Doce obsessão
2 Capítulo 2: A culpa é dela
Notas iniciais
Brittany P.:
Cheguei na escola, após um final de semana enfadonho, totalmente desanimada para a segunda-feira escolar que me esperava. Nunca acontecia nada de interessante, era sempre a mesma coisa todos os dias.
Mercedes sempre chegava com alguma novidade e eu a achava incrível por conseguir ter uma vida relativamente animada. Qualquer pessoa que estudasse com Rachel, Kurt e eu ficaria rapidamente entediado, mas ela não.
Rachel, apesar de ser muito irritante e estudiosa, também conseguia se divertir aos finais de semana com seus pais. Eles formavam uma típica família feliz, mesmo com seus dois pais gays e o preconceito que sofriam.
Kurt... o que posso dizer sobre ele? Nunca se assumiu gay, mas sua voz fina e sua preocupação com a aparência o denunciavam um pouco. Seu pai nunca reclamou do seu jeito e eu achava lindo ele respeitar o filho dessa forma.
Já eu tinha uma irmã de oito anos chamada Rose, filha de minha mãe, Susan, com meu padrasto, Peter. Somos descendentes de holandeses. Eu diria que não formávamos uma família muito unida. Era até mesmo um pouco desagradável passar muito tempo com eles, porém eu os amava mesmo assim.
Eu não gostava tanto da escola e não me sentia confortável com quase ninguém de lá, mas fazia o possível para não parecer antipática.
Eu vi Santana pela segunda vez durante o café da manhã. Ela estava com Quinn e Dani e fiquei um bom tempo pensando em como eu era distraída. Eu via Quinn e Dani todo os dias e nunca reparei em Santana.
Até então, ver Santana ocasionalmente era apenas agradável. Não havia nada muito interessante.
Os dias daquela semana foram passando e ver Santana nos períodos livres era apenas coincidência. Eu comecei a notar suas características mais bonitas: seus olhos, escuros e brilhantes; seu cabelo também escuro e bem cuidado e seu tom de pele, que era de um moreno claro, diria que é jambo e eu o achava maravilhoso. Acho que foi quando comecei a notar essas coisas que percebi que havia algo estranho me ocorrendo.
Além de suas características físicas, comecei a observar sua personalidade. Ela parecia séria e 'marrenta', mas também muito extrovertida e totalmente o oposto de mim.
A situação atual em que me encontro definitivamente não é das melhores. Quero dizer, além de tudo ser bem diferente do que eu sempre imaginei, a própria Santana também é oposta a mim. Eu preciso avisar: minha sorte não costuma aparecer e quando aparece mal fica para tomar um cafezinho, então acho que com Santana isso não iria mudar.
Bom, descobri seu nome por Mercedes, pois até então eu estava na completa ignorância. Fiquei feliz por saber que Mercedes era mais sociável que eu e conseguia fazer muitas amizades, pois, veja bem, ter uma amiga em comum com Santana pode ser algo que vai me favorecer e para minha quase nula sorte: Kurt também a conhecia.
De todo modo, inicialmente eu imaginava que apenas queria ser como Santana: bonita, simpática, inteligente, essas coisas entende? Não que eu fosse feia ou muito burra. Sou até bonitinha com meus olhos azuis e cabelo dourado, além de minhas notas não serem ruins, porém, de qualquer forma, ficar a olhando quando a via nos intervalos era uma questão de aprendizagem ou algo assim. Pelo menos foi o que tentei acreditar pelos meses seguintes.
Eu acho que, dessa "aprendizagem" surgiu um pequeno interesse romântico. É estranho, já que,entenda, eu nunca havia conversado com ela. Nem mesmo um oi, bom dia, boa tarde etc., eu nem mesmo a tinha nas redes sociais. Não sabia nada da sua vida fora da escola e foi quando notei isso que se iniciou minha obsessão por informações suas.
