Doce obsessão

21 Capítulo 21: Crianças não podem ficar vendo essas coisas de adulto.


Notas iniciais
Olá gente!! Devo e quero agradecer pelo comentários. Adorei cada um deles. Agradeço também aos leitores: JC McCartney, TheBestCouples e Haro pelas lindas recomendações. Espero que gostem e me desculpem pelos possíveis erros :B Até lá embaixo õ/

Brittany P.:

Sinto uma leve claridade no ambiente e sei que é hora de acordar. Abro os olhos e certamente não estou no meu quarto. Ah sim, estou no quarto da Santana. Olho para meu lado e a cama está vazia. Procuro em volta do quarto e não a vejo.

Levanto e me estico toda, tentando tirar a preguiça que me envolve. Vou ao banheiro me ajeitar e em seguida desço para encontrar a Santana. Enquanto desço as escadas, ouço vozes que ao que parece estão vindo da cozinha. Os país da Santana estão em casa.

Paro, um pouco tímida e receosa em encará-los. Certo, não posso me trancar no quarto da San e esperar que eles saiam. Isso seria tão patético que é melhor parar até de pensar. Sou muito propensa a fazer coisas estúpidas.

Desço o restante da escada e caminho a passos lentos até a cozinha. Eles estão sentados à mesa, como a linda família que são. Os pais da San são incríveis. Possuem uma postura elegante muito invejável. Santana também possui tal característica, mas que não se torna tão evidente devido seu jeito adolescente de agir.

– Hey, Britt-Britt. Bom dia! – Cumprimenta San ao me ver.

– Bom dia, San. E bom dia, Sr. e Sra. Lopez.

– Bom dia, Brittany. Venha, sente-se conosco para o café da manhã. – Me chama a Senhora Lopez, com um sorriso amável e tão lindo quanto o da San.

Penso em recusar e dizer que preciso ir para casa, porém o cheirinho de pão não me deixa fazê-lo e o olhar de expectativa da San também não.

Peço licença e me junto a eles na mesa.

Começamos a comer e fico contente por vê-los comentando coisas aleatórias. Coisas que viram na televisão, em jornais, que ouviram dos vizinhos. Eles são animados e não deixam o assunto acabar. No momento conversam sobre eventos escolares.

– Lembro-me do dia dos pais e filhos na escola. Santana já tinha seus doze anos e se comportava como uma adolescente em sua fase mais rebelde. Ficou morrendo de vergonha o dia todo. Você deveria ver a cara emburrada dela. – Comenta o Sr. Lopez, rindo com a lembrança.

Olho para Santana e ela apenas revira os olhos, com um sorriso no rosto.

– Pai, não me culpe. O senhor quem parecia uma criança. – O senhor Lopez apenas dá de ombros, assumindo sua infantilidade.

– E você, Brittany? Também é a adulta quando está com seu pai? – Pergunta a senhora Lopez com um sorrido divertido no rosto. É até bonito ver como eles se dão tão bem.

– Bem, meu pai morreu quando eu ainda era um bebê. Imagino que eu não era muito adulta na época. – Digo, sorrindo para eles, que ficam em silêncio.

O senhor Lopez pigarreia, tomando o último gole de café.

– Sinto muito, Brittany. – Lamenta ele, um pouco envergonhado.

As pessoas costumam ter esse tipo de reação ao descobrirem o falecimento de algum familiar de alguém. Elas ficam constrangidas e não sabem bem o que dizer para confortar a outra pessoa. Mas, na verdade, elas não precisam fazer isso. É absolutamente dispensável. Ninguém tem a obrigação de saber a morte do parente de ninguém. Porém, de qualquer modo, é interessante e agradável esse respeito que as pessoas mostram ter.

– Está tudo bem, já foi há bastante tempo. – Informo, sorrindo amigavelmente.

Continuamos em uma agradável conversa por um bocado de tempo. Eles são simpáticos e animados. Talvez isso explique o humor adorável da San.

Ajudo a senhora Lopez a retirar as coisas da mesa enquanto ela e Santana discutem algo sobre uma atriz famosa. Uma diz que a atuação da mulher foi terrível, já a outra discorda, dizendo que a suposta atriz é tão brilhante que dá até gosto assistir os filmes em que atua. Eu apenas dou risada, preferindo ficar fora da discussão.

Olho para o relógio e constato que já é hora de ir para casa. Possivelmente minha mãe tem algum compromisso importante e eu ficarei cuidando da Rose. Certo, Peter talvez esteja em casa, mas ele não é bem um adulto que possa ser considerado responsável... sendo assim, preciso ir.

Me despeço da família Lopez e sou acompanhada até a rua por Santana, que se oferece para ir comigo até em casa. Bem, eu recuso. Depois ela teria que voltar sozinha e acaba não sendo vantajoso.

