Doce obsessão

18 Capítulo 18: O suficiente.


Notas iniciais
Olá gente!! Obrigada pelos comentários adoráveis. Eles me deixam tão animada. Me perdoem pela demora a respondê-los e pela demora do capítulo. Ah, sim. A música apresentada no capítulo é Gravity, da Sara Bareilles. Quem gosta de leitura com música eu super indico. Espero que gostem do capítulo e desculpem qualquer erro :B Até lá embaixo õ/

Brittany P.:

Acordo pela manhã com o despertador tocando e antes que eu possa reclamar da preguiça, lembro de que provavelmente verei a Santana. Automaticamente me sinto disposta para levantar e enfrentar o dia que está a me esperar.

Levanto o cobertor e logo me cubro novamente devido o frio. Me encolho na cama como uma criancinha com medo do bicho papão. No caso sou eu com medo do frio. Certo... terei que correr. O esquema é pegar qualquer roupa e correr para o banheiro e colocar a roupa o mais rápido possível. Ok. Já.

Jogo o cobertor para o lado e corro até o guarda-roupa. Pego uma calça jeans qualquer e uma blusa de moletom. Sigo para o banheiro sofrendo de frio e me arrumo o mais rápido que consigo.

Finalmente aquecida e pronta, desço para tomar café a provavelmente encontrar a desagradável presença de Peter.

Logo no fim na escada eu já sinto o cheirinho bom de café e sinto meu estômago reclamar de fome. Passo pela sala e encontro Rose lutando contra os cadarços dos seus sapatos. Sorrio para a cena e me encaminho para a cozinha.

Mamãe ainda está passando o café. Peter não está, o que me deixa curiosa. Sento numa das cadeiras e fico encarando minha mãe, que ao me ver sorri.

– Bom dia, querida. – Ela me diz, tirando momentaneamente sua atenção do que estava fazendo.

– Bom dia, mãe. Cadê o Peter?

– Ele saiu mais cedo hoje. – Responde, ficando em silêncio em seguida, esperando que eu reclamasse ou dissesse algo. E, apesar de que querer muito fazer isso, posso ver que ela não quer falar dele. Decido deixá-la em paz.

Não demora muito e nós três, Rose, mamãe e eu, estamos tomando o café tranquilamente. Comento com minha mãe coisas sobre a escola e logo percebo que está na hora de irmos.

Seguimos por caminhos diferentes, já que a escola de Rose é outra.

Coloco os fones de ouvido e vou caminhando tranquilamente, pensando em tudo e em nada ao mesmo tempo. Na realidade, a maior parte dos meus pensamentos são dirigidos à Santana. Lembro que ela aceitou sair comigo na noite passada e sinto meu coração acelerar de maneira torturante.

Não consigo conter minha ansiedade de vê-la. Ver seu sorriso com covinhas fofas, seus olhos escuros e sua alegria contagiante.

Só em pensar nela já sinto um friozinho na barriga. Santana faz isso comigo. Todos os dias. Ela causa sensações incríveis em mim e nem imagina.

Chego à escola e não preciso esperar muito para seguir para a primeira aula do dia. Noah, que tem essa aula comigo, está sentado com a maior cara de tédio e sono do mundo. Sigo para o lugar ao lado do seu.

– E aí, Britt? Tudo numa boa? – Pergunta, sorrindo de leve.

– Tudo ótimo. E com você? Parece um pouco cansadinho. – Observo e o encaro curiosa.

– Ficar conversando com a namorada até tarde dá nisso. Acho que preciso dormir. – Diz, jogando a cabeça na mesa e fechando os olhos em clara demonstração de cansaço.

Certo, Santana ficou conversando com ele por bastante tempo. Essa era uma informação desnecessária. Sim, eu não sou obrigada a saber esse tipo de coisa.

– Ah, sim. Eu imagino... E Santana, veio hoje? – Indago, agora interessada de verdade.

– Eu ainda não a vi, mas ela não faltaria novamente. Relaxa, loirinha. Daqui a pouco sua amiga está aí para vocês fazerem coisas de menininhas. – Ele ri, fechando o zíper da blusa de frio.

Ah, Noah. Se ele soubesse que tipo de coisas de menininhas eu gostaria de fazer com a Santana, certamente não brincaria com isso.

Mantenho o diálogo com Noah até o professor entrar na sala de aula e começar a passar seu conteúdo. Vez ou outra comentamos algo sobre a matéria. Nada muito relevante.

A aula se encerra e me despeço de Noah. Caminho até meu armário, retirando o que irei usar na próxima aula. Olho em volta procurando por Santana e não a vejo. Fecho o armário e sigo para a sala. Talvez eu a veja no intervalo.

–~*~-

Levanto da cadeira rapidamente quando a aula acaba e saio da sala, passando rapidamente pelo meu armário para guardar algumas coisas. Olho novamente em volta e apenas vejo Kurt vindo em minha direção.

– Oi, Britt. Procurando a Santana? – Pergunta ele ao notar o movimento dos meus olhos.

