Senti quando alguém tocou meu ombro, abri meus olhos minha cabeça estava encostada no volante, o carro estava amassado contra a árvore, olhei para o vidro estrava trincado. Johnny estava do meu lado tocando meu ombro para que eu acordasse, com a batida eu tinha perdido os sentidos mas já estava voltando a si.

– Está tudo bem — Perguntou Johnny olhando pra mim assustado, ele tinha um pouco de sangue no canto dos lábios, mas não tinha nenhum ferimento, na certa já tinha se curado

– Estou bem — Falei com a voz baixa passando a mão na testa, com a batida eu tinha batido a cabeça no volante e mesmo sendo um vampiro ainda doía

– O que aquele garoto fazia no meio da estrada — Perguntou Johnny abrindo a porta e saindo do carro

– Não sei, tem acontecido tantas coisas estranhas, já nem sei o que pensar — Respondi saindo do carro também

Eu olhei em volta, percebi que estávamos em frente ao posto de gasolina o mesmo onde eu tinha parado quando me mudei para a faculdade. Ali não tinha muitas pessoas, eu resolvi ir na lanchonete que ficava em frente pedir o telefone para pedir ajuda com o carro.

– Aquela lanchonete tem um telefone — Falei apontando a lanchonete do outro lado da estrada um pouco distante de onde estávamos

– Vou com você — Johnny se aproximou

– Não, preciso que fique aqui de olho nas minhas coisas — Falei

O Garoto concordou, então caminhei até a lanchonete, algumas pessoas que estavam no posto de gasolina em frente perguntaram se estava tudo bem, eles não viram o acidente mas ao me ver na direção do carro que estava batido na árvore, ficaram preocupados

– Não se preocupem, está tudo bem, não tem ninguém machucado — Gritei para que as pessoas que estavam no posto não se preocupassem

Depois continuei meu caminho até a lanchonete em frente, ao chegar na porta a mesma garçonete simpática estava em pé ali me olhando. Ela estava com um avental branco, o mesmo estava sujo.

– Olá, eu poderia usar seu telefone — Pedi ao me aproximar da garota

– Claro, está ali no balcão — Ela respondeu simpática, mostrando o caminho

Entrei na lanchonete e fui até o telefone, primeiro liguei para o guincho e pedi para que viessem buscar o carro, tinha seguro então tudo ficaria numa boa. Depois liguei para minha mãe, disse que eu não iria mais pra casa esse final de semana pois havia acontecido um imprevisto, não contei do acidente é claro, eu estava bem e não tinha porque deixa la preocupada. Me despedi logo em seguida então voltei para a porta da lanchonete, onde a garçonete ainda estava. Ela conversava com uma senhora idosa, eu me aproximei para agradecer, quando a senhora me viu ela arregalou os olhos e deu alguns passos para trás, ficando um pouco distante de mim.

– Obrigado por me deixar usar o telefone, meu celular está fora de área — Falei para a moça, ela sorriu

– De nada — Ela respondeu sorrindo

– Vou usar seu banheiro outra vez — Falei

– Você já sabe o caminho

Eu sorri depois caminhei até os fundos da lanchonete onde ficava o banheiro. Notei que o mesmo menino estava parado em baixo daquela árvore, aquele mesmo menino que me mordeu. Me assustei no início, mas depois fui até lá, queria explicações também queria saber quem era aquele garoto, parecia o mesmo que estava no meio da estrada, o que me fez bater naquela árvore. Porque ele estava atravessando meu caminho? quem era aquele garoto? bom eu estava prestes a descobrir. Quando cheguei perto do menino, ele olhou pra mim, seus olhos estavam vermelhos, deu um pouco de medo, mesmo sabendo que agora eu também era um vampiro, isso ainda me assustava

– Você não pode voltar pra casa, ainda não — Falou o garoto com a voz séria, como se estivesse enfeitiçado para dizer isso

– O que? então era você no meio da estrada? Porque você fez isso? porque me transformou em um vampiro? — Eu Perguntava um pouco alterado

– São ordens dele, desculpa nunca foi minha intenção transformar você num monstro, eu também não queria ser assim. — O Menino tinha lágrima nos olhos vermelhos

– Ele quem? e porque?

– Você logo vai conhece lo, ele está voltando pra cidade, ele finalmente encontrou o que ele estava buscando a séculos, você faz parte disso e eu sinto muito te envolver, mas ele está com minha família e eu a quero de volta, vou fazer tudo o que ele me pedir, mesmo que isso me torne uma pessoa má.

– Ainda não estou entendendo, quem é essa pessoa? O que ele tem a ver comigo? Porque você tem tanto medo dele?

– Desculpa, não posso dizer mais nada a você, tudo o que você precisa saber é que você não pode sair da cidade, volte para o campus

– E se eu não quiser? Se eu for embora? Por acaso essa pessoa vai me matar?

– Não Charlie, te aconselho a não fazer isso, você não conhece Sam, a morte para ele é uma coisa fácil, não ele não vai matar você, mas vai torturar, com a família, com as pessoas que você mais ama, não tente o desafiar porque você vai perder, sua família está segura ele não pretende fazer mal a eles, mas não tente o desafiar porque o preço que você vai pagar é muito alto, eu sei porque já o desafiei agora aqui estou eu, sem a minha família e andando por ai mordendo pessoas inocentes.