Dou-lhe um abraço e um beijo na bochecha, indo para casa logo após.

Assim que chego vejo Rose brincando no jardim. Aparentemente é de escolinha, pois vários de seus bonecos de encontram alinhados com uma folha de caderno cada um. E Rose está com sua pequena lousinha colorida.

– Oi Britt! Você chegou. Eu estou brincando com meus bonecos, olha. – Ela diz, apontando para os quatro bonequinhos a sua frente.

– Eu estou vendo, Rose. E eles estão se comportando bem? Você sabe... as crianças de hoje em dia estão cada vez mais bagunceiras. – Comento, rindo da carinha emburrada que ela faz.

– Não estão não, Britt-Britt. – Afirma.

Dou risada e concordo, me desculpando. Beijo carinhosamente sua testa e entro em casa, me deparando com uma situação já frequente, mas ainda assim desagradável.

Mamãe e Peter estão novamente discutindo. Agora sei o motivo pelo qual Rose está brincando lá fora. Mamãe não gosta que ela ouça as discussões e tenha que lidar com coisas de adulto. Rose é doce demais para isso.

Tento passar por eles sem interferir na discussão. Peter se irrita e mamãe acha que esse tipo de situação não deve ser resolvida pelos filhos. Então, decido simplesmente subir para tomar um banho rápido.

– Está vendo só? Está vendo o tipo de educação que você dá a essas meninas, Susan? Essa daí já chega com esse comportamento mal educado e você não diz nada.

Giro meu corpo para poder olhar Peter. É um hipócrita, certamente.

Olho para minha mãe, esperando que ela o responda. Talvez meu banho possa esperar um pouco.

– Disse certo. A educação que eu dou, não é mesmo? Porque você mesmo não faz sua parte. – Retruca minha mãe, irritada.

– Não seja estúpida. Eu sustento todo mundo aqui, ponho comida na mesa e você só sabe reclamar. – Ele diz, passando a mão no cabelo de maneira agressiva.

– Se eu tivesse alguém para cuidar da Rose, eu certamente faria o mesmo, Peter. Se você não passasse tanto tempo fazendo besteira na rua, eu faria o mesmo!

– E faria o quê? Você não sabe fazer nada além de posar de madame. É uma imprestável para o mercado de trabalho.

Olho para minha mãe e vejo seus olhos brilhando em lágrimas. Mamãe sempre teve um certo medo de procurar emprego e ser rejeitada por não ter habilidade em nada. Seu currículo também não é invejável e sei o quanto isso a deixa chateada. Ela sempre se dedicou a família e fez sempre o melhor por mim e pela Rose. Não é justo que um cara a faça se sentir menos que maravilhosa da forma como Peter faz.

– Ah, por favor, Peter! Seja menos hipócrita ao menos uma vez na vida. Você tem um emprego de merda e o dinheiro que recebe não chega nem metade para nós. Você gasta sozinho grande parte. Não me venha agora dizer que minha mãe não serve para o mercado de trabalho quando ela com certeza é capaz de garantir um emprego melhor que o seu. — Passo a mão pelo rosto, tentando de alguma forma conter a vontade de estapeá-lo. – Você não tem direito algum de criticá-la. Por nada, está me ouvindo? Por nada!

Peter me olha furioso, como se a qualquer momento fosse me agredir. Mas Peter, apesar de seus inúmeros defeitos, nunca foi um homem violento conosco. Seu comportamento hostil já é o suficiente para torná-lo desprezível.

Ele tira sua atenção de mim e olha para minha mãe, provavelmente esperando que ela tome alguma atitude. Olho também para ela e recebo seu olhar em troca. Consigo ver através dele um certo brilho de orgulho e sei que desta vez ela está de acordo com minha intervenção.

– Filha, peça a Rose para entrar e brinque um pouco com ela, sim? – Pede ela, como se dissesse que está tudo bem e que ela já tem o controle da situação. Aceno positivamente e recebo em troca um carinhoso beijo na bochecha.

– Obrigada, querida. – Ela agradece, dando um cheirinho nos meus cabelos.

Saio e encontro Rose sentadinha nas escadas da pequena varanda fazendo desenhos em sua pequena lousa.

– Vamos entrar? Daqui a pouco iremos almoçar e acho que você ainda não tomou seu banho. – Digo, fazendo cócegas em sua barriga.

Ela se afasta rindo e levanta, segurando em minha mão para subirmos.

Entramos em casa e ouço minha mãe e Peter na cozinha, desta vez numa conversa mais calma.

Coloco Rose para tomar banho e não demora muito para que ela já esteja vestida apenas aguardando que eu termine de pentear seu cabelo.

– Mamãe e papai estão brigando, não estão? – Questiona, com a voz demonstrando chateação.

– Não, Rose. Eles estão apenas conversando.

