Doce Trapaça
10 Capitulo Oito.
Notas iniciais

POV Renesmee
Paul havia me contado toda a palhaçada do irmão dele.
Porque Jacob implicava tanto com ele?
Okay Paul parecia bem misterioso e algumas vezes até cínico, mas ele quase botou tudo a perder. Idiota.
E pelas atitudes do meu namorado, com certeza ele desconfiava que na melhor das hipóteses Jacob tivesse tentado algo comigo, claro isso só seria possível se eu desse confiança.
Arg!!! Eu mato o Jacob. Demarquei mentalmente ao ouvir o relato de Paul.
E para completar quando cheguei à casa de meus sogros naquela manhã a Leah estava lá.
Conhecemo-nos quando ela apareceu na hora do almoço para se sentar a mesa.
Admito: ela era bonita, nova, mas linda, mais alta que eu, no entanto. E confesso: Fiquei com uma pontinha de inveja.
Leah parecia morar ali. Estava à vontade de camiseta vermelha e shortinho branco, ela conversava intimamente com Billy, Sarah e até Paul.
Aquilo causou uma pontada em meu peito.
Não Renesmee, eles são boas pessoas, entretanto roubaram sua família lembra? Continuei a repetir por toda a refeição.
Eu tinha adquirido um afeto por meus sogros e frequentar aquela casa não era tão ruim ––– quando Paul não vinha cheio das melações, claro –––. Contudo eu necessitava recordar a todo instante que se minha família passava por dificuldades ––– antes inimagináveis ––– era culpa daqueles sentados a mesa.
E no decorrer do dia pude conhecer mais essa Leah.
Tratou-me como se não estivesse louca para dar para meu namorado.
Sim, eu havia reparado o olhar apaixonado e meigo que ela dava a ele. Mas Paul nem mesmo a olhava.
Rachel tinha razão, afinal. Se fosse para prender o Paul era preciso ser difícil e menos leviana.
Aff e pensar que Jacob quase frustrou meus planos.
Babaca!
Falando nele, o ordinário voltou a tarde e a Leah simplesmente se empencou nele.
Cheia de intimidade com o cretino. Aquela com certeza Jacob já havia comido.
Fiquei furiosa, pois aquele filho de uma mãe ainda teve a ousadia de insinuar que aquela garota era melhor que eu.
Suas indiretas me colocaram tão danada da vida que perdi completamente o controle ––– como sempre ––– e o provoquei.
Acabei passando da conta e Paul quase nos pegou. Por sorte eu ouvi o ruído das portas de vidro sendo abertas e me concertei. Jacob nada reparou, estava a ponto de gozar em minhas mãos.
Não tive pena dele, entretanto. E para enfurecê-lo ainda mais retribuí com agrado a cada caricia do Paul.
Jacob fazia uma careta de náuseas a cada vez que nos beijávamos na sala ou na mesa do jantar.
Se fosse guerra o que ele queria ele iria ter, se estava a fim de me provocar eu mostraria a ele que também sabia brincar.
*****
Eu acabava de chegar da casa dos Black, era noite e eu havia passado mais um domingo passeando na praia com Paul e depois voltamos para jantar com seus pais.
Todavia tão cedo Jacob chegou e com ele trouxe uma fulana. Pelos cumprimentos, a família toda a conhecia, mas ela foi apresentada como amiga da família.
Era loira natural e seus olhos eram azuis, porém não a achei grande coisa. Magra demais e branca ao extremo, sorriso sem graça e o olhar um tanto caído.
A tal Daphne (nome de cachorro em minha opinião) vestia um jeans apertado ––– evidenciando sua ausência de bunda ––– e uma blusa larga muito bonita, mas não realizava um milagre a deixando bela.
Logo após a sobremesa, ela subiu para o quarto do Jacob e então tive a certeza que ela não era só uma amiga.
Não demorou muito e eles desceram em meio a risos e eu só observei. Estava na varanda "namorando" o Paul, pude vê-los se aproximarem pelo blindex e em seguida eles vieram até nós.
––– Nós já vamos. ––– Anunciou Jacob somente ao passar por nós e foi até seu Audi na entrada da mansão.
Ah mas eu não o deixei reparar que aquilo me afetava.
Aquilo me afetava? Refleti no momento em que entravam no carro.
