Doce Sangue
11 A Festa
Notas iniciais
Foi um dia horrível, as aulas foram canceladas, todos os alunos passaram por um interrogatório policial. Não foi difícil pra mim inventar uma história, estava ficando bom em mentir. Depois que a confusão passou todos no campus começaram a agir com cuidado, sempre andando com celular na mão e com mais de uma pessoa. A festa não foi cancelada, pois os alunos ainda estavam a fim de se divertir, mesmo alguns desistindo depois do ocorrido. Recebi uma ligação de Sofia, ela queria saber se eu ainda iria na festa, eu respondi que sim não tinha escolha, eu não queria provocar Sam, não queria mais mortes e escândalos no campus. Voltei para meu quarto no final da tarde, depois que sai do interrogatório, fui para a lanchonete e depois para a biblioteca, os livros me distraiam um pouco. Quando entrei no quarto, Nick estava deitado na cama lendo um livro, ou pelo menos fingindo que estava lendo.
– Que coisa horrível não é mesmo? — Disse Nick assim que me sentei na minha cama, do outro lado do quarto
– Sim — Respondi não queria prolongar a conversa
– Minha mãe ligou, disse que não é mais seguro ficar aqui, ela pensa em me mudar de faculdade.
– Então você vai embora?
– É claro que não, eu não vou pra nenhuma outra faculdade, eu não saio daqui por nada
– Deveria, as coisas estão muito estranhas por aqui — Falei depois me levantei em direção a porta
– Não, eu não vou deixar você, nunca — Nick disse isso e sorriu de canto, depois voltou a sua leitra.
Eu sai do quarto em seguida, fui até o quarto de Johnny, no corredor alguns alunos me olhavam, outros diziam para eu não andar sozinho. Mas eu não tinha medo. Cheguei ao quarto de Johnny, bati na porta algumas vezes, o garoto abriu, ele pediu para que eu entrasse. Johnny tentou me beijar assim que eu entrei no quarto, mas eu desviei do garoto, o assunto que eu queria falar era outro.
– Não quer me beijar? — Perguntou Johnny um pouco frustrado
– Eu vim aqui dizer algo importante, não estou com cabeça para beijos — Falei preocupado
– O que foi Charlie? Que cara é essa? — Perguntou Nick, em seguida nós dois nos sentamos na cama dele.
– Seu colega de quarto?
– ele não está..
– Tudo bem, há algum tempo eu queria te dizer isso, mas achei melhor esconder. Mas não posso mais fazer isso
– O que?
– Sam está vivo
Quando eu disse isso, Johnny por um segundo tentou rir, ele se desculpou e depois voltou a me encarar.
– Charlie, Sam está morto — Ele disse certo disso
– Não ele não está, aconteceram algumas coisas que me fizeram suspeitar, agora hoje ele mandou essa mensagem pra mim
Mostrei a mensagem que eu recebi mais cedo. Johnny ficou olhando pra ela por um tempo, ele se levantou andava de um lado para o outro lendo e relendo a mensagem.
– Tem certeza? Tem certeza que não é uma brincadeira? — Johnny agora estava sério
– Tenho, Nick disse que eu o beijei uma noite, e isso não aconteceu, ele está vivo e está aqui.
Quando eu disse isso, Johnny correu rápido e me pressionou contra a parede, ele segurava meu pescoço com força, eu quase não conseguia respirar.
– Como saber que você não é Sam? ele sempre soube manipular as pessoas, sempre foi um ótimo ator, como saber que você não é ele? — Disse Nick enquanto tentava me estrangular
– Me beija, você vai saber — Eu disse com a voz fraca, pois estava sufocando
Nick me deu um beijo, e aos poucos foi soltando meu pescoço, e segurando minha cabeça. Nosso beijo ficou intenso, ficamos nos beijando por um tempo, depois que paramos, Johnny voltou a se sentar na beira da cama, ele olhou pra mim com os olhos marejados, depois se desculpou pelo momento.
– O que vamos fazer agora? — Perguntou Johnny olhando para as suas próprias mãos
– Vamos descobrir porque Sam está aqui primeiro — Respondi rápido
– Você é mesmo muito otimista Charlie. Se ele realmente está aqui, com certeza tem um motivo, não deve ser um bom motivo mas você nunca vai saber o que ele quer, a não ser é claro que ele queira que você saiba. Eu passei muito tempo ao lado dele mesmo assim ele conseguiu me manipular, mentir. Nós precisamos tomar cuidado, isso é o que devemos fazer. Você não vai aquela festa vai?