– Você está mentindo, Britt. Eu ouvi quando você brigou com o papai. — Revela e me olha esperando explicações. Crianças são tão curiosas.

– Eu só me irritei um pouco, pois ele foi maldoso com a mamãe. E você, mocinha, não tinha nada que ficar ouvindo a conversa dos outros. Crianças não podem ficar vendo essas coisas de adulto. – Digo, dando-lhe um tapinha no bumbum. Ela ri e abraça minhas pernas.

Rose não gosta quando há discussões em casa. Ela fica assustada e triste então sempre faço o possível para distraí-la.

Pego um de seus perfumes e passo um pouco nela, ouvindo-a dizer algo sobre a comida que mamãe fez ontem.

– E como foi na casa da San? Mamãe disse que vc tinha ido para lá. – Ela pergunta, interessada.

– Foi muito divertido. Os pais dela são muito legais. Assim como ela.

– E você já deu um beijinho nela, Britt-Britt? – Sussurra, me olhando com expectativa.

Olho para ela um pouco encabulada e até mesmo incrédula.

– Hum... um beijinho? – Pergunto.

– É, assim, olha. – E dizendo isso ela faz um biquinho, me mostrando que é daquela forma que é um beijinho.

– Isso não é da sua conta, menininha. – Digo, apertando o bico dela.

– Mamãe disse que você gosta muito, muito dela. E quando duas pessoas se gostam muito muito, elas dão beijinhos. Você deu um beijinho nela?

Dou risada e me abaixo, para encará-la com mais facilidade.

– Talvez, mas não conta para ninguém, tudo bem? – Rose dá um pulinho feliz e concorda, colocando um dedo em frente a boca em sinal de silêncio.

Ouço mamãe nos chamando para almoçar e descemos, a encontrando sozinha na cozinha.

– Cadê o papai? – Pergunta minha irmã.

– Ele precisou sair, meu bem. Venha, sente-se aqui para comer.

Olho para minha mãe curiosa e ela apenas dá de ombros, como se dissesse: "Ele, como sempre, saiu de casa sem dizer para onde". Suspiro e me junto a elas para almoçar.

Ainda bem que recusei a oferta de Santana me trazer até em casa. Seria completamente desagradável que ela presenciasse uma discussão aqui em casa quando na casa dela eu fui tão bem recebida.

– E como foi ontem com sua amiga, querida? – Pergunta minha mãe, demonstrando verdadeira curiosidade.

– Foi ótimo, mãe. Santana e eu...

– Deram beijinhos. A Britt-Britt quem disse. – Diz Rose, dando uma risadinha travessa. E ainda confio nessa garota... Mamãe me olha sorrindo e ao mesmo tempo confusa.

– Deram beijinhos? Eu achava que a Santana ainda estivesse com o namoradinho dela. – Reflete minha mãe, me repreendendo com o olhar.

– Bem... e está. – Digo encabulada.

Rose ri baixinho e foca sua atenção na comida.

Reviro os olhos, achando minha irmã uma grande fofoqueira.

Termino de almoçar e lavo meu prato. Subo para meu quarto de deito na cama, pegando meu celular para usar a internet.

Não demora muito e recebo uma mensagem de Santana perguntando se cheguei bem em casa. Sorrio ao ver sua foto.

Respondo que sim e desta forma continuamos a conversar besteiras aleatórias. Santana é inegavelmente divertida. Seu senso de humor me contagia de forma absurda.

O restante do dia se passa rapidamente e logo eu sinto o sono chegando. Deito em minha cama, já lamentando o fato de Santana não estar comigo novamente.

–~*~-

Acordo no dia seguinte com Rose fazendo cócegas nos meus pés. Ela dá risada ao ver minha cara de sono e com uma leve irritação.

– O que pensa que está fazendo? – Pergunto, afastando suas mãos dos meus pés.

– Acordando você, oras. Levanta, vai. Hoje eu não vou a escola. Vou ficar na casa da senhora Jones e vou poder levar você ao colégio. – Revela ela animada.

Ela simplesmente acha incrível um ambiente cheio de adolescentes mal humorados.

Levanto da cama e vou me ajeitar para a escola. O café já está pronto e com o melhor cheiro de sempre.

Dou bom dia a minha mãe e me sento na cadeira, me servindo de café.

– Tenho um compromisso hoje, querida. É reunião de pais e mestres na escola de Rose e não posso faltar, por isso pedi para a senhora Jones cuidar dela. – Informa minha mãe, passando um pouco de geleia na torrada.

Balanço a cabeça concordando e, sem grande demora, eu termino de tomar o café e subo para terminar de me arrumar e para pegar meus materiais.

A casa da Senhora Jones, sim, a mãe da Mercedes, é depois da escola, então mamãe e Rose me acompanham até lá. Rose sendo a mais animada das três.

