Doce Vingança

2 Amizade Colorida - Parte II


Notas iniciais
Olá pessoal! Desculpem a demora em atualizar, é que muitas coisas aconteceram simultaneamente que fizeram com que eu me atrasasse. Parece até que foi de propósito u.u

Enfim... Tive que dividir mais uma vez a fic porque ficou grande demais, me perdoem por isso, não estou querendo enrolar ninguém.

A fic vai ter mais um capítulo além desse.

Agradeço imensamente a todos os reviews que recebi, principalmente o da Chiri e o da Tai. Ajudaram-me a não desistir de terminar.

Espero que gostem. Boa leitura.

Dia seguinte — Sábado --- 14:36 P.M

Alois acordou cedo e passou a manhã fazendo compras sozinho. Na noite passada tinha pedido para seu chofer levar Ciel em segurança para casa, mesmo querendo fazê-lo ficar e tentar convencê-lo a dormir lá. Mas desistiu por dois motivos: primeiro foi para dar mais tempo dele pensar sobre a vingança. Ele não havia dito uma resposta concreta, mas deu a entender que topava, tanto é que acertaram os detalhes do plano. Mesmo com Ciel o tempo todo se perguntando em voz alta por que fazia isso com esse louco, Alois sabia que o amigo estava tão ansioso quanto ele para por em prática. E segundo, sem o Ciel ele poderia executar melhor a primeira parte do plano, que inteligentemente ocultou dele. Se o amigo descobrisse isso antes da hora as chances de convencê-lo mais uma vez seria mínima.

Evitara falar com o Claude o dia todo, deixando as chamadas dele cair na caixa postal. Sabia que não podia mais evitá-lo. Fazia parte do plano fingir que nada tinha acontecido, que ele não vira nada e de nada sabia, para assim poder acompanha-lo na festa. Mas Alois não tinha sangue frio a tal ponto. Não sabia como ia conseguir fingir.

Só em pensar na ideia de ter de encarar Claude lhe dava um embrulho no estômago, um nervosismo incalculável, e uma vontade imensa de chorar. Tinha segurado suas lágrimas até agora e não pretendia deixa-las cair. Ainda não.

Chegou à sua casa, ignorando todos os serviçais, menos o chofer, e pediu para este deixar as sacolas com as compras na sala do escritório. Finalmente no quarto, se jogou na cama e tirou seus sapatos.

Ficou encarando o teto pelo o que pareceu uma eternidade. Não adiantava fugir. Ia ter que encarar o Claude cedo ou tarde. E era melhor que fosse cedo e rápido, como um curativo.

Tirou o celular do bolso e ficou o encarando. O que ia dizer? “Alô amor! Que saudades...” na maior cara de pau? Sabia que não ia conseguir fingir bem, e se Claude desconfiasse que algo estava errado, poderia por tudo a perder. Não que a vingança importasse realmente, e sim a oportunidade de machucá-lo como ele o havia machucado. Pagar na mesma moeda. Não queria perder essa chance. Isso doía, machucava muito, mas Alois estava disposto a passar por cima dessa dor e ir até o fim.

Tinha que usar sua capacidade de dissimular muito bem, e esconder seus sentimentos o mais fundo o possível. Fingir que tudo estava perfeitamente bem.

Clicou no botão de chamada rápida e levou o aparelho a orelha, esperando que a ligação seja atendida.

“Tuuuu...tuuuu...”

Cada segundo de espera era uma montanha russa na barriga do Alois, ele era nervosismo puro. “Calma, Alois... você precisa se acalmar, e logo” pensava. Respirou fundo. Levantou-se da cama num salto quando ele finalmente atendeu.

-Alô, meu anjinho. – disse Claude, alegremente, de um jeito tão espontâneo e doce que o Alois até podia acreditar que era verdade.

Como umas simples palavras ditas por sua voz podia excita-lo tanto? Mesmo sob o efeito da estática via ondas magnéticas, aquela voz tinha um efeito devastadoramente delicioso em sua pessoa. Alois mordeu o lábio e espremeu os olhos, segurando a vontade de chorar. Foi até a varanda de seu quarto e sorriu alegremente, como se também pudesse mentir para si mesmo.

-Oieee, meu amor! – é, ele resolvera agir na cara de pau. – Saudades!

Ele pôde ouvir a risada gostosa que o Claude deu com o seu jeito de falar. E se odiou por ter gostado dessa risada.

