Doce Sangue

9 Anjos e Monstros


Cheguei ao corredor onde ficava o dormitório de Johnny. O elevador parou e a porta se abriu, Fui caminhando e olhando para os números nas portas, algumas estavam abertas e alguns alunos andavam por ali, não muitos por ser final de semana. Quando cheguei em frente a porta do último quarto do grande corredor, ela estava aberta e eu me assustei com a cena. Johnny estava em pé próximo a porta e outro rapaz estava a sua frente, muito próximo na verdade, seus lábios estavam quase selados. Quando apareci na porta Johnny se assustou e se afastou do rapaz, eu dei as costas e voltei para trás

– Ei... espere — Ouvi Johnny gritar logo atrás de mim

– Desculpa, não quis estragar seu momento — Falei um pouco irritado, estou me perguntando, Porque ver aquela cena me irritou?

– Escuta — Johnny segurou meu braço e me puxou de volta para trás, fiquei de frente para o garoto

– O que? — Falei com a voz ainda um pouco séria

– Ele é meu colega de quarto, vive dando em cima de mim, mas eu não quero nada com ele, o que você viu foi mais uma tentativa dele pra me conquistar — Disse o garoto com a voz um pouco alta demais

– Está tudo bem Johnny, você não precisa se explicar pra mim, nós somos apenas amigos, está tudo bem sério

– Então porque você saiu desse jeito

– É que... Bom, eu precisava dizer a você que eu fiquei com Nick, a gente se beijou, não queria que você soubesse por outra pessoa — Menti. Sei que não deveria, mas ao mesmo tempo que eu senti raiva de ver Johnny quase beijando seu colega de quarto, eu também pensei melhor e resolvi ainda não falar sobre a volta de Sam. Eu ia fazer o jogo dele, deixar ele se passar por mim enquanto isso investigar um pouco mais e saber seus planos, sem envolver Johnny e Nick nessa história

– Então você veio até meu quarto só pra dizer que ficou com Nick? Vá se ferrar — Johnny ficou furioso, ele deu um soco na parede enquanto dizia isso

– Eu sinto muito — Respondi com a voz baixa

– Não você não sente, você é igual a ele, eu já deveria saber, eu realmente achava que você era diferente, mas me enganei, tá bem volte pro Nick me deixe em paz — notei algumas lágrimas nos olhos de Johnny enquanto ele dizia isso

Eu baixei a cabeça e voltei ao elevador, assim que a porta se fechou deixei uma lágrima cair, conheço Johnny a pouco tempo, mas ele foi a pessoa que mais me ajudou quando descobri que era um vampiro, saber que agora ele me odiaria era doloroso. Mas eu não tive escolha, precisava fazer isso, precisava saber quais eram os planos de Sam. Não quero envolver Nick e Johnny nisso, melhor Nick continuar pensando que foi eu quem o beijou, mesmo eu sabendo que não era.

Quando cheguei até a porta de meu quarto, ela estava aberta. Nick estava sentado na cama com os olhos vermelhos e cheio de lágrimas. Ele olhou pra mim depois baixou a cabeça, eu caminhei até seu lado e me sentei, peguei sua mão e apertei, Nick olhou nos meus olhos e deu um sorriso de canto

– Você se arrependeu de ter me beijado? — Ele perguntou ainda com a voz fraca

– Eu nunca me arrependeria de beijar você, nunca. Só não estou pronto para um relacionamento você me entende? — Falei passando a mão no rosto do garoto enxugando suas lágrimas

– Desculpa, eu aqui chorando mas é que, a muito tempo não recebo carinho de alguém, um beijo, um toque. Sempre fui a segunda opção de alguém, foi assim com Sam, depois com Johnny, eles nunca me amaram como eu os amei, eu sempre fui a segunda opção, eu sempre vou ser... desculpa estou sentimental demais — sussurrou Nick respirando fundo

Eu escorreguei minha mão que estava no rosto de nick para a nuca do garoto e aproximei meu rosto. Nossos lábios estavam bem próximos, eu dei iniciativa e o beijei, Nick correspondeu, era um beijo carinhoso, nossos lábios se encostavam devagar, sentia o gosto de sua boca, era tão doce quanto um mel. Depois de alguns minutos me levantei depressa, Nick se assustou com minha reação.

– O que? — Ele perguntou olhando pra mim

– Desculpa, eu não estou pronto pra isso, preciso dormir — falei e em seguida pulei na minha cama.