– Eu poderei ver a San, Britt? Por favorzinho. Ontem não deu tempo de brincar com ela. — Ela me diz chateada.

Suspiro, concordando com sua proposta. Mamãe apenas dá risada, balançando negativamente a cabeça, como se estivesse dizendo que sou muito mole com Rose.

Assim que vamos nos aproximando da escola, já é notável os adolescentes espalhados pelo gramado do lado de fora, próximo ao estacionamento. A maioria está, como eu havia dito, com uma expressão mal humorada. Imagino que já acordaram com vontade de não vir para a escola. Outros conversam com seus amigos de forma animada, lhes contando como passaram o final de semana.

Rose olha curiosa para todos eles, achando interessante a expressão de cada um.

Não demora muito para ela avistar Santana e Noah próximos a uma árvore. Pelo modo que ele segura a cintura dela, só posso imaginar que ela nem ao menos sugeriu uma conversa entre eles. Bem, não ainda eu espero.

– San! – Grita Rose correndo em sua direção e chamando a atenção de algumas pessoas por perto.

– Mereço... – Comento um pouco envergonhada. Minha mãe apenas dá risada, esperando Rose para que assim possam ir embora.

Santana se abaixa com um sorriso feliz e abraça Rose carinhosamente.

– Olá, pequena. – Ouço-a cumprimentando Rose quando nos aproximamos.

Mamãe cumprimenta o casal e eu também. Noah não demora muito a se simpatizar por Rose. Ela fala muito e comenta sobre o máximo de coisas que consegue. Não sei nem como consegue respirar. Rachel certamente se identifica muito com Rose.

– San, me leva um dia para dormir na sua casa também? A Britt-Britt disse que foi muito divertido. Lá tem brinquedos?

– Talvez algumas bonecas. Qualquer dia podemos fazer uma noite de garotas, o que acha? – Sugere Santana, brincando e fazendo Rose ficar pensativa.

– Ué, e eu não vou poder ir? – Noah questionada fingindo estar magoado.

– Meninos não podem ir. É para garotas. – Ela o informa, enfatizando a palavra garotas.

– Sinto muito, meu bem. Seremos somente nós três aqui. – Determina Santana, apontando para nós três: ela mesma, eu e Rose. Mamãe apenas nos observa sorrindo vez ou outra.

Noah faz uma cara de chateação e pega Rose no colo.

– Poxa, estão me excluindo mesmo. – Comenta, apoiando a cabeça no pequeno ombro de Rose. Ela passa a mãozinha por seu cabelo feio, como se o consolasse. Tão meiga.

– Então se mamãe deixar eu vou dormir na sua casa, San. Já deixa suas bonecas avisadas, bom? – Ela pede com um olhar tão infantil e verdadeiro que eu quase derreto com sua inocência.

Santana ri, sabendo que dificilmente eu aceitaria coisa do tipo. Ela pisca para mim e volta sua atenção para Rose.

– Tudo bem, falarei com elas. – Rose concorda com seriedade e logo sai do colo do Noah quando minha mãe informa que já está na hora de ir.

– E San, quando eu for a sua casa, não vá ficar dando beijinho na Britt na minha frente, bom? Mamãe disse que crianças não podem ficar vendo essas coisas de adulto. – Ela comenta me fazendo ficar pálida. Mais que o habitual.

Santana me olha e olha para Rose. Olho para Noah e ele parece um pouco confuso.

– Rose, minha filha, vamos embora, sim? Acho que você já pôde sanar sua saudade pela Santana. – Mamãe interfere, sabendo que se permitisse, Rose diria coisas indevidas. Essa menina é uma fofoqueira.

Rose acena nos dando tchau e logo pega na mão da mamãe, indo embora saltitante.

Volto meu olhar para o casal a minha frente e dou um sorriso sem graça. Vejo que o portão de entrada já está aberto e aponto para lá.

– Acho que já podemos entrar, o que acham? – Chamo, recebendo em troca um aceno de cabeça de Santana, que concorda.

Noah olha um pouco desconfiado mas nada fala. De repente parece que Rose disse tudo o que anda acontecendo entre mim e Santana. A expressão dele é confusa, mas ao mesmo tempo é uma expressão de alguém que parece ter entendido tudo. É como dizem: Para um bom entendedor, meia palavra basta e, somando isso a todas as minhas demonstrações de afeto por Santana, ele só pode ter chegado a uma conclusão.

Olho para Santana e ela apenas dá de ombros, como se dissesse: "Bem, sua irmã apenas disse o que ainda não fui capaz de dizer".

Notas finais
É isso por hoje... O que acharam? Me digam se algo ficou confuso e/ou errado. Se tiverem dúvidas me digam também. Espero que tenham gostado. Boa semana para todos. Até o próximo. Bjo bjo :*