Na manhã seguinte, acordei com os raios de sol batendo no meu rosto e me espreguicei, apesar de ter terminado a noite estressada, até que dormi bem tranquila.

Do nada, ouço meu celular apitando e pego para ver quem é. É uma mensagem do Aiden.

AIDEN: Oiê, o que acha de hoje à noite sairmos de casa? Sei lá, ir no cinema? Tem filmes legais passando.

Meu coração apertou naquele momento, o Aiden já estava acostumado a passar bastante tempo comigo e agora que seu pai meu demitiu nem se deu o trabalho de contar à ele.

Rapidamente tratei de respondê-lo.

SALLY: Oi, desculpe, mas não sou mais a sua babá. Mesmo assim espero que fique bem, porque te adoro garoto.

Ele rapidamente respondeu.

AIDEN: O quê? Como assim? Por quê não?

SALLY: Seu pai me demitiu ontem. Mas se precisar de qualquer coisa pode falar comigo tá? Me preocupo com você.

AIDEN: Te demitiu por quê? Você nunca fez nada de errado comigo e nem eu com você. Poxa, vou falar com ele.

Meu coração acelerou, ele não podia falar com o pai, só ia piorar tudo.

SALLY: Não precisa falar com ele, tá tudo bem. Eu não me importo com isso. Só irei sentir saudades de você.

AIDEN: Eu também, na verdade já estou.

SALLY: Fica bem tá? Qualquer coisa é só mandar mensagem.

AIDEN: Tá bom, obrigado por tudo.

SALLY: De nada.

Mandamos emoji de beijo um para o outro como despedida e levantei da cama, indo fazer o café da manhã depois de tomar um banho.

Ao sentar na mesa, comecei a tomar meu café normalmente até que ouvi a campainha tocar, estranhei, pois não estava esperando visitas, mas mesmo assim fui atender.

Mãe? Que surpresa! — sorri a olhando.Oi querida, só vim te perguntar se tem problema levar a sua irmã para a escola. A sua tia Ebony tá doente e eu quero ir visitá-la — explicou.Ah, pode deixar que eu levo sim — sorri a olhando enquanto Leah saía do carro segurando a mochila.Ótimo filha, até depois! — minha mãe beijou minha bochecha.Até! E diga pra tia Ebony que desejo melhoras para ela.Digo sim.

Logo Leah se aproximou com aquele sorriso.

Oi Sally — ela me abraçou.Oi Leah, já tomou café? — perguntei no abraço.Já sim, por quê?Ah, se não tivesse tomado eu ia dizer para entrarmos e tomar café da manhã, mas já que tomou, vamos indo.Ah sim, outro dia a gente toma.Tem razão, vamos indo.

Sorri e levei ela para o carro, levou cerca de alguns minutos, mas logo que chegamos vi Aiden saindo do carro do pai dele metros à frente.

Boa aula viu? — falei para Leah, disfarçando.Obrigada, tchau.

Ela me deu um rápido beijo no rosto e saiu do carro. Fiz o mesmo e pude ver Aiden com um moletom preto, calça branca e sapatos marrons. Os cabelos dele estavam desarrumados, mas o que mais me deixou preocupada foi o semblante sério dele, parecia abatido. Rapidamente fui até ele.

Aiden? — chamei.Oi Sally, que surpresa — ele disse, me abraçando.

Retribuí o abraço enquanto vi o carro do pai dele indo embora.

É que novamente tive que deixar minha irmã aqui na escola.Que bom, assim a gente pôde se ver de novo.Realmente, mas já disse que não precisa se preocupar com isso.Eu sei, eu tô bem. Hoje minha mãe vai me buscar à tarde pra eu passar a noite na casa dela.Ah que bom, espero que se divirta bastante.Eu também espero.Ótimo, agora vai pra aula — falei beijando a bochecha dele.Vai vir buscar sua irmã também?Venho sim, por quê?Então mais tarde a gente se vê.

Ele sorriu dando um beijo na minha bochecha e eu sorri o vendo entrar na escola. Voltei para o meu carro e dirigi para casa.

***

O resto do dia passou normalmente, quando chegou a hora de ir buscar Leah, entrei no carro e fui até a escola dela esperá-la. Enquanto dirigia, olhei o painel e vi que estava com meio tanque no carro. Bufei, precisava abastecê-lo logo.

Quando cheguei em frente ao portão, saí do carro e me apoiei na porta do carona para esperar Leah, então vi o carro do Matt chegando e parando metros atrás do meu e também saindo do carro para esperar Aiden. Revirei meus olhos, torcendo para que ele não viesse falar comigo.

Mas ele falou.

Assim que me viu, abriu aquele sorriso e acenou para mim.

