Doce Sangue
7 Revelações
Notas iniciais
Acordei no dia seguinte um pouco mais tarde do que o costume, era sábado e nesse fim de semana eu faria uma visita a minha mãe. Me levantei, tomei um banho rápido e peguei algumas coisas e coloquei em uma mochila que estava em cima da cama. Nick ainda dormia tranquilamente na cama ao lado, mesmo com o sol que entrava pela janela batendo sobre o rosto dele, terminei de arrumar minhas coisas rápido, não queria demorar muito a ir. Foi quando ouvi alguém bater na porta, eu abri imediatamente
– Bom Dia — Disse Sofia assim que eu abri a porta
– Bom Dia — Eu dei um abraço na garota, que estava toda bem vestida logo de manhã
– Então vai mesmo visitar sua mãe? — Ela perguntou olhando para os lados e me entregando algo com muito sigilo
– Sim, eu vou — Respondi e Peguei o que ela me entregava, estava enrolado em um pano de seda azul.
– Consegui mais essa, guarde e esconda bem — Ela sussurrou
– Obrigado, não sei o que faria sem você Sofia
– Te vejo na segunda — Sofia disse isso, sorriu de canto e se afastou
Eu entrei fechei a porta e com cuidado levei o que ela havia me entregado e coloquei na minha mochila. Era mais uma bolsa de sangue que Sofia tinha conseguido pra mim, ela era uma ótima amiga, uma ótima pessoa, se não fosse por ela eu teria atacado várias outras pessoas. Eu fechei a mochila assim que Nick despertou e abriu os olhos, ele ficou me encarando enquanto estava deitado, depois deu um sorriso de canto e virou para o outro lado, ficando de costas pra mim.
– Nick? — Perguntei com a voz um pouco rouca
– Fala Charlie — Ele respondeu com a voz ainda sonolenta
– Você pode me explicar essa foto? — Falei segurando a foto nas mãos, aquela foto onde estava ele, Johnny e eu, bom pelo menos eu pensava que era eu, uma montagem.
Nick virou para olhar a foto, ele estava sorrindo assim que viu qual foto eu me referia seu sorriso desapareceu, ele deu um pulo da cama pegando a foto das minhas mãos o mais rápido possível. O Garoto caminhou até suas coisas e escondeu a foto no meio de um caderno, depois parecia evitar olhar pra mim, como se estivesse com vergonha ou com medo de dizer sobre aquela foto.
– Onde conseguiu essa foto? — Nick perguntou de cabeça baixa, sentado na beira de sua cama
– Você dormiu ontem olhando pra ela, eu peguei para guardar, não pude deixar de notar que eu estava na foto — Respondi
– Você não está na foto — Nick alterou sua voz
– Então quem é aquele da foto? Eu tenho um irmão gêmeo e não sabia? é isso? — Perguntei confuso
– Não sei Charlie, eu conheci o Sam a três anos atrás, ele era um dos meus melhores amigos, assim como Johnny. Nós três sempre estávamos juntos éramos inseparáveis, até que viemos pra faculdade no ano passado. Johnny começou a ter um caso com Sam, foi quando eu descobri que ele era gay, então me senti a vontade para revelar que eu também era. Mas o que eu achei que nos fariam mais unidos, foi o que começou a nos distanciar. Sam mesmo saindo com Johnny começou a jogar seu charme pra cima de mim, eu resisti por um tempo, mas ele era lindo e impossível de resistir a seu encanto, acabei me deixando levar e comecei a ter um caso com ele. Mas Sam não escondeu isso de Johnny como eu pensei que ele faria, mesmo assim Johnny aceitou e continuou com ele mesmo sabendo que Sam também ficava comigo. Um dia Johnny me convidou para ir a casa dele, foi esse dia que tiramos essa foto, mas a partir desse dia tudo mudou. Sam queria que eu e Johnny fizéssemos sexo com ele, então foi nesse dia que eu e Johnny nos beijamos pela primeira vez, foi a primeira vez que nos tocamos também. Então eu e Johnny começamos a sair escondidos, só nós dois. Quando Sam descobriu que nós estávamos saindo juntos, ele permitiu que nós ficássemos juntos, mas é claro que ele não deixou isso barato. Sam fez com que nossos pais ficassem sabendo do nosso romance, em seguida não satisfeito com o que já tinha feito ele armou um escândalo no campus, disse que foi traído pelo próprio