Doce obsessão
15 Capítulo 15: É absurdo apenas imaginar.
Notas iniciais
Santana L.:
Sinto-me mentalmente exausta. Minha cabeça é uma bagunça gigantesca na qual eu não consigo organizar nem me achar. Tenho uma mistura de sensações passando por mim: culpa, dúvida, curiosidade e até mesmo um pouco de arrependimento.
Brittany está me deixando louca com essa situação. Eu não quero a fazer acreditar em algo que eu decididamente não pretendo levar adiante. Isso seria loucura, não seria? Pois vejamos: eu jamais pensei em ficar com uma garota, ainda mais terminar com meu namorado para ficar com alguma. É absurdo apenas imaginar.
Beijar Brittany é maravilhoso, ela realmente sabe o que está fazendo e o carinho que sentimos uma pela outra faz tudo ser ainda melhor. Não devo e não vou ignorar o fato de que eu adoro estar com ela. Qualquer que seja o momento, será sempre ótimo. Eu só não quero que estraguemos isso por causa de uma simples atração.
Nunca questionei o motivo pelo qual a Britt não namora. Ela é lindíssima. Qualquer cara amaria estar com ela. Além de bonita, ela é simpática, doce e cuidadosa. Imagino agora que seja porque ela gosta de garotas. Na escola onde estudamos não temos um bom número de garotas homo ou bissexuais e Brittany parece tímida o suficiente para não dialogar com as poucas existentes. É claro que ela ficou feliz por eu tê-la retribuído.
Não pretendo prosseguir com essa situação. É ruim sentir toda essa confusão. Acredito que Brittany não esteja diferente. O quanto antes resolvermos, melhor será. Poderemos continuar nossas vidas normalmente, como as boas amigas que somos. Ainda poderei ajudar Brittany nos seus futuros relacionamentos. É simples e rápido.
– Está pensativa, Tana. Está tudo bem? – Pergunta-me Puck, olhando preocupado.
Estamos na casa dele, especificamente em seu quarto, deitados na cama ouvindo a playlist contida no seu Pen Drive. Gostamos de ficar assim, apenas conversando enquanto escutamos as músicas ao fundo. Claro que também temos nossos momentos de pegação quando estamos afim.
O Puck é do tipo que não atrai as mulheres apenas por sua aparência física. Ele consegue derreter qualquer uma apenas conversando com ela. Ele é muito simpático e apesar de ser sincero, sempre fala coisas que não desagrada a ninguém. É adorável.
– Não é nada. Estava apenas viajando. – Informo, sorrindo e o olhando. Ele me sorri de volta e me dá um selinho.
Puck também é mesmo muito carinhoso. Talvez um namorado perfeito. Me sinto péssima por ter beijado a Britt e não o ter contado. Não vou mesmo continuar com isso. Omitir coisas é tão ruim quanto a própria mentira e Puck realmente não merece isso.
– E aí, conversou com a Britt ontem? Você me abandonou para ficar com ela. – Comenta ele, formando com os lábios um grande bico. Paro um pouco e reflito sobre o verbo ficar e sobre o que ele pode significar hoje em dia.
– Conversei... – Afirmo, tentando encerrar o assunto. Puck fica me encarando, como se esperasse a continuação. – Não era nada de mais.
Puck balança a cabeça em sinal de compreensão e fico contente por não ser mais questionada. Abraço a ele, suspirando e beijando sua bochecha. Ele sorri e beija meus lábios e eu claramente o retribuo, decidindo esquecer um pouco toda essa situação com a Britt.
Puck percebendo minha entrega prende firme uma de suas mãos em minha cintura e eu passo um de meus braços ao redor do seu pescoço, fazendo-nos ficarmos mais próximos. Ele se coloca um pouco sobre mim, me pressionando contra o colchão e fazendo com que eu passasse a deslizar meu outro braço por suas costas. Após um pequeno tempo, passa a elevar minha blusa. É engraçado, porque Noah faz esse tipo de coisa sempre um pouco retraído, como se eu fosse brigar com ele por isso. Bem, eu não vou.
