Doce Vingança

1 Amizade colorida - Parte I


Notas iniciais
Gostaria de dedicar essa fic a duas divas lindas, que escrevem maravilhosamente bem, e me fazem pirar com suas histórias. As duas bem diferentes entre si, tanto na forma de escrever, tanto nas histórias. Mas ambas me conquistaram com seus jeitos únicos e perspicazes de descreverem personagens que eu amo. Os dois principais motivos de fazer-me entrar no Nya sempre que posso, suas fics. Já era hora de eu mostrar minha gratidão pelas suas histórias perfeitas, além dos reviews e recomendações...
Essa fic não é exatamente uma história feliz, mas me dediquei muito para fazê-la ficar, no mínimo, interessante. Não sei se consegui, mas realmente eu gostei do que escrevi, e isso é algo raro de acontecer... Então deve significar alguma coisa rsrs
Estou morrendo de vergonha aqui, pois descrevi personagens que vocês descrevem tão bem, uma o Ciel, a outra, o Alois.
Não queria dar uma de baba ovo, mas enfim rsrs ... eu realmente precisei dedicar a vocês divas lindas!
À Tai Bluerose
À Chiri Chiri

Boa leitura!

Amizade colorida – Parte I

-Pode escrever o que eu digo. – exclamou Alois, em total fúria, arremessou longe seu celular. – Eu vou me vingar!

O celular caiu na cama e rolou até espatifar em três pedaços no chão. Sentado na cama, Ciel olhou para o aparelho no piso do quarto, sem emoção nenhuma nos olhos. Contentou-se apenas em abraçar seus joelhos e apoiar o queixo neles, sem querer tomar parte na fúria de seu amigo.

- Você só vai ficar aí parado, sem fazer nada? – gritou Alois para ele – Nem parece o Ciel que eu conheço!

Ciel limitou-se em suspirar alto, e esconder o rosto entre os joelhos. Caindo de cara na cama, Alois desistiu de externar sua fúria. Com o rosto enterrado nos lençóis, sua vontade era de chorar, chorar e chorar... mas não ainda, precisava, necessitava de uma vingança a altura, e só depois desmoronaria em lágrimas.

Virou de costas e encarou o teto, depois olhou para o amigo sentado na sua cama. Por um momento sentiu-se sensibilizado pela tristeza do outro. Devia ser difícil aceitar que seu namorado de tanto tempo o havia traído.

Pior mesmo era aceitar que seu namorado o traiu com o namorado de seu melhor amigo.

Ajoelhou-se a abraçou Ciel, e este, num ato raríssimo de afeto, aceitou o abraço, para a surpresa do Alois. Ciel escondeu o rosto no peito do amigo. O loiro sentiu as lágrimas quentes do outro, e não resistiu em embala-lo no colo.

- Shiii shii, pode chorar, chore a vontade... Coloque para fora... – sussurrou, alisando os cabelos de seu amigo.

O Trancy estava mais que surpreso, estava estupefato. Nunca, em todos esses anos de amizade, desde pirralhos, ele nunca vira o Ciel chorar. Isso demonstrava o nível de tristeza dele, que chegava extrapolar tudo o que o Phantomhive já havia sentido. “Ele realmente o ama” pensou o Alois. “Será que eu seria capaz de amar com a mesma intensidade?”.

O Ciel era frio, calculista, inteligente, e não se deixava abalar na frente de ninguém... Mas agora chorava copiosamente por um cara. Ele, Alois, sempre aberto, sorrindo, carente, romântico, não conseguia derrubar se quer uma lágrima. “Talvez eu não o ame suficiente...”, porém quando pensava assim, seu coração doía e apertava no peito.

Com olhos marejados, Alois levantou o queixo de Ciel, o fazendo fitá-lo.

- Vamos planejar a vingança mais épica de todas. – havia muita convicção em suas palavras. – Aqueles dois vão se arrepender amargamente, e vamos fazer com que eles não se lembrem mais do significado da palavra “orgulho”.

Terminou abrindo um sorriso malicioso, que fez o Ciel pensar no que diabos ele estava planejando.

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~Algumas horas mais cedo~

-Não acredito que estamos mesmo fazendo isso. – reclamou Ciel, encostando as costas na parede. – É ridículo.

Alois estava sentado na latrina do banheiro, sob a tampa, mexendo em algo no celular. As pernas cruzadas balançando irritantemente.

- Precisamos comprovar, ué! – respondeu simplesmente o loiro.

O cubículo do banheiro escolar onde se encontravam era pequeno e fazia um calor enorme, além de sujo e mal cheiroso.

