Doce vingança

1 Aconteceu na primavera


Notas iniciais
Boa leitura!!!! Saudades de vocês *_*
POV Jacob

Bom, nesse exato intervalo de tempo de dez anos, eu estou com vinte e um anos e, como alguns costumam dizer, sou um cara de sorte na tribo onde moro. Nasci com o gene, sou um lobo e, para resumir a história, sou o alfa de uma matilha de La Push. E, se você está surpreso, espere até saber que existem vampiros também.

Vivemos para matá-los e proteger os humanos deles, mas às vezes não conseguimos.

Para simplificar ainda mais a história: eu fui estúpido o suficiente para me apaixonar pela namorada de um sangue-suga. Sinceramente, até hoje eu não sei onde a Bella estava com a cabeça ao se casar com o Cullen. Eu era louco por ela, demonstrei de todas as formas possíveis, tentei de tudo para fazê-la admitir que sentia alguma coisa por mim. Mas, no final, foi tudo em vão. Tudo inútil.

Para ela, eu sempre seria apenas o melhor amigo. O quebra-galho.

E então ela escolheu o idiota do Cullen, e assim a história termina. Bom, ela se casou com o vampiro esquizofrênico e, pelo que soube, foram morar no Alasca. E eu? Eu fiquei por anos sofrendo com a ausência dela. Vegetando. Essa é a palavra certa.

O amor que eu sentia por aquela garota me matava aos poucos, e eu rezava para que a porcaria do imprinting acontecesse logo. Não importava com quem fosse, eu só queria olhar para uma garota qualquer e ela se tornar o centro do meu universo, para que eu finalmente parasse de sofrer.

Mas, como todos sabem, eu sou um cara de muita sorte… isso nunca aconteceu. A famigerada garota da lenda nunca veio.

Fiquei assim por muito tempo, até que a tão falada luz no fim do túnel apareceu. Não, eu não morri. Na verdade, eu nasci de novo.

Tudo melhorou depois que Lucie apareceu na minha vida. No minuto em que a vi, senti uma necessidade absurda de estar sempre por perto. Ela é doce, meiga e frágil. Humana. Lucie é perfeita.

Seus lábios têm gosto de mel, seu cheiro é como uma manhã de primavera e seu sorriso… ah, seu sorriso contagia. É fácil e lindo.

Ela me ensinou a amar novamente. Eu sei que o que sinto por ela não é imprinting, e estou ciente de que isso pode acontecer um dia. Talvez eu não consiga evitar, como a maioria dos meus amigos. Porém, eu jamais conseguiria magoar minha gatinha.

Apesar de Lucie ser a melhor coisa que já me aconteceu, nem tudo são flores.

Descobri, alguns anos atrás, que tenho um irmão gêmeo chamado Tylor. Ele, assim como eu, tem o sangue de Ephraim Black correndo pelas veias e, sendo assim, também é destinado a ser alfa. Porém, uma matilha não pode ter dois alfas, não é mesmo?

Ele é cruel e sanguinário. Rebelou-se contra a tribo quando era mais novo, após o conselho decidir que eu seria o alfa e não ele. Agora vive do outro lado da fronteira, sempre procurando confusão e matando tudo o que encontra pela frente.

Ele tem sua própria matilha, formada por garotos com o gene que decidiram segui-lo. Até então, eles são considerados nossos inimigos. Vivemos em conflitos constantes. Tylor guarda uma mágoa incurável.

Era fim de tarde e eu estava largado no sofá, trocando de canal compulsivamente. Ao meu lado, Rachel e Paul se agarravam. Billy havia ido para a casa de Sue junto com Charlie. E eu ali, parado no tempo, sem fazer nada.

— AMOR! — gritou uma pequena pessoinha, se jogando no meu colo.

Abri um enorme sorriso ao fitar Lucie, que me sorria docemente.

— Oi, minha gatinha — disse, beijando a ponta do seu nariz.

— Vamos fazer um piquenique na clareira? — pediu ela, fazendo um enorme biquinho e me olhando com aqueles olhos pidões.

— Por que você faz essas coisas, se sabe que eu não resisto? — reclamei, levantando-me com ela no colo.

Joguei-a sobre os ombros como um saco de batatas, arrancando um gritinho dela.

— PARTIU PIQUENIQUE, IURULL! — ela gritou, erguendo os braços.

