Doce Sangue
18 Recomeço
Notas iniciais
Resolvemos ficar todos juntos, Nick, Tedy, Paul e eu. O clima era de enterro, realmente era, quando contei sobre a morte de Johnny foi pior. Nick estava inconformado, chorava muito nos braços de Tedy, eu também chorei ao lado de Paul, mesmo depois de tudo Johnny era nosso amigo, era uma boa pessoa, foi triste sua morte. O Dia passou depressa, ninguém soube da morte de Johnny, com certeza Sam e Sofia devem ter escondido o corpo, eles não iriam querer chamar atenção agora. O estranho é que eles não deram sinal, nem Sam e nem Sofia com seus parceiros, o dia amanheceu tranquilo, tudo parecia normal no campus.
— Vou tomar um banho — disse Nick se levantando da cama, Tedy levantou junto com o garoto
— Vou com você — Ele disse segurando a mão de Nick que andava devagar, com o rosto inchado de chorar e dormir
Enquanto eles estavam no banho, fiquei perto de Paul, ele estava deitado do meu lado, a cama era pequena nós estávamos bem próximos, encostei minha cabeça no seu peito, senti quando ele começou a alisar meus cabelos depois deu um beijo de leve na minha cabeça
— Está acordado? — Disse Paul com a voz rouca
— Sim — Sussurrei
— Onde está Nick e Tedy?
— Estão no banho
— Juntos? Espertinhos — Disse Paul sorrindo um pouco de canto
— É bom pra ele, Nick precisa de distração, foi demais pra ele saber sobre tudo isso e a morte de Johnny piorou tudo.
— Eu sei, você também precisa relaxar um pouco, está muito nervoso des de ontem, isso não te faz bem
— Não consigo, a imagem de Johnny morrendo não sai da minha cabeça, também estou preocupado com o que eles vão fazer, temos que ficar atentos
— Relaxa Charlie, sei que deve ser difícil pra você, mas se eles tivessem com intenção de causar terror eles já teriam feito isso, também não tinham intenção de fazer mal a você, eles já poderiam ter feito isso e não fizeram. Mas seja o que for que eles planejam nós vamos descobrir e vamos impedi los — Paul falava isso enquanto acariciava minha cabeça
Eu apenas sorri e dei um selinho no rapaz, ele sorriu de volta. Nick e Tedy saíram do banho, eu e Paul entramos em seguida, tomamos banho juntos, nos beijamos debaixo do chuveiro, e conversamos sobre outras coisas. Paul concordou em me acompanhar até a casa de minha mãe, eu resolvi visita la, dessa vez Sam não me impediria pois ele já tinha conseguido o que queria.
Depois do banho nos vestimos. Nick, Tedy, Paul e eu fomos juntos para o prédio das aulas, resolvemos ficar todos juntos a partir de agora. Pelo corredor todos olhavam para nós, era como se fossemos os mais populares de todo campus, mas eles não nos olhavam por isso, havia outro motivo. Quando chegamos perto dos armários onde guardávamos nossas coisas um garoto se aproximou de mim
— Fico feliz por você ter recuperado seu irmão — Falou o menino apertando minha mão
Nick, Tedy e Paul que estavam do meu lado ficaram sem entender nada. Foi quando se aproximou uma garota em minha direção com o mesmo olhar do garoto
— Charlie que bom, fico feliz por você — Disse a outra garota
Eu não estava entendendo nada também, foi quando na nossa frente surgiu Tara, Sofia, Sam e Noah. Sam não estava mais se escondendo esse deveria ser o motivo de todos estarem impressionados e me cumprimentando. Para todo mundo eu era o irmão de Sam, ninguém sabia a verdade.