– Eu tenho que ir, tenho que dar aquele vidro a ele. Se Sam é assim como você disse ele vai cumprir as ameaças, eu não posso arriscar.
– Ok, eu vou com você
– Não, melhor você não ir. Ele me pediu pra fazer isso, mas não disse que eu poderia contar a alguém, se ele souber que eu te contei talvez ele façpa algo contra você ou contra Nick, não posso arriscar, tenho que fazer isso sozinho, ele só quer esse vidro nada mais
– E se ele te machucar?
– Johnny o Sam já está aqui a algum tempo, se a intenção dele fosse me machucar ele já teria feito isso, claro que os planos dele são outros, e mesmo que você diga que eu não vou descobrir, pode apostar, eu vou.
Johnny ainda tentou me convencer a deixar ele ir comigo a festa, mas eu deixei bem claro que não, que talvez isso pudesse provocar a ira de Sam e isso não era o que nós queríamos no momento.
Voltei para meu quarto, já estava escurecendo. Nick estava se arrumando, ele também foi convidado, eu fui tomar um banho e depois me arrumar. Coloquei uma calça jeans, um tênis, uma camisa branca e um boné. Em seguida sai e caminhei até o fundo do campus onde seria a festa.
Sofia estava me esperando na porta do predio abandonado onde estava ocorrendo a festa. eu cumprimentei a garota e as amigas que estavam do lado dela. Depois nós entramos, o salão estava cheio, estava tudo enfeitado com luzes, fitas e bexigas. Algumas pessoas dançavam no meio do salão com copos de bebidas nas mãos.
Notei em um canto da festa Nick com alguns amigos, ele estava com um copo na mão, deu uma olhada pra mim e ergueu o copo sorrindo. Balancei a cabeça e voltei a conversar com Sofia, ela estava me contando sobre como foi planejar a festa, ela e as amigas ficaram contando cada detalhe. Notei que no andar de cima perto da escada havia uma pessoa misteriosa, estava com uma capa preta, não dava pra ver o rosto. Imaginei que fosse Sam. Pedi desculpas as meninas e as deixei ali e segui em direção a escada. Quando subi no segundo andar, notei que a pessoa de capa foi para um corredor escuro, eu a segui, ela foi andando até o final do corredor e entrou em um dos quartos abandonados, eu a segui. Quando finalmente cheguei ao quarto e entrei, a pessoa fechou a porta e virou pra mim. Eu ainda não conseguia ver quem era.
– Então você também é um deles agora — a voz era estranha, nunca tinha ouvido antes
– Sem conversa, você veio buscar isso não é — peguei o frasco que estava no meu bolso.
– O que é isso? — Perguntou a pessoa que estava com a capa
– Não é você Sam? — Perguntei confuso
– Sam está morto, assim como você vai estar daqui a alguns segundos — Disse a pessoa, depois retirou sua capa. Era um aluno do campus, ele estudava na sala de Johnny, o garoto era mais velho nunca tinha conversado com ele antes.
– Me matar? Porque? — Perguntei
– Você sabe o que você é.. sabe o que fez, Chad não era meu amigo, mas você ter o matado daquela forma não foi legal
– Eu não fiz nada, sério
– Não tente mentir pra mim Charlie, eu sou um fundador, eu sei sobre sua especie horrível, sei a aberração que você é, pode dizer agora suas ultimas palavras seu monstro — Disse o Rapaz tirando um pedaço de madeira bem afiado de dentro da bermuda, ele apontava pra mim, eu dava alguns passos para trás, pensando que realmente seria meu fim.
De repente o garoto arregalou os olhos, ele ficou duro. Caiu na minha frente, atrás dele estava uma pessoa na qual eu nunca pensei imaginar ver na minha vida. Era Sam, o garoto apareceu do nada e arrancou o coração do menino que estava querendo me matar. Sam estava ali ainda parado com o coração do garoto nas mãos, o garoto estava no chão com um buraco nas costas, havia muito sangue inclusive nas mão de Sam.
– Não é possivel — Eu disse olhando impressionado para o rapaz, ele realmente era muito parecido comigo, como se fosse meu irmão gêmeo idêntico, mais do que isso, como se ele fosse minha cópia, meu clone.