amigo, recebemos muitos olhares de reprovação depois que ele fez isso, enquanto isso Sam ria da nossa situação. Uma noite eu acordei, estava um pouco sonolento até hoje não sei se foi um sonho ou se realmente aconteceu. Sam estava perto da minha cama, ele passou a mão em meus cabelos e disse ''Eu amei você, eu amei Johnny também'' depois senti um beijo, um frio e demorado beijo nos lábios. Quando acordei já era de manhã, a noticia chegou até mim. Sam foi encontrado morto na floresta, seu corpo havia sido queimado carbonizado, ele foi identificado pela pulseira de prata a qual ele sempre usava, ela tinha um pingente com seu nome escrito. Algumas coisas que estavam pelo local também pertenciam a ele, por isso não tinham mais dúvidas, aquele era o corpo de Sam. O Mais estranho é que sua família não foi encontrada, ninguém ao menos para dar a noticia, então Sam foi enterrado no cemitério sem ao menos cerimônias. Eu me senti muito triste pela morte dele, apesar de tudo Sam sempre foi meu melhor amigo e meu primeiro amor, meu primeiro beijo, meu primeiro sexo. Ao mesmo tempo me senti aliviado, estava livre pra viver meu amor com johnny. Foi quando você chegou, ao ver seu rosto eu já fiquei furioso, isso só poderia ser uma brincadeira do destino, mandar alguém igual ao Sam para estragar tudo outra vez. Por isso tive tanta raiva quando voc~e chegou no colégio, por isso quis enforcar você naquele dia. Você me lembrava muito Sam. Mas aos poucos fui conhecendo você e percebi que tem algo em você que é diferente do Sam, mesmo sua aparência sendo igual a dele.
– E porque você não me contou que havia alguém aqui parecido comigo? — Perguntei ainda atordoado com toda essa história
– Johnny me fez prometer que não diria nada a você, a menos que você soubesse. — Respondeu Nick agora olhando direto pra mim
– Alguém igual a mim, será que eu tenho um irmão gêmeo?
– Bom, já me fiz essa pergunta, mas se você não o conhece ele pode ter sido roubado, ou até mesmo sua mãe pode ter o entregado a adoção e ficado apenas com você
– Minha mãe jamais faria isso — Gritei
– Desculpa — Nick ficou um pouco envergonhado do que disse
– Bom, tenho que ir, não quero pegar trânsito na estrada — Falei pegando minha mochila de cima da cama e jogando nas costas.
– Desculpa Charlie por ter de contar essa história assim, foi mal mesmo.
– Tudo bem Nick, pelo menos você me contou a verdade
Eu disse isso depois sai do quarto, eu ainda estava atordoado, confuso com tudo o que Nick tinha me contado, parecia uma história surreal, não sei se acreditava ou desconfiava. Fui até o estacionamento e procurei meu carro no meio de todos os outros. assim que o encontrei joguei minha mochila no banco de trás e entrei o mais rápido possível. Sai bem devagar até a saída do campus, quando cheguei nas ruas acelerei um pouco mais, assim até que cheguei na pista, então eu acelerei um pouco mais.
Liguei o rádio do carro, estava tocando ''Ride'' Lana del rey. a música perfeita para o momento, dizia tudo o que precisava ouvir naquele momento, realmente parece que algumas músicas são feitas para você em determinados momentos da vida. Estava distraído cantando a música que nem percebi quando alguém falou do meu lado.
– Música linda essa — Disse o rapaz, eu dei um grito e quase sai com o carro da pista.
O Banco do carona do meu lado que estava vazio a segundos atrás agora estava ocupado por Johnny. O Garoto sorria ali do meu lado, como se tivesse achando tudo divertido.
– Como você? — Perguntei
– Sou um vampiro lembra?, eu posso correr mais do que esse carro, foi fácil te alcançar — Ele disse com um sorriso de canto
– E porque você queria me alcançar? — Perguntei ao garoto, sem tirar os olhos da estrada
– Queria te explicar sobre Sam
– Ok Johnny, Nick já me contou tudo
– Não ele não contou, até porque ele não sabe de tudo
Eu olhei para o garoto por um segundo com a expressão confusa, depois voltei a olhar para a estrada
– Como assim? o que mais ele não me contou que você sabe?