Jacob a levava com carinho e destreza, segurava em sua cintura e ela parecia corar com algo que ele dizia em seu ouvido.
No mesmo instante tratei de me concentrar em Paul, abraçando-o, beijando-o com ferocidade. Talvez eu estivesse descontando minha ira ––– descabida a proposito–––.
Não desgrudei de Paul, contudo breves minutos após Jacob partir, fomos embora também e prontamente eu estava em casa profanando contra meu ordinário e gostoso cunhado.
––– Cretino! ––– Vociferei enquanto arrancava aquele vestido de lese azul escuro ficando com a lingerie azul clara.
Ele a tratava com todo o cuidado que não dava a mim.
––– E porque estou reclamando? ––– especulei a mim mesma de forma irritadiça.
Eu não deveria me incomodar vendo Jacob bancar o cavalheiro. Que merda!
––– Hei o que aconteceu? ––– Claire me indagou sorrindo adentrando o quarto.
––– Aquele idiota do Jacob deu para ficar de namorico na minha frente, lá na casa dele. ––– reclamei abrindo com brutalidade meu armário caçando algo confortável para vestir.
––– E daí? Você também fica na frente dele.
––– Claire! ––– a repreendi. ––– De que lado está? ––– a encarei feio.
––– Olha Renesmee não seria mais fácil você e o Jacob pararem com esses joguinhos e namorarem de uma vez? ––– inquiriu séria sentando-se na minha cama.
Meus olhos saltaram e eu a fitei com assombro.
––– Não me olhe assim, isso não é impossível. Vocês se dão bem na cama e fora dela, mesmo que fora dela seja raridade, além disso, vocês gostam um do outro, qual o problema Nessie? ––– argumentou.
O problema todo era: Jacob nunca me veria como o Paul vê. Jacob conhecia cada defeito meu, ele sabia como eu era verdadeiramente. Ele sabia que eu não era uma mulher para casar.
E droga! Eu precisava casar com um Black, eu precisava ter aquela empresa em minhas mãos, eu necessitava arrancar cada centavo daquela família.
Agora como explicaria isso a Claire?
Minha amiga me olhava esperando uma resposta coerente, eu torci os lábios em uma carranca contrariada. Eu precisava arrumar algo convincente.
––– Eu e Jacob não somos apaixonados. ––– falei e indiferente ao assunto voltando minha busca no armário.
Peguei um vestido leve de algodão na cor verde-água e o vesti.
––– E o que tem isso, Nessie? Você também não é apaixonada pelo Paul e namora ele. Você diz que o Jacob é muito melhor na cama que o Paul, muito mais engraçado, eu não vejo qual o seu lucro em manter esse relacionamento com o Paul. ––– Claire insistia.
Eu suspirei, vesti a peça que tinha nas mãos e fitei Claire com atenção. Ela sorria e em seus olhos eu enxergava as melhores intenções.
Por um momento ponderei se contava ou não o plano para Claire. Portanto decidi abri um pouco o jogo, eu já estava ficando louca mesmo.
––– Claire se eu te disser o porquê estou com o Paul, promete não contar a ninguém e nem me julgar? ––– sondei olhando em seus orbes claros.
Havia me assentado a seu lado e ela com seus olhos um pouco arregalados anuiu.
––– Claro, Nessie.
Engoli uma porção de saliva e comecei.
––– Eu quero me casar com Paul. ––– disse calma, porém Claire esbugalhou os olhos e eu soltei um riso. ––– Calma amiga, eu pretendo fazer tudo com a maior calma possível. ––– ela pareceu relaxar ––– Mas eu preciso me casar com ele.
––– Por quê? ––– Claire indagou com o cenho franzido.
Resfoleguei e contestei.
––– Minha família está falida Claire, nós não somos tão ricos como antes. A fama nos carrega mais que tudo. Eu não quero perder o luxo em que nasci então acho que me casando com o Paul tudo será resolvido.
Eu sei, não era toda a verdade, mas era uma forma que talvez fizesse Claire me entender.
––– Okay, você quer casar por conveniência... ––– deduziu cautelosa. ––– Perdoe-me dizer isso amiga, mas é o que parece. Não a julgo, no entanto ––– ela molhou os lábios antes de prosseguir cuidadosa. ––– Não prefere um homem rico que ame você como você o ama.