- Custo a acreditar que logo você se deixou envenenar pelas palavras do Maurice. – Ciel cruzou os braços, abaixou a cabeça e sorriu sarcasticamente – Ele não vale nada. É pior que uma cobra. Ele poderia ter jogado em cima de você qualquer mentira.

- E se não for mentira?

Ciel parou de sorrir e pareceu cogitar a ideia por um momento. Balançou a cabeça, não querendo enxergar qualquer possibilidade... ele sabia que o Sebastian jamais faria algo assim com ele.

- Não dá para conviver com essa incerteza, só vamos observar e ver que, na verdade, você está certo, e não passou de uma bela mentira daquela vadia do Maurice. — O loiro guardou o celular no bolso e começou a roer as unhas.

O colega de classe deles, Maurice, havia dito, há alguns dias para o Alois que o Claude o estava traindo com o Sebastian no banheiro masculino do andar de baixo, todos os dias, no quarto horário. É claro que ele não levou em consideração, e pensou que tudo não passava de veneno destilado pelo Maurice, o que não seria a primeira vez.

Porém a dúvida o atazanou mais do que deveria, não conseguiria confiar plenamente no Claude se não tentasse comprovar que era mentira.

Então se abriu para o amigo e contou essa dúvida que ficou entalada na sua mente, que logo de cara ficou estupefato e não acreditou de jeito nenhum. Ele estava junto do namorado há quase três anos, ou seja, já confiava nele o bastante para não acreditar. Enquanto que o Alois tinha acabado de completar um mês de namoro com o Claude.

No final, ali estavam eles, no apertado cubículo do banheiro, ao término do terceiro horário, de tocaia, esperando alguma coisa acontecer. Ambos esperando, e ao mesmo tempo torcendo contra, os namorados aparecerem.

Para se distrair e passar o tempo, Alois lia os rabiscos escritos pelos alunos na porta do banheiro, cada idiotice maior que a outra.

Impaciente, Ciel questionava o amigo a cada um minuto.

-Vamos esquecer essa babaquice e ir para a aula – insistia ele- Estamos perdendo a aula de história...

Foi interrompido pelo barulho de pessoas entrando no banheiro. Calou-se imediatamente, reconhecendo a voz que ouviu.

-Quase que a coordenadora via a gente – era a voz do Sebastian, Ciel tinha a impressão que a reconheceria a quilômetros de distância.

-Aquela velha chata. – essa era do Claude.

Alois saiu de seu acento improvisado e abriu uma brecha da porta para poder espiar.

O banheiro continha seis cubículos, três do lado esquerdo e três do lado direito, frente a frente, em relação à entrada. No final, tinha três mictórios. A enorme pia com o espelho ficava logo depois da porta. De onde estavam, no terceiro cubículo do lado direito, eles podiam ver os dois perfeitamente através do espelho.

Ciel colocou a cabeça por cima da de Alois para espiar também. Os dois pares de olhos azuis, de diferentes tonalidades, tocaiavam aqueles dois que nunca imaginariam que estavam sendo observados. Conversavam qualquer futilidade em frente ao espelho, Claude ajeitando o uniforme, Sebastian as madeixas.

Alois sentia a respiração de Ciel por cima de si. Ambos ansiosos e ao mesmo tempo aliviados por nada ter acontecido até agora. No entanto, sem um motivo plausível, Sebastian começou a verificar cada cubículo do banheiro. Ele se curvava e abaixava a cabeça e olhava por baixo para ver se tinha alguém o ocupando, de forma que daria para avistar somente os pés.

Ele começou a verificar os banheiros pelo lado esquerdo. Ciel e Alois se afastaram da porta e se encararam desesperados, sem fazer barulho, apesar da vontade que o Alois tinha de soltar um grito agudo de desespero. E se eles os encontrassem ali? O que falariam? Não haveria uma boa desculpa para os dois estarem no banheiro do setor de baixo (que nem era o setor da sala deles) e ainda por cima juntos.

Por um momento ficaram agitados, sem saber o que fazer para não serem descobertos. Sebastian já checava o primeiro cubículo do lado direito, quando Ciel tomou uma atitude e o mais silenciosamente o possível, puxou o Alois para perto de si.

Sebastian abaixou-se na frente do segundo banheiro do lado esquerdo e nada. Todos os dias eram assim. Nesse horário, coincidentemente nunca havia viva alma no banheiro. Mas eles nunca deixavam de verificar, só por precaução.

Abaixou-se para ver o último cubículo que faltava, e como esperado, constatou que estava vazio.

-Tá limpo... Como sempre. – falou, marotamente para o Claude.

