Doce sorriso
6 Parte VI - De pele branquinha
Notas iniciais
Estava sentado, terminando de ler meu livro, quando senti alguém me observando. Tudo bem, eu posso estar um pouco paranóico, já que o livro é de terror, mas e daí?
Levantei os olhos, procurando alguém, mas não havia nada. Apenas alguns arbustos.
Ele ficava bem próximo ao banco onde eu estava. No segundo balançar, eu já estava mais do que alerta. Foi quando eu vi alguém saltando, em minha direção.
Não me orgulho em dizer isso, mas o meu grito soou como o de uma garotinha.
— Você me assustou! O que você está fazendo aqui sozinha, Anne?
— Eu não estou sozinha. Eu estou com a tia Rose. Estamos brincando de esconde-esconde, mas ela nunca me acha. – Declarou rindo.
— E onde ela está agora? – Perguntei.
— Eu não sei. Posso ficar aqui até ela aparecer?
— E como sabe que ela vai aparecer? – Perguntei com curiosidade.
— Ela vai. Daqui a pouco vamos ouvir os gritos. – Declarou, me fazendo sorrir.
— Me fala de você. – Pedi e ela negou.
— Não devo falar com estranhos. Foi o que a mamãe me ensinou. – Explicou, sentando no banco e balançando suas perninhas.
— E ela está certa. Mas nós não somos estranhos. – Rebati e ela me olhou, com a cabeça tombada.
— Não somos?
— Não. Nós somos amigos. Ao menos, eu quero ser seu amigo. E você Anne? Você quer ser minha amiga?
— Acho que sim. Podemos fazer um clube? – Perguntou e eu assenti.
— Claro que podemos.
— Sua irmã pode participar também? Eu gosto dela. Ela parece ter um parafuso solto. – Declarou sorrindo. Ninguém diria que aquela menina tinha apenas quatro anos.
— Conhece minha irmã?
— Eu acho que vi ela ontem. Ela estava discutindo com o senhor Newton. Ele me assusta as vezes. Mas a mamãe me tirou de lá. – Declarou.
— Você só tem sua mãe? E seu pai? – Perguntei, mesmo sabendo da história. Não era nem um pouco da minha conta, mas eu queria saber.
— A mamãe não fala muito dele. Mas sempre que eu peço, ela me conta histórias.
— Que tipo de histórias? – Perguntei.
— Você é bem curioso, não é? – Declarou gargalhando e eu revirei os olhos. – Ela disse que antes de mim, não tinha ninguém. E que o papai deu pra ela uma sementinha muito especial. – Ela contava calmamente, balançando as mãos, como se tivesse ouvido aquela história centenas de vezes. – E que depois disso, eu nasci. E ela nunca mais ficou sozinha.
— Ela contou como ele era? – Questionei.
— Eu só sei que ele parece um príncipe. E que tem os olhos iguais aos meus. Foi o que a mamãe disse.
— Anne! Anne, onde você está? – Ouvimos uma voz gritando. – Deus, a Bella vai me esfolar. Anne!
— Acho que a tia Rose cansou de brincar. – Comentou sorrindo, quando vimos uma loira, correndo em nossa direção. – Eu disse que ela gritaria.
— Você está aí, sua pequena pestinha! Quase me mata do coração e.... Olá. – Parou de falar, se virando para mim, mexendo em seus cabelos. – Eu conheço você. O cara com a sacola de compras.
— Algo assim. – Respondi, me levantando.
— Vamos, Anne. Sua avó está a caminho e sua mãe pediu para que eu te deixasse pronta.
— Eu vou passar o final de semana com a vovó! – Declarou se virando para mim.
— O que sua mãe lhe ensinou sobre conversar com estranhos, Anne? – A loira perguntou, fazendo Anne subir no banco, colocando as mãos na cintura e a olhando.
— Ele não é um estranho, tia! Edward é meu amigo. – Respondeu e eu tive que me controlar para não rir.
— Está bem, projeto de adulta. Agora diga adeus ao seu amigo e vamos marchando essas perninhas para o elevador. – Comentou e ela obedeceu a loira, se despedindo de mim.
Já estava ficando tarde. Decidi ler mais alguns capítulos do meu livro e depois ir lavar roupa. Enquanto tentava ler, só conseguia pensar nas palavras de Anne sobre o pai. Será que o cara sabia que tinha uma filha? Quer dizer, nem sempre uma doação gera frutos.
E novamente, tudo que eu conseguia pensar, era minha aposta com Maria.
Flashback On
— A escolha é sua, maninho. Você perdeu, qual vai ser.
— Não é uma decisão difícil, Edward. – Jasper comentou. Ele havia bebido algumas cervejas e estávamos brincando de verdade ou desafio. Todos nós havíamos bebido um pouco mais.