Ficamos por um bom tempo em silêncio, Nick fechou a porta e se deitou, nós apagamos as luzes e deixamos apenas um abajur ligado. Nick estava deitado de frente olhando pra mim, eu virei de costas depois dei boa noite. Não me lembro de muita coisa, peguei logo no sono, estava cansado.

O fim de semana passou depressa, não tive muita conversa com Nick, passava o tempo na biblioteca do campus, voltava a noite pro dormitório, tomava banho e me deitava. Johnny também me evitou o fim de semana inteiro, não olhava na minha cara quando passava por mim pelo corredor, ou pelo campus. Isso era frustrante e doloroso, mas foi uma escolha minha, e eu tinha que conviver com ela.

Na segunda de manhã, eu estava mais disposto, me arrumei peguei minhas coisas e fui para a minha sala de aula. Tivemos aula com um professor maluco, ele explicava sobre cirurgias, foi bem interessante. Quando a aula terminou, eu fui quase o último a deixar a sala. Andando pelo corredor notei que muitos alunos percorriam por ali, alguns atrasados pra sua aula, outros deixando o local.

– Ei Charlie — Ouvi uma pessoa dizer meu nome, não reconheci a voz

Olhei para trás e notei que em minha direção se aproximava uma garota muito linda, loira, seus olhos eram azuis, sua pele era clara, tinha roupas muito elegantes, mas bem provocantes, usava saias curtas, saltos, blusas bem decotadas e uma bolsa muito elegante em seu braço. Uma típica patricinha.

– Sim — Respondi assim que a garota se aproximou de mim

– É um prazer finalmente conhecer você — Ela disse estendendo a mão, eu aceitei o cumprimento

– Muito prazer ahhh, você é? — Perguntei

– Eu sou Vitamy, sou.. bom fui muito amiga de seu irmão Sam — Ela disse e começou a caminhar do meu lado

– Ahh meu irmão — Falei irônico

– Sim, todo mundo aqui no colégio tinha muito medo dele, quando você chegou todos ficaram assustados, era como se ele tivesse voltado

– E você também está assustada?

– Não, Sam sempre foi uma ótima pessoa, principalmente comigo, antes de Sam chegar aqui eu era uma menina insegura, sofria humilhações, era motivo de piada por todo campus. Uma vez um garoto derrubou meus livros de propósito, Sam deu um soco no garoto na frente de todo campus, e disse que se mais alguém fizesse alguma gracinha comigo ou piada teria que se ver com ele. Como todos tinham medo dele, eu nunca mais sofri, as pessoas tinham até medo de mim. Então eu me apaixonei por ele, é claro até saber que ele era gay, então Sam me ensinou a como me vestir, a ser provocante mais segura de mim, principalmente saber me defender. hoje vários se arrastam aos meus pés. Devo tudo isso a seu irmão, ele foi meu melhor amigo, depois do que aconteceu com ele, eu sofri demais, quis abandonar a faculdade, mas acabei voltando, e tive a surpresa de ver você chegar. Então você me perguntou se estou assustada?? Não, estou feliz em ver alguém como ele aqui, você me lembra de alguém que me ajudou, de alguém bom, uma pessoa bacana, e se você for como ele, tenho certeza que poderemos ser ótimos amigos também.

Eu fiquei confuso assim que a garota acabou de me contar tudo isso. Quanto mais eu descobria sobre a vida de Sam, mais eu me surpreendia. em algumas situações ele parecia um demônio, em outras ele parecia um anjo. Quem era realmente Sam? A garota ficou olhando para minha cara, eu estava pensativo demais e fiquei um tempo distante, ela chamou minha atenção estralando os dedos no meu rosto.

– Desculpa, eu estava pensando em Sam — Disse tentando disfarçar

– Sei que deve ser difícil pra você, lembrar do seu irmão, eu que peço desculpas. — A garota ficou chateada

– Não tá tudo bem,

– Bom, preciso ir agora, vou deixar meu número com você, me liga não quero forçar uma amizade, mas se precisar eu vou ter o maior prazer em ajudar, assim como seu irmão me ajudou — Disse a menina me passando seu número depois saindo do prédio.

Eu peguei a direção do prédio dos dormitórios masculinos.

– Olha a cópia — Disse um garoto que estava com seu grupo de amigos sentados do lado de fora do prédio, todos eles riram disso

Fingi não ter escutado e entrei, fui até meu quarto. Assim que entrei Nick entrou atrás de mim, era pra ele estar em aula agora por isso aproveitei o momento para ir até o quarto, mas o garoto fugiu da aula só para me pegar de surpresa.

