Doce Sangue

15 Outro Segredo


Cheguei no quarto Nick estava dormindo, do seu lado estava Tedy, acredito que eles dormiram juntos a noite passada, o que já não me incomodava mais. Tentei pegar minhas coisas em silêncio, depois fui para o banheiro tomar uma ducha. Fiquei pensando sobre o que Sofia tinha me contado, realmente não podia confiar em Johnny, ele agora estava do lado de Sam e com certeza não nos ajudaria com nosso plano. Sai do banho me sequei e me enrolei na toalha, fiquei olhando no espelho por alguns minutos depois vesti minha roupa, uma que eu tinha separado antes de entrar no banheiro, abri a porta e deixei o banheiro

— Bom dia — Disse Tedy olhando para mim, o garoto estava com o olho vermelho, havia acabado de acordar

— Bom dia — Respondi com a voz um pouco baixa

— Olha cara, queria me desculpar — o garoto começou a falar, ele se sentou na cama enquanto dizia isso

— Se Desculpar? Porque?

— Eu sei que você e Nick tinha um lance e....

— Não Tedy.... olha a gente não tinha nada ok, Nick foi, é um bom amigo é só isso — Disse o Interrompendo

— Que bom que você entendeu, Nick gosta de você ele me disse isso ontem, como amigo é claro. A gente teve uma conversa e ele confessou que só estava iludido com as lembranças de um irmão seu que era parecido contigo. Mas ele disse que ainda quer ser seu amigo, e eu não quero afastar você dele, quero que vocês continuem com a amizade

— Poxa Tedy, muito legal da sua parte. Eu vou continuar a minha amizade com ele, fico feliz também que ele tenha encontrado você e que vocês estejam juntos, Nick é um cara legal, precisava de alguém assim como você na vida dele.

— Obrigado Charlie, você é uma boa pessoa

Dei um sorriso de canto, Tedy voltou a se deitar ao lado de Nick. O Garoto parecia feliz, dava pra ver a expressão dos dois. Sai do quarto e fui em direção a lanchonete do campus, alguns alunos andavam por ali. Eu não estava a fim de ir pra aula, ainda estava com meus pensamentos tumultuados. Me sentei em uma mesa da lanchonete, estava quase vazia. Alguns alunos andavam por ali mas ninguém estava sentado nas mesas.

— O que você vai querer hoje Charlie? — Disse Tiffy, uma garçonete simpática que sempre me atendia quando estava lá.

— Bom dia Tiffy, bom hoje vou querer um café e uma torrada — Falei olhando para o cardápio

— Eu já trago — Disse a menina sorrindo simpática

Eu abaixei minha cabeça para procurar meu celular no bolso, quando voltei a olhar para frente Paul estava sentado na mesa quase do meu lado. Levei um pequeno susto, depois comecei a sorrir. O Garoto também sorria, ele parecia melhor hoje.

— Você me assustou — Falei rindo de canto

— Desculpa — Ele disse também sorrindo

— O que foi que houve?

— Nada, só quis vir aqui fazer companhia a você

— Achei que iria se explicar sobre o beijo — Paul ficou corado quando eu disse isso

— Beijo?

— Sim Paul, eu senti quando você me deu um selinho hoje de manhã, eu estava acordado, na verdade eu estava fingindo que estava dormindo

— Olha Charlie, me desculpa eu...

— Calma Paul, tudo bem, eu sei que você não curte homens, também sei que você fez aquilo porque eu fiquei ali com você e foi uma forma de me agradecer. Tudo bem, não precisa se explicar pra mim — Eu disse interrompendo o garoto antes que ele começasse um discurso enorme de desculpas.

— Na Verdade eu...

— Seu café — Disse a garota interrompendo Paul outra vez, ela se aproximou da mesa deixou meu café e minhas torradas em um prato na minha frente

— Você quer — Ofereci a Paul

— Não eu estou bem — Ele respondeu com um sorriso

— O que você ia me dizer? — Perguntei, estava com a torrada na mão, tinha acabado de dar uma mordida

— Eu falo outra hora, agora é melhor você tomar seu café — Disse o garoto

eu terminei de tomar o café, depois Paul e eu ficamos conversando por um longo tempo. Nos saímos caminhar pelo campus, fomos até um dos prédios onde ficava as salas dos jogos, eu nunca tinha ido até lá. Me disseram que tinha boliche, convidei Paul para entrar e ele aceitou. Nós seguimos para a pista de boliche, tinha poucas pessoas ali, claro os alunos se reuniam mais no fim de semana. Eu peguei uma bola e tentei derrubar os pinos, mas fui um verdadeiro fracasso

— Deixa eu te ensinar — Disse Paul, ele pegou uma bolca foi até a pista e jogou, derrubou quase todos os pinos, eu fiquei impressionado, ele olhou para mim irônico e sorriu

— Está bem, sou péssimo em jogos — Admiti

Me afastei da pista e me sentei em um banco que havia próximo dali

— Posso te ensinar uma boa jogada se quiser — Disse uma voz estranha, vinha de trás de mim, eu me virei depressa

— E quem é você — Perguntei olhando para o rapaz, ele era lindo, musculoso, usava camisa regata, tinha algumas tatuagens e o cabelo curto

— Sou David, e você é Charlie não é? — Ele perguntou

— Sim, como sabe?