Eu tinha quase certeza de que ela era lésbica ou bi, não sei. Acho que tive essa impressão devido a sua proximidade com Dani. Devo dizer que sentia ciúmes de vê-las sempre juntas. Não tinham prolemas em se abraçarem sempre e isso me irritava. Como assim a Dani tinha tanta sorte e eu nada? Tão injusto... Uma vez um garoto insinuou que Dani era lésbica e eu até hoje acredito. Isso jamais ajudou a controlar o meu pequeno ciúmes. De um modo ou de outro, a vida de Santana ainda era um completo mistério.
Comecei a procurá-la na escola sempre que possível. Não era mais questão de a ver ocasionalmente e sem querer, eu a procurava de verdade, procurava por aqueles olhos e aquele tom de pele que somente ela possui. Eu ficava muito frustrada quando não a achava e eu ia para casa realmente chateada, como se fosse um dia perdido, então resolvi... xeretar sua vida virtual. Descobri coisas horríveis, bem ruins mesmo. Ao menos para mim, é claro. A primeira delas quase me fez desistir de tudo e chorar em posição fetal: ela tinha um namorado e seu nome era Noah Puckerman. Admito: ele era até que bonitinho. Seu cabelo não o favorecia muito, mas ainda era bonitinho. E pior: não era aquele tipo de namoradinho qualquer. Pelo que deu para notar, eles eram amigos antes de namorarem e desfrutavam de um bom relacionamento. Isso não é possível, é? Aquele cara definitivamente jamais será o suficiente para a Lopez, tenho certeza...
Com as semanas passando e eu cada vez mais obcecada por sua vida, pesquisei mais a fundo e descobri que ela era muito hétero, sem chances nem mesmo para a bissexualidade. Que frustrante. Ela não era homofóbica nem nada, mas percebi que ficaria irritada caso uma garota a paquerasse, logo, se Dani não tinha chance, eu menos ainda. Sempre irei me perguntar como me meti nessa. Nada conspirava ao meu favor. Compreende quando digo que minha sorte não gosta de mim?
Fiquei tão triste que, durante o final de semana, decidi não ficar ansiosa para vê-la e caso a visse tentaria ignorar seus olhos e ela por completo. Isso faria com que nas semanas seguintes eu me importasse cada vez menos. Mas não funcionou. Na segunda-feira a vi chegando na escola e me derreti toda. Logo percebi que meu plano não daria certo, mas ainda assim eu me esforcei. Passei por ela no corredor algumas vezes e por mais difícil que fosse, acho que o resultado não foi tão ruim. Segui desse modo até quarta ou quinta-feira, porém vi que não aguentava mais e voltei a encará-la incansavelmente.
E assim se passou mais algumas semanas e fui percebendo que não prestava atenção mais em nada quando a via. Quase não entendia o que meus amigos me diziam, era necessário que chamassem a minha atenção. Poxa Santana, não é legal mexer com as pessoas assim... Enfim, decidi que ficaria com raiva dela por fazer eu me sentir daquela forma. E dessa forma se passou mais um final de semana em que eu me preparava para mostrar toda a raiva que eu sentia por ela, mesmo que esse sentimento não fosse de fato real. Dessa vez consegui fugir de seus olhos a semana toda, mas no final de semana seguinte eu já estava me corroendo. Eu até mesmo estava evitando ver algo na internet sobre ela, considerando que isso é muito difícil tendo Mercedes e Kurt a conhecendo. Acho sinceramente que eu mereço alguns créditos por minhas tentativas frustradas, digo, eu tentei mesmo não ter essas sensações e sentimentos por ela, logo culpe-a por tudo. Eu tentei.
De qualquer forma, nada parece dar certo na minha vida e com Santana as coisas parecem piorar. Pelo visto nem mesmo as férias de meio de ano foram suficientes para eu esquecê-la. Eu já disse que sou patética e ridícula? Mas ainda a culpa é dela, disso tenho certeza.
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