Doce Sangue
14 Decepção
Notas iniciais
Voltei a meu quarto desorientado, Sam estava disposto a ir em frente com o feitiço, Johnny não podia fazer nada Sam já havia ameaçado todos em nossa volta. Claro que eu ainda faria algo a respeito, mas ainda não estava pensando em nada, a única pessoa que me vinha a cabeça era Paul, queria saber como ele estava. Nick não estava mais no quarto, aproveitei para me alimentar, tirei uma bolsa de sangue que estava dentro do meu guarda roupas, escondido debaixo de algumas roupas empilhadas. Não sai do meu quarto depois disso, Recebi uma mensagem de Johnny mas não respondi, estava preocupado com Sofia também. Resolvi sair para visita la. Ela já estava em sua casa, não foi difícil conseguir o endereço, pedi um táxi e fui até a casa da garota.
Bati na porta, era o mesmo número que estava anotado no papel que eu consegui na secretaria do campus. O táxi não me esperou, foi embora depois de aluns minutos. Uma mulher abriu a porta, ela tinha aparencia de ser jovem, ela estava sorrindo.
— Você voltou — Disse a mulher sorrindo
Por um momento me assustei, e percebi que Sam já havia passado por aqui, claro se passando por mim.
— Sim, — Menti
— Entre meu querido, Sofia esta te esperando — A mulher falou apontando o caminho
Por sorte ela me convidou, caso contrário eu não poderia entrar na casa. Fui direto para o quarto de Sofia, ela estava deitada, sua perna estava engessada. Eu me sentei em uma cadeira, ali do lado da cama. Sofia olhava para mim impressionada. O Contrário do que eu pensei, eu achava que ela começaria a me xingar, pensando que tinha sido eu quem a empurrou.
— Que coisa inacreditável — Sofia disse ainda olhando para mim
— O que foi? Sofia o que houve? Achei que você iria me acusar de te la empurrado daquela escada. Porque não fez isso? – Perguntei olhando confuso para a garota
— Eu sabia que não era você... Quando Sam me tocou naquela noite eu senti a alma dele, era de uma pessoa antiga, de alguém que já viveu séculos. sabia que não era você, mas cai da escada não tive tempo de te contar.
— E como você sabe que o nome dele é Sam?
— Ora Charlie, você viu a reação da minha mãe, ele esteve aqui é claro, tentou se passar por você.
— E você? o que fez?
— Não pude mentir, eu disse que já sabia quem ele era
— Sofia cuidado, pelo pouco que eu conheci Sam, percebi que ele é muito perigoso, olha o que ele fez com você.
— Você esqueceu que sou uma bruxa? Não Charlie eu não tenho medo dele, o que ele fez não vai se repetir.
— Tenho medo, pelos outros, por você – Falei pegando na mão de Sofia
— Você tem que se preocupar com você Charlie, você sabe porque Sam veio me procurar?
— Ele quer que você faça o feitiço para libertar a família dele, ele já me contou isso, para o Johnny também mas vamos dar um jeito de impedir, não vamos?
— Na verdade eu quero ajuda lo com esse feitiço
— Como assim? Sofia você ficou maluca? Você sabe que esse feitiço é um feitiço das trevas?
— Não, esse feitiço é um feitiço de libertação, não envolve as trevas, isso foi criado pelas bruxas minhas ancestrais.
— Mas ele vai me matar sabia disso? Ele precisa do meu sangue, ele me disse isso, talvez eu precise morrer para que ele consiga fazer esse feitiço.
— Não Charlie, nenhum feitiço é necessário muito sangue, uma gota já basta. Eu já sabia sobre a história de Sam, meus avós sempre me contavam, claro eu não sabia que ele era uma cópia sua, justo sua.
— Mas Sam quer libertar a família, podemos colocar as pessoas em risco, vampiros que estão dormindo a séculos, vão querer matar muita gente inocente
— Você ainda não entendeu não é Charlie? Eu não vou fazer o feitiço para libertar, mas sim o de aprisionar. Vamos dizer ao Sam que vamos ajuda lo, vamos fazer tudo o que ele pedir e mandar. Mas quando eu for realizar o feitiço, faço o de aprisionar, assim colocamos Sam em uma prisão onde ele ficará dormindo para o resto dos tempos.
— Entendi, Genial Sofia
Fiquei mais um tempo conversando com minha amiga, agora estávamos com um acordo, fingir estar do lado de Sam para aprisiona lo. Seria difícil, não poderia contar isso a ninguém, nem mesmo a Johnny, melhor manter esse segredo entre Sofia e eu.