— Não é justo! As duas opções são ruins. Não quero largar meu chocolate.
— Então escolha a segunda opção. A clinica abre bem cedo. – Jasper comentou, virando outra garrafa.
— Isso mesmo, maninho. Escolha!
— Que se dane, não vou ficar sem chocolate. Que horas a clinica abre?
Flashback Off.
Nem todas as doações geravam algo.
Nem todas as doações geravam algo.
Nem todas as doações geravam algo.
Era nisso que eu me focava naquele momento.
~~*~**~*~*~*~*~*
— Aonde você vai? – Ouvi uma voz atrás de mim. Agora, eu estava carregando um cesto de roupas e material de limpeza. Onde mais eu poderia estar indo, senão a lavanderia do prédio?
— É sábado a noite. Dia de lavar roupas. – Respondi erguendo o cesto.
— É verdade. Eu esqueci que aqui vocês não tem suas próprias lavanderias. – Maria retrucou. – Me espera? Eu tenho algumas para lavar também.
— Você vai se vestir, certo? – Perguntei olhando para as roupas que ela usava. Não me importava que ela andasse daquele jeito dentro do apartamento. Contando que fosse somente dentro do apartamento.
— Vai se sentir melhor se eu vestir um shorts? – Perguntou revirando os olhos.
— Muito melhor. – Retruquei, esperando que ela voltasse. Assim que ela voltou, pude notar que seu shorts não fazia a menor diferença, de tão curto. Mas do que adiantaria reclamar?
— Vamos ou não? – Perguntou, amarrando seu cabeço para cima.
— Não está esquecendo de nada? – Perguntei para seus pés, que se mantinham descalços. – Um sapato por exemplo?
— Não, to na boa. – Retrucou tomando a frente e entrando no elevador, enquanto eu apenas a seguia.
Estávamos descendo até o andar da lavanderia, quando ela finalmente falou.
— Sabe, eu acho que eu ter vindo para cá foi uma coisa boa para você, maninho.
— E por que você acha isso? – Perguntei curioso.
— Você precisa de agito! É sábado a noite e você está lavando roupa! Quantos anos você tem? Oitenta? Onde está o espírito do suco na fonte? – Perguntou sacudindo meus ombros.
— O senhor Newton ficou furioso.
— E daí? Esse é o espírito! – Vibrou, quando saímos do elevador.
— Olha só, Maria. Jasper já está esperto com as nossas...
— Qual é, Bella? Não vai contar nada mesmo? Ele é um gato! Com aquele cabelo ruivo e olhos verdes. – Uma voz falou, mas foi o nome de Bella que me chamou a atenção.
— Ele pode ser bonito, mas é maluco! –A ouvi responder. – Quem gosta tanto assim de chocolate? – Ela perguntou e pude ver minha irmã me observando e apontando para mim.
— Estão falando de você! – Sussurrou e eu assenti, fazendo sinal para que ela ficasse quieta.
— Não estou dizendo que você tem que casar com ele. São só uns pegas.— Comentou rindo.
— Eu sou mãe de uma menina de quatro anos, Rose. Eu não dou pegas, está bem?
— Então eu posso? – Perguntou e ouvi Bella bufar. – O que? Eu não sou mãe de ninguém!
— Não, Rosálie. Você não pode. Fique longe dele, está bem?
— Ciúmes? – Ela perguntou. – Admita, você sente algo por ele. –A garota pediu, mas minha atenção se voltou para minha irmã, que praticamente saltitava ao meu lado.
— Fica quieta, elas vão te ouvir. – Sussurrei, esperando a resposta de Bella.
— Ouviu alguma coisa?— Bella perguntou, me fazendo congelar. Se ela já pensava que eu era maluco, o que pensaria se me pegasse espiando?
— Não tente mudar de assunto, Swan. Admita.
— Não sei do que você está falando. Eu não sinto nada. – Declarou. Aquilo doeu. Eu me sentia afetado por ela e pensei que talvez, só talvez, ela sentisse algo assim também.
— Está bem. Se você não sente nada, então não vai se importar se eu o chamar para sair.
— Está bem! Talvez eu sinta alguma coisa.
— Eu sabia! Desembucha!— A garota pediu, fazendo com que eu desse um passo para frente, para ouvir melhor. O que não foi uma boa ideia, porque Maria quis fazer o mesmo e acabamos trombando e caindo lavanderia adentro.
Eu ainda estava estirado no chão, com minha irmã caída sobre mim, quando olhei para cima e pude ver Bella olhando para sua amiga, enquanto apontava para mim.
— Viu? Maluco! – Declarou, mas dessa vez, ela tinha razão.
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