— Bom, Sam era muito famoso aqui, quando você chegou no campus foi difícil não notar a semelhança entre vocês, acho que você tem um pouco a fama dele

— Não queria ter — Resmunguei

— o que? — O garoto perguntou

— Nada não

— Então, vai querer que eu te ensine uma jogada?

— Tudo bem — Falei

Eu me levantei e fui em direção a pista, David veio logo atrás de mim segurando a bola. Paul parecia não gostar muito de ver eu conversando com o garoto. Ele lançava olhares de reprovação. David pediu que eu ficasse parado, ele ficou atrás de mim e com a ajuda das mãos dele fez com que eu acertasse alguns pinos. Eu comemorei, mas Paul veio em nossa direção furioso, quando percebeu que David estava tentando me abraçar.

— Ei, ele está aqui comigo, você pode respeitar por favor — Gritou Paul ficando na minha frente

— Desculpa, não sabia que vocês estavam juntos — Falou David, depois saiu um pouco chateado

— Paul o que foi isso? — Perguntei

— Nada, é só que você veio aqui comigo, a gente estava se divertindo, não precisamos dele — Ele disse emburrado

— Mas ele só estava querendo se divertir também

— claro, olhando para sua bunda, eu vi, ele queria algo mais que diversão

— Ei Paul, para o que tá acontecendo?

— Acontece que eu to louco por você, e morri de ciúmes quando esse cara chegou e você deu atenção a ele

— Mas você é Hétero

— Não Charlie eu não sou, eu me apaixonei por você dês do primeiro dia que vi você aqui no campus, eu não conheci esse tal Sam e nem me interessa saber quem é. Eu apenas gostei de você, mas não queria admitir pra mim mesmo. Mas depois de hoje de manhã, daquele selinho, eu fiquei sonhando acordado com o momento que você me beijaria outra vez.

Depois de ouvir uma declaração dessas, meu coração apenas seguiu seu instinto, agarrei Paul pela cintura e dei um beijo, um dos melhores que dei na vida. Foi um momento muito intenso, nossas línguas se entrelaçaram, nossos corpos estavam bem juntinhos, eu podia sentir o sangue dele correndo nas veias. Ficamos nos beijando por alguns minutos. Depois disso Paul pegou minha mão, saímos de mãos dadas de dentro do prédio onde estava as salas de jogos. Alguns alunos olhavam espantados quando via Paul e eu andando pelo campus de mãos dadas. Eu estava me sentindo muito orgulhoso, foi o que Paul também disse. Voltamos para nosso quarto assim, nick não estava no meu quarto, então aproveitamos para ficarmos juntos por mais algum tempo. nos beijamos a tarde inteira, conversamos bem pouco.

Já era um pouco tarde quando Paul deixou meu quarto, Nick já estava ali, ele estava me contando sobre o que tinha acontecido na aula dele. Olhei no meu celular tinha várias mensagens de Johnny, mas fiz questão de apagar todas sem ler nenhuma. Quando terminei de apagar as mensagens, chegou outra, mas era de Sofia

''ESTOU VOLTANDO AMANHÃ PARA O CAMPUS, SE PREPARE, VAMOS REALIZAR O FEITIÇO NESSE FINAL DE SEMANA''

Eu estava feliz, mas ao mesmo tempo preocupado. será que a gente conseguiria realizar esse feitiço e prender Sam para sempre? Tudo parecia fácil demais, nada era tão simples. Mas eu resolvi pensar positivo e pensar que tudo daria certo.

— Ei o que foi, ficou muito calado — Falou Nick quando eu fiquei em silêncio olhando para o celular

— Não é nada não, só minha mãe contando algumas novidades de casa — Menti

Nick riu, em seguida caiu no chão gritando de dor, eu corri até o garoto ele estava muito quente. Ele me disse que algo dentro dele estava queimando, eu não sabia o que fazer, fiquei desesperado. Foi quando os olhos dele começaram a mudar de cor, eu me assustei, não era coisa de vampiro, os olhos de um vampiro não ficavam daquela cor, ele também não tinha sinal de mordidas.

— Algo está queimando dentro de mim, me ajuda — Nick gritava

— Eu vou pedir ajuda, — Falei e sai pelo corredor pedindo ajuda, encontrei com Tedy que estava vindo em direção ao nosso quarto. Ele fez com que eu não fosse até a enfermaria, ele me levou de volta ao quarto e disse que sabia como ajudar

— Ele vai ficar bem Charlie — Dizia Tedy, ele me ajudou a colocar Nick na cama, o garoto ainda gritava de dor

— Tedy a dor não está passando ele precisa de ajuda — Falei

— A dor vai passar, confia em mim, e ninguém pode ajuda lo aqui Charlie, você mais do que ninguém sabe disso

— Como assim?

— Pensa que eu não sei sobre você? Sobre seu ancestral Sam? Pessoas como nós não podemos ser ajudados por humanos, eles não nos compreendem — Disse Tedy com a voz um pouco alterada

— Você também é um vampiro? — Perguntei assustado

— Não, eu não sou um vampiro, eu sou outro tipo de monstro, Nick é como eu, por isso eu sei que essa dor vai passar, confia em mim, eu já passei por isso

Eu fiquei aliviado em saber que Nick ficaria bem, mas ainda estava confuso, que tipo de monstro Tedy era? que tipo de monstro Nick seria? Quando eu pensava que as coisas estavam se ajeitando tudo ficava complicado de novo. Não sei o que eu faria, mas ao menos Nick já estava parando de gritar, o que foi um alivio não só para ele como para nós.