– Vai dizer que está impressionado com um pouquinho de sangue? — Falou Sam dando um sorriso de canto, depois jogando o coração no chão e lambendo os dedos de sangue.
– O que você fez? — Falei ainda assustado
– De nada...
O Garoto depois limpou as mãos na roupa do menino que ele tinha acabado de matar, depois voltou a olhar pra mim. Eu ainda estava impressionado com nossa semelhança.
– Como você é tão parecido comigo? como pode? — Perguntei assustado
– Ah por favor, parecido com você? Olhe pra você e olhe pra mim... — Disse Sam em um tom de deboche
Realmente éramos parecidos fisicamente, mas Sam tinha um estilo totalmente diferente do meu. Ele usava calças pretas coladas nas pernas, Tênis preto de cano alto, como botas masculinas, Usava uma camisa branca e uma jaqueta preta por cima. Tinha muitas pulseiras, e alguns colares, pircing no nariz e um brinco na orelha. Seu cabelo parecia bem liso, jogado nos olhos.
– Mas você não estava morto?
– Não me venha com perguntas, estou aqui para pegar o que é meu
– Me responda, eu te entrego depois
– Você pensa que é alguém pra me dar opções? Ora Charlie, eu não estou pedindo, isso foi uma intimação, você está com uma coisa minha e eu a quero de volta.
– E se eu quiser quebrar, jogar fora? o que você vai fazer me matar?
Sam deu um sorriso de canto e abriu a porta do quarto e saiu, ele foi em direção ao corredor do banheiro que também ficava ali no segundo andar, eu fui atrás do garoto mas escondido, não queria que todos vissem que haviam duas pessoas iguais ali. Aproveitei a capa que o garoto fundador estava usando, fui atrás de Sam. Quando ele chegou na fila do banheiro, Sofia estava parada ali esperando. A fila do banheiro ficava próximo a escada, Sofia sorriu quando viu Sam, claro ela pensou que fosse eu, estranhou a roupa e o visual, mas sem perder tempo Sam empurrou a menina da escada, a garota saiu rolando a escada, eu corri para ver, todos já estavam prestando socorros a menina. Sam então voltou em minha direção
– Eu posso matar todo mundo aqui nessa festa, um por um, até que não sobre ninguém, Sam está morto mesmo, a culpa sempre vai ser sua. Se você quer ficar com esse frasco, pode ficar, eu não vou falar nada pra você, não vou pedir. Mas enquanto você estiver com ele, pessoas vão morrer, vai ter muito sangue, o preço de ficar com isso vai ser alto, você escolhe. — Sam disse isso ao passar por mim, ele sorria irônico
– Toma, leva, sai da minha frente — Eu falei entregando o frasco de vidro a ele.
– Um presentinho por você ser tão insolente — Sam sussurrou depois pegou um garoto que estava saindo do banheiro e o mordeu
Depois Sam saiu caminhando sorrindo, o Rapaz que ele havia mordido estava gritando de dor, mas ninguém ouviu por causa do barulho da festa e da confusão que estava pela Sofia que estava caida na escada. Eu voltei a olhar Sofia mas os médicos do campus já estavam cuidando dela, então voltei ao garoto que estava sentindo dor, quando cheguei até ele, o garoto já não sentia mais dor, e seu ferimento já tinha curado.
– O que você fez comigo? — O Garoto perguntou olhando para seu braço onde tinha levado a mordida
– Não fiz nada — Respondi
– Você me mordeu, foi rápido mas eu vi que foi você, eu estava sangrando estava doendo e agora eu já estou curado, o que foi isso? — O rapaz insistia em perguntar.
– Vem comigo — Falei tentando ajudar o rapaz a andar do meu lado
– Me solta, você é algum tipo de bruxo? — Ele estava com medo
Eu dei um soco na cara do rapaz, depois joguei ele no ombro e o levei escondido para fora do prédio, descemos outra escada, saímos pelo fundo para evitar confusão. Eu o levei para o dormitório no quarto de Johnny, o garoto estranhou quando cheguei carregando o garoto, mas eu precisava o levar pra algum lugar. Não podia deixar ele sair por ai falando que eu o mordi, quando na verdade foi Sam, mas todos acreditariam que tinha sido eu.
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