Quando olhei no relógio era tarde, voltei correndo para o campus, fui caminhando dessa vez as ruas estavam desertas. No portão do campus estava Paul, o garoto estava chorando com o celular nas mãos. Me aproximei o máximo que pude. Ficamos debaixo de uma luz que havia ali no portão, a rua estava deserta, as luzes dos apartamentos estavam acesas.
— O que foi? – Perguntei olhando para Paul
— Minha mãe, ela ligou, quer me ver mas eu disse que não era uma boa idéia. Charlie eu ainda não consigo me controlar, estava tendo um encontro agora a pouco com uma garota, mas senti vontade de morde la, tive que pedir pra ela ir embora do meu quarto. Charlie eu não sei se vou me adaptar a isso
— Sim você vai, confie em mim você vai – Falei abraçando o garoto que usou meu ombro para chorar.
Eu o acompanhei até seu quarto, seu colega não estava, tinha saído do campus visitar a família. Eu o coloquei na cama, depois me virei em direção a porta para ir pro meu quarto. Foi quando Paul segurou minha mão
— Fica aqui comigo essa noite? – Pediu o menino apertando forte minha mão
— Tudo bem – Falei com a voz baixa.
Eu me sentei na cabeceira da cama, Paul colocou sua cabeça bem próxima as minhas pernas e continuou agarrando minha mão
— Não precisa ter medo – Falei baixo perto de seu ouvido
— Não tenho medo, com você aqui comigo me sinto seguro, sinto que não estou sozinho – Ele disse com a voz sonolenta
Fiquei ali até que ele adormeceu, tentei sair várias vezes da cama, mas ele segurava minha mão mais forte e não me deixava sair dali. Então ajeitei um travesseiro e me deitei ao lado dele. Dormi depois disso. Acordei no outro dia o sol ainda estava baixo, eu ia me levantar mas quando vi Paul se mexer na cama fingi que estava dormindo. Senti uma respiração bem próxima a meu rosto, depois em seguida senti os lábios macios encostando nos meus. Paul tinha acabado de me dar um selinho enquanto pensava que eu estivesse dormindo.
— Bom dia – Eu falei assim que ele se afastou
— Bom dia, e obrigado por ficar aqui a noite toda por mim – Falou o garoto bocejando
— Tudo bem, eu devia essa pra você – Falei um pouco cansado ainda.
— Te vejo depois? – Perguntou Paul, ele estava indo em direção do banheiro, estava com uma toalha nas costas.
— Ok – respondi
Me levantei com dificuldade da cama e deixei o quarto. Fui direto ao quarto de Johnny, eu precisava conversar com ele, pedir que não fizesse nada contra Sam, para deixar as coisas como estavam. Eu tinha o costume de bater na porta, mas como estava tão acostumado a falar com ele, acabei abrindo a porta antes mesmo de bater. Quando entrei no quarto notei que Sam estava ao lado de Johnny, os dois estavam só de cueca, os lençóis pelo chão e marcas pelo corpo.
— Esse era o ódio que você tinha por ele?? –Falei alto na intenção de acorda los
Johnny deu um pulo quando eu disse isso e encolheu as pernas, Sam pelo contrário como sempre deu seu sorriso irônico e continuou deitado se espreguiçando na cama como se nada tivesse acontecendo
— Não importa se você é parecido comigo, Johnny não resiste a mim, sabia que quando eu voltasse ele ainda seria meu, que ainda me amaria, que ficaria comigo ele não resiste – Falou Sam irônico sorrindo
Johnny nem mesmo abriu a boca para falar nada. Eu virei de costas e sai pela porta na mesma pressa que entrei. Não estava bravo, muito menos chateado com Johnny, ele tinha o direito de seguir em frente e encontrar alguém. Mas Sam? Justo com ele? Alguém que representava perigo, alguém que o enganou, que mentiu, que fez mal a muitas pessoas inclusive a ele. Isso eu não podia perdoar em Johnny, por ele ter sido fraco. Andei pelos corredores cheio de raiva, mas ao mesmo tempo muito empolgado e disposto afazer o que fosse preciso para aprisionar Sam para sempre. Desta vez eu estava determinado, e faria isso com muito prazer. Eu queria acabar com aquele sorrisinho irônico dele de uma vez por todas.
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