— Que prazer te ver maninho — Disse Sam com sua voz irônica, ele me deu um abraço
— Me solta — Falei baixo e dei um empurrão
— Você não vai querer se expor aqui vai? — Disse Sam baixinho no meu ouvido
— O que você pretende — Sussurrei
— Ora irmãozinho, estou de volta — Ele disse depois voltou para perto de Noah e deu a mão para o garoto que tinha o mesmo sorriso irônico
— Vamos garotos depois vocês conversam — Disse Sofia que estava de mãos dadas com Tara, uma menina linda porém pálida, tinha longos cabelos castanhos avermelhados.
— Nos vemos depois da aula, Ora Nick que bom rever você — Disse Sam
Eles passaram por nós e seguiram em direção contrária no corredor.
— O que foi isso? — Nick falou com os olhos arregalados
— Esse era Sam e sua gangue — Falei
— Sam, vivo, não acredito ainda nisso
— Acredite Nick, mas esse não é o único problema
— Claro que não, estamos atrasados também — Falou Tedy, em seguida ele deu um beijo em Nick
Eu também me despedi de Paul e segui em direção a minha aula, não era a mesma dos outros. Quando cheguei na minha sala, Vitamy estava sentada no fundo, eu procurei uma mesa próxima a dela e me sentei. Fiquei a aula toda tentando puxar conversa com a garota, ela percebeu isso e tentou falar comigo mas os professores sempre nos interrompia. Quando o final da aula chegou, eu esperei a garota no corredor
— Então, o que queria falar comigo? — Perguntou Vitamy enquanto nós andávamos pelo corredor
— Bom, você é uma bruxa, porque não me contou isso antes? — Fui direto
— Desculpa Charlie, não confio muito nas pessoas e bom você era a cópia de Sam, confiava menos ainda em você.
— Tudo bem, mas me conta você estava mesmo espionando Sam? Você sabia que ele tinha voltado?
— Sim, Tedy me deu essa tarefa, eu precisava ajuda lo, ele já fez muito por mim. Mas Sam foi cuidadoso no que fazia, eu não consegui descobrir nada, agora que eles trouxeram seus amores de volta bom, já é tarde pra fazer alguma coisa
— Não, precisamos prende los de volta — Falei um pouco alto
— Desculpa Charlie, não posso fazer isso
— Mas você é uma bruxa Vitamy, como não pode?
— Um feitiço desses envolve muitas coisas, Sam não teve pena de Johnny, ele planejou mata lo des de o começo, mesmo gostando dele. Você teria coragem de sacrificar alguém? Só para prender aqueles vampiros em caixões? Desculpa Charlie eu não posso fazer isso
— Eu é que peço desculpas, não tinha o direito de te pedir isso, claro também não teria coragem de matar alguém — Falei olhando para baixo
— Charlie, fica tranquilo, eles não planejam fazer uma matança, eles são maus isso é verdade, vamos ter que nos proteger, mas isso é tudo, agora não tem mais volta, temos que conviver com eles, apenas cuide se, não planeje nada contra eles, você não conhece vampiros antigos como Sam, eles sabem o que você está planejando antes mesmo de você fazer algo contra eles. Só faça alguma coisa se sua vida estiver em perigo, caso não esteja, deixe eles e viva sua vida
— Obrigado Vitamy, acho que você está certa
— Bom, se precisar de algo que eu possa fazer por você, pode me chamar, vou ficar feliz em ajudar. Mas no momento meu trabalho com Tedy chegou ao fim. Quero distância de Sam e seus amigos, sei do que eles são capazes e prefiro continuar viva
Vitamy se despediu de mim e foi em direção ao dormitório feminino. Eu fui até a lanchonete, me encontraria com Nick, Tedy e Paul lá. Passando pelo campus todos me apontavam e ficavam cochichando. Quando cheguei na lanchonete eles já estavam lá sentados, eu me sentei ao lado de Paul, ele me deu um selinho e depois deu um sorriso, eu sorri de volta.
