Doce Sangue

2 Transformação


Acordei atrasado no dia seguinte, notei que meu colega de quarto já não estava mais ali, sua cama estava arrumada e a janela estava aberta, o que fez o sol entrar e tocar meu rosto. Pulei da cama corri para o banheiro e entrei em baixo da ducha. depois sai do banheiro me vesti rápido, coloquei uma calça jeans, um tênis preto, uma camisa branca e um colete preto por cima, olhei no espelho, joguei meu cabelo de lado e fui em direção a minha cama onde estava minhas coisas, cadernos, apostilas. Juntei tudo o que pude nas mãos e sai correndo. Passei pelo corredor em alta velocidade, nem notei que alguns alunos ainda estavam ali, peguei o elevador, tinha duas pessoas ali junto a mim, um ''Bom Dia'' foi a única coisa que eu disse. Depois que chegamos no térreo, sai do prédio e caminhei depressa até o prédio central, onde ficavam as salas de aula. Entrei no prédio, caminhei até o final de um corredor enorme, era a última sala. Entrei ofegante, os alunos já estavam ali, a professora também estava em pé explicando algo aos alunos

– Desculpa o atraso, perdi hora — Falei ofegante tentando recuperar o ar

– Os primeiros dias são assim mesmo, entre — Disse a mulher, ela era alta, com longos cabelos pretos amarrados em um rabo de cavalo. Ela usava uma roupa bem elegante, mas bem comportada.

Andei em direção a uma mesa que estava vazia. Alguns alunos ficaram me olhando enquanto eu caminhava, outros apenas me ignoravam. A professora então voltou a explicar, era uma aula sobre células do sangue. Eu estava estudando medicina, era o que eu sempre quis fazer, minha mãe foi a primeira a me apoiar quando eu disse que queria ser médico. A aula estava muito interessante, anotei tudo o que eu pude em meu caderno, não queria perder nada, mesmo sendo o primeiro dia de aula, eu era muito dedicado ao que eu queria fazer.

Depois que a aula terminou, teríamos um intervalo, antes de ir para o laboratório, onde teríamos outras aulas. Saímos calmamente da sala, alguns alunos aproveitavam esse tempo para conversar, outros para comer, alguns até voltavam aos dormitórios para dormir um pouco. Eu caminhei pelo campus até uma lanchonete que havia ali. Me sentei em uma mesa logo apareceu uma garçonete e me deu um cardápio.

– Se eu fosse você, pediria um hambúrguer — Disse uma menina da mesa ao lado, ela estava me olhando enquanto eu procurava indeciso algo no cardápio

– Então um Hambúrguer, e um suco de laranja por favor — Falei entregando o cardápio a garçonete, era uma moça jovem, ela estava a meu lado esperando que eu escolhesse algo.

Depois me levantei e fui até a mesa da garota, ela estava escrevendo algo no caderno enquanto bebia um suco.

– Você faz medicina comigo não é ? — Perguntei, reconheci a garota da minha sala. Ela era linda, tinha olhos bem pretos, lindos cabelos castanhos ondulados, pele morena, um rosto muito lindo, o que mais chamava atenção era seu sorriso.

– Sim, você é o Charlie, Certo? — Ela perguntou apontando o dedo pra mim

– Prazer, e você é?

– Sofia — Ela respondeu, depois deu um sorriso de canto

– Bom Sofia, porque você disse para eu pegar um hambúrguer?

– A maioria das pessoas amam comer aqui, por causa do hambúrguer, eu vi que você estava indeciso sobre o que pedir, então disse para pegar o hambúrguer. Sei que você também vai amar

– Obrigado posso ficar aqui com você — Pedi, assim que chegou meu lanche e meu suco

– Claro, vou adorar sua companhia — Ela respondeu simpática

Depois comecei a comer meu lanche, antes que chegasse a hora de voltar a aula.