Gargalhei junto com Rachel e Paul. Soltei Lucie no chão e fiquei observando-a, guardando cada detalhe em minha memória: seu jeito espontâneo, sua beleza simples e humana.

Ela franziu o cenho.

— Tá me olhando assim por quê? Tem algo no meu rosto? — perguntou, risonha.

— É claro que tem — respondi, alisando seu rosto e fazendo-a fechar os olhos. — Lindos olhos verdes…

Apertei seu nariz.

— Um narizinho fofinho.

Ela riu.

— E uma boca linda.

Ela abriu os olhos. Enlacei sua cintura, puxando-a para mais perto, e tomei seus lábios em um beijo calmo. Quando se afastou, sorriu abertamente.

Ah… esse é o meu sorriso.

— Eu te amo, Jake — declarou, alisando meu rosto com sua mão delicada.

Às vezes eu tinha medo de quebrá-la.

— Eu também te amo, minha gatinha — afirmei, dando-lhe um selinho.

— Tão fofinhos que fico até enjoado — Quil exclamou, se aproximando.

Sorri de canto.

— Invejoso! — Lucie retrucou, mostrando a língua.

— Que isso, Lu, que língua feia — Claire repreendeu, fazendo uma careta engraçada.

— Vamos fazer um piquenique, querem ir? — Lucie convidou.

— Ah, não. Temos um compromisso — Quil respondeu, abraçando Claire.

Segurei um risinho. Já imaginava qual era o compromisso.

Lucie me cutucou.

— Autch, Lu — reclamei.

Ela revirou os olhos.

— Até parece que doeu.

— Pensei que ia se sentir melhor se eu dissesse que doeu — respondi.

Ela fez uma falsa cara de brava, arrancando gargalhadas de todos.

— Pensou errado, senhor lobinho — resmungou.

Eu a abracei.

— Bom, nós estamos indo. Nos vemos mais tarde.

Eles assentiram. Pegamos alguns lanches e saímos.

Enlacei minha mão na de Lucie e seguimos pela trilha da floresta. Conforme caminhávamos, um sentimento ruim começou a me dominar. Uma intuição pesada, como se algo muito sério estivesse prestes a acontecer.

Um medo desesperador de perdê-la.

— Que cara é essa, Jake? — ela perguntou, parando à minha frente.

Respirei fundo.

— Estou com medo de te perder.

Ela sorriu, ficou na ponta dos pés e colou seus lábios aos meus em um selinho doce.

— Você nunca vai me perder, amor.

Sorri e a abracei forte.

— Oh, tem certeza que não?

Aquela voz.

Tylor.

Soltei Lucie rapidamente e a coloquei atrás de mim. Ela agarrou meu braço, tremendo. Ela tinha muito medo dele.

Meu irmão estava ali, junto de sua matilha. O cheiro era horrível: vampiro… e algo mais que não consegui identificar de imediato.

Dois lobos seguravam um rapaz e uma garota — deviam ser os vampiros. Kate, uma loba, segurava uma garota baixa, de cabelos acobreados, com uma expressão entediada, como se não se importasse com nada ao redor.

— O que você quer aqui? — questionei.

Ele sorriu, cínico.

— Você sabia que os Cullen voltaram pra cidade?

Meu corpo inteiro se retesou.

— Não — respondi, dando de ombros.

— Ah, mas você não precisa se preocupar com eles… nem com a sua amada Bella. Eu só passei pra avisar que acabei com todos.

Ele riu.

— Quer dizer… quase todos.

Meu sangue gelou.

— Você fez o quê? — rosnei.

Ele riu alto e puxou a garota entediada, jogando-a no chão com força.

— Fique tranquilo, deixei essa aqui viva.

Tylor chutou sua barriga com violência. Ela gemeu de dor.

Lucie apertou meu braço.

— Jake, faça alguma coisa. Não deixa ele machucar ela — pediu, chorosa.

Respirei fundo.

— Para com isso, seu imbecil. Não acha que já arranjou problemas demais?

— Sempre querendo bancar o herói, Jacob — ele provocou.

— E você sempre querendo ser um rebelde sem causa — retruquei, sarcástico.

Ele não gostou. Puxou a garota pelos cabelos; ela se debateu, furiosa.

— Por que você não puxa o cabelo da sua mãe, seu ridículo?! — ela gritou.