-Você estava onde? – perguntou. – Passei a manhã ligando mais você não atendeu...

- Fazendo compras. – Alois não precisou mentir. – Ahn... é que esqueci o celular em casa. – isso era mentira.

-Hum... Coisa rara de acontecer... Você mal desgruda do celular. – estranhou.

-Tá tudo bem? – perguntou ele.

Alois congelou diante dessa pergunta. O loiro sabia que era uma pergunta inocente, que o outro só perguntara por perguntar. Engoliu em seco.

-Claro. Tudo ótimo!

Alois entrou no quarto de novo, fechando a porta de vidro que separava o cômodo da varanda.

-Só você mesmo para acordar cedo numa manhã de sábado para fazer compras. – riu-se Claude.

- Esqueceu que tem a festa hoje? – repreendeu-o Alois, brincado – Precisava de algo decente para vestir. De uma fantasia fenomenal, para roubar o brilho de todos na festa.

Alois deitou-se na cama novamente e ficou brincando com os botões de sua camisa.

-Acho que você vai amar o que eu comprei... – falou com uma voz insinuante.

-O que é? – Claude perguntou, num misto de desconfiança e malícia.

-Ah, é surpresa!

-Já não gostei...

Alois riu da curiosidade e impaciência do outro. Nossa, era tão fácil conversar com ele, nem parecia que tinha acontecido aquilo. Alois impressionou-se consigo mesmo e com sua capacidade de ignorar algo tão importante.

-Falando na festa, que horas eu te pego? – perguntou.

Alois decidiu colocar a segunda parte do plano em ação.

-Às sete e meia tá bom. – respondeu. – Ah, só uma coisa... Venha com o Sebastian porque o Ciel vai está aqui em casa.

-Hum...Ok então... é melhor que vai um carro só. – Concluiu Claude.

-É, e vai ser mais divertido nós quatro.

-Com certeza.

Ficaram conversando por um bom tempo. Longo, na verdade. Alois nem viu a hora passar rápido. E ele também viu-se esquecido do motivo principal. Por aquele momento, era como se tudo realmente estivesse mais que bem. E confessou a si mesmo que não queria desligar, mas Claude tinha um compromisso de ir à academia.

-Vou ter que desligar. – Claude parecia realmente triste.

-Tudo bem. – Alois fizera bico e uma voz mimada. – Mas é bom porque vou aproveitar e tirar um cochilo de beleza antes da festa.

Claude riu.

-Você não precisa disso, meu anjinho.

Alois sentiu uma quentura lhe subir e seu rosto ficar vermelho. Ficou calado.

-Anjinho? – perguntou Claude.

-Oi?

-Te amo.

Alois mordeu o lábio inferior, lágrimas vieram aos seus olhos. Ele deveria responder “eu também o amo”, mas as palavras ficaram presas na garganta.

-Até a noite, tchau. – conseguiu dizer isso para logo depois desligar sem esperar resposta.

Ele sabia que Claude ia estranhar essa atitude, mas não ia conseguir falar. Como ele pôde dizer aquilo depois de tê-lo traído? Dizer “eu te amo” era tão fácil assim para ele? Não significava nada? Pois se significasse ele nunca teria feito o que fez, e só Deus sabe há quanto tempo ele o traía. Poderia ser desde o início do namoro.

Alois sabia que nunca esqueceria quando Claude falara “eu te amo” para ele pela primeira vez. Até porque ninguém nunca dissera tal coisa para o loirinho antes. Alois se recordava bem.

Foi numa cabana a beira-mar. Tinham viajado com uma turma para acampar e fazer um luau bem no estilo havaiano com direito a fogueira ao som do violão na praia. A lua estava cheia e os marshmellows assados na fogueira, deliciosos. Foi a primeira vez que viajaram juntos. Fizeram amor na cabana improvisada, porém muito aconchegante. Ele dissera-lhe... Com tanta convicção que Alois sentira vontade de chorar ao mesmo tempo em que se sentia a pessoa mais feliz do mundo. Respondera-lhe a altura e mentalmente agradecera-lhe por amar alguém como ele. Passaram a noite fazendo amor, sentindo o cheiro da maresia e o som das ondas arrebentando na areia.

Foi uma noite mágica.

Mas será que fora uma mentira?

