Doce amor
3 Doce Amor: 3
Notas iniciais
Fui embora para casa com um sentimento bom no peito. Sabia que havia feito o certo pelo meu melhor amigo, mas não sabia se ele tinha consciência disso. Cheguei em casa e fui direto para o quarto, onde Allan estava com os pirralhos. Deixei-os ficar lá porque estava confuso e feliz. Fiquei vendo os garotos jogar e lembrei do tempo que eu e Nathan jogávamos videogame e nos divertíamos por coisas simples.
Depois de um tempo, fui tomar banho e quando voltei os garotos já não estavam lá.
“Bom mesmo, porque eu já ia expulsá-los.”, pensei.
Foi relaxante deitar na cama e deixar o corpo descansar e os pensamentos fluírem normalmente, sem qualquer impedimento. Pude colocar minhas ideias em ordem e pensar mais claro sobre a questão Nathan. Acabei pegando no sono e só acordei no dia seguinte. Dormi por 17 horas, um recorde!
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No caminho para a escola, vislumbrei o Nathan.
“Então ele vai para a escola hoje!”, pensei animado.
De fato, Nathan foi para a escola, mas sentou o mais longe possível de mim, ou seja, em vez de sentamos sempre Karina-Daniel-Nathan, neste dia foi Daniel-Karina-Nathan. Passei as quatro primeiras aulas inquieto e pensando no garoto que estava a uma cadeira de distância. No meio da terceira aula, de geografia, mandei um recado via Karina para Nathan.
Encontre-me no corredor da sala de artes, no quinto andar, no intervalo. Se você não for, irei atrás de você.
Daniel
O intervalo enfim chegou e Karina, que havia lido o recado (por ser muito amiga minha e de Nathan) resolveu ir comigo. O garoto não esboçou nenhuma reação ao recado e nem respondeu, deixando um mistério pairando no ar. Eu e Karina subimos os dois andares restantes para a sala de artes. Ficamos por dez minutos esperando quando Nathan apareceu. Parecia nervoso e envergonhado. Nem olhou para mim.
– O que você quer comigo, Daniel?
– Epa, epa. Peraí. Me expliquem agora o que aconteceu. – Karina estava irritada com essa situação.
– Ka... Depois eu te explico tudo e...
– Não. Nada de explicar depois. Se você não é homem suficiente para falar, eu falo. – Nathan desafiou-me com uma voz embargada.
– UAU. Qual foi, gente? – Agora sim Karina queria saber de tudo.
Houve um intervalo de tempo consideravelmente grande em minha opinião. Eu estava muito nervoso e julgo que Nathan também estava.
– Vou começar a falar. Karina vem comigo?
Então ele queria falar a sós com Karina. Eu não poderia ouvir nada.
– Tuuuudo bem, me quer longe? Nunca mais fale comigo, Nathan Grace.
Desci os cinco andares até o térreo praticamente voando. Estava possesso de raiva e nem Elizabeth conseguiu me deixar feliz.
A aula recomeçou e me mantive calado por todo o tempo. Karina até tentava falar comigo, mas eu não dava brecha. Cheguei a pedir para mudar de cadeira, o que me foi concedido. Sentei-me do lado de Gabriel Miller, um novato. Ele parecia querer puxar papo comigo, então começamos a conversar. Me dei conta de que ele era muito legal. O fato de eu ser popular na escola não me deixava melhor do que ninguém, por isso ele sentiu-se meio hesitante em falar comigo.
– Eu nunca falei com você porque me disseram que você é muito arrogante e não gosta de novatos...
– Gabriel, pelo amor de Deus – eu ri – Eu também já fui novato aqui e sei como o pessoal aqui trata os novos. Nunca fui arrogante com ninguém e só me tornei popular por causa da Elizabeth.
Contei a ele toda a história com Elizabeth e a minha amizade com Nathan. Ele percebeu minha amargura ao falar do garoto.
– O que ele fez pra você?
– Nada... É que a gente tá com uns problemas na nossa amizade e eu resolvi me afastar um pouco.
– Hum... entendi.
Ele olhava para mim com admiração e com um certo interesse. Notei que Gabriel é muito bonito, com seus cabelos negros e lisos, sua pele morena e seus olhos verdes. Ele é realmente muito atraente.
“Mas que porra é essa, Daniel? Você é hétero, porra!”
Peguei o número dele e adicionei no meu celular. Agora poderia conversar com ele no Whatsapp sempre que quisesse. Pensei em dar uma chance a ele, porém não sei se ele é gay ou bi.
A aula acabou e eu fui embora sozinho. Despedi-me de Gabriel na porta da escola e ouvi Karina me chamando. Ignorei-a e segui meu caminho. Ouvi um movimento atrás de mim, mas não me virei para ver o que era. De repente, alguém me agarrou e me levou para um beco. Era uma pessoa musculosa, podia sentir pelos braços fortes. Quando finalmente pude ver quem era, esta pessoa me beijou.
Não tive forças para me separar, pois estava seguro com muita força e a pessoa beijava muito bem. Quando me soltou, eu fiquei arfando e quando falei, ele me deu outro beijo.
Finalmente, Gabriel me soltou de vez e se virou. Mas antes...
– Se você quiser esquecê-lo, eu estou aqui.
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