— Bravinha, né? — ele riu. — Sabe de quem ela é filha?

Eu já estava de saco cheio.

— Eu não sei e nem quero saber. Vá embora daqui.

Segurei Lucie, que estava gelada e tremendo.

— Bom, eu digo — ele continuou. — Isabela Cullen. Ou melhor, Belinha. É a cara da mãe, não é?

Meu corpo estremeceu.

— Sabe o que eu fiz com ela, Jacob? Matei. Estraçalhei aquele corpinho gostoso todo.

Foi demais.

Empurrei Lucie para trás e senti meu corpo explodir, caindo sobre quatro patas. Tylor avançou contra mim.

Ouvi a voz de Seth, que estava de patrulha, correndo em nossa direção.

Meu único medo era pela minha gatinha.

Mas meu único objetivo era acabar com meu irmão.

POV Renesmee

Tudo virou caos.

Lobos lutavam por todos os lados. Outros começaram a chegar — alguns do lado do grandão, outros do meu.

Rick conseguiu se soltar e libertou Alicia também.

Tudo aconteceu rápido demais para raciocinar.

O grandão castanho apanhava feio do filho da puta do Tylor. Ele devia estar preocupado com a humana.

Vi a garota parada no meio da confusão, completamente perdida. Corri até ela, quebrando o pescoço do lobo que me segurava.

Ela deu um passo para trás, assustada.

— Vem comigo — pedi, tentando puxá-la pelo braço.

Ela se soltou.

— Eu não vou deixar nada acontecer com você. Pode confiar em mim.

Ela assentiu, mesmo desconfiada. Peguei sua mão e corremos até um ponto distante da briga.

Rick e Alicia vieram conosco.

— O que você quer comigo? — ela perguntou, com a voz trêmula.

Sentei-me no chão.

— Sei como é perder alguém que se ama. Se eu não te tirasse de lá, seu namorado ia morrer.

Ela sorriu de leve e sentou ao meu lado.

— Sou Lucie Sheeran.

— Renesmee Cullen — respondi.

Ela fez uma careta.

— É estranho, eu sei.

Ela riu.

— Você acha que o Jake está bem? — perguntou, aflita.

Minha mãe já tinha falado dele.

— Pelo que vi, ele é forte. E acho que o único ponto fraco dele é você.

Ela sorriu, tímida.

Jacob apareceu correndo, seguido por outros lobos. Quando me viu, veio até mim e apertou minha garganta, me erguendo do chão.

— O que você quer com a Lucie?! — rosnou.

Eu mal conseguia respirar.

— Jake, calma! Ela me ajudou! — Lucie gritou.

Ele me soltou. Caí no chão, arfando.

Alicia me ajudou a levantar.

— De nada — murmurei, sarcástica.

— Tylor está vindo. Temos que sair daqui — Jacob disse.

Depois se virou para mim.

— Eu não confio em você. Some.

— Ei, ranzinza, eu salvei sua namorada e…

— Não me interessa. Eu nem sei o que você é.

Bufei.

— Sou uma híbrida. Metade humana, metade vampira. Nasci quando minha mãe ainda era humana.

Ele me olhou, intrigado.

— É, olhando melhor… ela é a cara da Bella — comentou um lobo menor.

— E sua família? — outro perguntou.

— Morreram.

O silêncio caiu.

Foi então que senti.

— CUIDADO! — gritei.

Um lobo enorme e completamente preto rasgou a garganta de Lucie.

Tudo parou.

Jacob se transformou e atacou o lobo brutalmente.

Corri até Lucie, segurando sua cabeça. Sangue saía de sua boca e escorria pelo pescoço.

— Lucie, calma… você vai ficar bem.

Ela me olhou com tanto carinho que lembrou minha mãe.

— D-diz… p-pro J-Jake… q-que…

— Eu digo. Eu digo que você o ama.

Ela sorriu.

Então seus olhos perderam o foco.

Seu braço caiu inerte.

A vida se foi.

É injusto demais. Pessoas como Lucie morrem pelas mãos de monstros como Tylor.

Mas isso não vai ficar assim.

Eu juro pela minha vida: eu vou acabar com ele.

E sei exatamente quem vai me ajudar.

Notas finais
Comentem hein, para mim poder saber se gostaram. Um beijo para todas!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!