Separo-me dele por alguns centímetros de distância e eu mesma tiro minha blusa, fazendo com que ele volte com suas mãos curiosas para cima de mim e voltando a me beijar deliciosamente. Puxo sua blusa para cima, arranhando-o no processo e recebendo em troca um aperto mais firme na cintura. A blusa dele logo não está mais em seu corpo, nos permitindo sentir o calor do corpo um do outro com mais intensidade.
Antes que possamos avançar mais, ouço o celular do meu namorado tocando mais alto que a música. Ficamos um tempo apenas ouvindo-o tocar, esperando que a pessoa que está ligando desista. Sem conseguirmos o que queríamos, logo afasto-me dele, suspirando e revirando os olhos, frustrada. Puck se levanta, me olhando como se pedisse desculpas.
Sento, logo pegando minha blusa. Odeio gente que corta o clima romântico dos outros. Suspiro frustrada novamente. É um sábado, acho justo que meu namorado e eu possamos ter um tempo juntos. Mas pelo jeito alguém não concorda.
Passo a prestar atenção em Puck, que acabou de atender ao celular.
– Sim, ela está aqui comigo. – Ele confirma para a pessoa, me olhando como se conferisse se eu estou mesmo lá. – Não se preocupe, Britt. Não atrapalhou nada, não esquenta.
O olho curiosa ao saber que a pessoa que o ligou era a Brittany. Fico o encarando, como se perguntando o motivo daquela ligação. Ele apenas dá de ombros, ainda ouvindo o que ela tem a dizer.
– Tudo bem, então. Até, Britt. – Se despede ele, encerrando a ligação.
– Era Brittany? O que ela queria? – Questiono interessada.
– Queria apenas saber se você estava aqui. Ela disse que tentou entrar em contato com você, porém como não obteve sucesso, decidiu ver se você estava comigo e, bom, você está. – Esclarece ele, dando de ombros.
– Certo... Meu celular descarregou, por isso ela não conseguiu. – Comento, pegando meu celular e confirmando o que dizia. – Ela disse o que queria?
– Não, ela pareceu um pouco constrangida. Pediu desculpas por ter nos atrapalhado. Disse que te ligaria depois.
Balanço a cabeça, entendendo. Por um momento, enquanto estava beijando meu namorado, eu esqueci toda a confusão. Agora está tudo de volta e eu ainda não sei lidar com isso.
Puck parece perceber minha confusão mental e se aproxima, me olhando cuidadoso.
– De novo pensativa, Tana? Quer me contar alguma coisa? Você ficou estranha de repente.
O olho carinhosa, agradecida por sua preocupação.
– Não é nada, acredite em mim. – Digo tentando passar sinceridade.
– Você sabe que acima de tudo somos amigos e que deve confiar em mim para qualquer coisa, não sabe? – Pergunta, me fazendo um carinhoso cafuné.
– Eu sei e o agraço por isso, por estar sempre comigo. – Falo, o abraçando e beijando sua bochecha. – Mas acho que tenho que ir agora. Daqui a pouco seus pais chegam e eu provavelmente vou ficar constrangida.
Puck ri e bagunça meu cabelo, passando um dos braços por meus ombros de indo comigo para a saída.
Nos despedimos com um beijo rápido e logo eu estou a caminho da minha casa. Insisti para Puck de que não era necessário que ele me levasse até em casa. O dia ainda está claro e com algumas pessoas andando pela rua, apesar do frio que está fazendo.
Aperto minha blusa de frio ao redor do corpo numa tentativa de me esquentar um pouco mais. Passo a andar mais rápido, querendo chegar o quanto antes no conforto da minha casa.