-Perfeito. – respondeu o outro, lançando para o Sebby um sorriso um tanto imperceptivelmente malicioso através do espelho.

No terceiro cubículo Ciel e Alois respiravam ofegantes, porém silenciosamente. Estavam abraçados, apoiando-se um no outro, em cima do vaso sanitário. Qualquer um que visse a cena cairia na gargalhada.

Quando perceberam que já não podiam ser mais descobertos, desceram cautelosamente, como se o piso do banheiro fosse feito de larva fervente. Novamente Alois se aproximou da pequenina abertura da porta, mas afastou Ciel com a mão quando este tentou fazer o mesmo. Ciel queria resmungar, dizer que queria ver também, para depois sorrir na cara do Alois, quando os dois vissem que tudo não passou de mentira infundada.

Porém Alois permanecia com a mão em seu peito, o afastando. Ciel percebera, um pouco tarde, que o ambiente ficara silencioso. Como se os dois que estavam do lado de fora tivessem se retirado. No entanto, escutou alguns mínimos barulhos, quase imperceptível... era um...ofego?

A cara do Alois não era nada boa, ele olhava pela brecha e seu rosto foi empalidecendo e seu queixo foi caindo gradativamente, ficando mais branco que de costume. Ciel observava essas reações do amigo, querendo olhar pela abertura ao mesmo passo que temia fazê-lo.

Não aguentou mais e empurrou o amigo para o lado, este não mostrou resistência, e finalmente pôde observar. E se arrependeu amargamente de o tê-lo feito. Arrepender-se não é a palavra certa, mas uma fúria incontrolável tomou conta de si, depois veio o sentimento de negação.

Sim, Claude e Sebastian estavam no banheiro. Beijando-se! Ciel não podia acreditar em seus olhos, era algo difícil de imaginar. Como isso poderia estar acontecendo?

Alois já não fazia a tortura de olhar pela porta, fitava a parede do banheiro, num estado entorpecido e letárgico... Sua mente parecia estar em qualquer lugar menos no planeta terra. Uma lágrima seca e solitária rolou de seu olho, e depois dela, mais nenhuma se atreveu a sair.

Ele podia escutar o som nojento de suas bocas se chocando, lábios que deveriam pertencer somente a ele, e que agora tomava os de outro. Abaixou a cabeça, sentindo-se atordoado, os cabelos caindo sobre a face. Queria morrer naquele exato momento. Queria não ter que encara essa verdade, queria não ter que sentir tanto ódio da pessoa que mais amava. Alois não saberia especificar exatamente o que sentia, era um coquetel de emoções avassalador, uma mistura de nojo, negação, rancor, possessividade, obsessão... Ódio... Mas principalmente tristeza.

Tristeza essa que competia com o ódio em seu coração, e daí, um novo sentimento surgiu: vingança.

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~Agora~

Os dois, por sorte, não precisaram esperar o “showzinho” terminar para sair do banheiro. Claude e Sebastian tinham entrado em um dos cubículos do lado direito. Aproveitaram esse fato para saírem sutil e silenciosamente. Não iam mais aguentar ficar ali e ver. O banheiro parecia ter estreitado as paredes para os dois, sufocando-os.

Conseguiram uma licença para irem para casa antes que as aulas acabassem. Alois ligara para seu chofer particular e então os dois seguiram para casa dele, uma incrível mansão. Lá não iriam ser perturbados, pois na casa do loiro só haveria os serviçais. Os pais dele viviam viajando e raramente Alois os via.

Passaram o resto da tarde no quarto do loirinho, comendo doces e sorvete. Há algum tempo anoitecera e Alois não tirava a ideia da vingança da sua cabeça. E depois de ver o Ciel chorar, coisa que, em todos esses anos de amizade, nunca o vira fazer, tinha ainda mais convicção disso.

Ainda embalava o amigo no colo, tentando consola-lo. Não sabia o que falar para fazê-lo se sentir melhor. Qualquer palavra de consolo dita seria inútil. Então preferiu ficar apenas calado, afagando os cabelos azuis acinzentados de Ciel enquanto este apoiava e escondia seu rosto choroso no ombro do Alois.

-Ciel... –chamou baixo, no ouvido do outro – Estou pensando em algo...

Ciel fungou, desencostou-se de si, usou as mãos para tentar enxugar as lágrimas que caiam insistentemente, e o encarou.

-Você pensando em algo? Se for para me fazer sentir melhor, saiba que não funcionou.