Era verdade que Alois se perguntava antes, muitas vezes, porque alguém amaria uma pessoa como ele. Antes do relacionamento o loiro era, digamos assim, alguém “de uma noite só”. Teve muitos caras que passaram por sua cama e já passara pela cama de muitos caras. Mas nenhum especial. E a maioria pousava de machão hétero, no dia seguinte, tratavam o loirinho como se não o conhecessem. Alois já estava acostumado com isso. Mesmo sendo triste se acostumar com algo desse tipo.

Por causa disso, ganhara certa “fama” na escola. Mas o Alois não ligava para o que falavam dele. Desde que seu amigo de infância não ligasse. E, realmente, Ciel nunca se afastou dele por causa disso. Claro que reprovava a forma como ele agia. Não pelos os outros, mas pelo o próprio Alois. Ciel dizia que ele se rebaixava demais. Dizia que ele merecia coisas melhores.

Mas como o próprio amigo lhe falava: “aceitamos o amor que achamos que merecemos ter”*.

Alois pensou que amar era algo para pessoas como o Ciel... Nunca pensara que poderia acontecer consigo... Até conhecer o Claude.

Na verdade, começou como os outros rapazes. Alois pensou que ia ser igual, que no dia seguinte Claude agiria como se não o conhecesse, quanto mais admitir que transara com ele. Mas o Trancy foi surpreendido totalmente.

Claude foi alguém que não lhe julgara pelo seu passado ou fama. Alguém que estava disposto a enfrentar os falatórios e firmar um relacionamento sério... Alguém que o fez prometer que Claude seria o único para ele a parti daquele momento...

Alois não queria entender porque Claude o amava... Apenas se sentia grato por isso.

Mas agora, tudo que ele julgara ser verdadeiro em relação ao seu amor pelo Claude entrara em colapso. Não confiava mais nas palavras que ele lhe dissera. Não ousaria mais confiar.

Alois jurou que ele seria o único... No entanto, ele não fora o único para o Claude.

Ah, céus, como isso era doloroso.

Pior que qualquer dor física que se possa sentir.

Se ele sentia esse turbilhão de sensações, essa dor de ser enganado tão cruelmente, imagine como o Ciel deveria estar se sentindo... Afinal eles estavam juntos há três anos! Para pessoas jovens como eles era bastante tempo. Alois não podia imaginar o tamanho da dor do amigo. Até porque, além de um relacionamento antigo, o Sebastian foi a primeira pessoa por qual Ciel se apaixonara... E pensou que seria a última.

Alois não queria tentar imaginar essa dor, a dele já era forte o suficiente. Apegara-se demais ao Claude, de uma forma difícil de desvencilhar.

Foi pensando nessas coisas que Alois adormecera e perdera a noção do tempo. Se sonhou algo, não lembrou depois.

Abriu os olhos e percebeu que o quarto já estava escuro. Levantou-se de supetão, tentando imaginar que horas seriam e se era muito tarde. “Droga, dormi demais”, pensou. Checou seu relógio no criado mudo ao lado da cama e viu que ainda ia dar seis horas. Menos mal.

Bocejou e espreguiçou-se para logo depois levantar-se e colocar a parte três do plano em ação. Mas antes, tinha que esperar o Ciel chegar. O que não demorou muito.

Alois despejava as compras que havia feito mais cedo em cima da cama quando ouviu uma batida na porta de seu quarto.

-Entre.

Uma empregada entrou, com a cabeça baixa e parecia um tanto nervosa.

- Senhor, o Sr.Ciel chegou, está na sala de estar. – falou ela.

-Mande-o subir. – respondeu Alois, sem nem sequer olhar para a moça.

-Sim senhor. – e foi-se.

Ciel entrou no quarto do loirinho poucos minutos depois e logo reparou nas coisas sobre a cama.

-Hum, o que é isso? – perguntou, altamente desconfiado e com um péssimo pressentimento.

-Ora, é o que vamos vestir hoje. – sorriu alegremente Alois, abraçando o amigo.

-Me larga! E eu nunca vou vestir isso! – exclamou irritado, desvencilhando-se do abraço de urso do outro. – Nem em um milhão de anos!

Alois gargalhou alto. Sabia que não ia ser fácil convencer o Ciel a fazer isso também. Porém não estava disposto a desistir.

-Duvida? – o sorrisinho e a confiança do Alois irritava Ciel profundamente.