– Sam? Aquela minha cópia? Meu clone? Ele está morto — O Menino começou a rir quando eu disse isso, ele colocou a mão sobre a boca e ria alto

– Sam morto? Chega a ser hilário, eu sei as histórias que você ouviu sobre ele, todas são reais mas você acha mesmo que ele está morto? Era isso que ele queria que pensassem, alguém o tinha descoberto ele precisava desaparecer. sabe você é muito parecido fisicamente com ele, mas não é tão esperto e astuto como ele

– Se isso for verdade, se ele estiver realmente vivo, o que ele fez foi horrível, Nick e Johnny sofreram muito com a morte dele

– Olha, nisso você também é parecido com ele, conquistou o coração dos dois amigos Johnny e Nick, não estranharia se você se apaixonasse pelos dois, assim como Sam

– olha..

– Charlie — ouvi um grito atrás de mim, eu me virei e Johnny estava vindo em minha direção

Ao me virar novamente o garoto já tinha desaparecido, Johnny chegou próximo a mim naquela árvore e ficou me olhando. Eu dei mais uma olhada para os lados mas o garoto tinha realmente sumido, ainda fiquei cheio de dúvidas e perguntas entaladas.

– Vamos, o guincho já está levando seu carro, ele vai nos dar uma carona até o campus — Falou o rapaz ainda estranhando minha reação

– Ok — Respondi olhando para os lados

– O que? Você fez xixi ai na árvore? Mas o banheiro é logo ali — Brincou Johnny apontando o banheiro

– Muito engraçado, mas não, eu não fiz xixi aqui só estava.... bom vamos — Resolvi não comentar nada sobre o que tinha acontecido, talvez não fosse verdade do garoto e mesmo que fosse eu ainda estava cheio de dúvidas, não poderia contar algo sem saber completamente sobre o assunto.

Johnny e eu caminhamos um do lado do outro até o caminhão do guincho. Ele pediu que nós fossemos na cabine do caminhão. Nós entramos e ficamos sentados esperando que ele nos levasse de volta para o campus. Não demorou muito para chegar. Sofia estava no portão, ela ficou surpresa em nos ver de volta e de carona com um guincho.

– O que houve? — Perguntou Sofia assim que nos aproximamos da garota

– Um doido na estrada, Charlie bateu o carro, estamos bem, fim da história — Disse Johnny entrando no campus

– Bom, Ele já disse tudo — Falei sorrindo, Sofia pegou no meu braço e entrelaçou no dela, caminhamos assim até a porta do prédio

Ela foi perguntando sobre o acidente, eu falei o que tinha acontecido, expliquei com detalhes depois me despedi assim que cheguei no prédio dos dormitórios. Johnny e eu pegamos o elevador, não tinha mais ninguém ali, muitas pessoas nos finais de semana visitavam seus pais ou passeavam fora do campus.

– Ei — Johnny disse se aproximando um pouco de mim

– O que? — Perguntei olhando para o garoto que estava sério

– Posso conseguir uma carona pra você visitar sua mãe se você ainda quiser

– Não Johnny, tudo bem, já liguei pra ela e desmarquei o compromisso, agora eu só quero tomar um banho e me deitar

– Ok, já chegou meu andar — Disse Johnny e se despediu assim que desceu do elevador

Eu continuei até chegar meu andar. Depois sai do elevador e caminhei até a porta do meu quarto. Peguei a chave que estava em minha mochila e abri a porta. Nick ao me ver entrando pulou em minha direção

– Sabia que você ia voltar — ele disse e me deu um beijo

– Espera — eu disse afastando o garoto

– O que? você disse que se voltasse era porque queria me beijar? — Falou Nick confuso

– Eu falei o que? Nick eu nunca falei nada disso pra você

– Charlie, você não se lembra? Você tinha esquecido uma coisa e voltou aqui pro nosso quarto, eu estava no banho, você foi até lá me dizer que tinha voltado porque esqueceu de algo. Eu sai do banho, você me viu nu, eu te beijei, você me beijou foi intenso. você saiu correndo mas disse que se voltasse era porque queria ficar comigo

Foi então que comecei a desconfiar de algo, eu nunca falei nada disso a Nick, eu não tinha voltado pro campus, só voltei agora por causa do acidente. O Garoto me disse que Sam estava pra chegar, então acho que o momento chegou. Sam já estava aqui, ainda se passando por mim. Agora estava entendendo o motivo pelo qual ele não queria que eu saísse da cidade. Comigo aqui Sam poderia se passar por mim e assim concluir seu plano, o qual ninguém sabia qual era. Se eu fosse embora ou saísse da cidade, Sam não poderia ser visto, mas comigo aqui se ele fosse visto todos pensariam que era eu, então esse era seu plano. Agora ele tinha ficado com Nick e eu nem ao menos poderia dizer ao garoto que não era eu, porque ele não sabia a verdade eu também não poderia contar. Então sai correndo do quarto antes que Nick perguntasse mais alguma coisa, voltei para o elevador e fui até o quarto de Johnny, agora eu precisava contar a ele, com Sam de volta, Johnny precisava saber de tudo.