Atrás de seus olhos inchados, tristes e magoados, aquele toque irônico e orgulhoso estava presente. Alois revirou os olhos, até naquele estado Ciel agia... bem, como o Ciel.

-É sério. – repetiu – pensando numa vingança perfeita.

Alois se inclinou por cima do Ciel para alcançar o criado mudo e pegar um lenço de papel. Quando o loirinho fez isso, Ciel, pela primeira vez, se deu conta de como estavam próximos, e por um momento se sentiu um pouco incomodado. Quem era dado a abraços e beijos para todos os lados era o Alois, já ele sempre manteve certa distância de contato físico com as pessoas. Só uma era exceção... era...

Alois ofereceu o lenço de papel para ele, e este tratou de para de chorar e tentar manter o mínimo de dignidade que lhe restava diante do outro.

-Que tipo de vingança? – perguntou, bastante interessado, mas tentando disfarçar.

Alois lançou um olhar sugestivo para o outro, e um sorriso um tanto malicioso começou a brotar de seus lábios.

Antes de responder qualquer coisa, Alois se levantou da cama, e foi fechar a porta do quarto, como se alguém pudesse escutá-los de alguma forma. Ciel se sentiu aliviado quando ele se afastou. Não sabia especificar o que estava sentindo em relação a isso, mas era algo estranho e confuso que achou que não faria questão de tentar entender.

Alois encostou-se à porta fechada, com as mãos atrás do corpo.

-É uma ideia espetacular. –começou ele – Lembra-se que amanhã vai ter aquela festa a fantasia dos veteranos na mansão do Edigar Redmond? Então, fomos convidados por sermos acompanhantes, certo? – ele não esperou Ciel afirmar. –Temos que agir normalmente com eles, como se nada tivesse acontecido...

Alois explicava seu plano, na verdade, o esboço de um plano, e a reação do Ciel diante das ideias malucas do outro era de pura negação.

Quando o loirinho expos a ideia principal, Ciel não sabia se batia no amigo ou se simplesmente deixava-o falando sozinho. Estava indignado com a falta de noção do outro, e da forma como ele falava aquilo... como se fosse algo natural.

-Você ficou maluco? – exclamou, exaltado, e um pouco vermelho de vergonha – É CLARO que não vou fazer isso!! E ainda mais... com você!!

Alois revirou os olhos, sem paciência para aturar os chiliques e frescuras do outro, aquele papo de orgulho e blá blá blá...

-Algum problema? – perguntou cínico, se aproximando da cama novamente – O problema sou eu? Se fosse com outro você faria?

O olhar do Alois parecia quase intimidador, mesmo assim um sorriso quase que psicótico tomava seus lábios. Nunca vira o amigo falando tão sério assim, e olhe que ele já sabia lidar perfeitamente com suas oscilações repentinas de humor.

-Caro que não! – Corou, ao se dar conta do que respondera – Quero dizer... você não é o problema, mas o que me pede é impossível... – gaguejou e fraquejou ao falar, Ciel detestava cada vez mais a sua posição de confusão que o outro o colocava. Estava tão vermelho que parecia um tomate, e o loiro parecia estar se divertindo com isso. Idiota.

-Impossível por quê? – Alois riu, o que, estranhamente fez com que Ciel se aliviasse um pouco e a atmosfera tensa ir embora. – Por que somos amigos? – Alois não esperou o outro responder – Por isso mesmo é perfeito, sabemos que é só uma “brincadeira”, e seria uma vingança perfeita.

Alois sentou na cama, bem afastado de Ciel, como se quisesse que o outro tivesse espaço para ponderar melhor a ideia. E Ciel o fez. Pensou seriamente na proposta do outro. Era loucura, ele sabia. Tão louco que chegava a ser tentador. Sebastian e Claude iriam pagar caro, e os dois amigos iriam deixar um gosto amargo na boca de seus namorados.

Mas para Ciel e Alois a vingança seria perfeita... seria doce...

Notas finais
Não me demorei na cena do Sebastian e do Claude porque não gosto de shippar os dois u.u nem um pouco, mas enfim... foi preciso.
Fiquei com vontade de me demorar mais nos sentimentos do Ciel, mas algo me travou e acho que foi o medo que tenho de descrever esse personagem, ao meu ver, complexo.
Gostaria de falar mais coisa mais já tá tarde e meu pai tá pedindo para eu desligar o pc rsrs
Aceitando reviews com críticas tanto positivas quanto negativas... não deixem de comentar o que acharam!
A parte dois vai sair rapidinho, pois já estou com ela quase toda escrita, só falta revisar. E nela terá o tão esperado lemon o///
Obrigada por ler!
Beijos ~Liv