Enquanto caminho a passos rápidos, abaixo minha cabeça tentando me livrar do vento gelado, o que faz com que eu esbarre em alguém. Fico assustada e levanto a cabeça para pedir desculpas. Assim que faço isso, percebo os olhos azuis muito claros me encarando curiosos. A cabeleira loira está coberta por uma touca cinza. Seu rosto parece um pouco corado, talvez por causa do frio atingindo seu rosto, ou talvez pelo constrangimento de novamente ter esbarrado em mim.
– Brittany! Oi. Desculpe, eu não estava olhando para frente. – Desculpo-me, assumindo a culpa.
– Está tudo bem, San. Eu também estava um pouco distraída. – Comenta ela um pouco tímida, me fazendo sorrir.
Ficamos nos olhando sem saber o que falar. Mesmo estando congelando, não digo nada. Simplesmente não sei o que dizer. Não imaginei encontrá-la tão cedo.
– Hum... então, o que faz por aqui? – Pergunto, lembrando de que a casa dela não é próxima daqui.
– E-eu? Nada, só decidi andar um pouco por aí. – Ela me informa olhando para o outro lado da rua.
Olho para ela um pouco desconfiada. Como assim decidiu andar por aí? Está congelando do lado de fora e apesar de ter gente na rua, a maioria está resolvendo coisas pessoais. Ninguém está por aí apenas por estar.
– Mesmo? Estranho. Está frio, você deveria preferir estar em casa. – Afirmo, ainda desconfiada. Ela não iria até a casa do Puck só para falar comigo, iria?
– Bem, eu passei o dia em casa. Achei que seria interessante eu sair um pouco. – Ela diz e fica me olhando, esperando que eu dissesse algo.
– Imagino... O Puck disse que você estava me procurando. Aconteceu algo? – Pergunto, lembrando de sua ligação.
– Não, nada. E me desculpe por tê-los atrapalhado. Não foi minha intenção.
– Tudo bem, não atrapalhou. – Minto. Atrapalhou sim.
Fico a olhando, mas ela não retribui meu olhar. Ela fica simplesmente olhando para seus pés calçados com um All Star branco e encardido.
– Você está com frio, é melhor eu deixar você ir. – Constata ela, retirando sua touca cinza e a colocando na minha cabeça delicadamente. Seus cabelos logo são bagunçados pelo vento. Ela parece não se importar.
– Obrigada. — Agradeço pela touca. – Então nos vemos segunda-feira, Brittany.
Ela concorda e eu me afasto acenando. Percebo que ela não sai do lugar, parece esperar que eu me afaste o suficiente. Olho para trás e ela está atravessando a rua. Ela segue pela mesma direção a qual estou seguindo, me deixando curiosa. Quando nos esbarramos, ela estava indo na direção oposta a minha e agora ela além de esperar eu me afastar, ela passa a seguir o mesmo caminho que eu, apenas com uma distância considerável de mim. Muito suspeito.
Decido não me preocupar com isso. Brittany não é nenhuma maníaca perseguidora obsessiva. Ela não ficaria tão obcecada por mim desse modo só porque nos beijamos algumas pouquíssimas vezes. Ela não é assim, é?
Coloco uma das unhas na boca, pensativa. Brittany nunca foi de ficar me procurando durante os fins de semana. E em nenhum deles eu a encontrei perto da casa de Puck. Dessa vez ela sabia onde eu estava e coincidentemente estava por perto quando eu estava indo embora.
Suspiro, ainda mais confusa. Chego em casa e falo com meus pais, que me recebem carinhosamente. Subo para meu quarto e me jogo na cama, ainda pensativa.
Segunda-feira não posso perder a oportunidade de conversar com a Brittany. O quanto antes melhor. Preciso tirar da cabeça dela qualquer ideia romântica que ela esteja tendo sobre nós duas. Não vai acontecer. Eu certamente vou continuar com a amizade agradável que temos, porém nada mais que isso e ela precisa ser alertada. Não vou permitir que ela crie ainda mais expectativas e se sinta mais ligada do que de fato é a mim. Mais que isso: não quero que nenhuma de nós fique magoada no final.
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