-Eu já estou quase pulando fora em relação a isso tudo, e agora você quer me convencer a usar isto. – apontou para um dos trajes. – Francamente Alois... Você tem sérios problemas.

Ciel suspirou alto e balançou a cabeça negativamente.

-Eu sei. – falou o outro alegremente, que só teve o efeito de irritar Ciel ainda mais.

Alois pegou um dos trajes e o levou até o Ciel, colocando na frente dele e inclinou a cabeça levemente para o lado, tentando imaginar como ele ficaria com a roupa.

-Vai ficar tão fofo, Ciel! – concluiu. – Vamos lá! Não custa nada.

-Fofo?! – Ciel fez uma careta. – Dispenso.

Alois fez bico e se ajoelhou aos pés do amigo, juntando as mãos e fazendo uma cara de cachorro sem dono. Ciel conhecia bem aquela expressão, que o amigo sempre fazia quando queria alguma coisa.

-Por favor, por favor, por favor! – pedia o outro, andando de joelhos e se postando bem abaixo do Ciel.

O moreno cruzou os braços.

-Não, não e NÃO!

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~Uma hora depois~

Alois fechou o zíper do vestido de Ciel de uma vez só. Ciel prendeu a respiração e resfolegou, buscando ar.

-Não estou conseguindo respirar. – arfou.

-É só inspirar curtamente, aos poucos, que você consegue. – Alois deu o toque final, colocando o chapéu na cabeça do amigo. – Prontinho! Aah, Ciel, você ficou tão lindo!

Alois se afastou para ver o outro melhor. Ele estava perfeito. Ciel virou-se em direção ao grande espelho do banheiro super espaçoso do Trancy. E se achou ridículo, ainda mais com a cara emburrada que fazia.

O loirinho podia ser bem persuasivo quando queria.

Eles se arrumaram no banheiro do Alois, que mais parecia um camarim, com um grande espelho iluminado e tantos produtos que Ciel achou que daria para suprir um elenco inteiro. Enquanto o Alois tomava banho, Ciel tentara se enfiar no vestido que o amigo lhe arrumara, mas no final, precisou de ajuda.

Depois de tanta produção, que o Ciel pensou que não ia ter mais fim, ficaram prontos. Ciel estava morrendo de vergonha pelo o Alois e por ele mesmo. Já o loirinho saltitava de alegria, como se tudo aquilo fosse a coisa mais legal do mundo.

Alois ouviu alguém batendo na porta do quarto e saiu do banheiro para ver quem era. Ciel viu o amigo sair e deixa-lo só. Olhou-se mais uma vez no espelho. Ainda não podia acreditar no que estava acontecendo. Em relação a tudo.

A traição, a festa, a vingança...

A hora de encarar Sebastian estava próxima, e o pequeno não sabia como iria reagir. Se teria coragem o suficiente para encara-lo. Ciel não falara com ele o dia todo. Só por mensagem de texto. Sebastian não estranharia em nada essa atitude, pois sabia que o Ciel não gostava de conversar pelo telefone.

Ciel nunca admitiria para ninguém que chorara mais que um condenado, nem para o Alois. Mas achava que este percebera, pois passou um bom tempo tentando cobrir suas olheiras enormes. O que o moreno tinha que admitir que o outro fizera com perfeição. Ele ficara até mais corado e nada se via da sua aparência abatida de outrora.

Alois voltou ao banheiro, em seu rosto, um misto de ansiedade e nervosismo.

-Eles chegaram! – falou, mordendo o lábio e encostando-se à porta para fecha-la.

Borboletas subiram pelo estômago do Ciel quando o loiro falou isso. Estava mais nervoso que nunca. E já antecipava a vergonha de usar aquela roupa na frente de todos.

Alois se aproximou dele, postando a mão uma em cada lado de seu ombro, e apertou-os.

-Pronto?

Os dois, lado a lado, Alois um pouco mais atrás de Ciel, se entreolharam através do espelho. Ambos sabiam que não estavam prontos psicologicamente. Estavam com medo, estampado e claro como água em seus olhos. Mas iriam com medo mesmo assim. Nenhum dos dois estava disposto a desistir depois de terem chegado até ali.

...

Lá embaixo, Sebastian e Claude esperavam os dois. Sentados no sofá grande, conversando uma banalidade qualquer. Quando ouviram as vozes agitadas dos namorados vindos da escada, se levantaram.