– Na verdade sim. Você a viu por aí? – Questiono o olhando com expectativa. Ele ri da minha cara ansiosa e aponta para o fim do corredor, onde Santana acaba de aparecer.

Abro um enorme sorriso quando a vejo. Parece que fiquei muito mais tempo sem vê-la, pois a alegria que sinto agora é inexplicável.

Agradeço ao Kurt e lhe dou um beijo na bochecha, seguindo para onde Santana está enquanto digita algo no celular.

– San, oi. – Digo ao me aproximar.

– Hey, Britt-Britt. – Cumprimenta ela tirando a atenção do celular e me abraçando de forma amigável.

Ela rapidamente se separa e eu não sei exatamente o que dizer. Pergunto se ela está bem? Bom, ela está aparentemente. E eu falei com ela ontem! Certo, então isso não. Talvez eu possa perguntar quais aulas ela teve hoje... Não, isso não. Totalmente descartado.

Ouço ela rindo enquanto me olha e percebo que ela está rindo de mim e das prováveis caretas que estou fazendo. Ok, isso me deixou encabulada.

– Está tudo bem por aí, Britt? – Pergunta ainda rindo. Sinto meu rosto corar um pouquinho e balanço minha cabeça afirmativamente.

Às vezes imagino que Santana deve me achar absolutamente estúpida. Passar vergonha é minha especialidade. Até numa situação simples e comum eu consigo fazer isso. Um absurdo.

– Vem comigo, B. Eu preciso passar na biblioteca. – Informa ela pegando na minha mão e puxando.

Seguimos dessa forma até o local desejado. Não soltamos nossas mãos e eu é que não vou fazer isso. Não mesmo.

Chegamos e nos dirigimos até a sessão de livros sobre literatura estrangeira. Enquanto Santana escolhe o livro que vai pegar, eu fico bisbilhotando alguns livros próximos. Não demora muito para o silêncio agradável ser interrompido por uma voz masculina.

Olho para o lado e vejo Noah abraçando Santana por trás e cheirando rapidamente seu pescoço. Por que, Deus?

– Olá, Tana. – Noah cumprimenta a namorada. Afê.

Santana vira nos braços do namorado e dá um beijinho nele. Um nojo.

Eles passam a conversar mega próximos e me excluem totalmente. Ah, não. E ainda ficam de sorrisinhos! Justo quando estou por perto eles decidem agir assim.

Eu não mereço passar por isso. Não preciso ficar olhando a garota pela qual estou apaixonada se entregando para outro. É tortura demais até mesmo para mim.

Dou uma última olhada neles e saio de fininho do corredor. Assim que olho para a frente vejo Rachel me observando desconfiada. Ela apenas se vira e sai da biblioteca, como uma promessa silenciosa de que iremos conversar depois.

Saio da biblioteca de cabeça baixa. Não sei nem ao menos se devo culpar Santana por isso. Pois vejamos, ela já me beijou, digo, não beijei sozinha. Ela me fez pensar algo que certamente não condizia com a realidade. Mas aí ela conversou comigo. Ela não foi insensível de forma alguma. E ela nunca soube dos meus reais sentimentos. Pelo menos não da intensidade deles. Logo, ela está apenas aproveitando o tempo com o namorado enquanto eu faço drama.

Tudo bem, Brittany. Está tudo ótimo. Nada de errado. Existem pessoas sofrendo de verdade. Não tem necessidade essa chateação toda. Só preciso me distrair.

Bom mesmo é saber que sua próxima aula é vaga, ou seja, sem chances de fugir dos meus próprios pensamentos.

Coloco meus amados fones de ouvido e vou caminhando para as arquibancadas. É involuntário. Não importa mais o que eu faça ou para onde eu vá. Santana de alguma forma estará lá.

Something always brings me back to you (Algo sempre me traz de volta a você)

It never takes too long (E isso não demora muito)

No matter what I say or do (Não importa o que eu diga ou faça)

I'll still feel you here (Ainda sinto você aqui)

'til the moment I'm gone (Até o momento que vou embora)

Olho em volta, sorrindo ao me lembrar da vez em que nos beijamos. Parece agora que já se passaram anos, quando na verdade eu ainda posso sentir o mesmo friozinho na barriga que senti naquele dia. É algo tão distante, mas ao mesmo tempo tão próximo.

Eu finalmente compreendo o poema "Amor é fogo que arde sem se ver" de Camões, agora. Pelo menos acho que compreendo. Digo, depois que me apaixonei pela San, entendi toda a complexidade desse sentimento. Ele é contraditório e faz com que trilhões de coisas sejam sentidas ao mesmo tempo.

Santana faz todas essa sensações passarem por mim. Todos os dias, mesmo naqueles em que ela nem está presente fisicamente. Qualquer pensamento sobre ela já é o suficiente.