Eu ri levemente.
––– Claire eu nunca tive ideias românticas. ––– esclareci. Isso era uma verdade, todavia eu compreendia perfeitamente onde Claire queria chegar.
––– Sei amiga, mas nem ao menos o sexo com o Paul você gosta. ––– pontuou.
––– Nunca disse isso. ––– retruquei.
––– Mas prefere o sexo do Jacob e os beijos do Jacob, você já disse isso por várias vezes. ––– contrapôs. ––– Homem rico por homem rico, dono de uma grande empresa o Jacob também é Renesmee. ––– citou eloquente e fiquei pensando em seu argumento.
Muito convincente para dizer a verdade.
––– Só quero te ajudar e evitar que cometa uma besteira. ––– acrescentou antes de me oferecer um sorriso solidário.
––– Eu e Jacob não daríamos certo. ––– rebati suavemente, dando um sorriso sem emoção.
––– Eu discordo e se você não tentar não saberá.
––– Jacob não se casaria comigo.
Ual! Eu estava mesmo cogitando a hipótese de ficar e casar com o Jacob. Ou eu havia ficado louca ou a Claire tem um enorme poder de persuasão. Talvez fosse ambos.
Levantei-me sem acreditar em meus próprios pensamentos. Inconvenientes, devo dizer.
––– Porque não? ––– a voz de Claire era mansa.
––– Ele me conhece Claire, sabe como eu sou. Ele não gostaria de ser corno e eu também não seria uma, pois conheço o cretino do Jake e sei que ele não detém o pinto dentro das calças. Aquele vagabundo não pode ver um rabo de mulher. ––– assinalei e bufei por listar alguns contra sobre ter um relacionamento com o Jake.
Ouvi a risadinha de Claire.
––– Renesmee, amiga. ––– ela levantou-se e foi até a mim e pegou minhas mãos. ––– Você o conhece, sabe o que ele gosta e o que não gosta. Se você se apaixonasse por ele não seria um absurdo, quantos casais primeiro transam e depois se apaixonam? ––– ela explicava pausadamente, eu franzi a testa e foquei meus olhos no nada tentando entender.
––– o que quer dizer, Claire?
––– Nessie, diga a ele que está apaixonada e faça-se de tal. ––– ela soltou-me e colocou a mãos nas cadeiras demonstrando sagacidade em sua face.
Esbugalhei meus olhos.
––– Claire, eu não posso fazer isso. E se o fizesse não daria certo, Jacob é muito esperto. ––– objetei cruzando meus braços sobre o peito.
––– Se fizer direito consegue sim. O Paul você engana e é bem pior, caso se empenhasse o Jake também comeria na sua mão. ––– demarcou copiando minha postura, porém ela ainda tinha uma pose de sabichona.
Relaxei minha postura, já me sentindo derrotada. Eu até refletia na ideia (louca) da Claire.
Trocar o Paul pelo Jacob?
Pós: O Jacob é mais gostoso, mais divertido, mais louco, menos misterioso.
Contra: O Jacob é um patife, filho da mãe que gosta de me provocar de diversas formas possíveis.
Sobretudo eu tinha medo de depois não darmos certo e poft! Já era o meu plano.
––– Que merda. ––– resmunguei jogando-me de costas em meu colchão.
Fiquei fitando o teto lilás do meu quarto.
O que fazer?
O meu caso com o Jake estava a cada dia mais incontrolável. Após a palhaçada do babaca Paul anda mais grudento que chiclete.
Ai minha Nossa Senhora.
Eu precisava de um cigarro.
Sem me levantar estiquei os braços em meu criado mudo e peguei um isqueiro juntamente a uma cartela de cigarros.
––– Nessie, o que está pensando? ––– Claire me avaliou, ela estava de pé ao meu lado.
Olhei para ela sem atenção. Saí do quarto e atravessei a sala rumando para a sacada com Claire em meu encalço.
Apoiei-me no parapeito e acendi o cigarro.
––– Em tudo o que disse Claire, em tudo. ––– respondi a minha amiga que se manteve parada na linha divisória Sala/sacada.
––– Já dei minha opinião, você decide agora. ––– ela declarou terna e foi até a mim deixando um beijo em minha bochecha. ––– Te apoiarei de qualquer forma.