– O que tanto escreve ai? Primeiro dia de aula e você já está tão focada assim nos estudos? — Perguntei curioso e ao mesmo tempo para iniciar uma conversa, para quebrar o silêncio que durou alguns minutos

– Antes que você pense que eu sou uma Nerd, ou coisa do tipo, isso não tem nada a ver com a faculdade. É uma coisa de família, que estou aprendendo também — Ela respondeu sorrindo de canto

– Desculpa eu ser assim tão curioso

– Não, tudo bem

Trocamos mais algumas conversas, sobre nossas famílias, de onde éramos, Sofia era uma garota encantadora, depois que acabei de comer, nós caminhamos juntos para o laboratório. Ao chegar lá, Sofia arrumou um lugar para se sentar a meu lado, depois que todos chegaram, a professora entrou e fechou a porta. Ela começou a aula nos explicando algumas coisas, depois pediu que nós olhássemos no microscópio, fizemos isso em dupla e é claro que Sofia era a minha

– Acho essas aulas tão entediantes — Falou Sofia antes de olhar pelo microscópio

– Até que eu acho interessante — Respondi um pouco baixo, todos os alunos estavam fazendo o trabalho e a professora estava sentada na mesa bem a frente, anotando algo em seu caderno

– Olha que interessante essa célula — Disse Sofia, empurrando o microscópio pela mesa até que chegasse próximo a mim

– Deixa eu ver — Peguei o microscópio, olhei.

Depois que a aula terminou, Sofia se despediu, ela teria de ir para o prédio do outro lado do campus, era onde ficavam os dormitórios das meninas. Eu peguei a mão de Sofia para me despedir, ela se assustou, arregalou os olhos e se afastou um pouco.

– O que foi? — Perguntei confuso olhando para a menina, que ainda estava assustada

– Você... Sua alma... Desculpa — A menina disse isso e saiu correndo pelo corredor, não pude alcança la.

Voltei para o prédio onde ficava meu dormitório, estava confuso. Sofia me pareceu uma menina tão simpática, divertida e educada. Mas de repente ela surtou, saiu correndo sem me explicar o que tinha acontecido, eu apenas toquei em sua mão. Isso era muito frustrante, mas eu teria oportunidade de perguntar no dia seguinte, agora eu só queria voltar a meu quarto e descansar.

Quando cheguei a porta estava meio aberta, eu estava prestes a entrar mas parei na porta quando ouvi algumas conversas ali dentro. Eram vozes masculinas, fiquei parado em silêncio perto da porta ouvindo

– E o cara, como ele é? — Perguntou uma voz mais fina

– Até parece ser gente boa, mas eu queria você aqui, já estava tudo certo ai a porra desse muleke me aparece — A voz era do meu colega, era a mesma voz grossa, difícil de esqueçer

– Tranquilo Nick, ainda estamos no inicio do ano, quem sabe depois eles troquem você de colega, ou ele peça pra mudar

– Espero que sim, mas enquanto isso eu vou aturando ele

– Bom agora eu vou indo, tenho um trabalho pra fazer ainda, é pra amanhã — disse o outro rapaz se despedindo do meu colega

Eu disfarcei e fingi entrar no quarto naquele momento. O cara que estava saindo era muito gato, tinha que admitir isso, ele passou por mim deu um sorriso e foi caminhando pelo corredor. Eu fechei a porta assim que passei, Nick, o meu colega estava deitado outra vez na cama, dessa vez lendo um livro. Eu o ignorei dessa vez, ainda mais depois de ter ouvido toda aquela conversa, eu sabia que não era bem vindo ali, e que ele me odiava por estar tomando o lugar do seu amigo.

Caminhei então até o banheiro e tomei um banho. Depois voltei para minha cama e me deitei, peguei o celular e começei a enviar mensagens aos meus antigos amigos, contando como tudo estava agora na faculdade. claro contei também sobre meu colega mal humorado, sobre as aulas, sobre Sofia menos o que aconteceu depois.

– Sou o Nick — ouvi a voz vindo da cama ao lado, olhei e o garoto ainda estava lendo o livro

– Desculpa, o que? — Perguntei

– Meu nome é Nick, você se apresentou ontem e eu fui muito mal educado, me desculpa — O Garoto falou, agora olhando pra mim

– Tudo bem — Falei, meus olhos corriam pelo corpo do rapaz deitado ali naquela cama apenas de shorts, depois voltei a olhar meu celular

Depois de um tempo em silêncio, o garoto se levantou da cama e pegou uma caixa, ele estava mexendo com algumas coisas, espiei algumas vezes mas não consegui identificar o que era, mas pareciam estiletes e algo do tipo.