– Ele não é seu irmão gêmeo Charlie
– E como você sabe? Nem eu mesmo sei, agora vou perguntar a minha mãe, ele deve ter uma boa explicação
– Não Charlie, você não vai perguntar nada pra sua mãe
– O que? Com que direito você fala assim comigo? Eu vou perguntar sim, preciso saber porque havia por ai um garoto igual a mim, tenho que saber quem era ele
– Charlie Sam era um vampiro, tinha 300 anos, se você falar sobre esse garoto sua mãe vai querer investigar e vai descobrir algo que talvez coloque a vida dela e a sua em risco — Johnny parecia preocupado
– 300 anos? como assim? — Eu ainda estava confuso
– Sam, apareceu na cidade quando eu fiz dezoito anos, ninguém sabia de onde ele tinha vindo, ninguém conhecia sua família. Nos conhecemos uma tarde em um parque de diversões, eu me apaixonei assim que vi Sam atirando na brincadeira de tiro ao alvo. Naquela época eu ainda não me aceitava como gay, mas quando vi Sam pela primeira vez algo em mim mudou, ele também não tirou os olhos de mim. No final da noite a gente se encontrou nos fundos de uma lanchonete e nos beijamos, sem mesmo nos conhecer. Então Sam passou seu número e passamos a nos encontrar, escondidos. Eu já era amigo de Nick naquela época, uma vez apresentei Sam e então passamos a ser amigos, nós três saíamos juntos, éramos como os três mosqueteiros, mas a noite escondido de todo mundo, eu e Sam nos encontrávamos e ficávamos como um casal de namorados. Uma noite quando eu fui me encontrar com Sam, um garoto me seguiu, era um homofóbico, esse garoto me espancou quase até a morte, Sam é claro me encontrou sentiu cheiro de sangue. Foi então que ele me mordeu, a partir desse dia eu tinha mudado completamente, me tornei um vampiro, Sam ainda trouxe o mesmo garoto que tinha me espancado, o garoto implorava meu perdão, mas Sam com muita frieza cortou o braço do garoto com um pedaço de vidro para que assim eu não resistisse ao sangue. Eu não consegui resistir, matei o garoto ali mesmo. Foi quando Sam me contou toda a verdade e me explicou tudo sobre vampiros. No começo eu não acreditei, mas não tive escolha, eu era um vampiro tinha de acreditar. Depois disso eu começei a conhecer Sam um pouco mais do que eu achava conhecer, ele era frio, matava qualquer um que atravessasse seu caminho. Sam não tinha pena de ninguém, matou alguns fundadores e filhos de fundadores apenas por vingança. Eu ainda o amava muito, mas Sam começou a se envolver com Nick, disse que também gostava do garoto, mas que precisava de mim, eu aceitei ter uma relação aberta, então começamos a ser um triangulo amoroso. Depois por vingança comecei a sair com Nick, eu gostava muito dele mas não o amava, mas aceitei ficar com ele para me vingar de Sam o que não foi uma boa idéia. Sam na verdade não estava ali na cidade por minha causa nem por causa de Nick, ele só queria libertar seus familiares que estavam escondidos na cidade. Descobri que a 300 anos atrás, a família de Sam foi colocada em um caixão e enterrados na cidade por alguns dos fundadores. ele foi o único que conseguiu fugir, mas é claro voltou depois de um tempo para procurá los. Eu ia perguntar a Sam qual era o plano dele, mas foi quando ele foi encontrado morto, talvez tivesse sido descoberto por algum fundador e tenha sido morto. Eu fiquei arrasado, eu o amava apesar de tudo, mesmo ele sendo uma pessoa má, mentiroso, manipulador. Bom depois você chegou, a princípio me assustei com a semelhança, mas fui percebendo algo em você bem diferente de Sam, você é bom
– E porque você disse que posso colocar minha mãe e eu em risco se ela souber que existiu alguém parecido comigo? — Perguntei ainda mais chocado com mais essa história, cada vez eu me impressionava mais
– Porque todos na faculdade pensam que você é um irmão gêmeo ou primo de Sam. Se sua mãe souber disso e for na escola desmentir esse boato, todos vão começar a investigar e talvez o nosso segredo seja revelado para outras pessoas. Pessoas que talvez queiram nossa morte, entende?
– Acho que entendi, tudo bem Johnny, não vou contar nada pra minha mãe, mas ainda...
Quando eu ia terminar de dizer, Johnny deu um grito. Quando olhei para a estrada lá estava um garoto no meio do caminho, desviei o carro e fui direto para uma árvore fora da estrada, não lembro de muita coisa, apenas de sentir o choque do carro contra a árvore.

Fale com o autor