Claire me deixou lá com meus pensamentos fervendo. As coisas realmente ficaram difíceis naquela fase, mas eu iria superar, não?
Suspirei e passei a fumar enquanto os fatos percorriam minha mente.
E depois de me casar? Como seria? Eu continuaria nessa situação com o Jacob? Ou eu apostaria nessa de me casar com o Jake?
Eu gostava da bagunçava e adorava correr perigos, mas não tinha vocação para puta.
Mesmo achando o fato de ser mulher exclusiva do Paul uma coisa fatigante, eu não planejava ir para a cama do meu cunhado sempre que possível, mesmo sendo tentadora a ideia, era estranho.
Até mesmo porque agora éramos jovens e depois? E quando eu enjoasse da foda com o Jacob talvez nem estivesse casada ainda, o que seria?
Por outro lado, Claire tinha razão! Pensei com pesar.
Aguentar as melações de Paul ocasionalmente era barra pesada, tê-lo me acariciando como boneca de louça todos os dias era outra coisa diferente.
Eu comecei a conjecturar sobre a segunda hipótese.
Eu não precisaria me preocupar em Jacob vindo me visitar quando o meu marido não estivesse, caso ele fosse o marido.
Inferno! Quanta coisa.
Soltei a fumaça embaçando a vista da cidade de Winchester a minha frente.
Eu também imaginava que conquistar o Jacob não seria fácil, até porque fingir para o Paul era uma coisa já para o Jacob seria outra.
Eu não estava certa se conseguiria olhar nos olhos dele e dizer: Eu amo você.
Conseguiria?
*****
Passei boa parte da noite remoendo aquilo tudo e na quarta feira não teve jeito. Paul me chamou para sair e me pediu para encontrá-lo no trabalho.
Fui à empresa, coloquei um vestido estilo executivo em cor de pêssego, poupei maquiagens e pranchei meus cabelos os arrumando em um rabo de cavalo.
Aproveitei a oportunidade e resolvi buscar em Paul alguma coisa que me desse uma brecha para saber que se caso terminássemos poderíamos voltar um dia.
Qual é? Eu precisava me prevenir, saber onde pisava.
Havia calculado meu plano muito bem para deixá-lo escorrer por meus dedos como água só porque o ordinário do meu cunhado era um puto de um gostoso, fodia como ninguém e para completar adorava me tirar do sério me fazendo esquecer os riscos que corríamos; que eu corria.
Entretanto as coisas não saíram como planejei só para variar.
Como sempre antes mesmo de eu e Paul podermos começar a conversar de fato sobre qualquer coisa, a secretária songa monga dele nos interrompeu e Paul foi atender algum funcionário com urgência e me deixou lá, perdida em meus devaneios.
O dia era um pouco nublado, eu fitava a janela sem atenção, todavia. A conversa da outra noite com a Claire passou a rondar minha mente.
Mudar ou não? Largar o Paul ou não? Trocar de namorado?
Decisões... Eu só tinha certeza de uma coisa:
Eu necessitava me casar com um Black.
E sem demora a porta foi fechada, quando me virei perdi uma batida no coração por susto, deveria ser.
Jacob estava ali, com uma camisa de botões azul, jeans justo e a barba feitinha. Eu bati minhas pestanas rapidamente analisando sua imagem e reprimi um sorriso ao contemplá-lo, ele estava lindo e me encarava com curiosidade e desejo.
Sempre o desejo era o que imperava nos olhos ônix de Jake quando me fitavam e depressa o moreno sorriu largamente para mim e foi impossível não fazer o mesmo.
Aquele sorriso me esquentava mesmo de longe, era tão aberto, tão espontâneo, contagiante e caloroso.
O desenho de seus lábios era másculo e convidativo, emoldurava a fileira de dentes brancos e fulgente de forma a incendiar meu corpo, além das batidas frenéticas em meu peito.
Isso era uma coisa que diferenciava o Jacob do Paul. Esse último nunca daria um sorriso desses, capaz de derreter icebergs.
Derretia-me, melhor, molhava-me.
Contudo naquele momento eu continuava tensa demais para me excitar com Jacob, mas confesso que ele não precisaria de muito.
Porém mais uma vez houve desdobramentos e eu me vi em uma sinuca de bico.
Eu realmente cogitei a hipótese de tentar mudar um pouco os planos. Todavia eu não contava com uma trava interior.