You hold me without touch (Você me segura sem me tocar)

You keep me without chains (Você me mantém sem correntes)

I never wanted anything so much (Eu nunca quis tanto algo)

Than to drown in your love (quanto afundar no seu amor)

And not feel your rain (e não sentir sua chuva)

Uma turma entra em campo e eu simplesmente me mantenho no meu cantinho, ignorando os berros da treinadora com os alunos. Coloco a touca da blusa sobre a cabeça e enfio as mãos no bolso. Não preciso passar frio e muito menos chamar atenção, não é? Não que esteja muito frio aqui, mas tudo bem.

Alguns garotos fazem algumas jogadas enquanto o resto da turma se organiza e eu aproveito isso para me distrair. Não que educação física seja meu forte. Não é. Mas pelo menos serve de algo, ué.

Enquanto observo o jogo se iniciar e algumas meninas se esquivarem da bola uma porção de vezes, sinto alguém ao meu lado. O cheirinho me diz ser Santana e eu logo viro a cabeça para olhá-la.

Ela me encara de maneira séria e eu mais uma vez no dia não sei o que dizer. O que ela faz aqui, afinal?

– Você não deveria estar em aula? – Indago após um curto período de tempo, retirando um dos fones de ouvido. Ela me olha e abre um pequeno sorriso.

– E você deveria estar na biblioteca junto a mim quando saí de lá. – Comenta enquanto me olha. – Mas sim, eu deveria estar em aula. No entanto fiquei preocupada quando não a vi comigo.

– Eu não quis atrapalhar você e Noah. – Digo, retirando as mãos do bolso e mexendo nas unhas.

– Olha para mim, Brittany. – Pede Santana. Olho para ela e ela fica novamente me encarando e me analisando. Isso me constrange e olho rapidamente para o jogo que está acontecendo, voltando novamente em seguida minha atenção para minhas unhas. Sei ela ela consegue ver claramente o que está passando por mim no momento e isso me assusta.

Sinto Santana segurar meu queixo e girar minha cabeça para ela. Ela olha para mim um pouco mais séria desta vez.

– Não minta para mim, tudo bem? Eu só quero que as coisas deem certo para nós. – Ela revela, suspirando em seguida e desviando o olhar. De repente tudo parece mais sério do que deveria. – Mas sinto que a todo momento eu te decepciono.

– Você não o faz. Não é você, San. Eu faço isso sozinha, acredite. Eu achei que saberia lidar com as coisas entre nós, mas talvez eu só esteja me enganando. – Desabafo.

You loved me 'cause I'm fragile (Você me amou porque sou frágil)

When I thought that I was strong (Quando eu pensei que eu era forte)

But you touch me for a little while (Mas você me toca por um pequeno instante)

And all my fragile strength is gone (E toda a minha força frágil se vai)

Ficamos em silêncio apenas ouvindo os apitos da treinadora e eu a música do celular. Nem ela nem eu sabemos o que dizer para confortar a outra.

Santana não sente nada por mim enquanto eu sinto tudo por ela.

– Eu sei que já conversamos e que eu mesma pedi para não acontecer mas nada entre nós, mas você sempre dá um jeito de me afetar, Britt. Meu coração se parte toda vez que imagino sua tristeza. Principalmente se sou eu que a causo.

E ela me afeta igualmente. Santana está nos lugares mais improváveis. Ela está presente em cada pedacinho dos meus pensamentos e, por mais que eu tente afastá-la, ela continua lá.

Set me free, leave me be (Me liberte, me deixe ser)

I don't want to fall another moment into your gravity (Eu não quero cair outro momento na sua gravidade)

Here I am and I stand so tall (Aqui estou, e permaneço tão confiante)

Just the way I'm supposed to be (Exatamente como deveria estar)

But you're on to me and all over me (Mas você está em mim e por toda parte em mim)

Simplesmente me aproximo de Santana e a abraço, passando meus braços por seu pescoço. Ela retribui, me abraçando pela cintura.

– Vamos resolver essa bagunça, Britt-Britt. Juntas, tudo bem? – Ela sussurra, se afastando e olhando nos meus olhos. Balanço a cabeça confirmando.

– Juntas, San. – Afirmo, segurando seu dedinho. Santana sorri e me dá um beijinho no canto da boca. O suficiente para abalar meu mundo.

Sei que nada disso significa que serei correspondida. Santana não vai me amar da forma que eu quero do dia para a noite. Ela só está tentando não me magoar. Não partir meu coração. Sabemos que não importa o que façamos, nada disso vai dar certo. Só precisamos aproveitar enquanto podemos. É o suficiente.

Deito minha cabeça no seu ombro e ela deita a dela em cima da minha logo após suspirar e dar um beijo na minha testa.

Something always brings me back to you (Algo sempre me traz de volta a você)

It never takes too long (Isso nunca leva muito tempo)

Notas finais
É isso... O que acharam? Me desculpem se algo ficou confuso ou incoerente. Avisem sobre esse tipo de coisa, por favor. E me desculpem também por qualquer erro. Eu não queria atrasar ainda mais o capítulo, então talvez não tenha revisado muito bem. E uma perguntinha: O que vocês acham de músicas nos capítulos? Se acharem chato e não estiverem gostando é só me informarem também. Tenham um bom restinho de semana. Até o próximo. Bjo bjo :*