-Me larga, Alois. – A voz do Ciel vinha pelo corredor.

-Espera aí, me deixa ajeitar aqui. – Alois parecia se divertir mais que tudo.

-Tá bom assim. – Exclamou o outro, sem paciência.

Os dois pequenos surgiram no alto da escada e pararam quando viram os dois lá embaixo. Alois sorrindo alegremente, Ciel emburrado e um tanto vermelho.

O loiro viu, com prazer, o queixo dos dois caindo e o brilho em seus olhos. Ficaram sem reação diante do Ciel e do Alois. Ficaram bestas, por assim dizer.

A roupa do Ciel combinava com a fantasia do Sebastian. Em um vestido gótico, tomara que caia. Tinha o corpete marcado e detalhado, na cor preta com detalhes em roxo, abrindo numa saia preta com bastante renda negra que ia até um pouco acima dos joelhos. Seus ombros nus destacavam bem a alvura da pele. Uma gargantilha rendada no pescoço e luvas negras até os cotovelos. Na cabeça uma peruca pigtails, mas ou menos da mesma cor do seu cabelo, e um pequenino chapéu roxo, imitando uma cartola. Nos pés, uma sapatilha preta e meias listradas em roxo e lilás até os joelhos. Uma vampira perfeita. E muito linda... ou seria lindo?

Combinava perfeitamente com o fraque preto e branco do Sebastian, e a capa longa de veludo negro, com um colarinho grande e alto, forrado por dentro com cetim vermelho. Um casal de vampiros muito elegantes.

O Alois trajava um vestido vermelho vivo. Não era tomara que caia, mas deixava os ombros nus, sem mangas, cobria o colo e subia numa gola alta ao redor do pescoço. O corpete vermelho tinha detalhes dourados e pretos. A saia abria em renda e cetim vermelho e dourado, e era mais curta que a do Ciel. Bem mais. Chegava somente à metade das coxas. A meia 7/8 era preta, e uma cinta liga mais acima vermelho escuro. As botas eram pretas e tinham um pequeno salto. Na cabeça, uma peruca loira com franjinha, lisa e levemente ondulada nas pontas. Tinha também um lenço triangular vermelho com uma caveira preta, amarrado elegantemente nos cabelos. Uma pirata muito linda... ou seria lindo?

Combinava perfeitamente com o grande chapéu vermelho com uma pluma branca do Claude. A camisa branca de cetim com mangas longas e largas, e não totalmente fechada, deixando entrever parte do peitoral. Calça preta justa e bota de couro marrom. E uma espada curvada de mentira no cós da calça. Um casal de piratas muito sexys.

Ciel e Alois desceram as escadas. Alois, aproveitando para seduzir mais do que já estava seduzindo, e Ciel, com vontade de abrir um buraco no chão para se esconder. Descendo o último degrau, Alois foi logo saltitando para perto do Claude, que ainda estava estupefato, com o queixo caído.

-É melhor fechar a boca que a baba tá escorrendo. – riu-se Alois, fazendo pose. – O que achou?

Alois estava adorando a cara do Claude. De puro desejo, como se o estivesse comendo com os olhos.

-Sem palavras... – falou, enfim, se recompondo. – Você está lindo! Perfeito!

Alois sorriu. Mesmo agindo forçadamente, como num teatro, jogando seus sentimentos para baixo do tapete, Alois não estava preparado para o que veio a seguir. Claude o trouxe para mais perto, passando as mãos por sua cintura demarcada pelo corpete, e deu um selinho em seus lábios.

O loirinho sentiu como seu coração apertou e pareceu sangrar dolorosamente. Ficou sem reação.

-Meu anjinho... – falou Claude, contra os seus lábios.

Sebastian olhava Ciel de cima a baixo, corria os olhos e não acreditava no que via. NUNCA na sua vida imaginou que o menor faria algo assim. E ele estava amando.

-Você está... – ia começar a falar, mas o outro o interrompeu, descruzando os braços e erguendo uma das mãos.

-Cale-se. Poupe-me um constrangimento maior e vamos embora. – falou, pegando a mão do Sebastian e o guiando apressadamente até a porta, sem encara-lo. Mas Sebastian podia ver o quão vermelho ele estava. Sorriu, achando-o mais fofo que de costume.

Ciel tinha que admitir que o moreno estava totalmente impecável parecendo um lord vampiro, elegante e sexy na medida certa.