Burra! Burra! Renesmee você é uma burra.
No momento em que me peguei olhando Jacob e sabendo do estranho rechaço que Paul tinha por ele e sua falta de apego em relação a isso me brotou a curiosidade de saber o porquê Jacob não se envolvia com aquela empresa.
De alguma maneira ele se importava?
Se eu recebesse uma resposta afirmativa da pergunta, jamais ousaria jogar com o Jacob.
Por quê?
A maldita trava interior.
A mesma que não me deixava olhar nos olhos dele e mentir descaradamente, a mesma que me impedia de enganá-lo como fazia com o Paul.
Não sei explicar, algo nos olhos do Jacob ––– ausente no olhar do Paul ––– me fazia vê-lo com mais benevolência, mais tolerância e não ter a bendita coragem de mudar o alvo da vingança.
Eu permaneceria com Paul até o fim, Jacob era inocente demais naquela história. Sim ele era. Não sabia de quase nada que se passava da Black Company. Eu não deveria mudar nada do plano.
E não faria.
Acabei abaixando a guarda. Jacob sendo mais esperto do que eu acreditava, sacou ––– quase ––– tudo, na verdade boa parte.
Eu oscilei, era difícil de encarar quem lhe jogava a mais crua verdade, ver a astúcia divertida nos olhos de Jacob me corroeu.
Como aquela malícia brilhando na imensidão negra dos orbes de Jacob me colocava tão mal? Eu não deveria me incomodar com os pensamentos ––– obscuros ––– alheios, principalmente vindos de Jacob.
Mas eu era Renesmee Cullen e eu não abaixava a cabeça para ninguém, não entregaria o ouro só porque fui pega em uma curva.
Levei o mínimo de tempo para me compor e colocar uma máscara sagaz podendo fugir de suas ––– verdadeiras––– acusações.
E no fim de tudo quando retornei a casa fiquei pensando em algo que me deixou zonza: Paul era o majoritário e Jacob possuía uma pequena porcentagem de toda a fortuna da família.
Aquilo me chocou.
O que Jacob havia feito de tão errado para ser menos merecedor que Paul na divisão das ações?
Entrei em casa, me sentei no sofá e prossegui meu raciocínio.
Eu tinha que deixar essa poeira assentar ––– Jacob continuaria me perturbando com essa historia de querer dar o golpe –––, mas depois era eu quem iria atrás das verdades.
Não era só Paul que tinha segredos, o meu infeliz cunhado também escondia fatos de sua história.
*****
E quando o Natal chegou eu pude ––– finalmente ––– descansar dos Black.
Não vi Jacob desde nossa discussão, somente Paul eventualmente.
Graças!
Paul me cansava com tantas declarações. Ele realmente havia se apaixonado e já havia feito menção a um possível matrimônio entre nós dois.
Mesmo não negando também não o incentivei, não queria me mostrar desesperada. Eu fazia tudo calmo e bem feito até o momento, por isso não iria correr agora.
E quando casados eu daria meu jeito de pegar cada centavo e um pouco mais do que haviam nos roubado.
Ficou combinado de todos da minha família passarem na casa dos meus avós o Natal e não quis ficar por aqui, nem mesmo pestanejei antes de arrumar minhas malas e rumar para Manhatan.
Eu estava mesmo com saudades do meu lar.
No dia 24 por volta das cinco da tarde eu estava em casa a ponto de partir.
––– E aí Nessie onde vai passar a virada de ano? ––– perguntou Rachel me ajudando a acomodar uma bolsa de colo e uma mala média na sala enquanto eu aguardava o táxi.
Ela havia chegado há pouco e passaria a noite ali.
––– Por aqui, quase certo de ser na casa do Paul. ––– falei sem emoção indo até a grande mesa onde Claire havia colocado os primeiros quitutes, sendo assim roubei uma noz.
Rachel ao meu lado me copiou pegando duas uvas.
––– A Claire vai pegar vocês se ver isso, ela diz só depois da meia noite. ––– Candy ralhou, mas em seguida também furtou umas uvas.
Rimos juntas e Rachel logo indagou a Candy:
––– E você onde passará o réveillon?
––– Vou à praia com uns amigos e a Claire e você? ––– perguntou Candy para Rach, eu também estava interessada.
