se ver, ele decidiu uma decisão decisória decisiva na vida.

— A sua cara 'tá péssima.

Chegar ao trabalho e ouvir coisas óbvias, era mesmo o que esperava para aquela manhã.

Leonel não tinha a melhor das caras também. Era o sujo falando do mal lavado.

— Esqueci de pegar a maquiagem com você. — Dio alfinetou. A mochila foi jogada sobre o balcão e ele logo pegou o uniforme, ajeitando-se ali mesmo na troca de camisas.

— Eu só espero que isso aí não seja mau humor, porque o papel de mal humorado do café, é só meu. — E certamente ganharia um prêmio por representar tão bem aquele estado de espírito. Seu mau humor pela manhã, tarde e noite, eram incomparáveis. — Você é o docinho desse lugar. — Com calda de chocolate e muito chantilly.

— É, trocamos os papéis por um rápido e estranho momento. Eu ainda sou o mesmo menino fofo e lindo de sempre e você tem o humor daquele personagem de O Cão Covarde. — O sorriso de dentes tortinhos se mostrou grandioso. Ele era praticamente um emoji humano. — Eu decidi uma coisa na minha vida. Hoje.

— Decidiu?

Lá vinha mais um monólogo digno de peças teatrais falidas pelas ruas da Itália. Bem, no fim, amigos serviam para ouvir as maluquices e dramas de outros amigos.

— Decisão e Dionísio, não combinam. — Era como colocar Leonel e sorrisos sinceros na mesma fala. Era irreal.

— Vai combinar a partir de agora. — Dio se ergueu ao terminar de amarrar os sapatos. Estava com umas meias ridículas, mas as calças cumpriam com o dever de escondê-las. Um marmanjo usando meias de florezinhas roxas... — Eu — Fez uma pausa dramática e podia até ouvir o rufar de tambores ao fundo. Era quase um cineasta, sabia exatamente os momentos de tensão e foco nos rostos dos personagens. — Não vou mais ser o iludido de antes!

Leonel buscou por alguma câmera escondida ao redor e o gesto de que buscava por alguma coisa, fez Dionísio cruzar os braços e torcer os lábios.

Mas aquilo era muito irreal!

E mais irreal ainda, era a palavra determinação que piscava em rosa neon sobre a cabeça de Dionísio. Não que Leonel acreditasse, mas era mais que curioso aquela repentina mudança, embora soubesse que ela não duraria mais que alguns minutos.

— E isso foi da noite pro dia? — O cenho se franziu até que um vinco surgisse entre as sobrancelhas claras. Ele poderia fazer contorcionismo de expressões com aquele discurso.

— Andei pensando nessas coisas fúteis e sem fundamento e concluí que não adianta ficar imaginando coisas que não vão acontecer. — A resposta veio direta e pareceu séria e imutável.

Que raios estava acontecendo ali? Será que aquele era um mundo alternativo o qual Dionísio Barelli era um jovem adulto que buscava sempre deixar as responsabilidades em primeiro lugar em vez dos dramas românticos?

— Então, você 'tá me dizendo que não vai mais se iludir? — Não era possível que aquilo finalmente estivesse acontecendo.

— Exatamente, meu caro. Foi essa mesma frase aí que eu disse. — Qual parte Leonel não havia entendido? Não havia como ser mais claro do que já estava sendo. — Eu percebi que o Werner e eu seremos eternamente ídolo e fã, nada além disso. — Triste realidade, mas nada poderia mudar aquele fato. — Somos gato vadio e gato com coleira.

Certo. Era mesmo um mundo alternativo, mas nem tanto assim.

— E qual foi o santo que te fez perceber isso? — Leonel faria um café para essa pessoa, pois beijar ou abraçar estava fora de questão.

— Nem santo e nem milagre. — Será que era tão difícil assim acreditar em sua mudança? — O ano ainda 'tá no começo, dá tempo pra estrear com um Dionísio modelo 2018: mais maduro, menos iludido e mais focado naquilo que tem que fazer. — E estava determinado!

— Eu 'tô impressionado. — E ainda buscando por câmeras. — Sério. Eu faria uma página pra você no Facebook. Se eu tivesse lágrimas, eu até derramaria uma ou duas nesse dia memorável.

Tão sarcástico o filho da mãe, mas nada tiraria aquela determinação determinante de Dionísio. Werner seria apenas seu escritor favorito a partir daquele dia.

— Obrigado e continue me apoiando. — Todo o apoio era bem-vindo. Não esperava ter recaídas, mas, caso tivesse, teria o colo do melhor amigo para se confortar. Leonel tinha um colo muito bom diga-se de passagem.

— Sabe que pode contar comigo. — As vezes seu coração batia ali dentro do peito e ele soltava frases bobas e de conforto, mas se arrependia no momento seguinte.

Eles podiam até sair para beber em comemoração, mas o trabalho estava apenas começando e Dio podia desistir daquela ideia naquele mesmo momento.

— Clientes novos… — Falou ao ver um povo desconhecido adentrar o café.

— Hm. — Dionísio resmungou em resposta, mas quando ergueu as vistas dos docinhos que ajeitava na vitrine, perdeu toda a cor do rosto. Aquilo só podia ser um sinal. Um sinal divino!

Era o seu Werner ali!

— Aquele ali não é…

— O. Amor. Da. Minha. Vida.

Notas finais
Gostaram? Tivemos um momento com o casal Tulipo ♥ Acho eles tão fofos ^^ E tivemos muitas brisas com o menino Dionísio ♥ A determinação do bichinho num durou nem meio capítulo XD No próximo teremos o nosso protagonista que não pode ver uma vergonha que já quer passar, passando mais vergonha com o crush dele O/ Espero que tenham gostado! Nos vemos nos próximos!