Falso — pensei enquanto lembrava que havia deixado na casa dele os meus fones de ouvido na noite anterior — Ontem eu deixei meus fones na sua casa, posso ir lá buscar mais tarde? — perguntei enquanto me aproximava.Claro gracinha, eu adoro quando você vai lá em casa. Não me chama de gracinha.Por quê não? É o que você é... E não sou mais seu patrão.Eu só vou lá pra pegar meus fones, não vai achando que vai rolar algo.Eu não disse que vou tentar algo, disse? Só falei que você é uma gracinha.Ótimo, tchau!

Ao retornar para o carro, vi Aiden saindo da escola junto com Leah e sorri.

Ah, ficaram amigos? Que bom — sorri, me aproximando dos dois.É, puxei assunto com ela no intervalo, ela é boa de conversa — sorriu ele.Que bom, agora tenho que levar ela, tchau Aiden.Tchau Sally. Tchau Leah.

Então me afastei enquanto levava Leah até o carro. Ao sair, a olhei.

Eu disse que você ia adorar conhecer o Aiden — falei.Você estava certa — sorriu ela.

Passamos o resto do trajeto conversando. Ao chegar em casa, minha mãe ainda não havia retornado, então fui fazer o almoço para nós. Algo simples, pois se na minha casa tinha pouca coisa, na da minha mãe tinha menos ainda. Depois de almoça, Leah ficou no quarto dela para descansar e depois fazer as lições de casa. Aproveitei para ir na casa do Matt e pegar logo meus fones que eu tinha esquecido.

Chegando lá, toquei a campainha e me surpreendi quando ele próprio atendeu ao invés de qualquer um dos empregados.

Oi Sally — ele disse, com um sorriso largo no rosto.Oi Matt, vim pegar o meu fone. Posso entrar? — perguntei.Claro, é sempre bem-vinda aqui.Licença.

Tão logo entrei na casa dele, lembrei que o fone estava no quarto e fui até lá, o pegando enquanto ele ia lá pra dentro. Depois que achei, peguei e fui até ele.

Pronto, tchau Matt — falei, seca.Tchau gracinha — ele falou, sorrindo malicioso e eu bufei.Sério? Qual é a sua? A gente se dava tão bem, o nosso relacionamento era apenas profissional e você sempre foi muito educado.A culpa não é minha se comecei a gostar de verdade de você.E realmente, você é bem bonito e gostoso, se não fosse tão babaca até rolaria.-Ah. é isso? E por onde eu posso começar? — bufou ele.Que tal começar a ser um pai melhor para o Aiden?Melhor? Você quer dizer tirá-lo do castigo? Ou deixá-lo ir pra escola sozinho?Você não dá atenção pra ele, você vive trabalhando, não à toa ele passa mais tempo comigo do que com você.Sempre que estou em casa eu puxo assunto com ele. O Aiden que anda muito distante, afastado do mundo.Sim, ele de fato tá isolado do mundo, mas tente conversar com ele. Tenta estar realmente presente na vida dele não só esteticamente.É coisa de adolescente, logo isso passa. Eu também já fui assim.

Dei uma leve risada com o comentário dele.

É mesmo? — desafiei.É claro, como se eu não conhecesse meu filho. Embora ele conversasse bastante com você quando ficava lá em casa, eu o criei e eduquei muito bem.Tudo bem, desculpa, não quis te ofender — levantei os braços em rendição.Sem problemas...Tem mais alguma coisa pra falar? — bufei.Que tal sair comigo hoje a noite? Agora não sou mais seu chefe.

Era um convite de fato inesperado, mas mesmo assim, o Sr. Clifford ainda era um babaca. No entanto, quando eu estava prestes a dizer "não", uma ideia veio na minha mente.

Hoje à noite não vou poder, minha mãe tá na casa da minha tia doente e só vai voltar amanhã, então terei que ficar com a minha irmã até ela voltar. Mas como ela deve voltar à tarde, podemos sair à noite sim — respondi.

Ele pareceu bem aliviado com minha resposta.

Ótimo, amanhã à noite então te busco na sua casa — ele disse, sorrindo.Combinado.Isso vai ajudar a provar que posso mudar?Depende do que você vai fazer.Então tá bom.

Sorrindo, ele se aproximou de mim e me afastei.

O que foi? — perguntei, o olhando.Nada ué, só ia dar um abraço de despedida. Não posso? — ele bufou.Tá bom, apenas um abraço.

Nos abraçamos, ele me apertou um pouco mais forte do que eu imaginei, mas logo se afastou e sorriu.

Até amanhã de noite — sorriu ele.Até!

Acenei para ele e fui até a porta rumo à casa da minha mãe. Durante o trajeto, a ideia que eu tive começou a se desenvolver na minha cabeça. Seria uma vingança perfeita? Não sei, mas ele realmente tava merecendo.