– Quando vai parar de fugir de mim? — Perguntou Nick um pouco irritado

– Não estou fugindo de você — Falei

– Você sai quietinho toda manhã, vai pra aula, volta aqui pro quarto quando eu não estou, depois vai para a biblioteca e fica lá até a noite quando eu estou dormindo, depois volta em silêncio pra cá e dorme. Ainda diz que não está fugindo de mim? você fez isso todo o final de semana. O que eu fiz pra você?

– Eu sinto muito Nick, eu não sabia como encarar seu olhar, melhor voc~e esquecer aquele beijo, voltarmos a ser amigos, apenas amigos — Falei de cabeça baixa, me sentando na minha cama

– Esquecer? então é assim? você me beija, alguém finalmente é carinhoso comigo ai você diz pra esquecer? como? Você é cruel sabia, acho que me enganei, você e Sam não são iguais apenas na aparência, você também é manipulador, como ele uma pessoa má é isso que você é, um monstro

Depois de ouvir isso, sai correndo do quarto, era difícil ouvir essa palavra de alguém, e de alguém que eu gostava. Era verdade, eu era um monstro mas eu nunca quis ser. Não queria ser como Sam, mas eu acabei sendo como ele, agora Nick e Johnny me odiavam e eu já não tinha mais ninguém que me entendesse. Voltei para o elevador e fiquei lá no chão, chorando.

O elevador fechou a porta e desceu, quando a porta se abriu, eu baixei a cabeça, notei que umas pernas entraram no elevador, não havia notado quem era até que a pessoa se abaixou perto de mim e colocou suas mãos em minhas costas.

– Você está bem? — Perguntou um garoto

Eu olhei para cima, a garoto estava em pé no elevador olhando pra mim

– Estou um pouco tonto — Falei

– Eu te ajudo, qual é seu quarto amigo? — ele disse me ajudando a levantar do chão

Eu menti, disse a ele que era um dos quartos no final do corredor. Ele me ajudou a andar até lá, eu sabia que aqueles eram um dos quartos que estavam vazios. O Garoto me ajudou chegar até lá mas estranhou quando abriu a porta e o quarto estava vazio.

– Mas esse quarto está vazio — Disse o rapaz me encostando na parede e me soltando

– Mas assim é melhor, prefiro estar sozinho pro que quero fazer com você — Falei muito irônico, nem eu mesmo estava me reconhecendo

– Desculpa cara, sei que você é gay, não tenho nada contra mas eu não curto valeu — Disse o rapaz e se virou para a porta tentando sair

Pela primeira vez eu usei meu dom de correr rápido e assim que o rapaz virou para a porta eu já estava na sua frente, tapando sua única saída, então o rapaz olhou para trás assustado, se perguntando como eu tinha chegado ali tão rápido

– Eu não quero uma relação com você amigo, sim eu sou gay, mas tem algo a mais que eu sou também — Falei rindo de canto

– o que — ele estava de olhos arregalados

– Um monstro Eu disse isso depois joguei o rapaz para dentro do quarto vazio, fechei a porta e pulei em cima dele.

O Rapaz tentou gritar mas eu segurei sua boca e o mordi no pescoço, com toda vontade, senti seu sangue percorrer por toda minha boca, não consegui parar até que senti que o rapaz parou de lutar. Seu coração ainda estava batendo, foi quando de repente Johnny entrou no quarto, ele arrombou a porta, era fácil pra ele por ser um vampiro, conseguiu fazer isso sem chamar atenção de outros alunos.

– O que você fez Charlie? — Johnny estava assustado vendo aquela cena

– Não é óbvio? — Falei me levantando, segurando o garoto em pé. o Garoto estava desmaiado, mas seu coração estava fraco

– Eu vou te ajudar, ele ainda está vivo, podemos dar um jeito — Disse Johnny

– Mas é claro que podemos dar um jeito, — Depois de dizer isso eu torci o pescoço do rapaz, joguei ele em seguida bruscamente no chão perto de Johnny. Ele arregalou os olhos

– O que você se tornou? o que aconteceu com você? — Perguntou Johnny ainda assustado

– Está fazendo as perguntas erradas — Eu disse, irônico, depois passei a mão com sangue no rosto de Johnny e sai pela porta. Deixando para trás um garoto morto e outro frustrado.