— E então, como foi a aula de hoje? — Perguntou Paul segurando minha mão
— Aff, como sempre — bufei
— Já está assim, imagine no seu segundo ano — Disse Nick rindo de canto
— Ah prepare se, vai ser muito pior — Disse Tedy
— Poxa obrigado pelo apoio — Eu disse, todos riram
Nesse momento entrou na lanchonete Sam e sua turma, Nós ficamos de olho enquanto eles se sentavam em uma mesa um pouco mais distante da nossa. Sam não se conteve em ficar longe e se levantou, veio em nossa direção.caminhando com seu olhar sarcástico
— Como estão meus amiguinhos? — Falou Sam
— Estávamos bem, até você resolver respirar aqui perto — Falei fechando a cara
— Ora meu caro Charlie, é assim que você fala com seu irmãozinho que achou que estivesse morto?
— Pois eu gostaria que estivesse de verdade
Sam pegou um morango que estava no copo de sorvete de Nick, deu uma mordida tentando ser sensual, deu uma risada irônica e se afastou voltando para mesa onde estavam seus amigos. Tedy parecia furioso com a cena mas tentou manter a calma, mas eu vi quando ele segurou firme uma colher quase a dobrando no meio.
— Idiota — Disse Tedy assim que Sam se afastou
— Não quero olhar pra ele — Falou Nick
— A professora explicou hoje, ele fez os investigadores esqueçerem de sua morte e depois disse para todo mundo que na verdade ele não morreu que apenas foi vítima de um sequestro e que o corpo que encontraram não era o dele. Bom ele não mentiu muito não é? Pelo que eu sei ele não morreu mesmo — Disse Paul enquanto comia uma batata
— Esperem — Eu disse
Aproveitei que Noah estava no balcão longe da mesa e fui até lá, Paul tentou me impedir, mas eu precisava conversar com ele, queria saber de uma vez o que eles pretendiam, só assim eu ficaria mais tranquilo... ou não
— Charlie, é assim seu nome não é? — Disse Noah antes mesmo de eu me aproximar, ele tinha uma voz bem grossa, era um rapaz bonito, agora usando roupas atuais dava pra ver que ele era bem musculoso, tinha um corpo bem definido. Seus cabelo estava curto com um topete.
— Sim, sou eu... eu so...
— Eu sei o que você quer, saber o que a gente pretende
— Como você?
— Ora Charlie, é fácil saber, não preciso ler pensamentos pra isso. Olha, eu sei que você está furioso por Sofia ter mentido pra você, Sam ter matado seu amigo, mas enfim Sam e eu fomos separados de uma forma tão cruel que você não pode imaginar, ele não era essa pessoa que você conhece hoje, ele já foi mais gentil, mas esse não é o caso. Sinto pelo seu amigo mas eu estou feliz por ter voltado, não quero matar você ou seus amigos, se é o que você pensa, eu só quero a oportunidade de viver, se você soubesse o quanto é horrível ficar preso em um caixão por mais de um século, então não estou triste pelo seu amigo, fico feliz sim que tudo deu certo, apenas nos deixe viver
Noah disse isso e se afastou do balcão me deixando lá. Eu voltei a mesa onde todos estavam, não quis comentar com eles o que eu ouvi, mas apenas disse que não precisavam se preocupar, pois a intenção de Noah não era nos atacar ou algo do tipo.
Estava quase me levantando da mesa quando alguém entrou na lanchonete, era uma mulher muito elegante, ela estava com uma maquiagem muito pesada, parecia ter brilho em cima dos olhos, suas roupas eram bem estranhas, pareciam de época também, bem parecida com as de Tara e Noah quando eles acordaram naquele caixão. Ela parou e ficou olhando fúriosa para a mesa onde estava Sam e seus amigos
— Como é possível que esteja aqui? — gritou Tara quando viu a mulher, os outros estavam de olhos arregalados
A mulher colocou a mão na cintura, olhou em volta e deu um sorriso, depois ergueu a mão pra cima, assim que a mulher fez isso as luzes de toda lanchonete começaram a estourar, por sorte não havia muitos alunos ali nesse momento, mas alguns que estavam ficaram olhando assustados para a cena.
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