Os dois pararam no hall de entrada da mansão, esperando o Claude e o Alois saírem.

Ciel não encarava o maior. Achava válido olhar para qualquer coisa, menos diretamente para ele. Como se sua beleza ali parada, não fosse nada. Porém Ciel sentiu quando o outro se aproximou. Ergueu o queixo do menor com a mão enluvada, o fazendo encara-lo. Quase que instantaneamente Ciel se sentiu hipnotizado pelo olhar profundo do outro. Ele era tão lindo que o fazia perder o fôlego e se questionar como poderia existir tamanha beleza em uma só pessoa.

-Você está lindo, Ciel. – falou sussurrando, bem perto de seus lábios.

Mas antes que o Sebastian pudesse sela-los, os outros dois chegaram, fazendo Ciel se afastar dele rapidamente.

-Vamos? – perguntou retoricamente Claude, tirando as chaves do carro do bolso.

-Espera, espera, antes... – Alois tirou da pequena bolsa preta que carregava uma câmera fotográfica. — ... Temos que tirar uma foto.

Chamou um dos serviçais para tirar. O único verdadeiramente animado para as fotos era o Alois, que prendeu o pessoal por mais tempo que o previsto, tirando várias fotos.

-Isso vai ficar para a história. – Alois riu e olhou para o Ciel, erguendo a câmera. – Ciel, agora eu tenho provas para quando você negar que um dia se vestiu assim.

-Tsc! Cale-se.

Claude e Alois riram, Sebastian teve que segurar a risada, mas Ciel o viu fazendo isso e lhe lançou um olhar reprovador. O que fez o Sebastian sorrir mais.

O BMW i8 conversível preto do Claude estava estacionada na frente da casa, com o teto abaixado. Entraram no carro, Claude e Alois na frente, um na direção e o outro no carona respectivamente, e os outros dois atrás.

Claude ligou o motor e Alois sintonizou na rádio. Estava tocando Californication do Red Hot Chili Peppers.

-Segura a peruca, Ciel. – falou Alois, divertido, quando o carro entrara em movimento.

Todos riram, menos o próprio Ciel.

Alois adorava quando Claude abaixava o teto do carro. Ele sentou-se, não no banco, mas na parte que apoiava a cabeça, e apoiou os cotovelos no para-brisa, aproveitando o vento da noite fresca e bem iluminada. Sentia-se livre. Os cabelos do aplique esvoaçavam ao sabor do vento frio, dando-lhe uma sensação de que podia voar. Começou a cantarolar a música.

“First born unicorn

Hard core soft porn

Dream of Californication

Dream of Californication

Dream of Californication

Dream of Californication”

-Cuidado, se não você vai cair. – Alois não dava bola para as preocupações do amigo, já estava acostumado a fazer isso. Só queria aproveitar.

-Deixa de ser careta e aproveita um pouco. – Alois abriu os braços rapidamente, mas logo voltou a se segurar no para-brisa.

O loirinho viu, através do retrovisor, Ciel revirar os olhos. Viu também quando Sebastian se aproximou dele e sussurrou algo em seu ouvido. A cara do Ciel ficou imediatamente vermelha, e não encarou Sebastian, olhando para baixo. O que só fez o outro sorrir. Alois achou isso verdadeiramente fofo.

A cidade iluminada passava por eles, como se nada pudesse abalar a aparente felicidade de todos. Aparente.

Alois não esperou a música terminar por completo e equalizou em outra estação, a qual tocava “Smile” da Avril Lavgne.

-AH! Essa é a minha música! – exclamou o loiro.

Claude riu.

-Pronto, agora não temos mais paz mesmo. – falou brincando.

-Deixa eu ser feliz. – Alois começou a cantarolar com vontade.

“You know that I'm a crazy bitch

(Você sabe que eu sou uma vadia louca)

I do what I want when I feel like it

(Eu faço o que quero quando sinto vontade)

All I wanna do is lose control

(Tudo que eu quero fazer agora é perder o controle)”

Continua...

Notas finais
Aceitamos o amor que achamos que merecemos ter* - Essa frase não é minha. É do livro/filme As vantagens de ser invisível. Recomendo.

É, eu sei que enrolei para caramba nesse capítulo, mas prefiro enrolar do que fazer uma história muito corrida.

O próximo, agora tenho certeza, é o final.

Muito obrigada por ler!
Beijos ~Liv