––– Nós ficaremos em casa. Eu, mamãe e a Lily, né filha? ––– ela respondeu sorrindo meigamente como sempre.
Assim como Rachel nós olhávamos para a menina que brincava com os enfeites de Natal na árvore.
Hayley era um primor de menina, na verdade ela era o xodó daquele prédio. A única criança existente no edifício, entretanto valia por mil.
A menina de apenas cinco anos aparentemente era uma rosa delicada como Rachel. Branquinha com seus cabelos castanhos claros assim como os olhos, seu sorriso ingênuo e encantador, seu rostinho parecia de boneca, ela era tão frágil.
Às vezes quando Hayley nos olhava lembrava o olhar acanhado da mãe, entretanto eventualmente ela dava uns sorrisos travessos e uns olhares marotos e isso com certeza não era herança de Rachel.
E claro a nossa princesa era uma pimenta.
Andava com patins pelo prédio, até tentar descer e subir as escadas com ele Hayley fazia. Com um ano havia caído do berço duas vezes, com três decidiu morar na loja de conveniências da esquina deixando Rachel louca a sua procura.
Eram muitas travessuras. Dona Vitória contava suas artes, completamente estarrecida. A senhora jurava que em toda infância somado a adolescência Rachel não havia dado tanto trabalho.
Levando em consideração o fato de que até os dez anos nem ao menos de bicicleta Rachel andava.
Hayley por sua vez já havia quebrado duas.
––– É verdade. ––– a menina concordou com a mãe e juntou-se a nós. ––– Fica com a gente tia Candy ––– pediu com um sorriso terno.
––– Não posso Lily, a tia já marcou com outras pessoas ––– respondeu Candy.
––– Então eu posso ir com você? ––– perguntou Hayley com sua voz doce e seu jeito empolgado.
––– Que é isso Hayley? Já te disse que isso é feio. ––– repreendeu Rachel olhando feio para a filha.
Eu apenas ri da cena e Candice respondeu:
––– Se eu pudesse te levaria, mas será só para gente grande, entende?
Hayley anuiu com a cabeça baixa.
––– Mas eu prometo te levar a praia assim que der tá bom? ––– completou Candice e Hayley abriu seu faceiro sorriso.
––– Tá bom tia. ––– respondeu dando pulinhos de felicidade.
––– E a Emily, meninas? Estou sentindo a falta dela... ––– comentou Rachel.
––– Hum, ela foi à casa dos pais. ––– respondi pegando outra noz. ––– Você sabe que há muito tempo ela e o pai não se falavam ––– explicava e Rachel assentia ––– Então eles voltaram a se falar tem pouco tempo e aí a Emy resolveu passar uns dias por lá.
––– Talvez ela vire o ano lá. ––– mencionou Candice.
––– Ah isso é muito bom. A Emy e o pai se falando. ––– Rachel sorriu contente. ––– É tão ruim não ter o pai por perto. ––– disse amistosa e um pouco triste.
Rachel havia perdido o pai ainda quando era bebê.
––– Eu nunca tive pai. ––– pronunciou-se Hayley tranquilamente roubando uma uva.
Viramo-nos para observá-la.
Era de cortar o coração, apesar de sempre muito alegre, Lily sempre dizia o quanto queria ter um pai como as amiguinhas da escola.
Rachel respirou fundo, ajoelhou-se diante da filha ficando com a mesma altura dela e proferiu suavemente:
––– Filha não fica triste... ––– o olhar da minha amiga era acabrunhado ao ver o estado da menina.
Conformada, porém triste. Era assim que Hayley se mostrava.
––– É Lily, tem tempos que eu não vejo o meu pai também. ––– tentou Candy confortar a menina.
Um silêncio calmo tomou conta daquela sala. Hayley após engolir a fruta que degustava nos mostrou seu sorriso harmonioso, apenas estirando os lábios em toda a sua doçura.
Porém o silêncio foi quebrado por Claire animada que adentrou a sala.
Vendo Hayley estranhamente cabisbaixa colocou-se na altura da menina e perguntou:
––– O que houve?
––– Estávamos falando sobre a Emy voltar a falar com o pai e sobre ela ir passar o réveillon com ele, daí a Lily lembrou que ao menos um pai ela tem. ––– Rachel tinha amargura nas palavras, arrependimento no olhar e a voz tremula.