– Ai droga — o Garoto falou alto

Olhei para o lado e vi que o dedo do garoto estava sangrando, ele correu para o banheiro e ficou com o dedo em baixo da torneira na pia. Eu corri até lá ao ver a aflição do garoto

– Está tudo bem? — Perguntei

– Sim, tá sim, só me cortei com um estilete mas não foi nada, é que tenho muito sangue — ele respondeu tirando sarro de si mesmo

– Mas você quer ajuda? — Insisti

– Se você tiver um esparadrapo eu vou ficar muito grato — ele disse com o dedo ainda em baixo d'água

Fui até minhas coisas, eu peguei um esparadrapo que eu tinha guardado antes de sair de casa e levei até o garoto. ele estendeu a mão em minha direção, seu dedo ainda estava sangrando um pouco, era o dedo indicador, tinha um corte pequeno bem na ponta.

– Seria pedir muito que você colocasse pra mim — Disse o garoto com a mão estendida em minha direção

Ao ver aquele sangue escorrendo do dedo do rapaz, algo dentro de mim parecia incontrolável, um desejo enorme de beber aquele sangue. que pensamento é esse?Beber sangue? que nojo... Mas ao mesmo tempo esse desejo era incontrolável, era como se eu não conseguisse controlar minha reação. Eu peguei o dedo de Nick e lambi o sangue, o garoto arregalou os olhos quando eu fiz isso, depois ele puxou a mão rapidamente.

– Deixa que eu mesmo coloco o esparadrapo — ele disse assustado com minha reação, depois ele pegou o esparadrapo da minha mãe e fechou a porta do banheiro na minha cara

– Desculpa — Eu gritei do lado de fora

– De boa — Ele respondeu

Voltei para minha cama assustado, ainda sentia o gosto do sangue na minha boca, algo estava queimando por dentro. Eu me deitei e senti um calor como nunca havia sentido antes em minha vida. Comecei a suar muito, Nick saiu do banheiro depois de alguns minutos e voltou a deitar na cama. Já eram oito da noite quando eu comecei a ter febre, senti que minha temperatura estava alta, queria tomar um banho gelado para baixar a febre, mas algo queimava por dentro, eu não conseguia me levantar, sentia dores nas pernas, na cabeça e nos braços. fiquei deitado rolando na cama, até que apaguei

– Ei acorda — ouvi uma voz familiar

Quando abri meus olhos, notei que era Nick me acordando

– Que horas são? — Perguntei procurando algum relógio ou celular

– Ei calma, ainda é cedo, te acordei para você não se atrasar como ontem — Falou o rapaz voltando a sua cama

Eu me sentei, estiquei meus braços e respirei fundo

– Tive um sonho muito estranho — Falei em voz alta

– Sonho? qual? — Perguntou Nick, que estava se vestindo

– Que você cortou o dedo, e eu lambi seu sangue

Nick, sorriu de canto. Eu olhei para o dedo do rapaz e lá estava o esparadrapo. Não foi um sonho, realmente aconteceu, não estava acreditando. Nick apenas sorriu.

– Você se arrependeu de ter feito aquilo ontem? — Perguntou Nick ainda sorrindo, vestindo seu tênis

– Eu ainda não sei porque fiz isso, foi loucura e assustador — Falei

– Eu me assustei mesmo, mas... eu gostei — Nick disse sorrindo de canto — não vai perder hora de novo

Depois o garoto saiu pela porta e me deixou ali. Me levantei e fui até o banheiro, abri a ducha e tomei um banho na água fria pra despertar. Depois voltei ao quarto e me vesti, peguei minhas coisas e sai pelo corredor. ao chegar no térreo sai pela porta, quando estava em baixo do sol, algo começou a queimar, senti minha pele queimando, era como se eu estivesse pegando fogo, a dor era insuportavel. Voltei para dentro do prédio e senti um alívio por estar na sombra. As marcas vermelhas começavam a sumir.

– O que está acontecendo? — Perguntei a mim mesmo

Alguns alunos ficaram me olhando, eu estiquei meu braço do lado de fora outra vez, e quando ficou em contato com o sol ele começou a queimar. Definitivamente eu não podia sair no sol, algo estava errado comigo, um dia eu sinto desejo enorme por sangue e no outro não posso sair no sol, o que está acontecendo comigo? Lembrei do número de Sofia, e liguei para a garota, ela se assustou a tocar em mim no outro dia, talvez ela soubesse o que estava acontecendo.