Doce amor
2 Doce Amor: 2
Notas iniciais
Eu ainda não conseguia entender o motivo da raiva que Nathan sentia por mim. Será que tinha algo a ver com o beijo na bochecha que ele me deu na aula? Bom... Qualquer outro menino se sentiria ofendido por ser beijado na bochecha por outro menino. Mas eu não... Era o Nathan, meu melhor amigo.
Talvez por isso Elizabeth me agarrou lindamente na sala. Ela podia não estudar lá, mas as suas fiéis companheiras (e putas), também conhecidas por Anne e Hillary contavam tudo para ela que me envolvia durante o intervalo. Já peguei as duas antes de começar a namorar com Elizabeth, que é uma das mais desejadas do colégio. Consequentemente, virei popular, mas nunca abandonei meu fiel e melhor amigo.
Ao sair da escola, fui andando para minha casa, que não era muito longe, só umas duas quadras. Eu sempre ia acompanhado por Nathan e no meio do caminho percebi a falta que ele me faz. Cheguei em casa e fui direto para meu quarto, meu recanto de paz na terra. Ou quase paz, já que o único videogame da casa ficava lá e eu quase nunca tinha privacidade, pois todo santo dia meu irmão Allan leva seus amiguinhos irritantes para jogar lá. E hoje não foi diferente.
– Allan, eu já disse que não quero ninguém aqui antes de eu voltar da escola!
– Problema seu, o quarto não é só seu.
Na verdade, era sim.
– Saiam daqui, pirralhos. – falei enxotando-os com uma vassoura.
Finalmente, paz.
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Depois de tomar um banho de meia hora, deitei na minha cama e relaxei. Acabei pegando no sono. Tive um sonho deveras intenso e confuso. Nele, eu estava comendo um garoto e eu sentia que esse garoto era muito próximo de mim. Quando acordei, estava ereto e seria impossível deixar aquilo ali e então fiz meu trabalho manual, já que não tinha Elizabeth ali para me ajudar.
No meio do trabalho, a imagem de Nathan me veio na cabeça e o tesão só aumentou. Por algum motivo, ao gozar o nome dele saiu sussurado por meus lábios. Estranho...
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No dia seguinte, a mesma rotina se repetiu. Com exceção da falta do Nathan. Karina também sentiu falta do garoto e perguntou se eu sabia de algo, já que sou o único amigo dele na escola.
Ao fim da aula, decidi ir ver porque ele não havia aparecido na escola nem respondido minhas trocentas mensagens no whatsapp e no facebook. O caminho para a casa dele é curto, já que ele mora três ruas antes de mim. Toquei a campanhinha e sua doce mãe veio atender.
– Olá, querido! Que honra receber-lhe aqui novamente! – Dona Beatrice é muito educada e gentil comigo. Ela simpatiza demais pro meu gosto.
– Oi, tia! – Sempre a chamo assim, ela não gosta, mas é respeitoso... – Eu vim ver como o Nathan está... Ele está no quarto, né? – Ela confirma com a cabeça. – Posso vê-lo?
– Oh sim. Suba!
Subindo a escada, o nervosismo tomou conta de mim e sem algum motivo aparente, fiquei enjoado. Chegando na porta do quarto, ouvia soluços e socos dados na cama. Bati na porta e esperei que ele abrisse.
A cara do garoto quando abriu a porta estava acabada.
– O que você está fazendo aqui? – Um Nathan com voz embargada e recém carregada de ódio me recebeu.
– Eu vim saber o porquê de você não ter ido para a escola, não ter respondido as milhares de mensagens que deixei e quero que você me explique porque me odeia.
A cada motivo de minha ida para a casa dele, ele empalidecia.
– Nathan? Está bem?
– Sim. Estou. Saia daqui. – Nathan ia fechando a porta e eu não iria deixar isso acontecer.
Lutei com ele e consegui entrar no quarto, cuja porta foi fechada bruscamente e com um forte estrondo. Nathan se escolheu na cama. Parecia estar com medo de mim.
Sentei na cama e ele fez o máximo para ficar longe de mim.
– Nathan.. amig-
– Não me chame de amigo – Ele me cortou.
Pisquei, surpreso.
– Como é?
– Não me chame de amigo. Não quero saber de você.
– Posso ao menos saber o motivo?
Nathan suspirou e parecia estar à beira das lágrimas.
– Eu não vou lhe contar.
– Então eu vou forçar você a falar. – e comecei a sacudir o garoto.
– Tá, porra! Eu falo!
Sentei novamente na cama, ansioso.
– Promete que não vai me bater, nem parar de falar comigo?
– Mas que cacete, Nathan! Conte logo.
Mais suspiros.
– Eu não sei de onde surgiu isso, mas eu estou sentindo uma vontade enorme de te beijar, uma vontade enorme de ser protegido por você, uma vontade enorme de te abraçar e sentir seu cheiro. Uma vontade enorme de poder te amar. Eu te amo, Daniel.
Fiquei exatos cinco minutos calado absorvendo as palavras.
– Ahn, Nathan... Você sabe que eu não sou gay e tal... Mas...
– Não quero ouvir palavras de consolo, Daniel. Se não pode me dar o que quero, continue sendo meu amigo e finja que nunca lhe disse isso. – Ele estava quase chorando.
– Você sabe que eu não aguento te ver chorar. Vou realizar um desejo seu.
Mal acabei de falar, parti para os lábios finos e delicados do loiro. Foi um beijo inocente, cheio de ternura e hesitação.
Quando acabamos, Nathan me olhou com aqueles olhos grandes e cinzas.
– Você... você me beijou. Daniel. Por que fez isso?
– Por que eu gosto muito de você, meu amigo. E você sabe que não meço esforços para ver meus amigos felizes.
E abracei o corpo magro de Nathan. Deitei-o na cama e fiquei ao lado dele. Não sabia o que estava fazendo, mas me deixava feliz. Enfim, ele pegou no sono e eu fui para casa.
Com aquele gosto de Nathan na minha boca.
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