Hayley conforme ouvia a mãe procurou-me e se aconchegou em mim que a envolvi nos meus braços.
––– Não tem porque você não quer. ––– retrucou Candy de forma sutil para não alarmar Hayley.
––– Candy eu já expliquei, ele não merece ter um filho, não merece ter nada nessa vida... ––– replicou Rach.
––– Você nem sabe o que ele pensa desse assunto, ele não pode ser tão ruim assim, se ele soubesse da Hayley, talvez ele agisse diferente. ––– falou Claire tentando convencer Rachel a mudar de ideia.
Eu fiquei ouvindo atentamente, queria ajudar assim como Claire e Candy também queriam. Todavia, tudo o que sabíamos sobre a paternidade da Hayley era que o "cara" havia magoado a Rache até a raiz dos cabelos, no mais profundo do ser dela.
Houve uma traição cruel, segundo Rachel. A dor nos seus olhos não a deixou mentir. Mas não sabíamos quem e nem de onde era o sujeito, vulgo canalha.
––– Eu tenho minha decisão Candy, não irei mudar. ––– afirmou Rach.
––– Rach pense na Lily, okay? ––– Claire articulou. ––– Olha como ela sofre por não ter um pai porque você está magoada. ––– minha amiga acrescentou de forma suave.
––– Rach, eu não sei o porquê da sua decisão, nem o que aconteceu exatamente entre você e o pai da Lily, mas se é para o bem dela você não pode negar. ––– opinei. ––– Talvez esse homem também sinta falta de um filho. ––– argumentei.
Rachel foi até o sofá e sentou-se.
Hayley me fitou com seus olhinhos claros em confusão.
––– Venha preciso de ajuda com os doces. ––– falou Claire na intenção de tirar Lily daquela conversa tensa.
Sem objeção Hayley foi com Claire, porém não sem antes dá uma ultima olhada em nós três na sala.
––– Você não precisa nem pensar nele Rachel. ––– continuei sentando-me a seu lado. ––– Só pense na Hayley, não a deixe viver com esse buraco na vida sem necessidade, não a deixe passar a vida sentindo a ausência de um pai, que por uma decisão sua em um momento de alta emoção, não está com ela. ––– finalizei firme.
Mantive meus olhos em Rachel, percebi seus orbes claros lacrimejarem. Rachel também sofria com aquilo.
––– A Nessie tá certa. ––– Candy reforçou.
––– E se...Se ele fazer com a Lily o que fez comigo? ––– a voz de Rachel era chorosa, mesmo não havendo lágrimas em sua face era provável que houvesse um nó em sua garganta.
Ela engoliu a seco umas três vezes antes de prosseguir vacilante.
––– Se ele a rejeitar? Não gostar dela? ––– ela nos encarou como se pedisse uma luz.
––– Ele seria um babaca se não gostasse dela. ––– Candy falou e Rach deu um sorriso amargo.
Percebi que Rachel acreditava sim que ele poderia fazer isso.
––– Rachel nós só estamos dizendo o que achamos que é certo, mas a decisão final será sempre sua. Afinal quem sabe o profundo da dor é quem a sente, então... ––– disse amena antes de apertar forte sua mão dando-lhe apoio.
––– Faço das palavras da Nessie as minhas. ––– Candy disse simpaticamente, repetindo o ato de Nessie.
––– Bom o táxi já deve estar chegando. ––– anunciei e erguendo-me ––– Rachel pense no assunto. ––– falei para a morena que sorria delicadamente e sem demora me deu um abraço. ––– Tenha um feliz natal. ––– eu disse antes de soltá-la
––– Você também.
––– E você Candy, agarre o Baby. ––– intimei para minha amiga loira.
Ela me deu um abraço enquanto respondia:
––– Ele namora a Emy, enlouqueceu? ––– seu tom era de brincadeira, ela sorria.
––– Sabemos que não irá durar, portanto invista. ––– demandei beijando-lhe a face. ––– Feliz Natal.
Fui até a cozinha e encontrei Hayley sentada sobre a mesa lambendo o fim de alguma calda em uma panela.
Enchi minha princesinha de beijos até arrancar dela uma gargalhada, dei um forte abraço em Claire e parti, o táxi me levaria ao aeroporto.
Seria uma viagem desgastante e longa até Manhathan.
Fale com o autor